segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pesquisando a Alergia

Pesquisadores do Rio de Janeiro buscam novos medicamentos de combate às alergias diferentes das drogas anti-histamínicas existentes no mercado 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial sofrem com algum tipo de alergia.Nas grandes aglomerações urbanas , os sintomas são agravados pela poluição, afetando principalmente as crianças. Mas os horizontes para o controle desse mal estão se ampliando. Um novo medicamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf)- ainda em fase de testes, em ratos, mas que já gerou um pedido de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) - pode ser uma alternativa mais inteligente para o tratamento de alérgicos.
Diferente das tradicionais drogas anti-histamínicas, que só atuam depois da liberação no organismo da histamina, isto é, das substâncias que desencadeiam as reações alérgicas, o novo medicamento vai atuar em uma fase anterior a esse processo, evitando que os sintomas se manifestem. A idéia surgiu após um longo período de pesquisas com proteínas alergênicas extraídas das sementes de mamona (Ricinus communis), em andamento há 15 anos no Laboratório de Química e Função de Proteínas e Peptídeos (LQFPP), do Centro de Biociências e Biotecnologia da Uenf. O projeto, sob a coordenação da professora Olga Machado, vem sendo financiado pela FAPERJ, por meio de diversos programas.
O primeiro passo da equipe foi identificar a estrutura da molécula responsável pelo desencadeamento da alergia, que nada mais é do que uma reação imunológica do organismo quando em contato com substâncias estranhas, conhecidas como alérgenos (antígenos). Para isso, eles identificaram a seqüência  de aminoácidos de várias proteínas alergênicas contidas na torta de mamona (nome da massa de resíduos resultantes do processo de extração de óleo da semente, usada largamente como matéria-prima para a produção de biocombustíveis), além da seqüência de aminoácidos de seus epitopos. Os epitopos são as regiões da proteína que se ligam às imunoglobulinas , formando pontes, especialmente com o principal anticorpo envolvido nas reações alérgicas: a imunoglobulina E (IgE).
Depois de desvendarem essa estrutura primária, os pesquisadores observaram que alguns aminoácidos, como o ácido glutâmico, apareciam constantemente nos epitopos. Intrigados, eles resolveram investigar as suas interações com a IgE e confirmaram a hipótese de que esses aminoácidos eram fundamentais para consolidar a ligação entre os epitopos ea IgE. "Para a proteína alergênica se associar e disparar o processo de alergia, certos aminoácidos dos epitopos têm se ligar às IgEs das células, formando uma ponte entre moléculas de IgE. Após esta interação, ocorre mudanças na célula, levando à liberação de histamina, ou seja, a substância que provoca os sintomas da alergia", explica Olga.
Pensando nesse mecanismo, a equipe da Uenf vem desenvolvendo um medicamento capaz de tomar o lugar dessas ligações antes que os epitopos das substâncias causadora da alergia possam ocupá-la, evitando, assim o surgimento dos sintomas indesejáveis. "A droga atua como um bloqueador de IgE", resume a pesquisadora. "Começamos a desenvolver o medicamento em cultura de células de ratos e camundongos em 2005, e hoje estamos testando em animais vivos, com resultados preliminares imediatos e bastante satisfatórios", conta. A realização de testes em seres humanos, que seria a próxima etapa, ainda depende da aprovação do Conselho de Ética. A equipe está aberta a propostas de empresas farmacêuticas para o fechamento de parcerias e desenvolvimento final do remédio.
A boa notícia é que o medicamento deve apresentar resultados não  só para as pessoas alérgicas  à mamona,  mas também para quem tem outros tipos  de alergia. Isso ocorre por conta das respostas cruzadas entre alérgenos. as proteínas alergênicas da mamona estão presentes também no pólen, que, ao ser disperso no ar, pode causar sensibilização mesmo em que nunca teve contato com a planta. "Indivíduos sensibilizados por alérgenos da mamona tornam-se propensos a desenvolver também sensibilidade a componentes alergênicos presentes em diversos alimentos, tais como camarão, peixe, glúten, trigo, soja, amendoim e milho", afirma Olga. "Por isso, esperamos que o medicamento seja eficaz contra outros tipos de alergia, causadas por alérgenos de outras fontes, além da mamona."

Fonte: Revista Rio Pesquisa da FAPERJ

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Briga de Pardais




O fotógrafo Urs Schmidli  consegue fotografar coisas que a maioria de nós sequer percebemos. Um bom exemplo disso, está na batalha entre pardais que o fotógrafo de 57 anos conseguiu registrar no jardim da sua casa. “Eu estava prestando atenção a dois pardais no meu jardim. Então, de repente, apareceu um terceiro que parecia perturbá-los. Ele ainda tentou roubar comida dos outros. Então foi por isso que teve a perna presa. Tudo aconteceu dentro de um segundo“, explicou ele ao Daily Mail.
Urs é a personificação da frase “no lugar certo, na hora certa”. Em outro episódio, ele conseguiu fotografar uma briga entre outros dois pardais. Ele explica que os pardais usam seu jardim para procurar comida, por isso acabam se estranhando. “Eles luta, claro, mas eu nunca vi ferimentos“.
Se você pretende tirar fotos como o Urs, a receita está na paciência e, claro, numa câmera decente.Ele consegue registrar suas imagens a uma velocidade tal que é impossível saber se a foto ficou boa até que verifique o visor.
“As pessoas se espantam com as minhas fotos e perguntam várias vezes como consigo fotografar uma cena como esta”, disse ele. “Mas esta é a minha especialidade e eu guardo o segredo só para mim. É meu objetivo mostrar às pessoas como pardais vivem e interagem. Eles são especiais e interessantes – muito mais do que apenas um pequeno pássaro“, finalizou Urs.
Do Portal iG

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pesquisa sobre a Atividade da Fêmea do Aedes



Pesquisa da Fiocruz revela que o vírus da dengue deixa as fêmeas do 'Aedes aegypti' mais ativas durante todo o dia. As fêmeas do Aedes aegypti’ (na foto) infectadas com o sorotipo 2 da dengue se locomoveram entre 10% e 50% a mais do que as ‘mosquitas’ sem o vírus da doença. O estudo pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para o controle da doença.


O resultado de um estudo inédito desenvolvido pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostrou que as fêmeas do Aedes aegypti têm maior atividade locomotora quando estão infectadas pelo vírus da dengue. Em comparação com fêmeas não infectadas, elas apresentaram aumento que varia de 10% a 50% na atividade. Segundo os pesquisadores, a mudança de comportamento pode estar relacionada ao relógio circadiano, como é chamado o mecanismo interno que controla os ritmos biológicos com período de aproximadamente 24 horas. Essa abordagem diferenciada traz contribuições quanto a um aspecto ainda pouco explorado na biologia de insetos vetores. Os resultados foram publicados na revista científica PLoS One.
Iniciado em 2008, o estudo monitorou a atividade locomotora de mosquitos infectados e não infectados pelo sorotipo 2 do vírus da dengue por meio de um sistema que registra o movimento dos insetos, mantidos em tubos de vidro, cada vez que cruzam um feixe de luz infravermelha. " O registro da atividade foi realizado em uma incubadora com temperatura de 25 ºC e que intercalava 12 horas de claro e 12 horas de escuro durante sete dias. Ao final do experimento, fizemos uma média da atividade desses dois grupos" , explica a doutoranda Tamara Lima-Camara, uma das autoras do estudo, coordenado por Alexandre Peixoto, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC, e que teve a participação também de outros pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
" O aumento da atividade locomotora das fêmeas infectadas pode afetar alguns aspectos de sua biologia, como a maior procura por hospedeiro e, por isso, acreditamos que essa característica possa ter desdobramentos na dinâmica de transmissão da doença" , esclarece a pesquisadora Rafaela Bruno, outra autora do projeto. " O A. aegypti é um mosquito diurno, porém verificamos que, no grupo de fêmeas infectadas, o aumento da atividade também ocorreu durante a noite. Como é oportunista, ele pode utilizar essa atividade extra no período noturno, horário em que o hospedeiro está mais vulnerável" , acrescenta Tamara.
A doutoranda destaca que os resultados devem ser considerados no contexto de uma experimentação em laboratório. "É preciso ressaltar que, na natureza, o mosquito tem vários tipos de atividades, como a postura de ovos, a procura de um hospedeiro para se alimentar. O monitoramento que realizamos serve de parâmetro para a análise da atividade de voo em campo" , pontua.
Segundo as especialistas, a maior facilidade de comparação fez com que o sorotipo 2 do vírus fosse escolhido para desenvolver a pesquisa. " Esse sorotipo é o que mais apresenta dados na literatura científica, isso é fundamental para compararmos resultados" , reforça Rafaela. De acordo com ela, não é possível afirmar se a alteração verificada no estudo ocorre também com mosquitos infectados por outros sorotipos do vírus. " Fatores como a resposta imune do mosquito podem fazer com que os resultados sejam diferentes" , explica. O próximo passo do trabalho é a investigação dos genes que estão envolvidos na mudança de comportamento observada. " Já temos ensaios preliminares que mostram que, na situação de infecção pelo vírus, os genes associados à regulação do relógio circadiano do vetor são afetados, mas agora vamos fazer um estudo mais abrangente" , conclui a pesquisadora.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Gripe Aviária: África do Sul Sacrifica 10 Mil Avestruzes


O país calcula que 70% da produção de avestruz do Cabo Ocidental estão contaminadas, o que levou a paralisar as exportações


Cerca de 10 mil avestruzes destinados ao consumo humano foram sacrificados devido a um surto de gripe aviária registrado no sudoeste da África do Sul no dia 9 de abril, comunicou nesta terça-feira (24/05/2011) o Ministério da Agricultura do país. A Administração sul-africana calcula que 70% da produção de carne de avestruz da província do Cabo Ocidental, estão contaminadas, o que levou a paralisar as exportações, segundo a agência de notícias local "Sapa".
"Ao todo, 10 mil avestruzes já foram sacrificados e não podemos calcular o número absoluto de animais afetados, já que a doença continua se espalhando", informou o Ministério em comunicado.Outras sete fazendas da região terão de seguir o mesmo procedimento como medida preventiva, depois que vários testes acusaram resultado positivo.
Amostras estão sendo colhidas em outros criadouros de avestruz em Klein Karoo, na província do Cabo Ocidental, segundo os técnicos do Ministério da Agricultura, que confirmaram a paralisação das exportações desta carne.
A Comissão Europeia - órgão executivo da União Europeia (UE) - enviou no último dia 19 à África do Sul uma equipe veterinária de emergência para ajudar as autoridades locais a controlar o surto. O foco, detectado em 9 de abril em várias fazendas da província do Cabo Ocidental, se propagou nas últimas semanas pela região, expondo esses animais ao perigo.
Gripe aviária é o nome dado à doença causada por uma variedade do vírus Influenza (H5N1) hospedado por aves, mas que pode infectar diversos mamíferos. O H5N1, vírus causador da gripe aviária, é um tipo de vírus Influenza, o responsável pela gripe comum. O Influenza pode ser dividido em três tipos: A, B e C. O tipo A subdivide-se ainda em vários subtipos, sendo os subtipos H1N1, H2N2 e H3N2, responsáveis por grandes epidemias e pandemias. O "H" significa "hemaglutinina", enquanto o "N" significa "neuraminidase", que sao duas glicoproteínas presentes no envelope viral, e usadas para sorotipagem (classificação de subtipos baseado em padrões de reconhecimento por anticorpos) de vírus da influenza tipo A. O tipo B também tem originado epidemias mais ou menos extensas e o tipo C está geralmente associado a casos esporádicos e surtos localizados. Exceto no nível molecular, a doença se parece muito pouco com a gripe que todos pegamos de vez em quando. O vírus pode tornar-se uma grande ameaça para os humanos se sofrer alguma mutação transformando-se em algo perigosamente desconhecido pelo nosso organismo e capaz de passar de uma pessoa para outra através de espirro, tosse ou contato físico.


Fontes: EFE e Wikipedia

terça-feira, 24 de maio de 2011

Espécies Arbóreas do Brasil

'Licania rigida'


Novo volume da coleção ‘Espécies arbóreas brasileiras’ traz descrição detalhada de 60 espécies de importância econômica, silvicultural, botânica e ecológica 'Licania rigida' (oiticica), espécie endêmica do Nordeste brasileiro. A farta sombra dos oiticicais servia de abrigo temporário a viajantes e tropeiros. (foto: Paulo Ernani Ramalho Carvalho)


A Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa) lançou recentemente o quarto volume da coleção Espécies arbóreas brasileiras, do engenheiro florestal Paulo Ernani Ramalho Carvalho. Mais uma vez (os outros três volumes da coleção também foram escritos por Carvalho) o autor coloca à disposição do leitor seu profundo conhecimento da flora arbórea que compõe o ambiente florestal brasileiro.
Em levantamentos quantitativos sobre a vegetação brasileira, já foram catalogadas até o momento cerca de 7.800 espécies arbóreas. Um número que põe o Brasil no topo das nações do planeta com maior biodiversidade florestal.
'Espécies arbóreas brasileiras'
Capa do volume 4 da coleção 'Espécies arbóreas brasileiras'.
Com o objetivo de resgatar e democratizar o conhecimento de parte dessa riqueza, Carvalho se entregou ao empreendimento hercúleo de descrever detalhadamente 340 espécies arbóreas. Um desafio que exigiu nada menos que 40 anos de dedicação ao estudo da flora nacional.
“O eixo embrionário para a criação da coleção surgiu em 1980 com a elaboração, em máquina de escrever, das fichas silviculturais de A a Z das espécies”, lembra o autor. Cada livro da coleção descreve 60 árvores, à exceção do volume 1, que descreve 100. Outras 60 espécies já definidas vão compor o volume 5, cujo lançamento está previsto para o final de 2012.
Carvalho conta que, ao planejar a coleção, uma de suas preocupações foi estabelecer critérios para selecionar as espécies dos volumes. Cada um deveria abranger os seis biomas continentais e as 27 unidades da federação, além de apresentar conotação latino-americana, já que muitas espécies ocorrem também no México, América Central, Caribe e América do Sul.
“Decidi escolher, por volume, uma espécie de cada uma das principais famílias botânicas e de cada um dos grandes gêneros brasileiros”, explica Carvalho. As espécies foram escolhidas também por sua importância ecológica, econômica e silvicultural. Nesse último critério, o autor considerou árvores de crescimento rápido ou moderado, que produzissem madeira nobre e tivessem uso múltiplo.
O livro, ricamente ilustrado com fotos e mapas, é um importante suporte para instituições e programas de conservação e recuperação de áreas degradadas. Embora o público-alvo da coleção seja engenheiros florestais, agrônomos, biólogos, paisagistas e estudantes dessas áreas, ela se destina também a ambientalistas, ruralistas, empresários da indústria madeireira e ao grande público.

Informações atualizadas

As informações sobre as espécies apresentadas em cada livro da coleção foram obtidas a partir de extensa revisão bibliográfica, que incluiu a leitura e análise de aproximadamente 1.500 trabalhos por volume. As fotos são do autor e de vários colaboradores, uma vez que há espécies de todos os estados brasileiros. A elaboração dos mapas das áreas de ocorrência natural das espécies só foi possível graças ao banco de dados construído durante a carreira do autor, que já se aposentou. Não é de espantar, portanto, que cada volume tenha levado em média três anos para ser concluído. Os mapas foram editados pelo setor de geoprocessamento da Embrapa.
Frente ao cenário atual do conhecimento na área, o diferencial da coleção, segundo o autor, são os mapas de ocorrência natural, os dados climáticos e de crescimento, além das informações inéditas incorporadas à descrição das espécies.Carvalho conta que a reação dos leitores aos volumes anteriores (publicados em 2003, 2006 e 2008) foi de surpresa, devido às informações não tradicionais e atualizadas, como nomes científicos novos, nova classificação botânica e estados com ocorrências ainda não citadas.
Quanto ao quarto volume especificamente, o principal destaque é a documentação da espécie Dalbergia cearensis, popularmente denominada violeta. Como o nome científico indica, foi originalmente assinalada no Ceará, e sua belíssima madeira é mundialmente conhecida por King Wood (madeira dos reis).
Das espécies descritas nesse volume, também merecem destaque, além dos conhecidos jacarandá e quaresmeira, o buriti-palito, o cedro-vermelho, a oiticica, a falsa-pelada, a farinha-seca e o pau-de-balsa (a madeira mais leve que se conhece).
O volume 5 da coleção Espécies arbóreas brasileiras, que já tem data de lançamento prevista, resultará de uma parceira entre a Embrapa Informação Tecnológica (Brasília-DF) e a Embrapa Florestas (Colombo-PR), também responsáveis pela edição dos demais volumes.
O autor adianta também que já dispõe de material para mais sete volumes (do 6 ao 12). Como cada um terá 60 espécies, teremos no futuro 420 novas espécies descritas na coleção. Estas, somadas às 340 já preparadas, perfazem um total de 760 espécies.
É um número pequeno, se considerarmos que já foram catalogadas no país até agora quase 8 mil espécies arbóreas. Mas, sem dúvida, é um ótimo começo.

Adaptado de artigo da revista Ciencia Hoje On-Line

domingo, 22 de maio de 2011

Caçadores de Evidências

Sangue

Desvendar crimes e solucionar problemas judiciais cada vez mais é uma tarefa da ciência. Os peritos forenses examinam vestígios em busca de provas com auxílio de tecnologia avançada e conhecimentos interdisciplinares.

Com o auxílio de diferentes áreas do conhecimento, como química, física, biologia, computação e psiquiatria, a ciência forense é capaz de dar voz às evidências e solucionar os mais complicados crimes e processos judiciais. 
A genética é a área da ciência forense que mais tem avançado. Basta uma pequena amostra de sangue, saliva, pele ou sêmen para identificar uma vítima ou um suspeito. “Os exames de DNA estão tão sofisticados que hoje podemos fazer testes com amostras cada vez menores e também mais antigas”, conta o biólogo e perito judicial Eduardo Paradela, consultor científico do Laboratório Vingene, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio).
Um exemplo disso foi a recente reviravolta que envolveu um crime ocorrido em Londres em 1910, quando o médico norte-americano Hawley Crippen foi condenado à forca por ter matado sua mulher. Na época, a esposa do médico desapareceu e a polícia julgou que ele a assassinara. A prova era um pedaço de pele, supostamente da jovem, encontrado no porão da casa do casal.
Agora, passados 100 anos, pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, fizeram um teste de DNA comparando a pele com o material genético de parentes vivos da vítima e descobriram que o tecido era, na verdade, de um homem.
Os pesquisadores norte-americanos analisaram o DNA mitoncondrial, que resiste mais tempo do que o do núcleo da célula. Esse tipo de material genético é passado de mãe para filhos e pode ser usado para determinar o parentesco entre duas pessoas.
Existem diversos outros tipos de exames de DNA, mas o mais comum nas investigações forenses é o que analisa o material do núcleo da célula. Ao contrário do que muita gente pensa, o exame não é feito com todos os genes de uma pessoa. Como os seres humanos compartilham muitas sequências genéticas iguais, os testes examinam apenas determinadas regiões dos cromossomos, chamadas de microssatélites, em que há repetição das bases nitrogenadas que compõem o DNA. Essas sequências são únicas em cada indivíduo.
A genética está tão avançada que já é possível identificar características físicas de uma pessoa pelo seu material genético. Essa técnica inovadora foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Erasmus de Roterdã (Holanda) e utiliza marcadores genéticos específicos para revelar a cor natural dos olhos e do cabelo de uma pessoa.
No Brasil, o teste de DNA é muito popular em processos judiciais de reconhecimento de paternidade. Nas investigações criminais, esse recurso é mais utilizado para a identificação de vítimas do que para caçar criminosos. Isso porque o nosso Código Penal garante que ninguém seja obrigado a produzir provas contra si mesmo. Assim, os suspeitos só fornecem material genético para comparação se quiserem.“Esses estudos são bastante relevantes para futuras aplicações forenses, pois podem dar pistas na busca das autoridades por um criminoso de identidade desconhecida”, explica um dos responsáveis pela nova técnica, o geneticista Manfred Kayser.
Em países da América do Norte e da Europa, as polícias mantêm bancos de dados com o código genético de toda pessoa acusada de algum delito. Apesar de ser amplamente usado como prova, o teste de DNA não é 100% infalível. “O DNA costuma ser apresentado como algo isento de erros e inclusive muitos juízes pensam que isso é verdade”, afirma o biólogo e perito judicial do Rio de Janeiro André Smarra, professor da Universidade Estácio de Sá. “Mas existem muitos casos de contestações judiciais e invalidação de exames.” Os principais fatores que podem influenciar no resultado do teste são a contaminação das amostras e erros de estatística.
Saiba mais sobre este assunto lendo o artigo "à caça de evidências" na Revista Ciência Hoje nº281 (maio 2011)
Veja também no Biorritmo:
Detetives do DNA (17/07/2010)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Reverso do Discurso

Com o seu discurso corajoso e realista, a professora Amanda Gurgel do Rio Grande do Norte tornou-se porta-voz dos profissionais de educação no Brasil inteiro

No dia 10/05/2011, a Professora Amanda Gurgel discursou para os deputados da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte em audiência pública. Durante o evento sobre o cenário atual da educação no RN, a professora Amanda Gurgel foi convidada para dar seu depoimento, o que era para ser um discurso para poucos deputados, deputadas e pessoas presentes se tornou um protesto público após o vídeo ir parar na internet e ser espalhado pelas redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut.
Logo de início a professora diz que assim como as pessoas (deputados e secretários) apresentam muitos números quando falam sobre educação, ela gostaria de também apresentar um número, um número composto por apenas 3 algarismos, diferente dos apresentados na casa, esses números são um 9, um 3 e um 0, seu salário, isso por que ela tem nível superior com especialização, depois pergunta se os deputados conseguiriam viver e manter seu padrão de vida com esse salário que não compra nem as roupas que eles usam para se apresentar na câmara, Amanda continua seu discurso e arranca aplausos da pequena platéia presente e continua apresentando fatos e argumentos que surpreende a todos.
Acostumados ao discurso unilateral das autoridades a respeito do assunto educação, a fala da professora do Rio Grande do Norte tornou-se a fala de milhares de profisionais de educação espalhados pelo Brasil inteiro, um desabafo até. O vídeo da professora Amanda Gurgel, que já alcançou mais de 150 mil acessos no Youtube e o nome dela “Amanda Gurgel” está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter, desde a tarde da última quarta-feira (18/05/2011).
Leia alguns trechos do discurso:
"Estão aceitando a condição precária da educação como uma fatalidade?"
"Sou eu a redendora do país? Não posso, muito menos com o que recebo."
"Sempre o que o poder solicita da gente é paciência, é tolerância... Vocês nos pedem paciência, a minha necessidade de alimentação é imediata, a minha necessidade de transporte é imediata, a necessidade de Jéssica de ter uma educação de qualidade é imediata..."
"Parem de associar qualidade de educação com professor dentro de sala de aula, não fico constrangida de mostrar o meu contracheque, porque penso que o constrangimento deve vir de vocês"
Assista ao vídeo do discurso da professora Amanda:

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um Cachorro por Família


Homem brinca com cachorros em parque de Xangai, na China. A maior cidade chinesa está implementando uma política de um cachorro por família na tentativa de conter o crescimento da população de cães e o aumento dos casos de raiva 


Com o aumento da popularidade dos animais de estimação no país, o governo da China resolveu limitar o número de cachorros a apenas um por família. A população de cães no país cresceu muito nos últimos anos. Nos tempos da China comunista, era proibido ter cachorro, por isso ser considerado um "passatempo burguês", mas atualmente virou símbolo de status, e os cachorros se espalharam pelo país todo. O governo então decidiu adotar política semelhante à que limita a apenas um filho por casal, para evitar a superpopulação de cachorros. Os proprietários têm que registrar os animais, pagando uma taxa para o governo combater epidemia de cães.
Fonte: Jornal Destak Rio

terça-feira, 17 de maio de 2011

Droga Derivada da Saliva do Morcego Contra AVC


Uma droga artificial derivada da saliva de morcego vampiro pode ser o próximo grande avanço para salvar a vida de pacientes com AVC

Médicos na Ohio State University Medical Center, nos Estados Unidos, descobriram que uma droga artificial derivada da saliva do morcego pode ser o próximo grande avanço para salvar a vida de pacientes com AVC. Pesquisadores envolvidos nas primeiras fases de testes da droga defendem que o estudo pode proporcionar avanços no tratamento da doença.
Desmoteplase, a droga do estudo, é geneticamente modelada com base em uma proteína encontrada na saliva de morcegos hematófagos da espécie Desmodes rotundus ( também conhecido como vampiro verdadeiro) que dissolve coágulos do sangue. Para os morcegos, a proteína ajuda na alimentação, mas em pacientes que sofreram acidente vascular cerebral isquêmico, a desmoteplase atua como anticoagulante que pode dissolver os coágulos de sangue no cérebro até nove horas depois de um acidente vascular cerebral.
"Quanto mais tempo o tratamento é retardado, maior o risco de dano cerebral significativo, e, infelizmente, muitas pessoas não chegam ao pronto-socorro em tempo para receberem drogas realmente benéficas" , disse o pesquisador Michel Torbey.
"Pedir assistência médica no prazo de três horas é muito importante para a recuperação de um AVC, mas as tentativas de encontrar uma droga que estenda a janela de tratamento não foram bem sucedidas", acrescentou Torbey. "Se os resultados do estudo apoiarem nossas esperanças e expectativas, a desmoteplase pode ser uma nova opção para ajudar pacientes com AVC." A única intervenção anti-coagulante atualmente aprovada para o AVC isquêmico agudo, é a alteplase, que, no entanto, é aprovada para uso dentro de 3 horas após o início dos sintomas.
Torbey disse que o retardo do tratamento do AVC pode aumentar drasticamente a recuperação e causar a morte. O tratamento pode ser adiado por vários motivos, incluindo o tempo de transporte para um hospital ou a incapacidade do paciente para reconhecer rapidamente e agir sobre os sintomas de um derrame.
O primeiro ensaio clínico a ser realizado com a droga deve contar com 400 pacientes.

Saiba mais sobre morcegos no Biorritmo lendo a seguinte postagem:

domingo, 15 de maio de 2011

Oxi: Uma Nova Droga Mais Barata e Mais Letal que o Crack

Muitos não sabem, mas existe uma droga muito mais forte do que o Crack com um poder de vicio muito maior e devastador. Essa droga tem o nome de Oxi, por se tratar de restos do refino de coca oxidados. Oxi é considerado por especialistas pior que o Crack, em virtude de causar vício muito rápido aos usuários.
Droga mais letal e viciante que o crack foi encontrada no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre. Clique e veja mais fotos Crédito: Divulgação / Denarc / CPA nova droga já está nas ruas em alguns estados do Brasil. Praticamente muitos já devem ter pleno conhecimento do efeito aterrorizante e devastador que o Crack provoca nos dependentes químicos, isto é, nos viciados e usuários.Também todos já sabem que ela já está espalhada por todo o Brasil e que existem vários tipos de drogas destruindo a sociedade, a família e os jovens. São elas: a maconha, a cocaína, a heroína, o LSD, o Extasy entre outras. 
Na verdade não é uma droga tão nova assim, pois chegou na década de 80 ao Estado do Acre, vizinho da Bolívia, um dos maiores produtores de cocaína do mundo. O Oxi é mais poderosa e devastadora ainda que a cocaína e o Crack juntas. Assim como o Crack é um subproduto da cocaína, o Oxi por sua vez é um subproduto do Crack, adicionado de querosene e outros componentes. Se o Crack vicia e destrói a vida social do indivíduo de forma rápida, o Oxi é uma droga mais forte e perigosa. A diferença é que, na elaboração, ao invés de se acrescentar bicarbonato e amoníaco ao cloridrato de cocaína, como é o caso do Crack, adiciona-se querosene e cal virgem para obter o Oxi. A nova droga já foi encontrada em mais de dez estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e, recentemente, chegou ao sul do país conforme notícias da imprensa a respeito de uma apreensão feita no dia 12/05/2011 na zona norte de Porto Alegre (foto).
Essa nova droga é tão mortal e tão devastadora que grupos de pesquisadores da ONG Rede Acreana de Redução de Danos – Reard resolveu pesquisar a vida de vários usuários na região para estudar a produção e o uso da mescla ou merla encontrando uma realidade assustadora. Eram jovens mergulhados no uso do Oxi. A mescla é uma espécie de “tia” mais rudimentar do Crack, produzida a partir do refugo da cocaína, mais alguns produtos químicos como cal, querosene, acetona, solução de bateria elétrica etc. 
A droga, por ser bastante barata, se espalha entre os jovens de cidades muito pobres que residem em bairros desprovidos de assistência social. Os viciados vivem em casas de madeira, a maioria na beira dos rios, sem saneamento básico, sem água, sem as mínimas condições de higiene. Vendido em pedras como o Crack, que podem ser inclusive amareladas ou mais brancas, dependendo da quantidade de querosene ou cal virgem adicionados, o grande diferencial do Oxi está justamente em seu preço: enquanto a mescla custa de cinco a dez reais uma trouxinha que serve três cigarros, o Oxi é vendido de dois a cinco reais por cinco pedras. 
De acordo com Álvaro Augusto Andrade Mendes da ONG Rede Acreana de Redução de Danos o Oxi “É uma droga popular, inegavelmente, mas dependendo do período o preço aumenta: se é época de chuva, se a polícia intensifica mais a vigilância”, explica. De acordo ainda com Álvaro Augusto “a maior questão do Oxi é que ela é uma droga mais rápida, causa um efeito mais forte, e é a única coisa que vem para eles, eles não têm opção”. Altamente aditiva, a pedra é consumida em latinhas com furos, assim como o Crack é fumado em cachimbo, o que torna a fumaça mais pura e o efeito ainda mais forte. 
Porém, também há casos relatados de consumo de Oxi triturado, em cigarros, misturado à maconha ou ao tabaco, e em pó, aspirado. Seja de que maneira ele seja consumido o consumo é sempre acompanhado de bebida-cachaça, cerveja, ou coisa pior. 
O membro da ONG acreana adverte para o fato de que “Muitos viciados usam a droga junto com álcool, não o álcool de beber, mas o álcool de tampinha azul, como eles chamam, que eles misturam com suco de groselha”. “O “álcool da tampinha azul” nada mais é que álcool etílico, desinfetante usado na limpeza de casas”, conclui.
Para se conseguir mais droga e calar a “fissura”, é bastante comum ver os usuários praticando pequenos roubos e se prostituindo o que os torna mais vulneráveis à AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis, sem haver a mínima atenção do poder público, e o conhecimento sobre sexo seguro ser muito pouco entre essa população.
Extremamente nocivo ao organismo, o uso do cotidiano e freqüente do Oxi acaba perturbando o sistema nervoso central do viciado levando-o à “paranóia” e ao medo constante. Além disso, os usuários do Oxi acabam ficando nervosos, emagrecem rápido, ficam com a cor da pele amarelada, têm problemas no fígado, dores estomacais, dores de cabeça, náuseas, vômitos, e sofrem de diarréia constante.
O médico Mauro Gomes de Aranha, presidente do Conselho Estadual sobre Drogas do Estado de São Paulo, adverte que o Oxi, por se tratar de um estimulante, provoca diversos riscos a saúde. Segundo ele “a intoxicação com este tipo de substância causa convulsões e arritmia cardíaca, podendo chegar ao infarto agudo do miocárdio”. 
Veja também no Biorritmo:
Crack: Pedras que levam para o fundo do poço (09/08/2009)
Crack não é droga, é uma arma química (16/05/2010)

sábado, 14 de maio de 2011

Faltam 350 Mil Parteiras no Mundo

Em muitas regiões, o trabalho dessas profissionais representa o primeiro contato de mulheres com serviços de saúde. Um número significativo de parteiras tradicionais atuam tanto em domicílio, quanto em hospitais, sem nenhum registro oficial

Levantamento feito pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) revela que há uma carência de 350 mil parteiras em todo o mundo, resultando na morte desnecessária de centenas de milhares de recém-nascidos. Atualmente, as parteiras treinadas salvam quase todas as mulheres que passam por complicações no parto ou as encaminham para cuidados médicos especializados.
Com habilidades médicas, equipamentos e remédios, as parteiras ajudam as mães e também os bebês em suas primeiras horas de vida. Em muitas partes do mundo, elas são o primeiro contato das mulheres com o serviço de saúde.
Em junho, o Unfpa vai lançar um relatório, o primeiro do tipo, sobre a situação das profissionais em 60 países, com estatísticas e padrões globais. O objetivo é fortalecer a atividade e identificar oportunidades de financiamento em qualificação e políticas públicas. Além disso, o relatório pretende examinar o número de parteiras e sua distribuição no mundo. Serão tratados ainda temas como educação, regulamentação profissional e ajuda externa.

A Realidade Brasileira

Apesar da presença do sistema público de saúde em muitas localidades , um grande número de partos ainda é feito por parteiras tradicionais em domicílio nos estados do Norte e Nordeste do Brasil. Estima-se que existam cerca de 20 mil parteiras na região Norte, segundo dados do Ministério da Saúde. Foi a partir dessas informações que uma pesquisa desenvolvida no Médio Solimões, no Amazonas, constatou que existe um número significativo de parteiras tradicionais atuando tanto em domicílio, quanto em hospitais, sem nenhum registro oficial.
Realizado pela pesquisadora Maria de Fátima Ferreira, professora orientadora de vários trabalhos desenvolvidos na Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Tefé) por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) da FAPEAM, o trabalho "Parteira tradicional única alternativa de atendimento ao parto no Médio Solimões" teve como objetivos mostrar a quantidade de parteiras em atuação no Médio Solimões, a quantidade de partos realizados por elas e a problemática da remuneração dos partos a domicílio.
"Este levantamento sobre as parteiras faz parte de uma pesquisa mais ampla, cuja meta é conhecer os direitos e a saúde sexual e reprodutiva na região do Médio Solimões, com um recorte para as mulheres urbanas, ribeirinhas e indígenas, usuárias do sistema público de saúde do município de Tefé", explicou Ferreira.
De acordo com a professora, o estudo permitiu gerar conhecimentos sobre Direito, Saúde Sexual e Reprodutiva no Médio Solimões, com a intenção de contribuir com a melhoria da assistência à saúde, por meio da adoção de novas políticas públicas e para a formação de estudantes em iniciação científica nessa área de pesquisa.
Ferreira explicou que o "ofício de partejar", realizado pelas parteiras tradicionais, compreende o atendimento até o parto, orientação e encaminhamento para o pré-natal e a ajuda à mulher nos primeiros dias do nascimento da criança, de 2 a 8 dias. "Além disso, há a orientação sobre vacinação, contracepção e multimistura. Na região do Médio Solimões encontramos 144 parteiras registradas no período de 2001-2008 pela Secretaria de Saúde de Tefé", disse. Deste total, 35% parteiras foram registradas em Maraã, 20% em Uarini, 15% em Alvarães, 15% em Fonte Boa, 11% em Tefé, 1% em Jupurá e 3% em Nogueira, Juarituba, Tupé do Meio e Juruá.
No registro de partos em domicílio pagos pela Secretaria de Saúde de Tefé foram identificados 71 partos pagos no período de 2006-2008, dos quais 9 (13%) em 2006, 35 (49%) em 2007 e 27 (38%) em 2008. "O valor pago por cada parto foi de R$ 30 (trinta reais) para 8 parteiras de Tefé. Em pesquisa realizada com 29 parteiras, juntas elas informaram que já haviam realizado cerca de 2.349 partos ao longo do trabalho como parteiras", detalhou.
Para a realização da pesquisa, Ferreira utilizou dados da Secretaria Municipal de Saúde de Tefé, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e do cadastro do Encontro de Capacitação de Parteiras Tradicionais, no período de 2001-2008, realizado em parceria com o Ministério da Saúde.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Aprovado Teste Rápido para Diagnóstico de Staphylococcus aureus

FDA aprova teste rápido para diagnosticar infecção por Staphylococcus aureus. Exame é capaz de indentificar se as bactérias são resistentes à meticilina (MRSA) ou suscetíveis à meticilina (MSSA)

A agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou o primeiro teste para infecções por Staphylococcus aureus (S. aureus). O exame em questão é capaz de identificar rapidamente se as bactérias são resistentes à meticilina (MRSA) ou suscetíveis à meticilina (MSSA).Há muitos tipos diferentes de bactérias estafilococos, que causam infecções de pele, alimentação, pneumonia e infecções do sangue (envenenamento do sangue). Embora algumas infecções por S.aureus sejam facilmente tratadas com antibióticos, outras são resistentes (MRSA) a antibióticos comumente prescritos como a penicilina e amoxicilina.
O teste de cultura de sangue KeyPath MRSA / MSSA determina se o crescimento de bactérias na amostra de hemocultura positiva de um paciente são MRSA ou MSSA dentro de cerca de cinco horas depois que o primeiro crescimento bacteriano é detectado na amostra. Além dos equipamentos de cultura de sangue, o teste não exige quaisquer instrumentos específicos para obter resultados, o que o torna útil em qualquer laboratório.
"A liberação deste teste dá aos profissionais de saúde um exame que pode confirmar S.aureus e, em seguida, identificar se a bactéria é MRSA ou MSSA", disse Alberto Gutierrez, Ph.D., diretor do Office of In Vitro Diagnostics Device Evaluation and Safety do Centro para Dispositivos e Saúde Radiológica da FDA. "Isso não só poupa tempo em diagnosticar infecções potencialmente fatais, mas também permite que os profissionais de saúde otimizem o tratamento e comecem com as precauções de contato necessárias para impedir a propagação do organismo".
Infecções por MRSA pode ocorrer em qualquer lugar; no entanto, as infecções que aparecem em contextos de cuidados de saúde são geralmente mais graves e potencialmente fatais dado que os pacientes que receberam tratamento nestas instalações podem ter o sistema imunológico enfraquecido e frequentemente terem sido submetidos a procedimentos como a cirurgia, o que permite uma propagação mais fácil de bactérias diretamente no corpo.
A FDA baseou sua liberação em um estudo clínico de 1.116 amostras de sangue avaliadas nos quatro maiores centros hospitalares dos EUA. Entre os organismos indicados como S.aureus, a determinação de MRSA foi de 98,9% de precisão (178/180) e a determinação MSSA foi de 99,4% de precisão (153/154).
O teste de cultura de sangue KeyPath MRSA/ MSSA é fabricado pela MicroPhage Inc., de Longmont, Colorado.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quem São os Verdadeiros Predadores?

Carcaças de animais apreendidas pela Polícia Federal no Pantanal de Mato Grosso do Sul Pele de cobra e armas utilizadas pelos caçadores também são vistas na foto

No Pantanal de Mato Grosso do Sul, onças e outros animais em extinção foram mortos por turistas brasileiros e estrangeiros. Cada um dos turistas pagava de US$ 30 mil (R$ 49 mil) a US$ 40 mil (R$ 64,8 mil) para praticar expedições de caça aos animais. Na ação desencadeada na noite de quinta-feira (05/05/2011), a Polícia Federal descobriu que os caçadores se reuniam na fazenda Santa Sofia, localizada em Aquidauana (159 quilômetros de Campo Grande), de onde partiam os safáris. O lugar surpreendeu os policiais. 
A dona da fazenda é a pecuarista Beatriz Rondon. Ela é ligada ao setor de proteção ambiental do Estado e presidiu a Sociedade para a Defesa do Pantanal, uma organização não governamental de defesa do meio ambiente. Além disso, ela conseguiu com que a fazenda fosse reconhecida como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Nesta categoria, ela é obrigada a conservar a diversidade biológica da área e também é isenta de pagar alguns tributos. Antes disso, ela teve de provar que conserva a fazenda - o que também é objeto de investigação pela polícia.
“A caça às onças e a outros animais acontecia há aproximadamente 15 anos”, afirmou o delegado federal Alexandre do Nascimento, responsável pelo inquérito instaurado para cuidar do caso. O Ibama multou Beatriz em R$ 105 mil. Ela teve dois agravantes: um deles, o fato de a fazenda ser uma unidade de conservação. O segundo, por se tratar de abate de animais silvestres para fins turísticos.
De acordo com o delegado, “a finalidade dos safáris era matar as onças pintadas. O couro é considerado o grande troféu dos caçadores. Mas nem sempre conseguiam abatê-la. Quando isso acontecia, os caçadores matavam outros animais por pura diversão”, afirma Alexandre.
As expedições duravam cerca de uma semana e eram formadas por grupos de, geralmente, oito pessoas. A maioria era de turistas estrangeiros vindos dos Estados Unidos e da Europa. O anúncio dos safáris era feito via internet. O vídeo encaminhado por um americano à Polícia Federal funcionava como um convite à caçada.
Na filmagem, toda narrada em inglês, um grupo de turistas acompanhado pelo caçador de onças Antônio Teodoro Melo e por Beatriz vão em busca de uma onça parda no topo de uma árvore. Em seguida, eles atiram. O animal cai morto. Na sequência, eles cercam uma onça pintada. Depois de receber um tiro, ela cai e agoniza. Um caçador então efetua mais um disparo à queima-roupa, na cabeça do animal, que morre.Nessa cena, a proprietária da fazenda Santa Sofia aparece e fala para a câmera que “é uma fêmea muito linda, mas estava matando o meu gado”.
De acordo com o delegado, todas as pessoas que aparecem no vídeo podem responder por pelo menos quatro crimes: contra a fauna brasileira, posse de arma de uso restrito, formação de quadrilha e tráfico internacional de armamentos.
A caçada começou a ser desarticulada com a operação Jaguar 2. Na fazenda, os policiais federais encontraram e apreenderam 12 galhadas de cervo, dois crânios de onça, uma mandíbula de porco monteiro, uma pele de sucuri com 3,5 metros, cinco revólveres calibre 38, uma pistola 357 (de uso restrito), uma carabina, dois fuzis, 17 caixas de munições de diversos calibres, dois alforjes (bolsas usadas durante a caça) e dois tubos de turro, que quando soprados emitem um som para atrair onças.
“Não houve prisões, pois não foi feito flagrante. Todo o material apreendido está sendo periciado. Quando o trabalho for finalizado, iremos juntar todos os elementos e provas para, se for o caso, pedirmos a prisão dos envolvidos”, explicou o delegado. Ele disse que ainda não ouviu Beatriz e que ela está em São Paulo. Segundo o delegado, o advogado da pecuarista, Renê Seufi, disse que sua cliente é inocente e que o que aparece nas imagens não passa de montagem. A reportagem entrou em contato com funcionários da pecuarista, mas ninguém retornou as ligações.

Do Portal iG em 09/05/2011
Assista ao vídeo da caçada ilegal às onças no Pantanal:

sábado, 7 de maio de 2011

Reprogramação Celular

Assim como as células-tronco embrionárias, as iPS são capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo humano.O uso de células iPS humanas (na foto) para gerar grandes quantidades de diversos tipos celulares poderá auxiliar a área clínica agilizando a avaliação de toxicidade de medicamentos, por exemplo

Em 2007, no Japão, Shynia Yamanaka transformou pela primeira vez células da pele em células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Usou as mãos e um punhado de vírus. O método ficou conhecido como reprogramação celular.
As células iPS são equivalentes às células-tronco embrionárias, derivadas de embriões e capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo humano. Essa característica é conhecida como pluripotência
Criar células iPS é mais um capítulo de uma bela história de sucessos iniciada há trinta e poucos anos, quando Mario Capecchi, Martin J. Evans e Oliver Smithies, ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina, isolaram as primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de camundongos. A pluripotência separa as células-tronco derivadas de embrião e as reprogramadas das células-tronco de órgãos específicos, ou células-tronco adultas. Nessa categoria estão as células-tronco da medula óssea, do tecido adiposo e do cordão umbilical, com potencial limitado de crescimento e diferenciação.
O desenvolvimento de técnicas de reprogramação celular pela equipe de Shynia Yamanaka alterou radicalmente o panorama das pesquisas sobre células-tronco em todo o mundo. Criou alternativas para a superação de barreiras que limitam o sucesso terapêutico de células pluripotentes, vislumbrado desde o isolamento das primeiras células-tronco embrionárias humanas, há 12 anos, pela equipe de James Thomson, nos Estados Unidos.
A primeira dessas barreiras está na dificuldade prática para a obtenção de embriões, necessários à criação de células-tronco embrionárias. A outra está na possibilidade de rejeição das células-tronco embrionárias humanas quando transplantadas em pacientes. Nesse sentido, cabe lembrar que mesmo que o ensaio clínico iniciado recentemente nos Estados Unidos seja bem-sucedido, todos os pacientes com lesão medular que vierem a receber derivados de células-tronco embrionárias humanas terão que tomar, por toda a vida, medicamentos imunossupressores, de modo que seus corpos jamais rejeitem o material transplantado.
Células iPS são geradas à la carte, cada uma delas carregando a identidade genética de um determinado paciente. Não são necessários embriões para sua obtenção, que é personalizada, o que, por sua vez, elimina a chance de serem confundidas com células invasoras no próprio corpo. Por outro lado, sua aplicação na prática médica, como alternativa às células-tronco embrionárias ou transplantes em geral, ainda depende de uma série de avanços na própria técnica de reprogramação celular.
Atualmente, o método mais eficaz de reprogramação envolve a utilização de vírus que, funcionando como cavalos de Troia, carregam para o interior das células da pele genes essenciais à pluripotência. Tanto esses genes quanto os vírus aumentam os riscos de formação de tumores pelas células iPS.  Erradicar seu potencial tumoral é de fundamental importância para permitir a transferência da tecnologia de reprogramação celular para a área clínica.
Enquanto esses desafios não são ultrapassados, o padrão-ouro continua com as células-tronco embrionárias, essenciais, mas vale discutir o que é realidade para as células iPS e como estão contribuindo, na prática, para o progresso da medicina. Alguns grupos de pesquisa já descreveram métodos alternativos para a geração de células iPS, sem vírus, com outros genes, mas tudo muito recente, aguardando confirmação pela comunidade científica.

Adaptado do artigo de Stevens Rehen intitulado "O futuro da medicina é personalizado" para a CH On-Line

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Nanotecnologia em Prol do Diabético


Liberado em doses nanométricas, biofármaco que regula a glicemia pode melhorar tratamento do diabetes. Na gravura, uma representação da molécula de amilina humana ao lado de nanopartículas do medicamento.


Um biofármaco produzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pode potencializar o tratamento dos cerca de 250 milhões de diabéticos em todo o mundo. O tratamento é baseado na liberação prolongada de amilina, hormônio produzido pelo pâncreas que, junto com a insulina, ajuda a controlar as taxas de açúcar no sangue.
Nos diabéticos, a produção de amilina é afetada da mesma forma que a de insulina e por isso o tratamento da doença deve incluir a reposição dos dois hormônios. Até agora, no entanto, não era possível desenvolver uma formulação para o seu uso terapêutico. O principal empecilho é o fato de a amilina humana ser insolúvel.
Pesquisadores nos Estados Unidos já produziram biofármacos com análogo solúvel da amilina, substituindo alguns de seus aminoácidos na tentativa de contornar o problema. Mas, ainda assim, esses medicamentos não são 100% satisfatórios.Como explica o farmacêutico Luis Mauricio Lima, professor da UFRJ e coordenador da equipe que desenvolveu o biofármaco, a insolubilidade leva à agregação da proteína, o que impede o seu uso terapêutico. Essa agregação é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente no organismo, degenerando algumas células e causando doenças como Alzheimer e Parkinson.
Primeiro porque a mutação provocada na sequência original do hormônio acarretou efeitos colaterais ao organismo. Além disso, a reposição hormonal sintética não atua quando o paciente está em jejum.
“No diabético em jejum, a taxa de glicose, embora reduzida em relação ao estado de refeição, é quase seis vezes maior que essa mesma taxa em uma pessoa saudável. Daí a necessidade de controlar a glicemia nesse estado também”, afirma Lima. 

Lenta e contínua

Para contornar de vez o problema da insolubilidade da amilina e fazer com que o hormônio também atue no estado de jejum dos diabéticos, Lima e sua equipe recorreram à nanotecnologia. No Laboratório de Biotecnologia Farmacêutica da UFRJ, os pesquisadores encapsularam nanopartículas de amilina humana em um material compatível com o organismo. O tamanho ínfimo dessas partículas – de cerca de 200 nanômetros – permite que elas sejam administradas por injeção subcutânea ou intramuscular. 
“Nesse sistema, as pequenas ‘bolinhas’ vão se desfazendo e liberando a amilina que é continuamente absorvida pelo corpo”, descreve o pesquisador. Segundo ele, esse sistema de liberação lenta e contínua da amilina apresenta outra vantagem. Lima explica que, nesse processo, a amilina não deixa de ser insolúvel, mas, por ser liberada lentamente, mantém-se sempre em baixa concentração, eliminando o risco da agregação de proteínas.
“Considerando que seriam necessárias duas injeções por refeição, uma de cada hormônio, esse esquema poderia reduzir as doses diárias de amilina para uma por semana ou até uma por mês”, avalia Lima.
O modelo terapêutico já foi testado em camundongos saudáveis em jejum e apresentou resultados positivos: as nanopartículas de amilina liberadas de forma prolongada reduziram significativamente a taxa de glicose no sangue desses animais por pelo menos 36 horas.
Mas o sucesso total do biofármaco depende ainda de um empurrãozinho. “Como no desenvolvimento de qualquer medicamento, as próximas etapas da pesquisa exigem investimentos altos”, reconhece Lima. O pesquisador espera que o registro da patente, que já foi pedido, desperte o interesse de empresas em produzi-lo para o mercado. 

Por Carolina Drago (adaptado), para a Ciência Hoje On-line

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um Raio-X da Saúde do Brasileiro

O portal iG elaborou um infográfico com base nos dados do Ministério da Saúde e traçou um panorama da saúde do brasileiro em diversos estados e regiões do país, sinalizando inclusive os fatores de riscos

Um raio X da saúde do brasileiro mostrou que tabagismo e alcoolismo, dois fatores de risco intimamente ligados às doenças crônicas, têm relação diferenciada com a educação. Um infográfico especial, preparado pelo iG com base nos dados do Ministério da Saúde em entrevista telefônica feita com quase 55 mil moradores de todas as regiões do País, aponta que as pessoas que mais estudaram são as que fumam menos. Por outro lado, os maiores índices de consumo exagerado de bebida alcoólica estão concentrados em que teve mais acesso ao estudo.
A prevenção de doenças do coração, do cérebro, da circulação e de todos os outros problemas crônicos de saúde é garantida por meio do controle do peso e da alimentação saudável, além da cessação do tabagismo e do consumo exagerado de álcool.
O novo infográfico feito pelo iG mostra, no entanto, que estes hábitos de risco estão espalhados por todo País. Alguns Estados e algumas faixas etárias concentram mais esta rotina que ameaça a saúde e aproxima da população o câncer, o diabetes e a hipertensão, só para citar alguns exemplos.
O panorama que traz o raio X da saúde do brasileiro foi feito por meio dos dados divulgados pelo Ministério da Saúde nas últimas duas semanas, em uma pesquisa chamada Vigitel. Foram entrevistados pelos técnicos do Ministério quase 55 mil pessoas, maiores de 18 anos e moradoras de todas as capitais do País e também do Distrito Federal.
Após o levantamento, foi constatado, por exemplo, que quase metade do País está acima do peso e que as mulheres com menos escolaridade são as que mais sofrem de hipertensão. Pelos registros disponíveis na nova ferramenta, entre os que concluíram o Ensino Fundamental (de 0 a 8 anos de estudo) o índice de fumantes homens é de 22,3%. Já a taxa entre quem estudou 12 anos ou mais (faculdade, no mínimo) cai para 11,5%.
Se para o tabagismo os especialistas apontam a educação e o acesso à informação sobre os malefícios acarretados como o principal fator de proteção, para a bebida alcoólica a frequencia nas salas de aula não garante o mesmo distanciamento do risco. Entre quem estudou de 0 a 8 anos, 24,5% bebem mais de cinco doses na mesma ocasião em que decidem beber. Já os que estudaram mais de 12 anos somam 31,5% nesta mesma estatística, sete pontos percentuais a mais. A explicação neste caso é que o álcool é muito presente no ambiente universitário, além de fazer parte do cenário executivo e das profissões – uma matéria especial feita pelo iG Saúde mostra que as licenças trabalhistas para tratar alcoolismo, por exemplo, cresceram 24,4% em três anos.
Navegue pelo infográfico e descubra o comportamento de seus “vizinhos”, das pessoas de sua idade, com informações divididas por sexo. O panorama traz dados sobre fumantes, ex-fumantes, fumantes passivos, consumidores de carne em excesso, baixo consumo de frutas, bebida alcoólica excessiva, sedentarismo, diabetes e hipertensão.
Clique no link abaixo e navegue pelo mapa da saúde do brasileiro:

domingo, 1 de maio de 2011

Príons "do Bem"


O príon celular é uma proteína solúvel com 209 aminoácidos e basicamente compostas por estruturas em alfa-hélice. Os príons celulares pode ser um alvo terapêutico no futuro contra as doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer, por exemplo


Foi no final da década de 80 que os príons ganharam as manchetes e só se falava na "doença da vaca louca", a encefalopatia espongiforme bovina. A crise explodiu na Grã-Bretanha, onde milhares de cabeças de gado foram contaminadas e mais de 4 milhões de reses foram sacrificadas na tentativa de erradicar a doença. Pessoas que se alimentaram com carne de animais contaminados desenvolveram uma doença fatal , chamada variante da doença de Creutzfedt-Jakov, que matou mais de 150 pessoas só no Reino Unido. A epidemia atingiu vários países, disseminou pânico e abalou o mercado mundial de carne. Pesquisas mostraram que o agente infeccioso, chamado príon (um acrônimo das palavras Proteinaceous e Infection), tinha contaminado o gado através de rações que continham restos de carnes -especialmente cérebro - e ossos de outros animais contaminados. Mais de 450 mil animais infectados entraram na cadeia alimentar humana antes que medidas rígidas de controle fossem adotadas.

Os efeitos em seres humanos eram apavorantes, com sintomas que iam da demência a perda de memória e alucinações, com morte provocada pela destruição do tecido cerebral. Mais assustador ainda foi a revelação de que esses príons eram resistentes a agentes físicos e químicos e físicos - como os usados na esterilização de instrumentos cirúrgicos, por exemplo - e até ação de proteases, as enzimas especializadas em quebrar e destruir proteínas. Pesquisadores debruçados sobre o problema alertaram para outras doenças igualmente devastadoras causadas por príons, todas marcadas pela ação destruidora dessas partículas sobre o cérebro.
Quando a situação foi controlada e o pânico passou, cientistas se perguntaram se existiria uma versão "normal" dessa proteína no corpo e que funções poderia ter. Se a versão infercciosa tem efeito tão devastador sobre homens e animais, certamente a versão normal - o chamado príon celular - deve ser importantíssima para o organismo.
Os chamado príons celulares ou proteínas príon - que não causam doenças - são encontrados em todos os tecidos do corpo e há várias teorias sobre a sua função. O príon fica ancorado na superfície da célula como se fosse uma plataforma na qual vão se ligando outras proteínas. Há pesquisas indicando que eles podem ser fundamentais em processos tão distintos quanto à fixação da memória  de longo prazo, a capacidade de renovação das células-tronco, diferenciação de células mortas - tarefas dos macrófagos, células do sistema de defesa. O príon celular é uma proteína solúvel com 209 aminoácidos e basicamente compostas por estruturas em alfa-hélice. O príon infeccioso, o que causa a doença, tem uma alteração nessa estrutura, em que folhas-beta substituem essas alfas-hélices. Nessa nova conformação, o príon não é mais solúvel e se torna infeccioso, induzindo a mesma mudança nos outros príons celulares - sem que isso envolva alterações de DNA e RNA.  Esses príons infecciosos formam agregados, as chamadas placas amilóides, conforme explica a pesquisadora Vilma Regina Martins , do Hospital A.C. Camargo e do Instituto Ludwig. Placas amilóides semelhantes, constituídas por outras proteínas alteradas, por exemplo, são características de doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer, por exemplo.
Uma das hipóteses com que se trabalha seriam uma forma de a célula remover do sistema elementos tóxicos, como proteínas alteradas e fragmentos dessas proteínas. Quando esses fragmentos se ligam à proteína príon, por exemplo, ocorre a morte do neurônio. De acordo com a pesquisadora, os príons celulares pode ser um alvo terapêutico no futuro: impedindo sua ligação com aqueles fragmentos protéicos, se poderia evitar a morte de neurônios que caracterizam o mal de Alzheimer.
Neurônios são células altamente especializadas, que não se reproduzem a torto e a direito e não podem ser repostas, por isso faz sentido a natureza ter desenvolvido um processo para protegê-los ao máximo. Vilma lembra ainda que os príons são proteínas altamente conservadas ao longo da evolução, outro sinal de sua importância para vários organismos.