sexta-feira, 29 de julho de 2011

Harpia: A Mais Poderosa Ave de Rapina


Conhecida também como gavião-real ou uiraçu, ela possui características físicas semelhantes como: bicos recurvados e pontiagudos, garras fortes e visão de longo alcance. Tem uma crista de largas penas que se levantam sob o som de alguma coisa.
Sua envergadura chega a 2,5 metros. Seu peso varia de acordo com o sexo. Nos machos, está entre 4 e 6 quilos e nas fêmeas entre 6 a 9 quilos. Estes dados lhe dá o status de uma das maiores aves de rapina do mundo e a mais pesada delas. Pode ser encontrada em diversas florestas tropicais, incluindo as do Brasil. Assim como as outras, elas são predadores extremamente eficazes. Costumam caçar macacos, preguiças e lêmures.
Para se ter uma noção de sua força, no auge dos seus 7 centímetros de garra, ela é capaz de erguer um carneiro adulto e também de esmigalhar um crânio humano. Esta ave está sob risco de extinção e já foi incluída na lista de “dependente de conservação” da ONG estadunidense, Peregrine Fund, que se dedica à proteção internacional de aves de rapina diurnas. Atualmente, a harpia encontra-se praticamente restrita à floresta amazônica.
É ameaçada pela caça predatória. Seja por ser considerada perigosa para as criações de animais domésticos, seja pelo simples vandalismo. Na Revista Globo Rural, chegou a ser publicada uma foto, mandada por leitor da revista a título de curiosidade, em que um grupo de peões numa área de desmatamento no Mato Grosso exibiam, orgulhosamente, o cadáver de uma harpia abatida a tiros sem qualquer razão a não ser o prazer da exibição da caça.
A harpia (Harpia harpyja), além de ser símbolo do estado do Paraná, está estampada no brasão de armas do estado, no escudo da tropa de elite da Polícia Federal do Brasil (Comando de Operações Táticas), nomeia um esquadrão da Força Aérea Brasileira (7º/8º Esquadrão Harpia) e também é símbolo do 4º Batalhão de Aviação do Exército Brasileiro. Tudo isso é por ser um animal sinônimo de garra, força e luta. Por causa do tamanho e ferocidade do animal, os primeiros exploradores na América Central nomearam estas águias de harpia em função das monstruosas meio-mulheres/meio-águias da mitologia grega clássica.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Citômetro de Fluxo Acoplado em um Telefone Celular

O aparelho denominado Ozcancellcytometer é um dispositivo que transforma celular em aparelho que realiza citometria de fluxo. Pode ser usado para rápida visualização de fluidos corporais ou para contagem e análise de células e possui baixo custo

Pesquisadores do BioPhotonics Laboratory da Universidade da Califórnia, nos EUA, desenvolveram uma plataforma " opticofluidica" de microscopia fluorescente compacta, leve e de baixo custo, que pode ser conectada a um telefone celular. O dispositivo resultante pode ser usado para a rápida visualização de fluidos corporais e para a contagem e análise de células.
A Citometria de fluxo é o sistema padrão usado atualmente com essa finalidade. A técnica é empregada para contar e analisar células, bactérias e outras partículas microscópicas. É também usada rotineiramente no diagnóstico de doenças como infecções e câncer e também na avaliação da progressão do HIV e da AIDS. Mas, normalmente, citômetros de fluxo são grandes, volumosos e custam dezenas de milhares de dólares, tornando o uso limitado.
A pesquisa liderada pelo professor de engenharia elétrica e bioengenharia Aydogan Ozcan, membro da NanoSystems California Institute da UCLA, já está disponível na revista on-line Analytical Chemistry. "Neste trabalho, adaptamos um telefone celular para que fosse usado na citometria de imagem, contendo apenas um simples visualizador óptico, que é muito rentável e fácil de operar. Ele tem um grande potencial para ser usado em regiões de recursos limitados para ajudar as pessoas desses lugares a melhorarem a qualidade de seus cuidados de saúde", disse o engenheiro da UCLA Zhu Hongying.

Como o dispositivo funciona

A equipe de Ozcan integrou compactos anexos ópticos para criar a plataforma de citometria, que pesa apenas 18 gramas e inclui:
1 lente simples (menos de US$ 3)
1 filtro de plástico (menos de US$ 1)
2 LEDs (menos de US$ 0,30 cada)
Baterias simples
O conjunto de microfluídica é colocado logo acima da lente, que fica em contato com a câmera do celular. Desta forma, toda a seção transversal do dispositivo microfluidico pode ser mapeada sobre o sensor de chip do telefone. O fluido para amostra é fornecido de forma contínua por um canal microfluídico descartável ligado a uma bomba de seringa.
O dispositivo é iluminado lateralmente pelos LEDs acoplados que proporcionam uma luz de excitação guiada dentro da seção transversal do dispositivo. O sistema de bombeamento opticofluidico também permite o uso de um filtro de absorção de plástico para criar o fundo escuro necessário para a visualização de imagens fluorescentes. Além disso, o pós-processamento de vídeo, o contorno de detecção e o rastreamento de algoritmos são usados para contar e rotular as células ou partículas que passam através do chip microfluídico.
A fim de comprovar a eficiência da plataforma, a equipe usou o dispositivo para medir a densidade de glóbulos brancos do sangue humano que são testados rotineiramente para o diagnóstico de doenças e infecções diversas, incluindo a leucemia, o HIV e deficiências da medula óssea.
"Para a próxima etapa, gostaríamos de explorar outras aplicações potenciais deste dispositivo. Nós também queremos utiliza-lo para visualizar parasitas transmitidos pela água, o que o torna útil em monitoramentos de qualidade da água." disse Zhu."Nós gostaríamos de adaptar nossos dispositivos para que eles sejam utilizados em outros campos. O nosso próximo passo é de implantá-los em países pobres onde não existem esses recursos", afirma Ozcan.
Fonte: Isaude.net

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Nossa Mistura Racial é tão Nociva Assim?

O atirador norueguês Anders Bhring Breivik, que matou 76 pessoas em um atentado à bomba em Oslo e em um tiroteio na ilha de Utoya, cita o Brasil ao menos 12 vezes no manifesto de mais de 1.500 páginas publicado por ele na internet horas antes das ações do dia 22 de julho de 2011. O texto de A European Declaration of Independence – 2083 (Uma Declaração de Independência Europeia – 2083, em tradução livre) afirma que a miscigenação presente no Brasil favorece à corrupção, à desigualdade social e à criminalidade. Breivik critica a miscigenação e cita o Brasil em algumas passagens, como exemplo de país em que a mistura de raças foi 'devastadora', gerando 'falta de produtividade'O dossiê ainda diz que a imigração massiva, a mistura racial e adoção por não europeus são uma ameaça a unidade dos cidadãos daquele continente. “Primeiramente, um país que tem culturas competitivas vai se dilacerar ou vai acabar como um país disfuncional, como o Brasil e outros países”.
No mesmo instante em que leio os trechos das declarações de Breivik sobre a miscigenação brasileira me vem na cabeça fragmentos de um samba de João Gilberto, composto por Haroldo Barbosa, intitulado"Pra que discutir com Madame". Diz a letra do samba:
"Madame diz que a raça não melhora/ Que a vida piora por causa do samba,/Madame diz o que samba tem pecado/Que o samba é coitado e devia acabar,/Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça, mistura de cor,/Madame diz que o samba democrata, é música barata sem nenhum valor/". 
A partir daí comecei a formular alguns questionamentos. Será que todos os males do Brasil podem ser atribuídos á mistura racial que aqui existe? Será que a nossa formação étnica é responsável pela corrupção,  desigualdade social, preguiça e a criminalidade, traços marcantes do cotidiano brasileiro? Até que ponto nossa herança genética é determinante na atual composição do quadro socioeconômico do país? 
O geneticista Sergio Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é uma referência nacional na discussão da questão racial. Ele tem vindo a público com freqüência para mostrar como a visão da humanidade dividida em raças, cristalizada em parte da sociedade, é totalmente incompatível com as descobertas recentes da genética. No Brasil somos produto da intensa mistura de 3 raízes ancestrais - ameríndia, européia e africana - a nossa gente tem um dos maiores níveis de variabilidade genética do planeta. Na perspectiva essencialista ou tipológica, a raça é vista como um elemento inerente e fundamental que define holisticamente a pessoa. Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada, ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo determinante de sua identidade. A pigmentação da pele e outras características superficiais, em vez de serem corretamente percebidas como pouco relevantes, sinalizam profundas diferenças entre as pessoas.
Esse tipo de associação fixa entre características físicas e psicológicas absolutamente não faz sentido do ponto de vista genético e biológico. O genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a pigmentação da pele e a aparência física dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes não têm influência sobre qualquer traço comportamental, intelectual ou físico, incluindo a predisposição a câncer de pulmão ou qualquer outro câncer.
A humanidade moderna emergiu uma única vez, na África, há menos de 200 mil anos. Assim, a história evolucionária humana é bem curta e a distribuição mundial de características genéticas é principalmente devida à dispersão, com um papel importante de deriva genética por efeitos fundadores sucessivos e seleção por adaptação a ambientes geográficos. Basicamente, a diversidade genética observável na Europa, Ásia, Oceania e nas Américas é meramente um subconjunto da variação encontrada na África.
Como bem disse o geneticista sueco Svante Pääbo, em uma perspectiva genômica somos todos africanos, morando na África ou em exílio recente de lá. Europeus são genealogicamente derivados de africanos e não há diferenças biológicas entre eles. Seja por que motivo for, tratá-los como sendo de espécies, subespécies ou “raças” diferentes é contribuir para racismo e discriminação.
O estudo coordenado por Pena constatou ainda que os brasileiros de diferentes regiões são geneticamente muito mais homogêneos do que se esperava, como consequência do predomínio europeu.“Pelos critérios de cor e raça até hoje usados no censo, tínhamos a visão do Brasil como um mosaico heterogêneo, como se o Sul e o Norte abrigassem dois povos diferentes”, comenta o geneticista. “O estudo vem mostrar que o Brasil é um país muito mais integrado do que pensávamos.”
A homogeneidade brasileira é, portanto, muito maior entre as regiões do que dentro delas, o que valoriza a heterogeneidade individual. Essa conclusão do trabalho indica que características como cor da pele são, na verdade, arbitrárias para categorizar a população. Além disso, promete ampliar a visão que se tem hoje sobre tratamentos médicos, muitas vezes diferenciados com base em critérios físicos.
A única maneira possível de conceitualizar cada brasileiro é no âmbito de sua individualidade, como um ser humano único em seu genoma singular genealogicamente mosaico e em sua história de vida. Portanto, as declarações do atirador norueguês a respeito da miscigenação brasileira denotam preconceito e, no mínimo, desinformação acerca das recentes descobertas no campo da genética, apesar da imprensa ter noticiado que Breivik é bastante provido intelectualmente. As críticas racistas contidas em seu manifesto devem ser vistas apenas como uma opinião de um assassino insano, paranóico, que defende posições de extrema direita. Só. Pra que discutir com Breivik?

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Onda de Calor dos Pinguins

Player

Uma equipe internacional de cientistas desvendou o mistério de como os pinguins aguentam o frio quando estão em grandes grupos.Um vídeo gravado durante o inverno na Antártida capturou durante várias horas a movimentação em ondas no grupo de pinguins.
Imagem de grupo de pinguins imperadores feita por cientistasAo acelerar as imagens, os cientistas descobriram que as aves se movem de forma quase imperceptível pelo grupo, para que aqueles da ponta, possam se esquentar também.
O estudo foi publicado na revista especializada Plos One.
Os pinguins imperadores conseguem sobreviver ao inverno formando grandes grupos e os cientistas sempre se perguntaram como os pinguins nas pontas do grupo se mantinham quente como os do centro. "Os pinguins precisam se agrupar ou então perderão energia. Se o grupo for muito solto, os pinguins congelam. Mas, se o grupo for muito apertado, eles não conseguem se mover", disse o líder da pesquisa Daniel Zitterbart, da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, à repórter da BBC Rebecca Morelle.
O grupo de pinguins foi filmado em Dronning Maud Land, na Antártida, onde as temperaturas podem cair a menos 45 graus e os ventos chegam a 180 quilômetros por hora.
Durante este período, os pinguins imperadores machos ficam em grupos não apenas para manter o calor, mas também para incubar os ovos, já que as fêmeas vão para o mar nesta época.
As câmeras fizeram imagens da colônia a cada 1.3 segundo durante horas para capturar o movimento do grupo.
"A colônia fica parada a maior parte do tempo, mas, a cada 30 ou 60 segundos, um pinguim ou um grupo deles começa a se mover aos poucos", disse Zitterbart.
"Isto faz com que os pinguins que cercam o grupo se movam e, de repente, este movimento atravessa a colônia como uma onda."
O movimento coordenado do grupo é tão sutil, que é imperceptível a olho nu, mas, em imagens gravadas durante um período mais longo, é possível ver o impacto destes movimentos na estrutura da colônia.
As imagens também revelaram que, enquanto a onda atravessa a frente do grupo, alguns pinguins que estão na área saem da colônia e vão para a parte de trás do agrupamento.
Isto significa que, durante várias horas, os pinguins usam as ondas para viajar pela colônia e ter a chance de dividir um pouco de calor.
Assista ao vídeo da BBC:

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tua Personalidade te Engorda

A sua personalidade pode ter um papel importante no seu peso, de acordo com um novo estudo norte-americano. Os pesquisadores do U.S. National Institute on Aging (Instituto Nacional de Envelhecimento) descobriram que pessoas impulsivas, cínicas, competitivas ou agressivas são mais propensas a estar acima do peso. E pessoas altamente neuróticas e menos conscienciosas estão mais propensas a passar pelo efeito sanfona (engorda-emagrece).
“Indivíduos com esses traços tendem a cair em tentação e não têm disciplina para andar na linha entre tantas dificuldades e frustrações”, disseram os pesquisadores, no material de divulgação da pesquisa. “Para manter o peso ideal, é necessário ter uma dieta saudável e fazer parte de um programa de atividade física. Os dois, no entanto, requerem compromisso e comedimento. Tal controle pode ser difícil para indivíduos impulsivos.”
Para o estudo, publicado em julho no American Psychological Association’s Journal (Periódico da Associação Americana de Psicologia), os pesquisadores examinaram informações compiladas nos últimos 50 anos em aproximadamente 2000 pessoas saudáveis e com alto índice educacional para determinar como sua personalidade pode afetar seu peso e seu índice de massa corpórea (IMC).
Apesar de as pessoas tenderem a ganhar peso com a idade, o estudo descobriu que aqueles que eram impulsivos estavam mais propensos à obesidade. As pessoas que pontuaram pelo menos 10% em impulsividade tinham 10kg a mais do que aqueles abaixo desse valor. Aqueles que são cínicos, competitivos e agressivos também tiveram grande ganho de peso, mostrou o estudo.Os participantes foram avaliados em cinco traços amplos de personalidade existentes – franqueza, consciencioso, extrovertido, afável e neurótico – assim como em 30 subcategorias desses traços. Eles foram pesados e medidos durante o curso do estudo.
“Pesquisas prévias descobriram que individuos impulsivos tendem a ter ataques de voracidade alimentar e alcoólica”, diz a autoria do estudo, Angelina R. Sutin. “Esses padrões de comportamento podem contribuir para o ganho de peso ao longo do tempo.” 
Por outro lado, o estudo descobriu que as pessoas mais conscienciosas são mais magras e seu peso não variou de acordo com as mudanças de personalidade quando adultos.“O caminho dos traços de personalidade do ganho de peso é complexo e provavelmente inclui mecanismos psicobiológicos, além daqueles comportamentais”, conclui Sutin.
“Nós esperamos que quanto mais claramente identificarmos a associação entre personalidade e obesidade, mais tratamentos combinados serão desenvolvidos. Por exemplo, estilo de vida e exercício feitos em grupos são mais efetivos para os extrovertidos do que para os introvertidos.”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os Malefícios do Fumo Passivo

Cigarro
O tabagismo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool. O avanço no conhecimento sobre seus efeitos na saúde já tiveram impacto na legislação brasileira

Muito se sabe sobre os efeitos maléficos do cigarro em fumantes ativos. Em relação ao fumo passivo, estudos já mostraram suas consequências danosas em adultos, crianças, bebês e fetos durante a gestação. Mas e a exposição indireta paterna? Será que pode trazer problemas para seus descendentes?
A questão motivou o trabalho de pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos, que acaba de ser publicado no periódico PNAS. Ao testar os efeitos do fumo ativo e passivo em camundongos machos, eles observaram modificações genéticas em seus espermatozoides decorrentes de ambos os processos. Segundo os autores, essas alterações são transmitidas à geração seguinte, podendo causar problemas de saúde na prole.
Os camundongos foram expostos, durante duas semanas, a dois tipos de fumaça: a exalada pelo fumante (chamada corrente primária) e a que sai da ponta do cigarro (chamada corrente secundária). Embora a composição de ambas seja semelhante, na fumaça que sai diretamente do cigarro – a qual o fumante passivo está mais exposto – algumas substâncias tóxicas e cancerígenas estão presentes em concentrações mais elevadas.
Duas doses diferentes de cada tipo de fumaça foram inaladas pelos animais, uma equivalente a três cigarros por dia e a outra a 16 cigarros diários. Esse padrão de exposição mimetiza os efeitos de doses baixa e alta de tabagismo ativo e passivo.
Seis semanas depois, os pesquisadores coletaram esperma dos camundongos para análise. Eles verificaram que ambas as doses da corrente primária de fumaça resultaram numa frequência maior de mutações genéticas significativas nas células reprodutivas dos camundongos (4% com a dose menor e 4,7% com a maior), em comparação com um grupo independente de animais que não foi exposto a qualquer tipo de fumaça (1,3%-1,5%).
No entanto, um dado inusitado chamou a atenção dos pesquisadores: a dose mais elevada da corrente secundária de fumaça resultou numa frequência menor de mutações genéticas no esperma dos camundongos (2,6%) do que a dose mais baixa (4,6%). Os pesquisadores suspeitam que a grande concentração de substâncias tóxicas possa ter levado a taxas altas de morte celular, impedindo a recuperação das células mutantes. Mais importante foi verificar que a exposição à corrente de fumaça secundária também produziu uma ocorrência significativamente maior de alterações genéticas no esperma dos camundongos, sugerindo que fumantes passivos são tão vulneráveis quanto os ativos aos efeitos do fumo nos espermatozoides.

Só em gametas, e só de camundongos
Para saber se a exposição aos dois tipos de fumaça de cigarro afetaria da mesma forma células não envolvidas diretamente na reprodução, os pesquisadores submeteram outro grupo de camundongos ao mesmo padrão de exposição.
Duas semanas depois, examinaram células da medula óssea e do sangue dos animais e constataram que apenas a dose alta da corrente primária de fumaça produziu aumento na frequência de mutações genéticas nessas células, ainda assim muito pequeno. O efeito mutagênico da fumaça do cigarro restringiu-se, portanto, às células reprodutivas.
No artigo, os autores chamam atenção para o impacto na saúde pública desses resultados, que corroboram uma conclusão recente da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês) de que há ligação entre exposição paterna ao cigarro e câncer nos descendentes.
No entanto, os pesquisadores advertem que apesar de os embriões originados dos espermatozoides alterados sempre carregarem a mutação, nem sempre ela irá causar problemas de saúde. “Isso depende do gene afetado”, afirma o biólogo Francesco Marchetti, da Universidade da Califórnia e autor principal do estudo.
De qualquer forma, ainda é cedo para extrapolar os efeitos do fumo passivo induzido em camundongos para seus reais impactos em seres humanos.
Outra alternativa apontada pelo pesquisador: “Também é possível que células reprodutivas com mutações sejam eliminadas mais eficientemente em humanos do que em animais”.A ponderação vem do próprio Marchetti: “Há muitos casos de produtos químicos que demonstraram induzir mutações em células reprodutivas e afetar a saúde da prole de animais de laboratório. Mas tem sido mais difícil demonstrar isso em humanos porque humanos são geralmente expostos a doses bem menores desses produtos”.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Situação das Aves do Brasil

 
Alguns dos principais ornitólogos do país explicam a situção atual da nossa rica avifauna. Foto: siriema (Cariama cristata)


Um grupo de dinossauros carnívoros, bípedes e ágeis aparentado do famoso velociraptor deu origem a animais que estão entre nós até hoje. Toda vez que vir um pombo na rua, um frango em seu prato ou qualquer outra ave, você pode dizer que está diante de um descendente dos dinossauros. As aves são o único grupo de vertebrados naturalmente presentes em todos os continentes, tendo evoluído para ocupar praticamente todos os ecossistemas terrestres, das montanhas mais altas aos oceanos ─ onde pinguins podem procurar seu alimento a mais de 100 m de profundidade.
 O levantamento mais recente certifica a existência de 10.440 espécies de aves no mundo, o que exclui várias dezenas extintas desde 1600, após o início da expansão marítima europeia, e possivelmente outros milhares extintos por povos como os polinésios e ameríndios ao colonizarem ilhas no oceano Pacífico e no Caribe. É possível que apenas os polinésios tenham eliminado cerca de 2 mil espécies nos últimos dois milênios.
 O Brasil abriga ─ segundo a última lista do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) 1.833 espécies de aves. Esse total certamente aumentará já que novas espécies de aves continuam a ser descobertas com regularidade (mesmo no entorno de capitais como São Paulo e Curitiba) e análises moleculares, morfológicas e bioacústicas demonstram que algumas “espécies” na realidade podem ser subdivididas em unidades evolutivas distintas.
Humanos de diferentes culturas sempre apreciaram aves de uma maneira não meramente utilitária, mas sim por que poder ver e ouvir esses belos animais é algo prazeroso. Milhões de aves cativas, tanto silvestres como raças criadas especialmente pelo seu canto ou cores, além de espécies inteiras levadas à extinção (como a famosa ararinha-azul Cyanopsitta spixii), são testemunho de nossa atração pelas aves e da estranha característica humana de encarcerar e mutilar o que ama.
 Mudanças culturais e a tecnologia têm permitido mudar essa relação. O passatempo da observação de aves dos cavalheiros europeus é uma das raízes da ornitologia moderna e continua com forte vertente científica, já que leva ao aprendizado de disciplinas como ecologia e sistemática. De fato, a fronteira entre o que é hobby e o que é ciência muitas vezes é incerta e é frequente que observadores de aves participem de pesquisas científicas e não são poucas as espécies que foram descobertas (ou redescobertas) durante excursões de bird-watching ou que localidades até então inexploradas foram primeiro visitadas por birders-cientistas.
 O voluntariado de observadores alimenta programas de monitoramento que têm sido usados inclusive para documentar consequências das mudanças climáticas. Exemplos são a Christmas Bird Count realizada à 111 anos nos Estados Unidos, a Big Garden Birdwatch britânica (que inclui muitas escolas com comedouros de aves em seus jardins – uma idéia para brasileiros) e o Censo Neotropical de Aves Aquáticas sul-americano, conduzido no Brasil.
A tecnologia tem uma grande influência no bird-watching. A atividade se popularizou nos países anglo-saxões no século XX graças a avanços tecnológicos que resultaram em binóculos e transporte mais baratos. Observar aves implica comumente em registrar suas vozes tanto para identificá-las como para atraí-las ( play-back) e as tecnologias de gravação, tratamento e produção de sons, evoluindo de pesados gravadores de rolo com microfones parabólicos nos anos 1980 para gravadores digitais com microfones direcionais super sensíveis, players capazes de estocar bibliotecas sonoras inteiras e mini amplificadores de grande potência no século XXI.
 No Brasil, onde o acesso a equipamentos e literatura sempre foi dificultado, tivemos que esperar pela revolução digital e a disponibilização de câmeras digitais e formas rápidas e baratas de compartilhar imagens e informações. A rápida expansão do bird-watching no Brasil é um fenômeno tecnológico que acontece na mesma medida em que mais pessoas têm mais acesso a equipamentos fotográficos digitais de boa qualidade, softwares para tratamento de suas imagens e redes sociais e websites para compartilhamento de informações, fotos e sons.
 Arquivos baseados na web hoje complementam coleções científicas convencionais. Por exemplo, o Xeno-canto é um dos maiores arquivos de sons de aves do mundo e um repositório utilizado tanto por amadores como por cientistas que ali armazenam seus “espécimes” e podem examinar e utilizar os de outros colaboradores, em um belo exemplo de ciência colaborativa.
 No Brasil um dos exemplos mais fascinantes da relação tecnologia-observação de aves é o Wikiaves  onde mais de 6.600 mil colaboradores, de cientistas na ativa a senhoras aposentadas armazenam fotos e sons de aves indicando informações como localidade, data, comportamento, entre outras, tornando o site uma fonte preciosíssima de informações sobre aspectos como distribuição de espécies, variação geográfica, sazonalidade e até mesmo variações nos tamanhos populacionais. Como uma coleção científica convencional, porém muito mais dinâmica.

O Desafio para a Conservação das Aves

O crescente número dos observadores-fotógrafos de aves exerce um papel muito importante para a conservação das aves brasileira. Esse é um publico qualificado que pode ser, por exemplo, um dos melhores amigos das nossas áreas protegidas, além de promover a conservação de áreas particulares. No entanto, ao mesmo tempo que a observação, interesse e o conhecimento em relação as aves vem crescendo, os impactos que ameaçam nossa rica avifauna também vem aumentando. Por volta de 10% de todas as espécies de aves globalmente ameaçadas estão no Brasil e muitas correm risco de extinção eminente. De acordo com a lista da IUCN (International Union for the Conservation of Nature) o Brasil é o país com maior número de espécies de aves ameaçadas de extinção, com um total de 123 espécies que sofrem risco real de desaparecer da natureza num futuro não tão distante. Em relação à lista nacional de aves ameaçadas, um total de 160 táxons são considerados, no entanto a lista brasileira também considera as subespécies ameaçadas, o que em parte explica as diferenças em relação a lista global.
 O número de aves ameaçadas é bastante variado entre os seis grandes biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa). A Mata Atlântica concentra cerca de 80% de todas as aves ameaçadas no país, resultado de muitos anos de exploração e desmatamentos. Atualmente restam apenas cerca de 11% da floresta original, sendo que essa proporção de floresta remanescente não é homogênea ao longo de toda Mata Atlântica. A situação é mais séria na região nordeste, especialmente nos estados de Alagoas e Pernambuco onde a maior parte da floresta original foi substituída por plantações de cana-de-açucar, sobrando apenas poucos fragmentos de mata preservada. É nessa região onde ainda podem ser encontrados os últimos exemplares das aves mais raras em todo o país, como o Criticamente Ameaçado Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi). Essa pequena ave (18 cm) vive no estrato médio e dossel de florestas bem conservadas e ricas em bromélias, onde procura artrópodes dos quais se alimenta. Atualmente as duas únicas localidades onde a espécie pode ser encontrada são na Estação Ecológica de Murici (Alagoas) e na Serra do Urubu (Pernambuco). Felizmente ambas as áreas estão oficialmente protegidas por unidades de conservação (Estação Ecológica e Reservas Privadas – RPPN). O Mutum-do-nordeste (Pauix mitu) também ocorria nas matas dessa região do nordeste, essa espécie, porém, já foi extinta na natureza, restando apenas indivíduos mantidos em cativeiro que representam a esperança de um dia poderem ser reintroduzidos nos fragmentos florestais remanescentes.
 Situações graves de perda de vegetação original também ocorrem no Cerrado e no Pampa, onde agricultura, pecuária e plantações de árvores exóticas estão em acelerada expansão. No caso da Amazônia a situação ainda não é muito séria e apesar das crescentes taxas de desmatamentos, cerca de 83% da floresta ainda permanece preservada.
Em um país como o Brasil, com dimensões continentais e situações de conservação bem distintas entre os biomas, processos de priorização para planejamento de conservação são de extrema importância servindo como um guia para direcionar os recursos para as áreas ou espécies que necessitam de ações imediatas para assegurar a sua conservação. A BirdLife International desenvolveu uma metodologia de identificação de áreas prioritárias para a conservação conhecida como “Áreas Importantes para a Conservação das Aves” ou IBAs, sigla de Important Bird Areas, sua denominação em inglês. As IBAs são declaradas como tal se apresentarem uma ou mais das seguintes características; 1- presença de espécies globalmente ameaçadas de extinção; 2- presença de espécies de distribuição geográfica restrita (menor que 50.000 km²); 3- presença de espécies endêmicas de biomas; 4- presença de grandes concentrações - maior que 1% da população mundial ou maior que 20.000 indivíduos em áreas de alimentação ou reprodução. O programa global de IBAs visa assegurar a conservação em longo prazo de uma rede de áreas criticamente importantes para as aves. No Brasil, o processo de identificação das IBAs foi liderado pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) e resultou no mapeamento de 237 áreas, representando 11% do território brasileiro ou cerca de 94 milhões de hectares. O trabalho de seleção dessas IBAs foi bastante participativo e envolveu um total de cerca de 60 biólogos/ornitólogos, 450 áreas analisadas e 700 espécies consideradas para aplicação dos critérios. Em relação ao status de conservação, apenas 29 % (27 milhões de hectares) dessas áreas se encontram oficialmente protegidas na forma de unidades de conservação de proteção integral. Diante desse “déficit” em áreas protegidas, um dos trabalhos da SAVE Brasil é a articulação junto aos órgãos ambientais do governo para a criação de novas unidades de conservação em áreas de IBAs. Nos últimos anos esse esforço resultou, juntamente com o envolvimento de outros parceiros, na criação da RPPN Pedra d’Anta (PE), Estação Ecológica de Murici (AL), no Parque Nacional e Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova (BA), Parque Nacional da Serra das Lontras (BA) e Parque Estadual da Costa do Sol (RJ). Essas áreas somadas representam 57.000 hectares de florestas protegidas, garantindo a conservação de cerca de 500 espécies de aves, sendo 25 ameaçadas de extinção.
 Um dos maiores desafios enfrentados atualmente no Brasil para a conservação das aves e toda a biodiversidade do país é a conciliação de um desenvolvimento e crescimento sócio-econômico aliado a conservação ambiental. Ainda não se conhece o melhor caminho a ser seguido e nem as soluções para muitos dos conflitos, no entanto já existe uma clara preocupação da sociedade em geral com as questões ambientais. Em alguns casos essa preocupação se reflete em ações concretas como a criação de novas unidades de conservação públicas e privadas (RPPNs), mecanismos econômicos de valorização da floresta em pé e biodiversidade, licenças ambientais bastante restritas para implantação de novos empreendimentos, organizações não-governamentais (ONGs) comprometidas, atuantes e bem articuladas com o governo e uma massiva atenção da mídia ao assunto.
 Se nos próximos anos vamos conseguir reverter o triste quadro em que o Brasil se encontra como recordista mundial em número de aves ameaçadas, ainda não sabemos, porém o maior interesse da sociedade pela nossa rica avifauna, juntamente com ações concretas como a criação de novas áreas protegidas representa avanços concretos nesse sentido.
Por Pedro F. Develey; Fabio Olmos; Vagner Cavarzere (adaptado) para a Scientific American Brasil