segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Situação do Câncer no Brasil

Desde 1998, 27 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer. Momento para conscientizar a população — e os próprios profissionais e instituições de saúde — da importância da prevenção da doença, que registra 472 mil novos casos e 134 mil mortes por ano no Brasil. O tema deste ano — Câncer: a informação pode salvar vidas — pretende ressaltar a relação entre conhecimento sobre prevenção e diagnóstico precoce redução das taxas de mortalidade e incidência da doença.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, lançou nesta data a publicação Situação do câncer no Brasil, que analisa e comenta os dados sobre incidência, mortalidade e ações de controle da doença no país à luz das evidências epidemiológicas mais atualizadas. A obra complementa e contextualiza os números das Estimativas, publicação que o Inca edita anualmente desde 1995 a partir das informações geradas pelos Registros de Câncer de Base Populacional, hoje coletados em 19 cidades brasileiras — dados vitais para que gestores, profissionais e pesquisadores da área de câncer abarquem toda a extensão do problema de saúde pública que se tornou esta doença, nos países ricos como nos pobres, responsável por 7 milhões de mortes anuais ou 12% das causas de óbito no mundo.
Organizado por Gulnar Azevedo e Silva Mendonça, Cláudio Pompeiano Noronha, Liz Maria de Almeida, o trabalho informa que para 2006 estima-se uma ocorrência de 472 mil casos novos de câncer no Brasil — ou 355 mil, se excluídos os casos de tumores de pele não-melanoma —, o que corresponde a quase dois casos novos por ano para cada 1.000 habitantes.
Em 2004, o câncer foi a segunda causa de morte feminina no Brasil (15,1%), atrás apenas das doenças do aparelho circulatório, e a terceira de morte masculina (12,8%), depois das circulatórias, das causas externas e das mal defi nidas. Há tipos predominantes de câncer dependendo do desenvolvimento dos países. Mas o Brasil convive tanto com os associados ao melhor nível socioeconômico — mama, próstata e cólon/reto — quanto com os associados à pobreza — colo do útero, pênis, estômago e cavidade oral.
Estima-se que 18% dos casos diagnosticados de câncer no mundo se devam a agentes infecciosos — ao lado do fumo, os mais importantes cancerígenos. Entre estes estão o papilomavírus humano (HPV), o Helicobacter pylori e os vírus das hepatites B e C. A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC), sediada na França e ligada à Organização Mundial de Saúde, afirma que o HPV, no mundo, está associado a 100% dos casos de câncer do colo do útero e a 5,2% do total de cânceres diversos, em ambos os sexos. No Brasil, o vírus responde por 4,1% dos casos, sendo responsável por 8,1% das neoplasias malignas em mulheres, número inferior apenas aos casos de tumores da mama (20,6%). O HPV tem sido também associado a cânceres na área genital, além de boca e faringe.
Já a bactéria H. pylori, que provoca gastrite e úlcera péptica, está associada ao desenvolvimento do carcinoma e do linfoma gástrico. Nos países em desenvolvimento, é responsável por 78% do total de cânceres do estômago e, no Brasil, por 65%. De acordo com o Inca, o câncer do estômago representa 4,9% dos casos estimados para o país em 2006. Tanto o HBV (vírus da hepatite B) quanto o HCV (da hepatite C) causam câncer nas células do fígado — nos países em desenvolvimento, o HBV é responsável por 58,8% destes cânceres, e o HCV, por 33,4%. Nos casos de infecção associada (HBV mais HCV), essas frações se somam.
Há evidências ainda do potencial carcinogênico do vírus Epstein-Barr (EB), predominante na África Subsaariana: 85% dos linfomas de Burkitt são causados por ele. No carcinoma de nasofaringe, embora a dieta inadequada seja considerada importante fator de risco, quase todos os tumores ocorrem em conseqüência da infecção pelo EB. Nos países em desenvolvimento, a proporção de casos atribuíveis ao Epstein-Barr representa quase 50% dos casos. Dois tipos de câncer são associados à infecção pelo HIV: o sarcoma de Kaposi e o linfoma Não-Hodgkin que, com o câncer do colo do útero, estão entre as condições que definem a Aids. Todos os casos de sarcoma de Kaposi são atribuíveis ao vírus HHV8/HIV. Acredita-se que 26% dos casos de câncer seriam evitáveis nos países pobres com ações de prevenção destas infecções.
É importante que o profissional de saúde e cada vez mais pessoas tenham noção de como se desenvolvem os tumores e reconheçam sinais de alarme como nódulos, febre contínua, feridas que não cicatrizam, indigestão constante e rouquidão crônica. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior o sucesso no tratamento.
Prevenção é essencial. Há fatores de risco que, em separado ou associados, podem desencadear o aparecimento da doença. O excesso de peso é a segunda principal causa evitável de câncer. A primeira é seguramente o tabagismo, que responde por 30% das mortes e 90% dos casos de câncer de pulmão. E a exposição passiva à fumaça do tabaco está, sim, associada ao câncer de pulmão e à insuficiência coronariana entre adultos, além de sintomas respiratórios em crianças e retardo no crescimento intra-uterino como conseqüência do fumo na gravidez.
Mas, acima de tudo, vale a pena a promoção da saúde, ao que a publicação do Inca dá grande ênfase. Vida saudável na infância e adolescência é essencial. Frutas, legumes e verduras na alimentação diária fornecem ao organismo substâncias nutricionais protetoras, algumas com ação específica contra o câncer. Para os que desejarem parar de fumar, há eficazes métodos já na rede pública de saúde e o estímulo de saber que a propensão à mortalidade pelo câncer de pulmão cai em três vezes (de 15 para 4 vezes mais que os que nunca fumaram na vida) entre os ex-fumantes.

domingo, 28 de novembro de 2010

Bullyng, Uma Violência Reprovada

Especialistas comentam sobre vários aspectos da violência escolar e dão conselhos para professores e gestores de como lidar com esta questão tão delicada

Pesquisa realizada em 2008 em seis estados brasileiros apontou que 70% de 12 mil alunos consultados afirmaram ter sido vítimas de violência escolar. Entre as formas mais comuns, está o bullying, comportamento que inclui atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro.
Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying, pois são caracterizados como uma agressão moral. Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para ser dada como bullying, a violência precisa ser entre pares (colegas de classe ou trabalho, por exemplo), e apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. ''Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do autor'', explica a especialista.
O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes no fim da década de 70, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.
A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores. “O fato de ter consequências trágicas, como mortes e suicídios, e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema”, aponta Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro ''Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil'' (164 págs., Thesaurus Editora).
O papel do professor é fundamental. Ele pode identificar os atores do bullying: autores, espectadores e alvos. Claro que existem as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?", orienta o pediatra Lauro Monteiro Filho.
Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser imediata. "Se algo ocorre e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por causa de uma piada ou de um comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo", diz Aramis Lopes Neto, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Veja alguns conselhos deste especialista:
- Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito. 
- Desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos.
- Quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar imediatamente a direção da escola.
A primeira ação da escola é mostrar aos envolvidos que e por que não tolera determinado tipo de conduta. Nesse encontro, deve-se abordar a questão da tolerância ao diferente e do respeito por todos, inclusive com os pais dos alunos envolvidos. 
Mais agressões ou ações impulsivas entre os envolvidos podem ser evitadas com espaços para diálogo. Uma conversa individual com cada um funciona como um desabafo e é função do educador mostrar que ninguém está desamparado. ''Os alunos e os pais têm a sensação de impotência e a escola não pode deixá-los abandonados. É mais fácil responsabilizar a família, mas isso não contribui para a resolução de um conflito'', diz Telma Vinha.
A especialista também aponta que a conversa em conjunto, com todos os envolvidos, não pode ser feita em tom de acusação. ''Deve-se pensar em maneiras de mostrar como o alvo do bullying se sente com a agressão e chegar a um acordo em conjunto. E, depois de alguns dias, vale perguntar novamente como está a relação entre os envolvidos'', explica Telma.
É também essencial que o trabalho de conscientização seja feito também com os espectadores do bullying, aqueles que endossam a agressão e os que a assistem passivamente. Sem que a plateia entenda quão nociva a violência pode ser, ela se repetirá em outras ocasiões.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mamíferos Estranhos

Segundo os especialistas, animais estranhos como o gálago anão de rondo são 'patinhos feios' da natureza e acabam não recebendo tantas doações quanto bichos mais bonitos


A Sociedade de Zoologia de Londres (ZLS) fez uma lista com os 100 mamíferos ameaçados de extinção mais peculiares do mundo. A sociedade criou o programa EDGE para tentar proteger as espécies ameaçadas mais distintas em termos de evolução, como o pangolim chinês, o gálago anão de rondo (foto) ou a anta malaia (foto). Segundo os especialistas, como são 'patinhos feios' da natureza, animais estranhos acabam não recebendo tantas doações quanto bichos mais bonitos.
O EDGE vai contratar uma equipe de conservacionistas para lutar exclusivamente pela preservação dos mamíferos da lista.
O EDGE vai contratar uma equipe de conservacionistas para lutar exclusivamente pela preservação dos mamíferos desta lista, entre eles a anta malaia


Esta preguiça-anã (Bradypus pygmaeus), descoberta em 2001 no Panamá, é a menor e mais ameaçada de todas as espécies de bicho-preguiça


Fonte:Portal  iG

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Descoberta Ação Anti-Diabética da Serotonina

Novas descobertas realizadas por pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos, sugerem que a serotonina, um neurotransmissor cerebral conhecido por regular a emoção, o humor e o sono, também pode ter propriedades anti-diabéticas. Os resultados do estudo realizado com ratos oferecem informações importantes e potenciais para o controle de glicose no sangue em seres humanos.
Para o estudo atual, os pesquisadores projetaram um modelo do rato em que a expressão de um receptor da serotonina chamado 5-hidroxitriptamina 2C foi bloqueado por todo o corpo. Sem o funcionamento do receptor, os ratos desenvolveram resistência à insulina no fígado.
Para descobrir qual tipo de neurônio mediava os efeitos da serotonina para regular os níveis de glicose ou açúcar no sangue, os autores do estudo desenvolveram outro grupo de ratos em que o mesmo receptor da serotonina foi bloqueado em todo o corpo, exceto dentro de um grupo de células cerebrais chamadas neurônios pró-opiomelanocortina, ou POMC.
Os pesquisadores descobriram que, quando reativaram o receptor de serotonina apenas nos neurônios POMC, os ratos não apresentaram mais resistência à insulina no fígado. A restauração do receptor essencialmente protegeu os ratos de desenvolverem problemas metabólicos normalmente encontrados em animais que carecem do receptor em todo o corpo.
Apesar de os resultados terem aparecido em camundongos, eles fornecem uma introspecção em potencial no controle de glicose no sangue em seres humanos.
"Neste trabalho, descrevemos um circuito no cérebro que pode explicar as ações anti-diabéticos do receptor de serotonina. Esta descoberta nos diz que as drogas que afetam a ação da serotonina podem também ter ações anti-diabéticas, independente do peso corporal e da alimentação", observou o autor sênior do estudo, Joel Elmquist.
O próximo passo, segundo os pesquisadores, é determinar o que acontece com a alimentação, o peso corporal e o metabolismo do fígado nos ratos projetados para apresentarem falta do receptor de serotonina apenas nos neurônios POMC.

Fonte: Isaúde.net

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Investigando a Vida Secreta das Plantas


O livro A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, revelou que as plantas são capazes de perceber agressões cometidas ao seu redor e parecem ter consciência até mesmo de intenções ocultas na mente humana Estas faculdades das plantas vem sendo confirmada por pesquisas científicas realizadas no Brasil. Ela faz parte de um conjunto de descobertas que deverá revolucionar a visão de mundo do próximo século e apontam para um relacionamento mais harmonioso entre o homem e a natureza.
Os xamãs — homens de conhecimento das comunidades pré-históricas — já sabiam que, por trás de seu aparente torpor, as plantas possuem uma vida secreta, cheia de percepções e atividades. Esse mundo oculto foi contactado, desde então, por visionários de diferentes épocas e lugares, como o místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), que dizia ser capaz de penetrar a consciência das plantas.
A ciência materialista, porém, preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade. Ele continuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não tivesse rompido essa conspiração de silêncio. Naquele ano, Cleve Backster, então o maior especialista americano em detecção de mentiras, teve a estranha idéia de fixar os eletrodos de um de seus detectores numa folha de dracena, espécie tropical utilizada como planta ornamental.
Ele foi movido pela simples curiosidade, mas o que encontrou abalaria os fundamentos da visão de mundo dominante. Backster suspeitava que a planta reagisse a agressões reais à sua integridade física. Mas não podia imaginar que a simples idéia dessas agressões provocasse saltos violentos nos gráficos traçados pelo aparelho. Pois foi exatamente o que aconteceu quando ele pensou em queimar uma das folhas da dracena.
E voltou a acontecer quando se aproximou dela com uma caixa de fósforos, disposto a levar sua intenção à prática. A planta parecia ler o seu pensamento e sabia distinguir as ameaças reais da mera simulação.
Sem querer, Backster abrira a porta que dava entrada a uma realidade totalmente inesperada — e desconcertante.
A grande novidade do experimento foi ter propiciado um acesso direto às percepções das plantas sem a intermediação de sensitivos humanos: não era preciso ser paranormal para contactar o mundo da consciência vegetal. Esse ponto de vista foi reforçado, em julho último, por uma pesquisa feita na Universidade de Gant, na Bélgica.
Valendo-se de imagens em infravermelho, o pesquisador Dominique van der Straeten e sua equipe descobriram que as folhas de tabaco têm a capacidade de reagir com uma espécie de febre quando infectadas por certos tipos de vírus. Como relatado no jornal Nature Biotechnology, as folhas sofreram um aumento de temperatura de até 0,4 grau Celsius, oito horas antes dos efeitos dos vírus se manifestarem, num processo "fisiológico" semelhante ao do corpo humano.
Percepção básica

Atento a tais descobertas, um brasileiro resolveu fazer uma investigação parecida. Trata-se do engenheiro Arlindo Tondin (foto), mestre em eletrônica pela Universidade de Nova York e um dos fundadores da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, SP.
Tondin fixou eletrodos próximo à raiz e num dos galhos de um limoeiro. "Verifiquei que havia, entre os dois pontos, uma diferença de potencial elétrico da ordem de microvolts", informa. "Eu já desconfiava que a ascensão da seiva estivesse associada a um fenômeno elétrico e, para confirmar isso, liguei aos eletrodos uma pilha de 1,5 volt, de modo a intensificar a corrente na região. Resultado: os frutos do galho onde estava o eletrodo ficaram maiores e amadureceram mais rápido que os demais."
Estava provada a tese da seiva. O próximo passo era averiguar como as agressões externas afetavam a corrente elétrica que circula na planta. Para isso, o engenheiro utilizou um osciloscópio de raios catódicos de alta sensibilidade. "Conectei o osciloscópio aos eletrodos e, com uma vela, comecei a queimar algumas folhas. A resposta foi quase imediata: a imagem da tela do osciloscópio, que estava estacionária, passou a apresentar intensas variações." Tondin espantou-se com a reação provocada por seu ato. "Comecei a questionar até que ponto eu tinha o direito de agredir o vegetal e a natureza. E resolvi interromper a pesquisa."
O engenheiro convenceu-se da seriedade dos experimentos descritos em A Vida Secreta das Plantas. Num deles, também realizado por Backster, três plantas reagem à matança de camarões, cometida numa outra sala. Essa investigação foi conduzida com os cuida dos que caracterizam as melhores pesquisas científicas:
foram escolhidos, como vítimas, animais de grande vitalidade, pois já tinha sido notado que seres doentes ou a caminho da morte não eram capazes de estimular as plantas a distância;
para evitar que a subjetividade dos pesquisadores influísse nos resultados, os camarões eram despejados numa vasilha de água fervente por um mecanismo automático, longe das vistas de qualquer ser humano;
eliminaram-se as possibilidades de que o próprio funcionamento do mecanismo ou eventuais perturbações eletromagnéticas afetassem a forma dos gráficos; as plantas, monitoradas por detectores, foram colocadas em três salas diferentes, submetidas às mesmas condições de temperatura e iluminação.
A análise dos gráficos mostrou que as plantas reagiam intensa e sincronizadamente à morte dos camarões — numa proporção que excluía qualquer hipótese de uma flutuação puramente casual das variáveis elétricas. Backster sentiu-se respaldado para formular a tese de que os vegetais, como todo organismo vivo, dispõem de uma percepção primária que lhes permite detectar, a distância, qualquer agressão à vida.
Apesar de sua aparência simples, as plantas são organismos altamente complexos. Uma planta pequena, como o pé de centeio, possui nada menos que 13 milhões de radículas em sua raiz. Estas são formadas, por sua vez, de 14 bilhões de filamentos, que, se fossem enfileirados um após o outro, cobririam uma extensão de 11 mil quilômetros, quase a distância de um pólo a outro.
Toda planta é dotada de uma malha elétrica em equilíbrio. Nas árvores, a corrente elétrica sobe pelo anel externo e desce pelo anel central. Como demonstrou a pesquisa do brasileiro Arlindo Tondin, essa corrente está associada ao fluxo da seiva.

domingo, 21 de novembro de 2010

Seja um Voluntário!

Pesquisas apontam que apenas 7% dos jovens brasileiros são voluntarios, porém 54% gostariam de ser. Portanto, talvez uma das grandes dificuldades encontradas seja a falta de canais viáveis para voluntariado.

A prática do voluntariado já se firmou na sociedade como uma forma de contribuir com quem precisa, da maneira que cada um puder. Seja uma vez por ano ou diariamente, milhares de pessoas tem ajudando a tornar o mundo um lugar mais justo e sustentável. Mas o voluntariado ainda carrega alguns mitos e as dúvidas são frequentes para aqueles que querem se candidatar.
A atividade voluntária tem sobretudo três características básicas. Primeiro, deve ocorrer sem remuneração, embora ressarcimentos e ajudas de custo sejam possíveis. Segundo, a pessoa envolvida deve agir de forma voluntária, de acordo com a livre vontade do indivíduo. Terceiro, a atividade deve beneficiar principalmente não o voluntário, mas sim a outra pessoa ou a sociedade em geral.
Trabalho voluntário é uma experiência aberta a todos. Não é só quem é "especialista" em alguma coisa que pode ser voluntário. Muito pelo contrário: todos podem contribuir, a partir da idéia de que o que cada um faz bem, pode fazer bem a alguém. O que conta é a motivação solidária, o desejo de ajudar, o prazer de se sentir útil. Muitos profissionais preferem colaborar em áreas fora de sua competência específica, exatamente para se abrir a novas experiências e vivências.
Voluntariado não tem nada a ver com obrigação, com coisa chata, triste, motivada por sentimento de culpa. Voluntariado é uma experiência espontânea, alegre, prazerosa, gratificante. O voluntário doa sua energia, tempo e talento, mas ganha muitas coisas em troca: contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de viver outras situações, aprender coisas novas, satisfação de se sentir útil.
Trabalho voluntário não é uma atividade fria, racional e impessoal. É contato humano, oportunidade para se fazer novos amigos, intercâmbio e aprendizado. Este sentimento de estar sendo útil a alguém é uma motivação fortíssima para o envolvimento de pessoas como os idosos, aposentados e portadores de deficiências, que a sociedade tende a desvalorizar e considerar inúteis.
A ação voluntária visa a ajudar pessoas em dificuldade, resolver problemas sociais, melhorar a qualidade de vida da comunidade. Seu sentido é eminentemente positivo: ao mobilizar energias, recursos e competências em prol de ações de interesse coletivo, o voluntariado reforça a solidariedade social e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e humana.
O voluntariado não compete com o trabalho remunerado nem com a ação do Estado. Sua função não é tapar buracos nem apenas compensar carências. Uma sociedade participante e responsável, capaz de agir por si mesma, não espera tudo do Estado, mas tampouco abre mão de cobrar do governo aquilo que só ele pode fazer.
Tradicionalmente, no Brasil, o voluntariado se concentrou na área de saúde e no atendimento a pessoas carentes. O reconhecimento da urgência de ações nessas áreas não é contraditório com a valorização de novas possibilidades de voluntariado nas áreas de educação, atividades esportivas e culturais, proteção do meio ambiente, etc. Cada necessidade social é uma oportunidade de ação voluntária. Basta olhar em volta e dar o primeiro passo
O voluntário é um pessoa criativa, decidida, solidária. No trabalho voluntário, não há cartórios nem monopólios. Não há hierarquia de prioridades. Não é preciso pedir licença a alguém, antes de começar a agir. Quem quer, vai e faz.
Alguns são capazes individualmente de identificar um problema, arregaçar as mangas e agir. Outros preferem atuar em grupo. Grupos de vizinhos, de amigos, de estudantes ou aposentados, de colegas de trabalho que se mobilizam para ajudar pessoas e comunidades. Por vezes, é uma instituição inteira que se mobiliza, seja ela um clube, uma igreja, uma entidade beneficente ou uma empresa. No voluntariado é assim: não há fórmulas nem receitas a serem seguidas.
Cada um contribui, na medida de suas possibilidades, com aquilo que sabe e quer fazer. Uns têm mais tempo livre, outros só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar. Outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade é mais urgente. Cada compromisso assumido, no entanto, é para ser cumprido.
A escolha do ano de 2001, pelas Nações Unidas como Ano Internacional do Voluntariado, representa o reconhecimento internacional do voluntariado como fenômeno contemporâneo e global. Esta celebração é uma oportunidade a ser aproveitada para consolidar o voluntariado no Brasil como componente essencial de uma sociedade cada vez mais democrática e participativa.
No Brasil existem algumas instituições especializadas em promover as ações voluntárias, principalmente através da organização dos contatos entre voluntários e as entidades que os procuram. É o caso do Programa Voluntários, uma ação do Conselho da Comunidade Solidária que pretende incentivar pessoas que gostariam de voluntariar e também entidades que necessitam de voluntários. O programa oferece diversas informações relacionadas com o assunto em seu site, que tembém é a principal forma de divulgação de seu trabalho.
Outro projeto que merece destaque pelo incentivo ao voluntariado é o Filantropia.org. A entidade promove a colocação de voluntários através da divulgação de um banco de dados a respeito de outras instuições que precisam de pessoas para ajudar nas mais diversas causas.
Trabalhos ligados com meio ambiente também não faltam. No Brasil dezenas de instituições oferecem oportunidades de voluntariado em trabalhos que vão da militância a trabalhos de campo em unidades de conservação.

Do Portal MSN Verde em 16/11/2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Stephen Jay Gould, O Mestre dos Ensaios Científicos

O brilhante paleontólogo-evolucionista Stephen Jay Gould (1941-2002) escreveu inúmeros ensaios científicos que são exemplos de erudição, clareza e elegância, alem de demonstrar insólitas conexões com filosofia, literatura, música e ciências sociais.

Stephen Jay Gould (1941-2002) foi um paleontólogo e biólogo evolucionista dos Estados Unidos da América. Foi também um autor importante no que diz respeito à história da Ciência. É reconhecido como o mais lido e conhecido divulgador científico da sua geração.
Nascido numa família judia, não praticou nenhuma religião organizada. Ainda que tenha sido educado num meio ideologicamente marcado pelo socialismo, nunca assumiu qualquer militância política. Como escritor, lutou contra a opressão cultural, principalmente contra a pseudociência legitimadora do racismo.
Começou a lecionar como membro da faculdade da Universidade de Harvard, em 1967, onde se tornou professor na cadeira de Alexander Agassiz, de zoologia. Ajudou Niles Eldredge a desenvolver a teoria do equilíbrio pontuado (1972), segundo a qual as mudanças evolucionárias ocorreriam de forma acelerada em períodos relativamente curtos, em populações isoladas, intercalados de períodos mais longos, caracterizados pela estabilidade evolutiva.
Na perspectiva do próprio Gould, esta teoria derrubava um princípio-chave do neodarwinismo (o gradualismo das mudanças evolucionárias) - perspectiva não partilhada por grande parte da comunidade dos biólogos evolucionários que a consideram apenas como uma retificação importante, sem dúvida, mas que não punha em causa o que já era conhecido e defendido como certo pelos cientistas até ao momento.
Stephen Jay Gould é especialmente conhecido a nível mundial pela sua atuação a nível da divulgação da ciência a leigos. Em Janeiro de 1974 a revista Natural History apresentou um ensaio de Gould (Size and Shape - The immutable laws of design set limits on all organisms). Este seria o primeiro de um conjunto de 300 ensaios escritos por Gould e editados pela Natural History sob o título de This View of Life (Esta visão da vida). Gould escreveu artigos mensais que foram publicados ininterruptamente entre janeiro de 1974 e janeiro de 2001e posteriormente compilados em inúmeros livros,os quais foram considerados um exemplo de clareza, elegância e erudição
A maioria dos ensaios escritos por Gould para This View of Life tinha como tema assuntos relativos à Teoria da Evolução e à História das Ciências, mas Gould também se referiu a outros assuntos relativos a biologia, a geologia, a ciências sociais, e ao beisebol. Michael Shermer refere que o ensaio mais curto escrito por Gould para This View of Life tem 1.475 palavras ("Darwin's Dilemma", de Junho 1974), e o mais longo tem 9.290 palavras ("The Piltdown Conspiracy", de Agosto 1980).
Veja um trecho de um dos seus  memoráveis ensaios:
"A evolução se mostra nas imperfeições que registram a história da descendência. Por que um rato deve correr; um morcego, voar; um boto, nadar; e eu datilografar este ensaio usando estruturas formadas pelos mesmos ossos, a não ser pelo fato de os termos herdado de um ancestral comum? Um engenheiro, partindo do nada, poderia projetar membros mais perfeitos para cada um dos casos. Por que todos os grandes mamíferos da Austrália devem ser marsupiais, a não ser por descenderem de um ancestral comum, isolado naquela ilha-continente? Os marsupiais não são "melhores", ou idealmente adequados, para a Austrália; muitos foram exterminados pelos mamíferos placentários, importados pelos humanos de outros continentes. Esse princípio da imperfeição estende-se por todas as ciências históricas. Quando estudamos a etimologia das palavras setembro, outubro, novembro e dezembro (sétimo, oitavo, nono e décimo) deduzimos que o ano antes começava em março, ou que dois meses devem ter sido acrescentados aos dez do calendário original.
O terceiro argumento é mais direto: transições são freqüentemente encontradas no registro fóssil. As transições não são comuns - nem deveriam ser, de acordo com o nosso entendimento da evolução - e também não são inteiramente inexistente, conforme alegam os criacionistas. O maxilar inferior dos répteis é formado por vários ossos, e o dos mamíferos apenas por um. Os ossos do maxilar inferior dos não-mamíferos foram reduzindo-se pouco a pouco, até se tornarem pequenos vestígios atrofiados, localizados na parte posterior da mandíbula dos mamíferos ancestrais. O martelo e a bigorna do ouvido dos mamíferos descendem dessas atrofias. "Como se processou uma transição como essa?", os criacionistas perguntam. Por certo, um osso ou está na mandíbula ou encontra-se no ouvido. No entanto, os paleontólogos descobriram duas linhagens de transição entre terápsidos (ou assim chamados répteis que parecem mamíferos) com dupla articulação maxilar - uma delas formada pelos antigos ossos quadrático e articular (que logo se transformariam em martelo e bigorna) e a outra formada pelos ossos esquamosais e dentários (como nos mamíferos modernos). Nesse aspecto, que melhor exemplo de transição poderíamos encontrar do que o mais antigo humano, o Australiopithecus afarensis, com seu palato simiesco, sua postura humana ereta e sua capacidade craniana maior do que a de qualquer símio do mesmo tamanho de corpo, mas mesmo assim com mil centímetros cúbicos a menos do que a nossa? Se Deus fez cada uma das seis espécies descobertas nas antigas rochas, por que as criou numa seqüência temporal ininterrupta de traços progressivamente mais modernos - capacidade craniana crescente, faces e dentes reduzidos e um tamanho de corpo maior? Será que ele criou imitando a evolução, só para testar nossa fé?"

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Conhecendo Melhor a Bactéria Helicobacter pylori

Helicobacter pylori é uma bactéria Gram negativa, microaerófila e espiralada que sobrevive abaixo da camada mucosa do estômago onde fica protegida da ação do suco gástrico. Embora metade da população mundial esteja infectada com este microrganismo, 80% permanecem assintomáticos.

A descoberta da bactéria Helicobacter pylori em 1983 por Marshall e Warren, revolucionou as hipóteses para a patogenia da maioria das afecções gástricas e desencadeou uma série de pesquisas, especialmente no campo da  oncologia. A Organização Mundial de Saúde (OMS), baseada em estudos epidemiológicos, classificou esta bactéria como "carcinógeno grau I" em 1994. Estima-se que o H. pylori esteja presente no estômago de pelo menos metade da população do mundo. A infecção freqüentemente permanece ao longo da vida e pode evoluir com manifestações clínicas e histológicas diversas, variando de indivíduos assintomáticos a indivíduos sintomáticos, com manifestações  que vão de gastrites, uúlceras duodenais, úlceras gástricas, aos adenocarcinomas e linfomas gástricas tipo MALT.
A importância clínica da infecção por H.pylori é inegável, pois está associado ao desencadeamento da maioria das úlceras duodenais e gástricas. Existem fortes evidências de que este micoorganismo aumenta drasticamente o risco de câncer de estômago, o que determina uma alta mortalidade.
A prevalência da infecção e o modo de transmissão varia entre grupos populacionais.  Em países desenvolvidos a transmissão direta pessoa-pessoa parece predominar, enquanto em países em desenvolvimento a rota fecal-oral e a água contaminada têm maior impacto. Muitos estudos destacam a importância da transmissão intrafamiliar e da má condição socioeconômica na aquisição dessa bactéria. Entre adultos de meia idade nos países em desenvolvimento a prevalência é em média de 80 a 90% e em países desenvolvidos é menor que 40%. A prevalência em indivíduos sadios no Estado de São Paulo é de 65,5%; apresentando correlação com a raça, idade, exame endoscópio prévio, áreas populosas, tipo de água, falta de saneamento durante a infância, baixa renda e educação. Um estudo avaliou a prevalência  da infecção por H. pylori (Hp) na população infantil no Brasil comparou crianças  de famílias de alta renda e de baixa renda de Belo Horizonte e constatou que , enquanto 18 de 30 crianças de família de baixa renda (menos de 2 salários mínimos/mês) estavam infectadas (cerca de 60%), somente 3 de 48 de alta renda eram Hp positivas (6,2%).
Os indivíduos acometidos pelo Hp podem não apresentar qualquer sintoma ou apresentar sintomas chamados dispépticos como náuseas, inapetência, estufamento, digestão difícil dos alimentos, gases, etc. Outros sintomas incluem dor intensa tipo queimação ou vazio no estômago geralmente secundário a uma gastrite ou úlcera que pode ser gástrica ou duodenal.
Entre os principais métodos de diagnóstico do H. pylori podemos citar aqueles testes que exigem endoscopia com o teste rápido da urease (CLOtest e outros), observação ao microscópio de lâminas histológicas coradas pelo método de Giemsa e exame cultural. Dentre os testes que não exigem endocospia, destacam-se o teste respiratório e a pesquisa de anticorpos no sangue ( embora de pouco valor clínico e sem  valor para verificar o êxito do tratamento é, no entanto, útil em estudos epidemiológicos). Quanto ao tratamento, o mesmo é feito com uso de antibióticos prescritos pelo médico especialista..
Leia também no Biorritmo:

domingo, 14 de novembro de 2010

O Retorno do Mosquito da Dengue

O Brasil está diante de um novo surto de dengue. O mosquito transmissor, Aedes aegypti (foto)possui características biológicas que dificultam o seu controle, além de ter desenvolvido resistências ao longo dos anos

Sem dúvida, a dengue é presentemente um grave problema de saúde em nosso país. O Brasil já sofreu com a infestação pelo Aedes aegypti em um passado relativamente distante, mas na década de 1950 foi possível eliminá-lo. A infestação que hoje vivemos teve início na década de 1980, quando o mosquito retornou, vindo provavelmente de países vizinhos, e disseminou-se , ajudado pelas características climáticas  de nosso país tropical. Hoje, sob condições diferentes daquelas de 1950, pode-se considerar que a eliminação total do Aedes é impossivel, mas dá para manter a doença sobre controle.
Entre a década de 1950 e  a época atual ocorreram muitas mudanças que interferem diretamente na dificuldade no combate ao Aedes.  Algumas delas: o aumento das populações  e sua distribuição, muitas vezes em regiões de difícil acesso e sem as condições básicas de saneamento; o desenvolvimento dos transportes, que, juntamente com a a globalização, favorece o comércio e a locomoção de objetos (tais como pneus) contendo ovos e larvas do mosquito; o desenvolvimento da indústria de embalagens, especialmente plásticos, que gera uma enorme quantidade de lixo e, especificamente, em nosso país, a falta de preocupação de grande parte da população com a preservação do meio ambiente. Acrescenta-se ainda o hábito de as pessoas acumularem, nos quintais, restos sem serventia de utensílios domésticos.

Características do Aedes

O Aedes é um mosquito antropofílico, isto é, vive ao redor do homem, na zona rural e nas cidades, onde ele tem o que mais ele necessita: sangue para as fêmeas e água parada para o desenvolvimento de seus ovos. Todo objeto que possa acumular água da chuva, da rega dos jardins ou de outra fonte pode servir de criadouro para o mosquito; nesses locais bota os seus ovos que se desenvolvem passando pelas fases de larva e pupa ainda dentro da água, emergindo da última como adulto.
A espantosa versatilidade de criadouros faz com que, praticamente, cada residência tenha situações específicas que variam não só pelas escolhas pessoais (vasos, piscinas, animais de estimação, etc), mas também pela características da região ( por exemplo, em locais sem água encanada, reserva-se água em potes). Além dos criadouros normalmente veiculados pela mídia, há muitas outras possibilidades. Já foram encontradas larvas e pupas no interior das casas  em lugares inesperados como na água de ferros de passar roupas de passar roupa a vapor e nas canaletas do box nos banheiros. Portanto o cuidado com os criadouros de dentro e  ao redor das casas e mesmo do local de trabalho é tarefa intransferível de seus ocupantes. Eliminar, se for possível, ou tratar e manter contínua vigilância sobre os criadouros é o ponto central do controle do Aedes aegypti.
Características biológicas do A.aegypti acrescentam dificuldade ao seu controle. Eles são altamente prolíficos (uma fêmea pode cerca de 300 ovos), uma pequena quantidade de água parada pode servir de criadouro e seus ovos são dotados da capacidade de sobreviver à seca por até aproximadamente um ano, podendo desenvolver-se após esse tempo se o recipiente se encher de água novamente.
O mosquito também se modificou ao longo do tempo, podendo ocorrer hoje em águas sujas ou limpas. Além disso, tem desenvolvido resistência aos inseticidas usados pelas autoridades sanitárias para combatê-los.

Os novos casos da doença

Os casos de dengue praticamente dobraram de janeiro a outubro deste ano em comparação com o mesmo período de 2009, de acordo com dados divulgados em 11/11/2010 pelo Ministério da Saúde. De janeiro até 16 outubro foram registrados 936.260 casos no país, contra 489.819 no ano passado. No mesmo período, a doença levou à morte 592 pessoas. Em 2009, foram 312 casos fatais.
Para o coordenador do Programa Nacional de Controle de Dengue do ministério, Giovanini Coelho, uma das causas para o aumento do número de casos foi o ressurgimento do vírus tipo 1, que predominava na década de 1990. Por causa do período que esse vírus deixou de circular no país, grande parte da população não desenvolveu imunidade. Isso afetou, principalmente, regiões populosas dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Nas Regiões Norte e Nordeste, porém, o número de casos é pequeno, o que exige atenção maior das autoridades para que não ocorra um surto do sorotipo 1 nessas regiões nos próximos meses.
O coordenador aponta a falta de saneamento e de coleta regular de lixo como fatores que contribuíram para aumentar o índice de infestação da doença este ano. O levantamento do governo federal mostra que mais de 70% dos casos, incluindo os fatais, concentram-se nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e do Acre. Os dados relacionados às mortes devem ser compilados em dezembro.
Enquanto não surge uma vacina contra a dengue, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, conclama a população e as prefeituras para que ajudem a impedir o surgimento de criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A principal recomendação é evitar o acúmulo de água parada.
No Espírito Santo, está em fase de teste uma vacina contra a dengue. A estimativa dos pesquisadores é que a vacina fique pronta em cinco anos.

Fontes: Revista Carta Capital e Agência Brasil
Veja também no Biorritmo:
Atendimento falha em 69% dos casos de dengue no país (05/09/2010)

sábado, 13 de novembro de 2010

O Custo Elevado das Pesquisas Contra o Câncer

Os tratamentos contra o câncer estão ficando mais dirigidos, mais eficientes, oferecendo melhor sobrevida e qualidade de vida, mas, ao mesmo tempo, estão cada vez mais caros

Mais de 25 mil oncologistas participaram do maior evento científico do planeta para discutir o câncer. Para quem espera o anúncio da cura imediata de todos os pacientes com tumores malignos, ainda não foi desta vez. Mas, ninguém foi a Chicago para a Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica com essa ilusão. Apesar de pequenos, passos importantes foram dados na árdua luta contra o câncer.
Hoje em dia, os especialistas ficam satisfeitos com ganhos de sobrevida e de qualidade de vida, relativamente pequenos. Dois meses a mais de sobrevida aqui, 6% a menos de complicações sérias ali. Nesse evento, além de serem consolidados os padrões considerados adequados de tratamento dos variados tipos de tumores malignos, avanços notáveis foram apresentados. Destacarei aqui alguns dos progressos.
Pesquisas realizadas sobre câncer de pulmão demonstraram a possibilidade de um medicamento ainda experimental (crizotinib) ajudar pacientes com um perfil genético peculiar presente em suas células tumorais. É verdade que essas alterações genéticas são detectadas em menos de 5% de todos os portadores de tumores malignos dessa natureza, mas quem tiver a “sorte” de exibir essas variações genéticas, o impacto do crizotinib pode ser fenomenal. No estudo apresentado, os pesquisadores observaram respostas tumorais expressivas em 90% desses pacientes.
Mais da metade teve redução do tamanho dos tumores nos primeiros dois meses de tratamento. Resultados encorajadores, apesar de serem aplicáveis a um grupo selecionado de pacientes com câncer de pulmão disseminado pelo corpo.
Resultados interessantes também foram contra um dos tumores mais temidos pela comunidade oncológica, o melanoma. Câncer de pele agressivo, de difícil controle quando se espalha pelo corpo. Um estudo clínico trouxe esperanças para os pacientes com melanoma metastático. Até esse evento de Chicago, raramente se conseguiu tratar com eficiência esse tumor maligno. Pesquisadores apresentaram um tratamento novo com efeitos benéficos reais: o uso de um anticorpo chamado de ipilimumab (difícil de pronunciar até para os oncologistas experientes).
É um anticorpo que, quando administrado na veia, não tem como alvo diretamente as células cancerosas. Seu mecanismo de ação é estimular as células de defesa do corpo do paciente, chamadas de linfócitos T, que têm um papel primordial na identificação, localização e destruição dos tumores espalhados pelo corpo do doente.
Os cientistas administraram esse tratamento experimental a 676 pacientes com melanoma avançado. Notaram que um número significativamente maior de doentes no grupo que recebeu ipilimumab permaneceu vivo e por tempo mais longo, comparativamente ao grupo de pacientes que não foi sorteado para receber o anticorpo. Os resultados promissores foram discutidos com entusiasmo. É verdade que não será a cura de todos os doentes com melanoma, mas um passo importante para o controle mais eficaz dessa doença terrível.
Retornei dessa reunião em Chicago com esperanças e preocupações. Esperanças pelos avanços claros, apesar de limitados. Preocupação com a aplicabilidade reduzida dos novos tratamentos. Grupos selecionados de pacientes terão benefício efetivo. Selecionados pela genética, mas também pelo poder aquisitivo. Os tratamentos contra o câncer estão ficando mais dirigidos, mais eficientes, oferecendo melhor sobrevida e qualidade de vida, mas, ao mesmo tempo, estão cada vez mais caros. Milhares de dólares ao mês por paciente.
Como será fechada a conta? Eis um problema talvez tão complexo quanto a identificação de uma terapia revolucionária.

Por Riad Younes para a Revista Carta Capital sob o título de "Genetica com Dólares" em 21/07/2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vespa-do-Mar: A Água-Viva Mais Letal do Planeta

Vídeo mostra o mecanismo de ação da vespa-do-mar, a água-viva australiana que possui o veneno mais potente do mundo, bem como os primeiros socorros que devem ser aplicados à vítima em caso de contato com este animal

Vespa-do-mar (Chinorex fleckeri) é um cnidário marinho da classe dos cubozoários e da ordem das cubomedusas. Seus tentáculos, devido à presença de nematocistos, podem causar ferimentos letais em banhistas. Elas costumam viver nas costas australianas, o veneno delas é tão poderoso que pode matar uma pessoa em 2 minutos, o que torna o resgate muito difícil, na verdade ela carrega veneno suficiente para aniquilar aproximadamente 60 homens. Seu veneno é 500 vezes mais potente que a caravela portuguesa.
Elas são um tipo de medusa, que só vive nas águas do Oceano Pacífico, seus tentáculos medem até 5 metros, e seu corpo é do tamanho de uma bola de basquete. Seu veneno é liberado ao mínimo contato com a pele, ele se dissolve nos glóbulos vermelhos do sangue, causando parada cardíaca e respiratória.
O veneno pode ser disparado ao menor contato com os tentáculos(através das cnidas), mesmo que estes já não estejam mais ligados ao corpo da água viva.
Ela provoca um impressionante colapso generalizado na vítima: a respiração se descontrola, o sistema linfático cessa, a pessoa desmaia e o coração começa a bombear intensamente até que, anestesiado, pará também de funcionar.
Todos recomendam a respiração artificial e massagem cardíaca, como ítens de primeiros socorros e a aplicação imediata de vinagre no local do ataque para parar a injeção local de toxinas. Mesmo recebendo tratamento imediato, três a cada dez pessoas morrem.As que não morrem podem sentir dores por mais de semanas e ficarão com cicatrizes para o resto de sua vida. Mas quem está nadando sozinho(a) tem a chance de 0% de sobrevivência!

Assista o vídeo que mostra  a vespa-do-mar em ação clicando aqui
Saiba mais sobre águas-vivas no Biorritmo:

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fumar Altera a Qualidade do Sêmen

 A qualidade dos espermatozóides produzidos por fumantes ativos e usuário de maconha pode ser influenciada por substâncias como o tabaco, a nicotina e THC causando prejuízo reprodutivo

Posto que o tabaco, a nicotina e a maconha podem influenciar na espermatogênese, pesquisadores paulistas do Centro de Estudo e Pesquisa das Faculdades Integradas FAFIBE, liderados pela Prof.ª Dr.ª Renata Dellalibera-Joviliano, procuraram avaliar a qualidade do sêmen de homens fumantes ativos, não-fumantes e comparando com aqueles usuários de maconha. Neste estudo, foi analisado o líquido seminal de 10 voluntários fumantes ativos (utilização de >10 cigarros/dia e tempo superior a 3 anos - GRUPO A), 10 voluntários fumantes e usuários de maconha (uso mínimo de 3 vezes na semana, com tempo superior a 3 anos do consumo inicial - GRUPO B) e 7 voluntários que não utilizavam nenhum medicamento, hábitos de vida saudável, pareados em termos de idade e etnia aos demais grupos (controle - GRUPO C). Diversos foram os parâmetros analisados na realização do espermograma, incluindo, análises físicas, pH e microscópicas. A análise estatística utilizada foi o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Os indivíduos fumantes e usuários de maconha apresentaram uma diminuição significativa da motilidade, do número total de espermatozoides (GRUPO A e B >15 milhões enquanto que o GRUPO C > 30 milhões) associado a um aumento percentual de espermatozoides mortos (GRUPO A = 41%; GRUPO B = 55% e GRUPO C = 17.6%) e morfologicamente anormais (GRUPO A = 35%; GRUPO B = 43%, predomínio fusiforme; e GRUPO C = 10%). Portanto, evidenciando que a nicotina e a maconha podem influenciar na qualidade espermática causando o prejuízo reprodutivo.

Fonte: Laes&Haes-Edição 184 de maio de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os Princípios Bioativos do Arroz Integral

Arroz integral é composto por bioativos que podem ajudar na prevenção de doenças
Arroz integral é composto por bioativos que podem ajudar na prevenção de doenças

Depois de passar oito anos estudando as propriedades nutricionais de todas as variações do arroz (polido, integral, parboilizado, preto e vermelho), pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP chegaram a conclusões que podem parecer surpreendentes aos olhos dos consumidores. Foi constatado que o arroz do tipo integral tem propriedades que vão muito além da tão valorizada presença de fibras: ele é rico em vitaminas, sais minerais e, acima de tudo, possui princípios bioativos que podem diminuir as chances de desenvolvimento de doenças cardíacas, câncer, diabetes e obesidade.
Mas por que, afinal, só o arroz integral possui essas propriedades? A professora Ursula Lanfer Marquez, coordenadora da linha de pesquisa "Características nutricionais e propriedades funcionais do arroz", explica que a diferença está justamente no tipo de beneficiamento do grão. Enquanto o arroz integral, quando descascado, mantém o chamado " farelo" (camadas externas ao endosperma, onde estão os nutrientes e compostos bioativos), o arroz polido (ou branco) perde todas essas camadas, restando o endosperma, rico apenas em amido e proteínas.
O arroz parboilizado, por sua vez, pode ser integral ou polido. Porém, neste caso o grão passa por um pré-cozimento antes de ser descascado - portanto, mesmo quando é integral, perde algumas de suas propriedades no processo. "O pré-cozimento é feito pois evita que o arroz se quebre quando descascado, aumenta a vida de prateleira e, quando cozido, fica sempre soltinho. Como o arroz quebrado não tem valor comercial, o gasto com a parboilização é compensado pelos prováveis prejuízos com quebras", explica a professora Ursula.

Bioatividade

Assim, o arroz integral é o único que conserva os chamados compostos bioativos, que são aqueles que têm atividades sobre organismos vivos. No caso do arroz, já foram confirmados pelo menos dois tipos de atividades: antioxidante e hipocolesterolêmica (reduz a taxa de colesterol no sangue).
Um dos compostos responsáveis por essas atividades é o orizanol, substância própria do arroz, que possui as duas propriedades. Além dele, a vitamina E e os compostos fenólicos apresentam atividade antioxidante, capazes de evitar o estresse oxidativo no organismo, relacionado a problemas cardiovasculares, câncer e inflamações, isto é, a doenças crônico-degenerativas não transmissíveis, em geral. Segundo a professora Ursula, outros tipos de arroz, como o preto e o vermelho, apresentam uma atividade antioxidante ainda maior do que a do arroz integral.

Entre tantos grãos

É no mínino curioso que todos esses benefícios proporcionados pelo arroz, um alimento tão popular e acessível no país, sejam tão pouco conhecidos e estudados. Ainda mais numa época em que é crescente a preocupação com a alimentação, fato que a mídia e a própria publicidade tornam evidente.
Para a professora, isso ocorre porque o arroz não é uma novidade para a população. " Ninguém fala disso porque o arroz é consumido pelo homem há cinco milhões de anos. O consumidor não cria expectativas em relação ao produto" , explica Ursula. " Por outro lado, há bastante interesse quando se fala de grãos diferentes, como a quinoa ou o amaranto. Mas o fato é que o arroz pode apresentar muito mais benefícios à saúde do que esses outros grãos" , pondera.
Segundo Ursula, o grupo de pesquisadores do seu laboratório tem como objetivo divulgar cada vez mais esses benefícios, e desmistificar o vínculo existente entre os benefícios dos alimentos e o fato de eles serem ou não fontes de fibra. " Antes, tudo era ligado à fibra, mas nós já constatamos que os benefícios à saúde não dependem só dela. Os benefícios estão relacionados aos princípios bioativos" , diz. A equipe ainda pretende incentivar o consumo de cereais integrais não-trigo, determinar as quantidades de ingestão mínima de arroz integral para que haja efeito sobre o organismo e tentar estabelecer um reconhecimento formal de todas as propriedades benéficas do arroz.

Fonte: USP


sábado, 6 de novembro de 2010

Um Panorama do Aborto no Brasil

Alvo de muita polêmica, o aborto no Brasil e no mundo possui um panorama assustador. De grande impacto na saúde pública, os casos de interrupção voluntária da gravidez foram analisados por várias instituições de pesquisas.

O aborto tem se convertido nos últimos anos em um grande problema para a saúde pública mundial, pois a interrupção da gravidez, por meios legais ou ilegais, tem se tornado cada vez mais frequente. Essa situação acarreta um elevado número de mortes e compromete a saúde de milhares de mulheres.
Estimativas de 2005 da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que ocorrem a cada ano no planeta cerca de 87 milhões de casos de gravidez indesejada. Desses resultam entre 46 milhões e 55 milhões de abortos.
Diariamente, são realizadas cerca de 126 mil interrupções voluntárias da gravidez, ou seja, ocorre um aborto a cada 24 segundos. Comparativamente, é como se 1/4 da população brasileira ou todos os habitantes da Itália, ou da Espanha ou da Argentina fossem exterminados em um único ano. A grande maioria desses abortos (78%) ocorre em países em desenvolvimento.
A cada ano, aproximadamente 18 milhões de mulheres abortam de forma clandestina. Anualmente, cerca de 13% da mortalidade materna no planeta são atribuídos a abortos malsucedidos.
 No Brasil, estimativas realizadas em 2005 com base em internações hospitalares decorrentes de complicações provenientes de abortos registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que ocorrem cerca de 1,5 milhões de abortos a cada ano. É como se fosse eliminada totalmente a população de Porto Alegre, ou de Recife, ou de Campinas e Niterói juntas.
Cálculos do Ministério da Saúde, por sua vez, revelam que 3,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos induziram aborto (7,2% do total de mulheres em idade reprodutiva). Estimativas de 2001 indicam que 10% das gestações acabam em aborto, que se constitui na quarta causa de óbito materno no país, vitimando 9,4 de cada 100 mil gestantes.
Estudiosos do tema acreditam que o número de interrupções não naturais da gestação é subestimado, pois a maioria das mulheres que fazem abortos recorre a clínicas clandestinas, somente procurando os serviços de saúde pública se algo der errado.
 O impacto dos abortos ilegais é enorme e pode ser estimado por meio dos casos em que as gestantes têm complicações ─ que não conseguem solucionar sozinhas ou nas clínicas clandestinas ─ e acabam por ter que recorrer aos serviços de saúde. A realização de curetagens devido a abortos tem se tornado cada vez mais comum, sendo, de acordo com o Ministério da Saúde, o segundo procedimento obstétrico mais praticado no país, após os partos normais.
Apesar da enorme frequência de abortos no país, o Código Penal Brasileiro prevê uma pena de 1 a 10 anos de detenção, de acordo com a situação, como punição para o aborto. Além disso, afirma que a interrupção não natural da gravidez pode ocorrer apenas em duas situações: quando houver risco de morte para a gestante ou a gravidez for resultante de estupro. Contudo, mulheres presas por fazer abortos são uma raridade.

As razões do aborto

Mas o que faz uma mulher optar por interromper uma gravidez mesmo correndo riscos enormes para a sua saúde e até para a sua liberdade? Obviamente, nenhuma mulher em seu juízo perfeito escolheria realizar um aborto. Contudo, há uma série de outros fatores envolvidos.
Um estudo recentemente publicado traz uma série de novas pistas para se esclarecer os motivos e o perfil das mulheres que realizam abortos no Brasil. Essa pesquisa, coordenada por Débora Diniz, antropóloga da Universidade de Brasília (UnB), e por Marilena Corrêa, médica sanitarista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avaliou mais de 2 mil estudos sobre o aborto no país. Os resultados contrariam o senso comum, segundo o qual esperaríamos uma maior taxa de abortos entre adolescentes e mulheres com pouco estudo, desempregadas, solteiras e não católicas. 
Segundo Diniz e Corrêa, a maioria das mulheres que abortam tem entre 20 e 29 anos e possui uma união estável (cerca de 70%). Essas mulheres têm até oito anos de estudo e a maioria trabalha e é católica (entre 44,9% e 91,6%, dependendo do estudo analisado).
A maior parte delas possui, pelo menos, um filho (entre 70,8% e 90,5%) e é usuária de métodos contraceptivos (principalmente a pílula anticoncepcional). Segundo vários estudos, a realização de abortos seria uma solução utilizada por muitas mulheres quando os métodos contraceptivos falham.
As análises também indicam que entre 50,4% e 84,6% das mulheres que interrompem a gravidez utilizam o misoprostol (conhecido popularmente como Cytotec), um medicamento vendido ilegalmente em todo o país.
A perda do apoio da família e do pai da criança e a carência de iniciativas educacionais e assistenciais do poder público para auxiliar gestantes, aliadas a problemas financeiros associados com a manutenção de uma criança indesejada e com a exiguidade de perspectivas futuras são fatores que contribuem para a decisão a favor do aborto. Contudo, essa decisão não é simples de ser tomada e, muitas vezes, representa prejuízos psicológicos enormes e duradouros para aquelas que optam por ela.
A maioria da população brasileira parece não estar ciente dos enormes problemas causados pelos abortos clandestinos em nosso país. Uma pesquisa realizada em março de 2007 pelo Instituto de Pesquisas Datafolha (do jornal Folha de S. Paulo) revelou que a maioria dos entrevistados (65%) é contrária a mudanças na atual legislação sobre o aborto e que cerca de 16% são favoráveis a uma expansão na legislação. Apenas 10% dos entrevistados afirmam que o aborto deveria ser descriminalizado, algo que já ocorre em 97 países, que reúnem cerca de 66% da população mundial.

Adaptado do artigo "Aborto no Brasil: mortes em silêncio" de Jerry Carvalho Borges para a CH On-Line em 05/11/2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

País Testa Droga Para Prevenir o Vírus da Aids

A ingestão diária de um medicamento oral contra a aids, além do uso da camisinha, pode evitar a infecção pelo vírus da doença em pessoas saudáveis?
Três centros de ensino e pesquisa brasileiros e 350 homens que fazem sexo com homens no País ajudam a responder a pergunta que, se obtiver resposta positiva, poderá abrir caminho para uma nova arma no combate ao HIV, ao lado do preservativo, ainda o único método comprovado de prevenção.
A fase de testes em humanos do estudo inédito Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição (iPrEx), promovido pelo governo norte-americano em parceria com a Fundação Bill e Melinda Gates e coordenada pela Universidade da Califórnia, em São Francisco, foi concluída e a pesquisa acaba de entrar na fase de tabulação de dados.
Os primeiros resultados, espera-se, devem sair até o final do ano. No total, 11 centros de pesquisa no mundo todo participam do trabalho, em seis países (além do Brasil, os EUA, Tailândia, África do Sul, Peru e Equador participam).
Os 350 voluntários brasileiros, saudáveis, não infectados pelo HIV, foram recrutados pela Faculdade de Medicina da USP, a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal do Rio de Janeiro para o estudo, aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Metade recebeu um comprimido diário da combinação de dois antirretrovirais e orientações sobre o uso da camisinha, entre outros cuidados. A outra metade, um comprimido de placebo (substância inócua) e também orientações sobre a necessidade do preservativo para o sexo seguro, entre outras recomendações. O estudo durou um ano e meio.
Na fase de tabulação os resultados dos dois grupos serão comparados, como o eventual número de casos de contaminação pelo HIV em cada um, para se verificar a eficiência dos remédios. O estudo previa que os voluntários fizessem testes frequentes de HIV e que, em caso de contaminação, fossem retirados da pesquisa e recebessem tratamento.
'Caso haja eficácia, será um importante passo para provar que os medicamentos podem também ser usados como prevenção antes da exposição ao vírus', diz o pesquisador-líder no Brasil, Esper Kallas, da USP. Ele destaca que trabalho semelhante com as mesmas drogas em macacos mostraram eficácia.
Grupos mais vulneráveis, que têm maior dificuldade em negociar o uso da camisinha em determinadas situações, poderão um dia ser os maiores beneficiados dos resultados da pesquisa- caso de travestis e profissionais do sexo.
Kallas destaca, porém, que mesmo que haja eficácia, a adoção do método pela saúde pública é complexa. Um dado positivo poderá não se reproduzir em outra população, como, por exemplo, entre adolescentes iniciando a vida sexual. 'Uma medida que venha a ampliar os métodos de prevenção é sempre bem vinda', diz Jorge Beloqui, da ONG Grupo de Incentivo à Vida. 'Mas a adesão pode variar segundo a população estudada.'

Por Fabiane Leite, estadao.com.br

terça-feira, 2 de novembro de 2010

As Parasitoses Intestinais no Brasil

A incidência de parasitoses intestinais está associada aos hábitos de higiene e às condições  de vida das pessoas. Mesmo assim já foi comprovado que infecções por lombrigas Ascaris lumbricoides (foto) ocorrem em todas as camadas sociais

As parasitoses intestinais especificamente em crianças continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. A literatura pertinente aponta como problema a classe econômica e os menos favorecidos culturalmente, o que abrange grande parcela da população brasileira. Estima-se que cerca de um bilhão de indivíduos em todo o mundo albergue o parasita Ascaris lumbricoides (lombriga), sendo apenas um pouco menor o contigente infectado por Trichuris trichuris e pelos ancilostomídeos. Estima-se também que entre 200 e 400 milhões de pessoas alberguem respectivamente Giardia lamblia e Entamoeba histolytica. As conseqüências que as parasitoses podem trazer a seus portadores incluem: obstrução intestinal, desnutrição, anemia ferropriva, quadros de diarréias e dificuldades no aprendizado. Em casos extremos, pode-se levar à morte, sendo que as manifestações clínicas são usualmente proporcionais à carga parasitária do indivíduo.
Apesar das substanciais melhorias registradas nas últimas décadas, proporções consideráveis das crianças, em particular de São Paulo, ainda aparentam estar expostas a infestações por parasitas intestinais. Em 1995/96, mais da metade das crianças da cidade eram cuidadas por mães com baixa escolaridade, um terço vivia em domicílios nos quais  a renda familiar era de menos de um salário mínimo por pessoa, 30% residiam em domicílios não servidos por rede de esgoto, quase 20% habitavam em moradias de construção precária e/ou de tamanho insuficiente e 6% não tinham acesso a meios básicos de prevenção à saúde. Da eficácia no combate a essas condições adversas - e, portanto, da implantação e sucesso de políticas públicas que promovam o crescimento econômico, a melhor distribuição de renda e a universalização do acesso e aos serviços de saneamento e de saúde - dependerá o completo controle das enteroparasitoses na cidade de São Paulo, bem como nas demais cidades brasileiras.
O que fazer frente a um velho problema de saúde pública? Os métodos tradicionais de promoção em saúde e educação em saúde sempre continuarão sendo muito úteis  e eficazes, quando aplicados. As práticas  educacionais quando bem aplicadas levam as pessoas  a adquirirem os conhecimentos para prevenção de parasitoses, alcançando objetivos propostos e evidenciando o valor da orientação pedagógica para a conscientização da população. O parasitismo intestinal ainda se constitui num dos mais sérios problemas de saúde pública no Brasil, principalmente pela sua correlação com o grau de nutrição das populações, a fetando especialmente o desenvolvimento físico, psicossomático e social de escolares.
Diversos estudos demonstram que indivíduos pertencentes a classes economicamente e socialmente desfavorecidas estão mais suscetíveis as infecções parasitárias. Somados à questão acima, maior densidade populacional, hábitos religiosos, deficiência na higiene pessoal, baixas condições de vida e ignorância favorecem a disseminação e podem levar a incidência das parasitoses em determinada região. As infecções por parasitas acompanham a humanidade desde a pré-história e provavelmente o farão por toda a existência da raça humana. Como minimizar então as conseqüências danosas que acometem a tantas pessoas?
O investimento em educação e saneamento básico consiste nos sistemas mais eficientes e baratos de se combater as parasitoses humanas. É sabido que a cada dólar investido em saneamento básico se economiza cinco em atividades curativas, a serem implementadas para combater doenças causadas pela falta do mesmo.

Adaptado do artigo "Estudo Comparativo da Freqüência de Parasitoses em Dois Laboratórios de Análises Clínicas, Segundo a Renda Familiar, Cascavel-Pr" de Zanluti Filho e Teixeira. Publicado em Laes&Haes N°174, 2008

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cães Farejadores Ajudam a Preservar Baleias


Cachorros são treinados para detectar fezes de baleia boiando na água; na foto, o labrador Tucker em ação


O faro apurado dos cães vem servindo para um propósito inusitado: cientistas americanos estão usando cachorros para ajudar na preservação da população de baleias no Oceano Pacífico. Os cães são treinados para detectar fezes da baleia. 
"Como você estuda uma baleia de 50 toneladas? Você não pode pegar o animal, e fazer um exame físico. Então, a única coisa que sabíamos que podíamos conseguir eram amostras de fezes, porque isso já havia sido feito nos anos 80 para estudar a dieta das baleias"-explicou Roz Rolland, do New England Aquarium, em Boston, E.U.A, pioneiro no uso da técnica.
O material coletado contém informações sobre os níveis de estresse e fertilidade da baleia, sua nutrição e a exposição do animal à poluição. Com esses dados, os pesquisadores são capazes de determinar as causas do declínio da população de baleias na região."Há algo muito importante no uso de habilidades-que não envolvem alta tecnologia, mas que são altamente eficientes como um animal para ajudar a preservar outro", diz Rolland.
Como as fezes boiam por, no máximo, 45 minutos antes de afundar entre as ondas, o trabalho dos cães é fundamental. Se as condições de vento forem ideais, eles podem farejá-las a a mais de 1,6 mil metros de distância e guiar o barco até lá. Quanto mais amostras forem coletadas, mais robustas são as conclusões sobre o que está afetando as baleias.
As análises de laboratório já confirmaram as suspeitas de que o número de turistas aumenta o nível de estresse das baleias, através do cruzamento de informações sobre os números de barcos no mar e a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, presente nas amostras de fezes em um determinado dia.
Os dados revelaram que os barcos particulares geram mais estresse para os animais que as operadoras comerciais, porque tendem a chegar mais perto das baleias e agir de forma irresponsável.
Mas o grande problema para as baleias parece ser que há menos peixes, e eles são menores do que costumavam ser, disponíveis para sua alimentação hoje em dia.
Segundo os especialistas, as baleias tem que trabalhar muito mais para conseguir a mesma quantidade de comida, porque peixes como o salmão estão se tornando mais raros devido à pesca comercial e à construção de represas.
Por ajudar a descobrir informações tão importantes para a preservação das baleias,  os cachorros ganham uma recompensa: uma brincadeira animada com uma bola por cada amostra de fezes descoberta no oceano.

Fonte: Jornal Extra (31/10/2010)