domingo, 28 de março de 2010

Gripe Suína: A Revolta da Vacina

Apesar do Ministério da Saúde reafirmar que a vacina contra a influenza A (H1N1)- mais popularmente conhecida como gripe suína- é necessária e segura, muita gente ainda prefere acreditar na existência de uma verdadeira conspiração em torno dessa campanha de vacinação. Mesmo sabendo que o novo vírus já está presente em pelo menos 213 países e matou mais de 16 mil pessoas em todo o mundo no ano passado, os e-mails contra a vacinação continuam circulando.
No Brasil, embora a grande maioria das pessoas com suspeita de gripe tenha tido doença leve e se recuperado sem dificuldade , houve grupos da população que foram atingidos de maneira mais importante. São esses grupos que serão vacinados: os 4 recomendados pela OMS( trabalhadores de serviços de saúde, gestantes, indígenas e doentes crônicos) mais 3 incluídos pelo Ministério da Saúde (crianças entre 6 meses e 2 anos de idade e adultos de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos).
Em entrevista ao Jornal Destak (25/03/2010), o ministro José Gomes Temporão voltou a afirmar que a vacina é segura. Disse o ministro: " A vacina é segura. Até o momento, foram aplicadas mais de 300 milhões de doses em países da Europa e América do Norte, sem ocorrência de efeitos graves". Disse também que o ministério não assinou nenhum termo de imunidade judicial com nenhuma indústria ou empresa. Temos  notícia de que alguns países da Europa enfrentaram problemas. Mas estamos seguros  de que o Brasil não enfrentará situação crítica como essa, afirmou o ministro.
Contudo, a revolta da vacina continua. Na internet, há inúmeros sites  com informações contrárias às campanhas de vacinação. Alguns apelam  para a tal conspiração para reduzir a população do planeta e distorcem informações verdadeiras para produzir medo. Dizem, por exemplo, que há mercúrio no medicamento. De fato, há um derivado do metal, o timerosal, um bactericida largamente  utilizado em vários tipos de vacinas. Dizem também que há escaleno, que seria tóxico. Todos os anos, milhões de pessoas tomam vacinas contra a gripe comum, que contêm a mesma substância, esclarece Fábio Santos, diretor editorial do Jornal Destak em sua coluna.
Os E.U.A e a maioria dos países europeus fizeram campanhas de vacinação no ano passado e nenhuma morte foi registrada como sendo provocada por reação à vacina. Embora existam efeitos colaterais, eles são raros e não passam de dores musculares e de cabeça. Alguns sites chegam a noticiar  que a vacina contra a gripe pode provocar uma doença neurológica, a Síndrome de Guillain-Barre. Mas essa é uma doença rara que atinge 1 0u 2 a cada 100 mil pessoas, tenham elas tomado ou não vacinas. Por enquanto, a única recomendação é que pessoas que tem alergia a ovo não devem tomar a vacina.

terça-feira, 23 de março de 2010

Impressões Bacterianas

Com ajuda da microbiologia, peritos forenses podem em breve ganhar uma nova ferramenta para ajudar a identificar suspeitos de crimes. Um estudo publicado esta semana mostrou que as bactérias que vivem na pele humana (como a Staphylococcus aureus da foto) são 'personalizadas', ou seja, cada indivíduo possui uma composição única de comunidades desses microrganismos. Como essas bactérias podem persistir inalteradas nos objetos manuseados ao longo de dias, é possível identificar indivíduos a partir da ’impressão microbiana’ exclusiva deixada por ele nesses objetos.
Estudos anteriores já haviam mostrado que apenas 13% das bactérias geralmente encontradas na palma das mãos são compartilhadas por duas pessoas. A partir desse dado, pesquisadores da Universidade de Colorado em Boulder (EUA) decidiram investigar se a composição de comunidades bacterianas podia funcionar como uma espécie de ‘impressão digital’ para cada indivíduo.
A análise de teclados e mouses de computadores mostrou que resíduos bacterianos deixados na superfície dos equipamentos eram compatíveis com os microrganismos encontrados na ponta dos dedos de diferentes usuários. O grau de compatibilidade era consideravelmente maior do que em relação a amostras recolhidas da pele de pessoas que não haviam tocado os objetos.
“Mesmo gêmeos idênticos têm comunidades microbianas diferentes, o que sugere que nosso conjunto de bactérias pode ser mais pessoalmente identificável que o genoma humano”, concluiu a equipe de Noah Fierer, pesquisador da Universidade de Colorado em Boulder (EUA). Os resultados do estudo foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Material genético similar

Na primeira parte da pesquisa, foram comparadas amostras de bactérias recolhidas em três teclados de computador e nos dedos dos respectivos donos. Após analisar o DNA bacteriano, o grupo concluiu que o material genético dos dois tipos de amostras era similar. Quando a comparação foi feita com outros 15 teclados nunca tocados pelos três voluntários, não houve o mesmo grau de correspondência.
“Juntos, esses resultados demonstram que o DNA bacteriano pode ser recuperado de superfícies relativamente pequenas, que a composição das comunidades de bactérias associadas aos teclados é distinta nos três equipamentos e que os indivíduos deixam ‘impressões digitais’ bacterianas únicas em seus teclados”, afirmam os pesquisadores no artigo publicado pela PNAS.
Em um segundo experimento, os cientistas coletaram bactérias da pele de dois voluntários. Metade das amostras foi armazenada a -20°C, e o restante, deixado em um recipiente aberto a 20°C. Mesmo após duas semanas, o material conservado sob temperatura ambiente não sofreu alterações genéticas, provando que condições típicas de ambientes interiores têm pouca ou nenhuma influência na composição de comunidades bacterianas. Em outras palavras, as bactérias deixadas sobre objetos mantêm a estrutura e a composição inalteradas mesmo dias depois de eles terem sido manuseados pela última vez.
Na última parte da pesquisa, os cientistas testaram a eficácia da técnica para a identificação de pessoas. A equipe coletou amostras de nove mouses de computadores pessoais que não haviam sido tocados por mais de 12 horas. Também foi coletado material bacteriano das palmas das mãos dos donos dos computadores.
A técnica poderá usada quando não for possível recolher impressões digitais clarasA compatibilidade entre os dois tipos de amostras foi então comparada a 270 amostras de bactérias coletadas das mãos de pessoas que nunca haviam utilizado os mouses. Nos nove casos, as comunidades bacterianas encontradas em cada objeto foram muito mais similares àquelas da pele dos usuários.
A expectativa é de esses métodos de comparação possam ser usados como alternativa à análise de DNA e às impressões digitais em investigações forenses. “A menos que haja sangue, tecido, sêmen ou saliva sobre um objeto, é difícil obter material genético humano suficiente para identificações forenses”, lembram os pesquisadores. Eles acreditam que a técnica poderá usada quando não for possível recolher impressões digitais claras, como em superfícies altamente texturizadas.



Camilla Muniz

  * Artigo publicado originalmente em Ciência Hoje On-line

sábado, 20 de março de 2010

Aves que Derrubam Aviões

Nos últimos anos, o número de acidentes aéreos causados por aves que vivem ou procuram por alimentos junto à  pista de aeroportos tem crescido assustadoramente. Dentre as aves que estão nesta categoria temos as garças-vaqueiras (foto), os quero-queros, os urubus e  gaviões de diversas espécies. A entrada de uma dessas aves nas turbinas ou a colisão com a cabine de comando das aeronaves constituem os principais riscos à navegação aérea. Em face à esses problemas, o CEMAVE/IBAMA elaborou o Plano de Ação Emergencial para Controle do Perigo Aviário (PAE) que prevê atividades relacionadas ao monitoramento e controle das espécies que constituem risco ao tráfego aéreo em diversas partes do Brasil. Há uma semana o Aeroporto Internacional Tom Jobim no Rio de Janeiro  está testando falcões controlados por controle remoto. O robô imita a ave e assusta urubus e outros pássaros que atrapalham o tráfego aéreo. os primeiros resultados são bons, e,  se aprovados, os serviços do fabricante serão contratados. 

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Conspiração da Gripe Suína

Uma série de e-mails  tem circulado na internet dizendo que a vacina contra a gripe suína é perigosa e contém substâncias tóxicas. Ontem (17/03/2010), o Ministério da ´Saúde negou as informações. "A vacina é eficaz, segura e protege a população. E-mails irresponsáveis como esses ocorrem em todas as campanhas", disse o órgão em nota.
Sob o título de "A Conspiração da Gripe Suína " o diretor editorial do Jornal Destak, Fábio Santos comenta este tipo de comportamento na edição de hoje (18/03/2010). Leia um trecho de sua coluna:
"Recebi um e-mail alertando a não tomar a vacina contra a gripe suína, pois ela faria parte de uma conspiração contra 'toda a Humanidade'. Assim mesmo, com h maiúsculo, para não deixar dúvidas. O objetivo? Nada menos do que matar todas as pessoas que tomarem a vacina.
Misturando fatos reais distorcidos e mencionando personagens controversos e desacreditados, o e-mail acusa a OMS (Organização Mundial de Saúde) de causar pânico para convencer as pessoas a tomar a vacina. 'O que a OMS e a Nova Ordem MUndial desejam é um extermínio em massa da população mundial' diz o texto (de novo, em maiúsculas).
A coisa toda seria de morrer de rir se não tratasse de desinformação grave que pode comprometer a saúde das pessoas. O pior é que tem muita gente acreditando na salegações absurdas de e-mails como esse, o que forçou o Ministério da Saúde a reafirmar: a vacina é segura e deve ser tomada por todos que pertencem aos grupos de risco. 
Alguma confusão se instarou porque as pessoas adoram uma teoria da conspiração (...). É uma inclinação nutrida pela sensação de que somos pequenos diante dos poderosos do mundo e pela desconfiança que a maioria tem em relação a tudo que pareça grande e muito influente.
É um sentimento saudável porque, afinal, conspirações existem mesmo (...). Um bom método para saber se uma teoria conspiratória não é completamente maluca é considerar os seus objetivos. Se for claro  e mensurável, como montar um cartel, há boa chance de estarmos diante de algo real. Outro indicador é o número de atores envolvidos. Se forem só uns poucos, melhor ficar atento."

terça-feira, 16 de março de 2010

Anvisa Reconhece o Uso de Ervas Medicinais

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) finalmente reconheceu o uso das ervas medicinais. Utilizadas há várias gerações, as chamadas "drogas vegetais" agora tem um manual ensinando o uso correto dessas folhas, plantas, cascas e raízes. No site http://www.anvisa.gov.br/ é possível encontrar informações completas sobre as ervas medicinais, como a forma de utilização, nomenclaturas na botãnica e popular, ação terapêutica, contraindicações e efeitos colaterais.
Os benefícios das chamadas “drogas vegetais” passam de geração em geração. Quase todo mundo já ouviu falar de alguma planta, folha, casca, raiz ou flor que ajuda a aliviar os sintomas de um resfriado ou mal-estar. Unindo ciência e tradição, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer popularizar esse conhecimento, esclarecendo quando e como as drogas vegetais devem ser usadas para se alcançar efeitos benéficos. A medida faz parte da RDC 10, publicada nesta quarta-feira (10/03/2010).
“O alho é um famoso expectorante e muita gente tem o hábito de usá-lo com água fervente. No entanto, para aproveitar melhor as propriedades terapêuticas, o ideal é deixá-lo macerar, ou seja, descansar em água à temperatura ambiente”, explica a coordenadora de fitoterápicos da Anvisa, Ana Cecília Carvalho.
Inaladas, ingeridas, usadas em gargarejos ou em banhos de assento, as drogas vegetais têm formas específicas de uso e a ação terapêutica é totalmente influenciada pela forma de preparo. Algumas possuem substâncias que se degradam em altas temperaturas e por isso devem ser maceradas. Já as cascas, raízes, caules, sementes e alguns tipos de folhas devem ser preparados em água quente. Frutos, flores e grande parte das folhas devem ser preparadas por meio de infusão, caso em que se joga água fervente sobre o produto, tampando e aguardando um tempo determinado para a ingestão.

Confira aqui a forma correta de preparo em cada caso

Outra novidade da resolução diz respeito à segurança: a partir de agora as empresas vão precisar notificar (informar) à Agência sobre a fabricação, importação e comercialização dessas drogas vegetais no mínimo de cinco em cinco anos. Os produtos também vão passar por testes que garantam que eles estão livres de microrganismos como bactérias e sujidades, além da qualidade e da identidade. Além disso, os locais de produção deverão cumprir as Boas Práticas de Fabricação, para evitar que ocorra, por exemplo, contaminação durante o processo que vai da coleta, na natureza, até a embalagem para venda. As embalagens dos produtos deverão conter, dentre outras informações, o nome, CNPJ e endereço do fabricante, número do lote, datas de fabricação e validade, alegações terapêuticas comprovadas com base no uso tradicional, precauções e contra indicações de uso, além de advertências específicas para cada caso.

Drogas vegetais e fitoterápicos

As drogas vegetais não podem ser confundidas com os medicamentos fitoterápicos. Ambos são obtidos de plantas medicinais, porém elaborados de forma diferenciada. Enquanto as drogas vegetais são constituídas da planta seca, inteira ou rasurada (partida em pedaços menores) utilizadas na preparação dos populares “chás”, os medicamentos fitoterápicos são produtos tecnicamente mais elaborados, apresentados na forma final de uso (comprimidos, cápsulas e xaropes).
Todas as drogas vegetais aprovadas na norma são para o alívio de sintomas de doenças de baixa gravidade, porém, devem ser rigorosamente seguidos os cuidados apresentados na embalagem desses produtos, de modo que o uso seja correto e não leve a problemas de saúde, como reações adversas ou mesmo toxicidade.

Luana Cury - Imprensa / Anvisa

segunda-feira, 15 de março de 2010

Drogas: No Embalo das Combinações Perigosas

A revista Veja noticiou em sua edição de 21 de outubro de 2009 que, para embalarem a noitada, jovens “montam” sua própria droga misturando mais de uma substância ilegal ou juntando-as com remédios produzidos em laboratórios farmacêuticos. A mistura pode ser fatal. A imprudência e a vontade de experimentar sensações desconhecidas vêm conduzindo os freqüentadores de clubes e raves a um comportamento de duplo risco: além de usarem nas pistas substâncias ilegais de todo tipo, muitos passaram a mistura-las com um coquetel de drogas de acesso fácil e efeitos algumas vezes devastadores. Anestésicos de uso veterinário, remédios para impotência e até medicamentos para tratamento de Aids ingressam facilmente nos clubes para serem consumidos com cocaína e comprimidos de ecstasy. Vejamos os efeitos e os riscos das principais combinações que “rolam” nas baladas pelo Brasil afora:

1- Ecstasy (MDMA) + Cocaína. Além de alucinações, o ecstasy causa euforia, que é aumentada pela cocaína. As probabilidades de infarto, arritmia cardíaca, ataques de pânico e ansiedade são potencializadas pelo aumento do neurotransmissor adrenalina no organismo. A ingestão da mistura pode resultar ainda na chamada “bad trip”, sensação de angústia e mal estar, possivelmente decorrente da sobrecarga nos sistemas neurotransmissores de dopamina no cérebro.
2- Ecstasy (MDMA) + Maconha (THC). Como uma droga tem efeito contrário ao da outra- o ecstasy é excitante, enquanto a maconha é relaxante -, os usuários as misturam para transitar entre os dois estados. Nesse caso, há risco de taquicardia, que pode levar ao infarto.
3- Ecstasy (MDMA) + Remédios para impotência (Viagra, por exemplo) + antirretroviral. Coquetel conhecido como “bomba”. A mistura é usada para fazer sexo – como o ecstasy provoca vasoconstrição, que dificulta a ereção, o vasodilatador Viagra entra para minimizar o problema. Já o antirretroviral, além de potencializar em até 12 vezes o efeito do ecstasy, é visto, equivocadamente como uma maneira de “prevenir” o contágio pelo vírus HIV em caso de uma eventual relação sexual sem camisinha. Os riscos são: convulsões, priapismo (ereção contínua), cegueira, espasmos das artérias coronárias e contágio pelo HIV.
4- Ecstasy (MDMA) + GHB (ácido gamahidroxibutírico; usado normalmente como tratamento para narcolepsia) + Ketamina (anestésico de uso veterinário). A mistura causa euforia e aumento da disposição (por isso o GHB também é usado em academias). Os homens podem ter a ereção prolongada e ejaculações sem nenhum estímulo. Os riscos são: náusea e dificuldades respiratórias que podem levar amorte.
5- LSD (ácido lisérgico) + Ketamina. Efeitos dissociativos – delírio, sensação de deixar o corpo e experiências de quase morte – são intensificados. As conseqüências do uso combinado dessas duas drogas ainda são desconhecidas. Isoladamente, a ketamina aumenta a resistência vascular pulmonar, o que pode causar insuficiência cardíaca e infarto do miocárdio. A cocaína quando combinada com a ketamina também eleva o risco de infarto

Postagem elaborada com base na reportagem da revista Veja de 21/10/2010 intitulada “Música, sexo e loucura”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Como os Analgésicos Atuam no Corpo?

Os analgésicos bloqueiam as substâncias (receptores sensoriais) do corpo que enviam a mensagem ao cérebro dizendo que há um foco de inflamação ou algum outro problema. Quando o cérebro deixa de receber esse aviso, a dor cessa. A origem da palavra analgésico já diz tudo: em grego, an significa "sem" e algós, dor.
Um exemplo simples é o da queimadura. Assim que colocamos a mão em um local quente, antes mesmo de sentirmos a dor já desencostamos dali. Isso acontece porque as células nervosas do local queimado emitem um sinal imediato ao cérebro dizendo que há algo errado. Só então ele envia a sensação de dor.
Os analgésicos comuns, desses comprados em comprimidos na farmácia, são chamados de periféricos, porque depois de ingeridos vão por todo o organismo pela circulação sanguínea. O medicamento não detecta onde está a dor. Como ele está espalhado pelo sangue, o local que tem a dor absorve o remédio, explica o médico e farmacologista Sérgio Henrique Ferreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP).
O analgésico demora de 30 minutos a uma hora para começar a agir e cessa depois de três ou quatro horas. Por isso, para dor crônica é preciso um tratamento mais longo, diz o médico.
Outro tipo de analgésico é o chamado central, utilizado em casos de dor intensa e contínua, em casos mais graves como infarto e câncer, por exemplo. Entre os analgésicos desse tipo está a morfina, que atua diretamente no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), alterando a percepção de dor para o corpo todo.
É importante salientar que dor é sempre um sinal de que algo não está bem. Pode ser uma simples dor de cabeça, um pequeno corte ou até um infarto. Por isso, tomar analgésicos sem saber a causa da dor é perigoso, pois eles podem esconder sintomas de um problema sério. Na dúvida, o correto é sempre procurar um médico.

*Fonte: Coluna "Na Dúvida" da Revista Nova Escola On-Line (Clique em Biolinks)



terça-feira, 9 de março de 2010

Os Segredos do Cavalo Marinho

Além da sua beleza, os cavalos-marinhos chamam a atenção por seu sistema reprodutivo peculiar, que se caracteriza pela incubação dos embriões em desenvolvimento dentro do corpo do macho. Descobertas recentes esclareceram alguns dos ’segredos‘ associados a essa forma única de reprodução e nos deram pistas importantes sobre alguns aspectos da biologia do desenvolvimento, inclusive de nossa espécie.
Os cavalos-marinhos e seus parentes, os peixes-pipa, pertencem à família dos singnatídeos, um grupo taxonômico que se reproduz por viviparidade. Essa forma de desenvolvimento é encontrada em todos os grupos de vertebrados, com exceção das aves, mas é pouco comum entre os peixes.
A viviparidade é definida como o nascimento de filhotes bem desenvolvidos e ativos e está associada com a fecundação interna e o desenvolvimento embrionário e fetal no interior do corpo de um dos pais.
Os organismos em que ocorre esse tipo de incubação têm custos energéticos elevados e riscos maiores de predação. Embora os organismos vivíparos apresentem tamanhos reduzidos de ninhada se comparados com espécies que se reproduzem por meio de ovos (ovíparas), a viviparidade permite uma maior sobrevivência da prole, pois minimiza a influência ambiental durante o desenvolvimento embrionário.
A viviparidade é encontrada em apenas 2-3% das cerca de 30 mil espécies de peixes conhecidasA viviparidade é encontrada em 54 famílias de peixes, mas ocorre em apenas 2-3% das cerca de 30 mil espécies conhecidas. Como essas espécies não possuem útero, o desenvolvimento da prole ocorre na cavidade ovariana ou folicular.
A nutrição embrionária pode ocorrer através do vitelo, de outros ovos ou mesmo de outros embriões. Em algumas espécies os recursos alimentares e os gases respiratórios são fornecidos aos embriões através de estruturas epidérmicas, de projeções intestinais, de pseudoplacentas foliculares ou de estruturas similares a placentas, mas que possuem vitelo.

Casos raros

Sempre que se fala em viviparidade, pensamos logo na incubação da prole no corpo das fêmeas. Há, contudo, alguns casos extremamente raros em que o desenvolvimento embrionário pode se processar no corpo de machos.
Alguns exemplos desse tipo incomum de incubação ocorrem em duas espécies de pequenos e ameaçados anfíbios habitantes do sudoeste da América do Sul e conhecidos como sapos de Darwin (gênero Rhinoderma). Esses animais apresentam fertilização externa e seus embriões se desenvolvem por cerca de 20 dias no meio ambiente até se transformarem em girinos e serem capturados e mantidos em expansões bucais dos machos, conhecidas como sacos vocais, até sua metamorfose.
Os peixes singnatídeos são outro exemplo da incubação de embriões vivíparos em machos. Esse grupo compreende 232 espécies conhecidas que exibem uma ampla variedade e complexidade reprodutiva. Entre os singnatídeos, existem espécies que apresentam reprodução externa e outras nas quais as fêmeas incubam seus filhotes. Contudo, é a incubação por machos que faz esse grupo de peixes especial para os estudiosos da reprodução.
Em algumas espécies de singnatídeos, os machos mantêm os embriões em desenvolvimento em uma bolsa de incubação especializada existente na superfície de seus abdomes ou caudas. Esses locais apresentam modificações morfológicas e fisiológicas semelhantes às encontradas nas fêmeas vivíparas.
As estruturas reprodutivas mais complexas são encontradas nas 33 espécies de cavalos-marinhos que também apresentam as alterações fisiológicas reprodutivas mais marcantes. Nessas espécies, as fêmeas transferem seus gametas (ovócitos) ricos em reservas nutritivas (vitelo) para a bolsa de incubação dos machos, onde ocorre a fertilização pelos gametas masculinos.
Os cavalos-marinhos machos apresentam uma produção muito reduzida de gametasNos machos dessas espécies há uma produção muito reduzida de gametas – apenas cerca de 150 células por testículo, o menor valor conhecido entre os peixes. A reduzida competição espermática nessas espécies talvez esteja associada com esse processo, que talvez seja uma adaptação para evitar a fecundação dos ovócitos por mais de um espermatozoide.
Após a fertilização, os zigotos se implantam rapidamente e ocorrem diferenciações e adaptações fisiológicas e morfológicas nos tecidos masculinos associadas com o desenvolvimento embrionário. Há um aumento da vascularização nos locais de implantação embrionária. Também é observada a ocorrência de alterações relacionadas com a osmorregulação, a aeração, a nutrição e a proteção imune dos embriões em desenvolvimento.
Apesar de os embriões receberem um suprimento rico de energia de suas mães através do vitelo, acredita-se que os pais também contribuam com nutrientes durante a incubação. Além disso, pesquisas genéticas indicam que as lectinas C – um grupo de proteínas com atividade antibacteriana – são secretadas pelos machos para a proteção dos embriões antes que esses desenvolvam as suas próprias defesas imunes.

A gestação e depois

O período de gestação dos signatídeos possui uma enorme variação, podendo alcançar de 9 a 69 dias, dependendo da temperatura ambiental. Após a gestação, a pseudoplacenta dos machos é eliminada juntamente com os as formas jovens, que passam então a depender somente de si para o desenvolvimento futuro. Não há, portanto, entre os signatídeos qualquer forma de cuidado paternal (ou maternal) da prole.
A regulação hormonal da reprodução dos signatídeos depende da prolactina, um hormônio da hipófise que está relacionado com a osmorregulação, com o desenvolvimento, com as respostas imunes e com a reprodução nos vertebrados. Nos signatídeos, o bloqueio da síntese de prolactina causa abortos e a eliminação dos tecidos associados com a reprodução.
A testosterona e outros hormônios esteroides masculinos regulam o início da incubação nos signatídeos. Os esteroides femininos, como o estradiol e a progesterona, por sua vez, também controlam o desenvolvimento embrionário nessas espécies de peixes. Contudo, são necessárias pesquisas para verificar como se comportam os níveis desses hormônios durante a incubação masculina.
Os peixes do grupo dos cavalos-marinhos são modelos interessantes para pesquisas sobre reprodução. Diversas espécies de signatídeos podem ser cultivadas em laboratório com certa facilidade. Por terem tempos de geração curtos (3-12 meses), elevada fecundidade (de 50 a 2 mil filhotes por ninhada) e um genoma haploide pequeno (de 500 milhões a um bilhão de bases nitrogenadas), os cavalos-marinhos e outras espécies de seu grupo podem ser considerados modelos interessantes para pesquisas futuras que poderão esclarecer como ocorre a reprodução do ponto de vista morfológico, fisiológico e genético.
O estudo desses animais pode gerar dados essenciais para a compreensão desse processo em nossa própria espécie. Além disso, esses simpáticos peixes oferecem uma oportunidade para que possamos investigar o processo de seleção sexual e compreender melhor o papel masculino na reprodução.



Jerry Carvalho Borges

Departamento de Medicina Veterinária

Universidade Federal de Lavras

*Artigo publicado na íntegra na Revista Ciência Hoje On-Line (clique nos Biolinks ao lado)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Conhecendo o PET Scan

PET scan (sigla em inglês para Positron Emission Tomography, ou tomografia por emissão de pósitrons) é uma das aplicações da medicina nuclear. Em vez de enviar um feixe de energia pelo corpo para revelar o que está dentro dele como faz a tomografia computadorizada, a medicina nuclear em geral utiliza fluidos ligeiramente radiativos que são infundidos ou ingeridos pelo paciente para encontrar tumores, pequenas fraturas ósseas ou outras anomalias. A substância radiativa, chamada de marcador, é formulada para coletar dados em uma área de interesse ou se acoplar a um tumor ou outra anomalia. Uma câmera que consegue detectar radiação de baixo nível vê o acúmulo do marcador como um ponto de acesso. Os marcadores também são usados para monitorar alguns pacientes de câncer para recorrências após o tratamento, já que talvez seja possível localizar tumores microscópicos.
Um PET scan tem alguma similaridade com as tomografias computadorizadas. Um anel de detectores localiza as emissões radiativas de baixo nível e um computador usa a tomografia para agrupar os dados em uma imagem. A diferença é que, durante um PET scan, a radiação vem de uma substância marcadora que foi introduzida no corpo do paciente, enquanto as tomo grafias computadorizadas envolvem raios X advindos de um emissor externo e que passam pelo corpo do paciente antes de chegar ao detector.
Os PET scans são freqüentemente usados para detectar câncer, porque as células tumorais tendem a consumir mais glicose do que a maioria das células normais; por isso um marcador radiativo feito de glicose se concentrará no tumor, produzindo, assim, uma área brilhante na imagem gerada por PET. Os PET scans também são usados por clínicos e pesquisadores para estudar a atividade cerebral. Quando uma região do cérebro está ativa, utiliza mais glicose, por isso fica mais brilhante em um PET scan que utiliza um marcador de glicose (foto). Por exemplo, os PET scans ajudaram os pesquisadores a identificar as partes do cérebro que estão envolvidas na visão e em outros sentidos onde as lembranças são armazenadas e que áreas são estimuladas quando um fumante traga um cigarro.
A tomografia por emissão de fóton (SPECT) funciona de modo muito parecido com o PET scan, mas o marcador é projetado para gerar um tipo de radiação diferente. As imagens SPECT são menos detalhadas do que as dos PET scans, mas os dispositivos são menos caros e mais amplamente disponíveis.

terça-feira, 2 de março de 2010

Docência: Uma Carreira Desprestigiada


Sim, o professor é fundamental para a sociedade e exerce um trabalho importante, nobre, gratificante e de muita responsabilidade. Mas, não, obrigado, não queremos ir para a sala de aula. É isso que diz a maior parte dos jovens brasileiros hoje. O trabalho é mal remunerado e o docente é confrontado pelos alunos, esquecido pelo governo e desvalorizado pela sociedade. Numa pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita (FVC) e  Fundação Carlos Chagas (FCC), apenas 2% dos estudantes do terceiro ano apontaram a Pedagogia ou algum tipo de Licenciatura como primeira opção de carreira.
Esse resultado bate com o panorama dos maiores vestibulares do país. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, Pedagogia, Licenciaturas e outros cursos ligados à formação de professores têm uma relação candidato/vaga bastante desfavorável quando comparada a outros cursos, como medicina, por exemplo. O maior vestibular do país, promovido pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), oferece 109 opções de cursos. E a graduação em Pedagogia no campus de São Paulo está na 90ª posição – no de Ribeirão Preto, é ainda pior: 92ª. Licenciaturas e disciplinas da Educação Básica são ainda menos procuradas pelos jovens.
O estudo da FVC/FCC revela outro dado interessante. Os pesquisadores perguntaram aos 1.501 alunos entrevistados na parte quantitativa da análise se em algum momento do processo de escolha profissional eles haviam cogitado trabalhar como professor – e 32% responderam que sim. Porém quase todos logo descartaram a ideia. A questão voltou a ser abordada nos grupos de discussão, gerando reações que iam da surpresa ao riso. Como explica Ivan*, que estuda numa escola particular em Campo Grande: “Já pensei em ser professor, só que desisti rápido. Não tenho essa vocação, essa habilidade”. Nas palavras de Carlos*, aluno da rede pública de Fortaleza, “já imaginei me tornar professor de Inglês, mas foi só por um momento”.
Investigar as razões para essa desistência em massa ajuda a compor o painel da baixa atratividade da carreira docente . Analisando os aspectos negativos da profissão, 40% apontaram a baixa remuneração (ver gráfico acima). Outros fatores são o desgaste da profissão e os salários ruins. Ainda mais no atual contexto de ampliação do mercado de trabalho, com novas graduações pipocando a cada ano nas universidades. “A alta expectativa em adquirir bens, motivada pela sociedade de consumo e pelo apelo das novas tecnologias, faz com que a questão salarial tenha grande peso na hora de escolher a carreira”, afirma Patrícia Cristina Albieri de Almeida, pesquisadora da FCC e uma das coordenadoras do estudo. “Além disso, os estudantes levam em conta a possibilidade de a profissão dar condições mínimas para sustentar o padrão de vida conquistado pelos pais. No caso das classes mais abastadas, a docência não cumpre esse requisito.”
Um segundo grupo de motivos para não considerar a docência como uma possível carreira tem a ver com a falta de identificação pessoal ou profissional, apontada por 32% dos que chegaram a pensar em ser professor. Nas palavras dos jovens, essa é uma profissão que exige “vocação”, “dom”, “amor” – ou seja, as questões técnicas do trabalho estão extremamente desvalorizadas. “Um professor tem que ter o dom, tem que ser uma pessoa iluminada para poder ensinar”, opina Ana*, de uma escola particular de Curitiba. Sua colega Roberta* concorda: “O essencial é ter vocação e muita paciência para lidar com as pessoas”.
Ao enxergar a docência como um sacerdócio, os jovens de certa forma reforçam o sentimento de que o professor não tem sequer o direito de exigir uma compensação financeira por seu trabalho, devendo simplesmente amar o que faz”, avalia Patrícia. Nos grupos de discussão realizados em escolas particulares, alguns estudantes chegaram a mencionar que poderiam atuar em sala de aula como um hobby ou uma ação humanitária paralelos à profissão “oficial”. Para os especialistas, essa concepção equivocada é até justificável. “No dia a dia da sala de aula, o aluno vê as dificuldades do professor e, como o considera tão desvalorizado, só justifica essa opção por atuar na escola como um dom”, argumenta Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O cotidiano escolar é apontado diretamente como uma fonte de desistência num terceiro grupo de respostas, que inclui o desrespeito e o desinteresse dos alunos  e as más condições de trabalho. Vários jovens afirmam que não se sentem atraídos pela docência pelo que presenciam nas próprias salas de aula. Jorge* é representante de turma numa escola particular em Campo Grande e diz: “Se quando tenho de falar com meus colegas por cinco minutos já é complicado, imagine o professor, que dá seis aulas de 50 minutos para quem não quer prestar atenção”. Também não passam despercebidas a necessidade constante de estudo  e as atribuições que extrapolam o horário letivo, como lembra Leila*, estudante de escola pública em Feira de Santana, a 119 quilômetros de Salvador: “Depois de trabalhar em vários turnos, muitos ainda têm de chegar em casa, elaborar aula e prova e tudo mais.”
Vistas em conjunto, as percepções sobre o trabalho do professor captadas pela pesquisa mostram uma profissão cada vez mais complexa – os jovens entendem e mencionam dificuldades recentes, como o aumento da violência e da agressividade –, porém mal recompensada e sem capacidade de atração. “O grande mérito do estudo é trazer evidências empíricas para o que já intuíamos”, afirma Denise Vaillant, coordenadora do Programa de Desenvolvimento do Profissional Docente na América Latina e Caribe (Preal). “A triste realidade é que a docência se transformou em uma opção por descarte. Se um amigo ou filho nos diz ‘quero ser professor’, nós mesmos muitas vezes respondemos, com a mão no coração: ‘Pense em outra coisa’.”
O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Estatísticas de 2006 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que os profissionais do ensino constituem o terceiro grupo ocupacional mais numeroso do Brasil: 8,4% dos trabalhadores – em números absolutos, cerca de 2,9 milhões de postos de trabalho. Perdem apenas para duas categorias reconhecidas como grandes absorvedoras de mão de obra: os escriturários (15,2%) e os trabalhadores do setor de serviços (14,9%). E ficam à frente dos trabalhadores da construção civil (cerca de 4% da força de trabalho).


* Reportagem na íntegra: Edição especial de fevereiro da Revista Nova Escola ou na versão On-Line da revista (clique no link ao lado). Conforme está no artigo original, o nome dos alunos são fictícios.