quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mais um Galho na Árvore Evolutiva dos Primatas

Mais um galho na árvore dos primatas

Descoberta nova espécie de macaco, restrita a uma pequena área no noroeste do Mato Grosso. Pesquisadores apontam que o achado pode ajudar a valorizar a única reserva extrativista do estado.


A descoberta de uma nova espécie de macaco na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, noroeste do Mato Grosso, é mais uma confirmação da enorme diversidade de primatas na Amazônia e do quanto essa diversidade permanece pouco explorada.
De distribuição aparentemente restrita à reserva, a espécie integra o gênero Callicebus, conhecido localmente como zogue-zogue, e ainda não recebeu seu nome científico, uma vez que o processo de descrição continua em andamento.
Os créditos da descoberta vão para os biólogos Júlio Dalponte, diretor executivo de uma empresa de serviços ambientais, e José de Souza e Silva Jr., do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Dalponte conta que os tons laranjas e marrons da cauda do animal chamaram sua atenção em meio a folhagem. "Quando vamos para o campo, temos uma imagem na cabeça do que pode ser encontrado no local e ficamos atentos a essas características. Assim, quando vi as cores da cauda do animal imaginei logo que se tratava de uma nova espécie."
"Espécies do gênero Callicebus são restritas a interflúvios e a reserva está exatamente entre os rios Roosevelt e Guariba. Sabemos que o rio Roosevelt impede a passagem dos animais, mas ainda precisamos confirmar se o mesmo acontece com o Guariba", explica Dalponte, completando que há suspeita de que a margem direita deste último rio possa abrigar outra espécie de macaco nova para a ciência.O macaco recém-descoberto é de pequeno porte, como saguis e micos, o que o torna incapaz de atravessar rios com margens distantes cujas árvores não se encostam nas copas. Os pesquisadores acreditam que o fato pode ajudar a entender a distribuição do animal.

O pesquisador pretende voltar para o campo o mais brevemente possível para conhecer melhor a distribuição do animal e compará-la com a das outras espécies de macaco que ocorrem no local. Enquanto isso não acontece, Dalponte e o pesquisador do Museu Goeldi, José de Sousa e Silva Jr., pensam em como batizar a espécie.
"Pensamos em homenagear um dos mais antigos e importantes primatólogos do Brasil, o pesquisador Milton Thiago de Melo. Quase centenário, ele ainda não conta com animais batizados em sua homenagem."
A expedição na qual se descobriu a nova espécie foi promovida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso, a empresa Mapsmut e a WWF-Brasil com o intuito de subsidiar a construção do plano de manejo da área.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Desorganizando a Educação

O nosso sistema educacional continua se arrastando, aos trancos e barrancos, o que deixa o Brasil em patamares vergonhosos em relação a outras nações sul-americanas, durante todo o século 20 e início do atual. Na foto: sala de aula na periferia de Luanda, Angola

A educação, em nosso país, sempre foi tratada com desprezo pela elite, que jamais admitiu que o povo tivesse acesso a um serviço público e de valor. A minoria que detém o prestígio e o domínio sobre a sociedade pensa e age contra qualquer possibilidade de uma educação para todos os brasileiros, independentemente da sua classe social, raça e crença política. O temor do esclarecimento das grandes massas é uma herança maldita que vem da época do Brasil colonial e imperial.
Tudo começa com a vinda da Companhia de Jesus, em 1549, cujo objetivo era a catequese e a educação a serviço da Igreja Católica. Após a sua chegada, os jesuítas inauguram um sistema educacional de conteúdo alienante, dogmático e autoritário e, portanto, hostil à liberdade. Com certeza, era um começo péssimo para a história da educação no Brasil. A educação, então, ministrada, preocupava-se apenas em garantir o poder da Igreja Católica diante do movimento protestante que era mais crítico e progressista que esta, preocupada somente com a imposição da sua verdade.
Na educação jesuítica, a escola estava a serviço da fé. Com a expulsão dos jesuítas e a transferência do aparelho do Estado português para o território colonial, a escola ficou a serviço do Estado. A vinda da família real confirma o fim da colonização, o que permite a dom João VI autorizar a criação das escolas superiores, se bem que, apenas como maneira de privilegiar uma classe. Essa abertura tinha um claro objetivo elitista.
Com a independência, em 1822, fica a herança do trabalho dos jesuítas, isto é, uma estrutura educacional já desmantelada, na forma de um ensino precário, com baixos orçamentos, mantidos, mais a frente, pela Constituição de 1824, que, aliás, vedava aos negros este ensino.
Ao analisarmos esses dois períodos da história pátria, constatamos que se equivaliam em debilidade educacional. Infelizmente, essa origem pouco abonadora da nossa educação não se alterou com o advento da República, pois o nosso sistema educacional, ainda hoje, continua se arrastando, aos trancos e barrancos, o que deixa o Brasil em patamares vergonhosos em relação a outras nações sul-americanas, durante todo o século 20 e início do atual.
No século 21, o fortalecimento do neoliberalismo, marcado pela obrigatoriedade do consenso em torno das suas idéias, abre o caminho para a sua chegada ao poder, pela via do voto popular. Os governos Lula e Dilma são exemplos emblemáticos do triunfo eleitoral neoliberal. Estas experiências cuidaram somente de promover uma profunda reforma econômica, a fim de garantir a estabilidade monetária e política. Desse modo, o que poderia ser uma simples perspectiva teórica se transforma em propostas concretas de ajuste neoliberal, dentre elas, a maneira neoliberal de pensar a educação. Por exemplo, o ministro da Educação de Dilma, o professor Fernando Haddad, uspiano de boa linhagem, que se diz marxista, joga fora os ensinamentos do alemão barbudo, quando adota o discurso da eficiência, da eficácia e da produtividade nos sistemas educacionais.
Para ele, a crise na educação é uma crise gerencial, fruto da ineficiência do Estado em gerenciar as políticas públicas. Assim convencido, adota a estratégia de atrelar a educação aos interesses do mercado, bem como utilizá-la como instrumento propagador das idéias neoliberais. Para isso, troca-se um ensino de cunho humanista por um currículo estreito, dirigido apenas a questões específicas. Essa engenhosidade conta com o forte apoio da mídia que realça as virtudes da iniciativa privada, limpando para o governo o caminho da privatização da educação. Não é por motivo frívolo que o ministro Haddad resgata o seu passado de analista de investimento do Unibanco, ao prestigiar, acintosamente, uma iniciativa da Fundação Itaú Social, apesar de saber que banqueiros não se interessam por uma educação pública.
Enquanto as estratégias neoliberais para a educação se consolidam, a nossa sociedade se ressente de um projeto que a elas se contraponha. A busca dessa alternativa passa pela luta por mais recursos materiais, o que significa dizer por mais investimentos, uma vez que as restrições orçamentárias, no ano em curso, permitiram apenas a execução de 58% de um orçamento de 61 bilhões de reais. Contudo, a batalha por uma maior alocação de recursos em educação não é suficiente. É necessário desmistificar o discurso do tecnicismo na educação, que transforma questões políticas em questões técnicas, afastando a possibilidade de um controle social dessa política pública.
Hoje, um importante obstáculo a preservação de uma educação pública e gratuita é o ministro Haddad. A incapacidade de organizar o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e o tempo gasto em articulações políticas, no afã de se tornar candidato a prefeito de São Paulo, evidenciam a sua escolha: em defesa do neoliberalismo, Haddad optou por desorganizar a educação.


Por Thelman Madeira de Souza, médico. Para o Jornal do Brasil em 26/11/2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Para Resistir Ao Ímpeto de Fumar

Resistir ao ímpeto de levar um cigarro à boca não é tarefa fácil. “A pessoa precisa saber o que vai enfrentar: as crises de abstinência. Vai ter desejo, perder concentração, ficar mais irritada, pode acontecer de engordar. Mas é importante entender que essa fase passa e que a primeira semana é a mais difícil. Mas essa vontade vai diminuindo”, afirma Ciro Kirchenchtejn, pneumologista coordenador do centro de tratamentos para dependentes da nicotina HelpFumo.
Em geral, afirmam os especialistas, a abstinência dura 40 dias. A intensidade e freqüências dos sintomas vão depender do grau de dependência da nicotina de cada individuo. Para avaliar o paciente, os médicos aplicam um questionário com perguntas simples como qual a quantidade de cigarros consumidas por dia, se fuma logo nos primeiros minutos depois que acorda, se sente necessidade de fumar após a refeição e se tem dificuldades de ficar sem fumar mesmo quando está doente.
“Se o grau de dependência é grande, é muito difícil parar sozinho. Para isso existem os tratamentos, vale a pena procurar um profissional”, aconselha Jaqueline Ota, pneumologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Com esse resultado em mãos, o especialista pode indicar ou não um tratamento medicamentoso ou um adesivo de nicotina, ou ainda um acompanhamento psicológico. De acordo com pesquisas norte-americanas, os índices de sucesso são maiores quando o paciente alia duas terapias. Adesivos, gomas de mascar e outros suportes podem ajudar a evitar a fissura. “Quem usa medicação tem suporte maior para parar na primeira tentativa. Além disso, tem menos tendência a ganhar peso”, diz Ciro. “É preciso entender o fumante como alguém doente que precisa de remédios para conseguir largar do vício”, completa. Além disso, o suporte psicológico e familiar é importante para saber vencer os momentos de crise. “A vontade vai existir, por isso é importante ter apoio. Se ninguém fuma em casa, se os amigos respeitam e não oferecem cigarro, se ninguém fuma no mesmo ambiente, fica menos difícil”, alerta Jaqueline Ota
Fonte: Portal iG

sábado, 26 de novembro de 2011

É Possível Retardar o Envelhecimento?

Uma das maiores geneticistas do país relata um experimento com camundongos transgênicos afetados por progeria e acena para novos caminhos no estudo da longevidade

Não se trata de novas poções mágicas ou cremes milagrosos. Apesar de muitas pesquisas que já foram feitas sobre o envelhecimento os mecanismos que podem retardá-lo são ainda muito pouco conhecidos. Pesquisas em famílias de centenários ou o projeto oitenta-mais onde tentamos identificar genes de longevidade ou fatores responsáveis por um envelhecimento saudável poderão mostrar novos caminhos. E é isso que indica um artigo publicado na revista Nature (10 de novembro de 2011)). Os resultados são impressionantes. Nessa pesquisa os autores mostram – em camundongos transgênicos afetados por progeria (a síndrome do envelhecimento precoce) que células senescentes têm um efeito adverso e contaminam as células vizinhas ainda saudáveis. Segundo Darren Baker – que é o primeiro autor dessa publicação – a remoção dessas células poderia prevenir ou retardar a disfunção do tecido e estender a expectativa de vida.
Para desenhar o experimento, os autores valeram-se de uma informação importante – a de que células senescentes produzem uma proteína chamada P16INK4A. Normalmente as nossas células têm um número de divisões programadas – em seres humanos ao redor de 60 vezes – e depois entram em processo de senescencia ou apoptose ( morte celular programada). Acredita-se que a proteína P16INK4A faria parte do mecanismo que controla o número de divisões das nossas células o que é fundamental também para prevenir o crescimento de tumores. Para testar sua hipótese, os pesquisadores utilizaram um camundongo transgênico que tem uma condição chamada progeria – que embora rara, afeta também seres humanos- na qual há um envelhecimento muito acelerado e várias características associadas a velhice tais como catarata, perda de tecido adiposo, comprometimento cardíaco, dificuldades na cicatrização e morte prematura. Através de uma técnica de engenharia genética os cientistas introduziram um gene nesses camundongos que causa a remoção das células senescentes- produtoras dessa proteína P16INK4A – quando administra-se uma droga específica (AP20187).
Os cientistas então administraram a droga (a cada três dias após o nascimento) aos camundongos com progeria e observaram o que acontecia em comparação com um grupo controle que não recebia a droga. Os resultados foram espetaculares. Os animais que receberam a droga – e que deveriam, portanto, eliminar as células senescentes – perderam menos tecido adiposo, mantiveram a musculatura e não apresentaram catarata. Entretanto, nos tecidos que não produzem a proteína P16INK4A como o coração e os vasos sanguíneos a droga não teve efeito. Por isso, não foi possível aumentar a expectativa de vida já que a morte desses animais é causada por parada cardíaca. Além disso, segundo o Dr. Baker, houve algum benefício mesmo quando a droga foi administrada a animais mais velhos.
A pesquisa mostrou também que não houve efeitos colaterais evidentes após remoção das células senescentes. A observação de que a remoção ou a inibição de células senescentes protege o tecido circundante abre novas perspectivas para retardar o envelhecimento ou talvez o tratamento de doenças degenerativas – que podem ser muito promissoras. Mas é importante deixar claro que por enquanto esses resultados foram observados em camundongos – e afetados por progeria- e portanto não sabemos ainda se são aplicáveis a seres humanos.
Por Mayana Zatz, Geneticista - Diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Instituto de células-tronco da Universidade de São Paulo USP)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

É Preciso Ensinar Atitudes Científicas

Fredy Heer/Latincontent/Getty Images
Especialista argentina afirma que o fundamental no ensino de ciências é privilegiar a observação, a classificação e a formulação de perguntas para desenvolver o raciocínio

De um lado, estão os professores que propõem o ensino de Ciências com base em experiências práticas, feitas em laboratório - os chamados tecnicistas. De outro, estão os educadores que focam a transmissão de conceitos e a teoria em aulas expositivas - e que, pela escolha metodológica, são conhecidos por tradicionalistas. As limitações de ambas as linhas levou ao desenvolvimento, desde a década de 1970, de uma terceira perspectiva, conhecida como investigativa. A bióloga argentina Melina Furman é uma das mais expressivas representantes dessa corrente. Doutora em Educação e Ciências pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e coordenadora científica da Sangari Argentina, ela vem dedicando-se à pesquisa desse novo modo de ensinar a disciplina, que propõe se basear em uma situação-problema para oferecer aos alunos a oportunidade de observar, levantar hipóteses, fazer registros e tirar conclusões. "Dessa forma, permitimos que as crianças e os jovens avancem num processo que possibilitará a formação de um pensamento sistemático, crítico e autônomo, capaz de preparálos para enfrentar os desafios da atualidade dentro e fora da escola", diz. Seu livro mais recente, La Aventura de Enseñar Ciencias Naturales (ainda sem título em português), escrito com a colega María Eugenia de Podestá, rendeu-lhe o primeiro prêmio na categoria Educação na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, neste ano.

Os bons professores de Ciências organizam suas aulas incluindo diversas abordagens didáticas: a realização de experiências, o trabalho com textos, os debates, as pesquisas sobre a história da ciência, as atividades com o objetivo de analisar os resultados dos experimentos feitos pela turma e muitas outras. O importante é que as aulas permitam aos alunos ter um papel ativo. O professor deve planejar, de antemão e com clareza, os objetivos da aula. Tendo noção de aonde quer chegar, fica mais simples canalizar as perguntas da turma e criar um clima de investigação em que a curiosidade seja mais do que bem-vinda. A tendência é que se abandone por completo a oportunidade de proporcionar aos alunos o contato com as perguntas ou os fenômenos para centrar o estudo nos dados, na terminologia e nas fórmulas. Quando isso ocorre, o ensino de Ciências, acaba se voltando apenas ao produto, e não ao processo que foi percorrido para chegar ao conhecimento dado. Assim, perde-se justamente o aspecto da ciência que a torna mais apaixonante. 
Trabalho com a ideia de que se pode fazer ciência explorando o que nos rodeia e buscando respostas para os fenômenos que vemos em toda parte. É possível desenvolver boas atividades com materiais muito simples, que os próprios alunos costumam ter em casa. Em Ciências, o mais importante é que os alunos compreendam os fenômenos, em vez de apenas saber como se chamam. Os nomes, embora importantes para a comunicação, são meras convenções. No entanto, o que vemos com mais frequência é que as aulas comecem exatamente ao contrário. O professor inicia perguntando às crianças: "O que é a força?" Depois, pede que procurem a definição no dicionário. Faz tudo isso sem ter exposto os estudantes a fenômenos em que há a interferência dessas forças - e aqui falo de fenômenos simples, como deixar cair um objeto e empurrar outro. O mais adequado, a meu ver, seria se basear na da observação do fenômeno em situações distintas - nesse exemplo, a observação das diversas forças, de diferentes intensidades, sobre o movimento dos objetos - para que os alunos comecem a sequência didática compreendendo do que se trata.
Os registros são importantíssimos. Aprender a pensar cientificamente tem tudo a ver com a capacidade de organizar nossas perguntas, ideias, hipóteses, dados e conclusões. Não há uma receita para decidir quando isso será necessário. O ideal é prever, no momento de planejar as aulas, quais situações são propícias para esse tipo de produção.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Que São os Royalties do Petróleo ?

Atualmente está em discussão a mudança no sistema de distribuição dos royalties do petróleo no Brasil, com a votação de uma nova lei ordinária para regulamentar esta questão
O royalty ou royaltie é um valor pago ao detentor de uma marca, patente industrial, processo de produção, produto ou obra literária original pelos direitos de sua exploração comercial.  No caso do petróleo, são recursos financeiros provenientes da compensação financeira paga aos Estados e municípios pela exploração de petróleo ou gás natural em depósitos localizados na plataforma continental brasileira.

No Brasil o petróleo pertence à União, embora a Lei nº 9.478/1997 garanta que, após extraído, a posse do petróleo passa a ser da empresa que realiza a extração deste recurso natural, mediante o pagamento dos royalties ao governo. Neste caso, tanto a união divide estes royalties entre o Governo Federal, estados e municípios onde ocorre a extração de petróleo localizado no subsolo destas unidades da Federação.
Atualmente está em discussão a mudança no sistema de distribuição dos royalties do petróleo no Brasil, com a votação de uma nova lei ordinária para regulamentar esta questão, conforme previsto pela Constituição. Ainda não existe uma legislação que padronize os diferentes sistemas de cobrança e distribuição dos royalties existentes no Brasil, para cada tipo de recurso natural sob a posse do Estado. No caso, a exploração dos demais recursos minerais envolve o pagamento de royalties segundo a Lei de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, CFEM (DNPM) - § 1º, art. 20 CF; art. 8º Lei nº 7.990/89.Os royalties que são pagos aos estados produtores de petróleo nada mais são do que medidas compensatórias pelos riscos potenciais que a atividade representa ao meio ambiente desses estados produtores. Na prospecção e transporte do óleo, acidentes podem acontecer. A questão é como essas empresas agirão para remediar e combater a poluição por óleo de modo a diminuir ao máximo o impacto provocado. Recentemente, a empresa de petróleo Chevron foi responsável pelo  vazamento de óleo na Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro.  Esse acidente é um claro exemplo dos riscos e danos que a prospecção e transporte do óleo representam ao litoral e às praias cariocas ou capixabas. No entanto, diversos estados da federação, que não produzem uma única gota de petróleo e não correm qualquer risco, querem dividir esses royalties. Mas será que querem e podem dividir os prejuízos também? indaga o biólogo Marcelo Szpilman do Instituto Ecológico Aqualung. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Crise Mundial de Obesidade

Apesar de a ciência ter revelado muito sobre os processos metabólicos que influenciam o peso, a solução para esse desafio pode estar no estudo do comportamento social

A obesidade é uma crise de saúde em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, se as tendências atuais continua rem, em breve será o fator mais importante de morte precoce, redução da qualidade de vida e de gastos com cuidados de saúde, ultrapassando o tabagismo. 
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta (CDC/USA), um terço dos adultos é obeso, outro terço está com sobrepeso e, a cada ano, os americanos engordam mais. Um estudo publicado no periódico Journal of the Adereçam Medical Association indicou que a obesidade é responsável por mais de 160 mil “excessos” de mortes por ano no país. Segundo pesquisadores da George Washington University, uma pessoa obesa custa mais de US$ 7 mil por ano para a sociedade, devido à perda de produtividade e custos adicionais com tratamentos médicos. Os gastos com cuidados de saúde ao longo da vida de uma pessoa com excesso de peso de 30 quilos ou mais somam US$ 30 mil, dependendo da etnia e do sexo. 
Tudo isso confere urgência a essa questão: por que é tão difícil emagrecer e se manter no peso ideal? A resposta não parece difícil. A fórmula básica para a perda de peso é simples e bem conhecida: consumir menos calorias do que se gasta. Mas se realmente fosse fácil, a obesidade não seria o principal problema de saúde relacionado ao estilo de vida. Para uma espécie que evoluiu para consumir alimentos altamente energéticos – em um ambiente onde a fome era uma ameaça constante – perder peso e permanecer magro em meio à abundância, alimentado por mensagens de marketing e por calorias vazias e baratas, realmente é difícil. A maior parte das pessoas que tenta fazer um regime parece falhar a longo prazo – uma revisão de 31 estudos sobre dietas de redução de peso, feita pela Adereçam Psychological Association, em 2007, identificou que, após dois anos, cerca de dois terços das pessoas acabam pesando mais que antes do início do regime.

As pesquisas têm trazido informações importantes sobre como as proteínas interagem no organismo para extrair e distribuir a energia dos alimentos e produzir e armazenar gordura; como o cérebro indica que estamos com fome; por que alguns de nós parecem ter nascido com maior probabilidade de ser obesos e se a exposição a determinados alimentos e a substâncias tóxicas pode modificar ou mitigar alguns desses fatores. Os estudos também têm sugerido à indústria farmacêutica diversos alvos potenciais para o desenvolvimento de medicamentos. Mas, ainda assim, sem sucesso. 
Talvez um dia a biologia desenvolva uma solução que gerencie o metabolismo para queimar mais calorias ou modifique desejos e assim passemos a preferir, por exemplo, brócolis a bifes. Mas, até lá, a melhor estratégia podem ser métodos comportamentais-psicológicos desenvolvidos ao longo dos últimos 50 anos. Centenas de estudo comprovaram sua eficiência.
Muitos fatores contribuem para esse problema: o excesso de peso está relacionado, em parte, ao ambiente (hábitos alimentares de amigos, tipo de alimento mais disponível em casa e lojas locais, oportunidade para se movimentar no trabalho). O complemento disso pode estar na biologia (algumas pessoas podem ter predisposição genética para armazenamento maior de gordura, limites de saciedade maiores e paladar mais sensível). E, em parte ainda, por aspectos econômicos (alimentos com alto teor calórico mas níveis reduzidos de nutrientes são mais baratos que produtos frescos). E isso é também obra do marketing – as empresas de alimentos são mestres em explorar a natureza social humana e de nossa “programação” evolutiva, produzindo alimentação não saudável, mas rentável. É por tudo isso que soluções simplistas falham.
Até o momento, a forma mais bemsucedida de perder peso, pelo menos uma quantidade moderada dele, é manter essa perda, com uma dieta equilibrada e prática de exercícios físicos, combinada com programas de mudanças de comportamento. A abordagem comportamental envolve pequenos ajustes nos hábitos alimentares e na prática de exercícios físicos, com o incentivo de pessoas próximas e do ambiente.
Estudos recentes voltaram a utilizar a abordagem comportamental para a perda de peso. Uma revisão da literatura de 2003, solicitada pelo U.S. Department of Health and Human Services, concluiu que “o aconselhamento e as intervenções comportamentais proporcionaram graus moderados de perda de peso, sustentáveis por pelo menos um ano” – e um ano é uma eternidade no mundo do emagrecimento. 
Por que as intervenções comportamentais são efetivas? Segundo Laurette Dubé, que realiza pesquisas na área de marketing e sobre os aspectos psicológicos do estilo de vida na McGill University's Faculty of Management, em nosso meio ambiente, esforços de marketing, sofisticados e onipresentes, alimentam-se da necessidade natural de gratificação sensorial e vulnerabilidade à desinformação. Além disso, a má alimentação e a pouca prática de exercícios físicos observadas em amigos, familiares e colegas servem como exemplo. Essencialmente, as intervenções comportamentais buscam transformar esse ambiente para uma situação em que as necessidades de informações, gratificação e estímulo social encorajem o consumo de alimentos saudáveis e a adoção de exercício físico. “Quando recebemos as mensagens corretas, de forma adequada, temos melhor chance de resistir ao desejo de comer mais que precisamos”, avalia Dubé.


Por David H. Freedman (David H. Freedman escreve sobre ciência, economia e tecnologia há 30 anos. Seu livro mais recente, Wrong, explora as razões que levam os cientistas e outros especialistas a iludir a sociedade). O texto acima é uma adaptação do artigo "Como solucionar a crise da obesidade"

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

População Carente, Dentes Doentes

População carente, dentes doentes
Estudo mostra que filhos de famílias pobres têm número maior de dentes comprometidos. Outros fatores como a falta de higiene bucal e o consumo excessivo de açúcar estão associados com os problemas dentários

O último levantamento do Ministério da Saúde sobre a saúde bucal no Brasil apontou 1,8 milhão de crianças com cárie. Desse total, filhos de famílias carentes são os mais suscetíveis à doença, de acordo com um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Crianças que viveram um momento de pobreza possuem maior chance de contrair cárie do que as que nunca foram pobres”, afirma a odontopediatra Paula Andréa de Melo Valença, autora da tese de doutorado ‘Influência de determinantes sociais e do aleitamento materno na cárie em crianças’, defendida em agosto deste ano na UFPE.
“Não estão em jogo apenas uma higiene bucal deficiente ou uma dieta rica em carboidratos, existem questões socioeconômicas ligadas à cárie infantil”, ressalta Valença.Na base da pirâmide social, os pais se preocupam menos com os dentes dos pequenos, sendo pouco comum consultas odontológicas de rotina e o uso do fio dental. Além disso, condições precárias de infraestrutura, como saneamento básico, luz, água e coleta de lixo, contribuem de forma decisiva para o surgimento da cárie dentária.
A pesquisadora também analisou uma possível relação entre o aleitamento materno e a cárie na infância, uma associação frequente, porém controversa, na comunidade odontológica. No seu estudo, Valença não identificou uma ligação direta entre a amamentação prevalente ou exclusiva nos primeiros seis meses de vida e um índice mais elevado de problemas dentários.
Em sua pesquisa de campo, realizada em 2007, Valença visitou a casa de diversas famílias em quatro cidades da zona da mata pernambucana – Palmares, Água Preta, Catende e Joaquim Nabuco –, onde recolheu dados socioeconômicos e da saúde bucal de 293 meninos e meninas com seis anos de idade.
A pesquisadora analisou a mobilidade social dessas famílias, tendo como parâmetros a renda familiar, escolaridade materna, condições de salubridade do domicílio e posse de bens domésticos, no período entre 2007 e 2008. Depois, comparou-a com a frequência da cárie infantil.
Ela verificou um índice médio de 4,1; referente ao número de dentes de leite (não permanentes) cariados, perdidos devido à cárie e/ou restaurados nas crianças pesquisadas. Analisando os fatores de risco envolvidos, observou que 69,2% dos filhos de famílias pobres – com renda igual ou inferior a um quarto do salário mínimo – apresentaram percentual igual ou maior que a taxa média, contra 42,6% daqueles em famílias com renda per capita superior a meio salário mínimo.
Já 68,6% das crianças com mães que cursaram no máximo três anos do ensino fundamental excederam o índice médio de problemas bucais, contra 46,6% daquelas com mães que atingiram ou ultrapassaram o ensino médio.
Em 2001, as mesmas crianças avaliadas por Valença participaram de um estudo de intervenção comunitária cujo intuito era ampliar a duração do aleitamento materno exclusivo. Coordenada pela pediatra Sônia Bechara Coutinho durante seu doutorado em nutrição pela UFPE, a pesquisa acompanhou as crianças desde o nascimento até o primeiro ano de vida, com a coleta de dados sobre o perfil alimentar. A mobilidade social vivida por algumas famílias não teve impacto significativo sobre esse quadro. “Mesmo crianças de famílias que tiveram uma melhora na situação financeira, evoluindo de um quadro de pobreza, não demonstraram avanços na saúde dos dentes”, conclui Valença.
Valença reexaminou esses dados seis anos depois a fim de avaliar a influência da amamentação na saúde bucal das crianças. “Os dados mostraram que o aleitamento exclusivo ou predominante realizado durante os seis primeiros meses de vida não influenciou na ocorrência e gravidade da cárie aos seis anos de idade”, afirma a pesquisadora.
Além dos aspectos socioeconômicos, outros fatores como a prática da higiene bucal e o consumo de açúcar mostraram-se influentes no caso de problemas dentários.
De acordo com o levantamento de 2010 do Ministério da Saúde, crianças com 12 anos, idade em que geralmente se completa a formação dentária do indivíduo, apresentam, em média, 2,1 dentes cariados, perdidos ou obturados. Em 2003, essa média era de 2,8.
“O Brasil melhorou muito com sua primeira política pública de saúde bucal, o Brasil Sorridente, mas precisa ampliá-la para chegar mais perto do público infantil, uma faixa etária que sofre muito com problemas dentários”, diz Valença.
“A política pública tem que entrar no núcleo familiar e atuar com foco no contexto social em que a criança está inserida”, conclui. Para mudar esse quadro, a pesquisadora defende assistência às mães desde o nascimento da criança e estratégias de saúde bucal que contemplem a melhoria dos indicadores socioeconômicos, a promoção do aleitamento materno e hábitos saudáveis de alimentação e de higiene bucal, acesso à informação e educação.

domingo, 20 de novembro de 2011

Os Segredos das Pessoas Que Não Adoecem


O jornalista e escritor americano Gene Stone teve a oportunidade de pesquisar e escrever sobre inúmeras formas de cultivar a boa saúde. E notou que em algumas populações as pessoas nunca ficavam doentes. Foi atrás dos porquês. Em suas andanças, percebeu que em cinco regiões os povos eram altamente saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria. Acabou reunindo 25 dessas histórias de indivíduos supersaudáveis no livro "Os Segredos das Pessoas que Nunca Ficam Doentes", recém-lançado pela Editora Lua de Papel. Alho, ioga, banhos frios pela manhã e canja de galinha são alguns dos hábitos adotados por pessoas que nunca ficam doentes.
Confira a seguir 10 dicas de como se manter com disposição, saudável e livre do estresse.
1- Reduza as calorias de sua alimentação para equilibrar o peso e se manter longe de problemas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares. Estudo de Susan Roberts, professora da Escola Friedman de Ciência da Nutrição, da Universidade Tufts, nos EUA, sugere um corte de 25% do total diário de calorias. Ela acredita que isso pode ser feito a qualquer momento, desde que a pessoa se sinta confortável. Vale lembrar que o valor calórico deve ser menor, mas a dieta deve ser rica em nutrientes.
2-Tome canja de galinha para prevenir resfriados. Alguns pratos, por semana, seria um bom remédio. Prescrita para combater o mal-estar desde o antigo Egito, a canja ganhou até um estudo japonês, publicado no periódico Journal of Agricultural and Food Chemistry. Além de resfriado, a pesquisa apontou que a receita pode combater ainda a pressão arterial elevada.
3- Tenha amigos para aumentar a imunidade e afastar doenças infecciosas. Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, de Pittsburgh, demonstraram que pessoas com forte apoio social têm sistemas imunológicos mais robustos e estão menos inclinadas a ter infecções. E um estudo australiano estimou que idosos com largo círculo de amigos estavam 22% menos propensos a morrer, durante o período de análise, do que aqueles com menos amigos.
4- Consuma alho para combater resfriados, reduzir a pressão, os níveis de triglicérides e de colesterol. A Faculdade de Medicina Tagore, da Índia, realizou um estudo mostrando que pessoas submetidas a testes e que consumiram alho mostravam uma queda na pressão sanguínea em cerca de 10%. Outros estudos mostram que o tempero pode atuar como poderoso antioxidante e antibiótico.
5- Faça musculação para reduzir o peso e a gordura corporal, além de manter músculos, ossos e articulações saudáveis. Estudos da Universidade do Estado da Geórgia incluem entre os benefícios a redução do risco de morte prematura, de doença cardíaca, de elevação de colesterol, de depressão e diabetes.
6- Tire uma soneca após o almoço para combater o estresse. Segundo relatório da Universidade de Chicago, o sono protege ainda de resfriado a acúmulo de cálcio nas artéria dos coração,o que poderia resultar em ataque cardíaco ou AVC. 
7-Encare banhos frios para reforçar a imunidade, aumentar a circulação sanguínea, fortalecer a pele e revigorar o corpo. Em um estudo realizado em Praga, na República Tcheca, pesquisadores submeteram homens em boa forma física a mergulhos em água fria para observar a resposta imunológica deles. Com isso, os cientistas perceberam que houve aumento da contagem de células brancas, as responsáveis pelas defesas do organismo. 
8- Tenha pensamentos positivos para manter a boa saúde. A crença na conexão mente-corpo é tão antiga quanto a própria medicina ocidental. Já dizia Hipócrates: “A força natural de cura dentro de cada um de nós é a maior para que se consiga estar bem”.
9- Corra para combater males cardíacos, diabetes, câncer. No segundo século d.C., o médico grego Galeno já dizia: “o corpo precisa de movimento – e não apenas aqueles típicos de uma rotina diária”. Os Centros de Controle de Doenças americanos recomendam que um adulto deve ter 75 minutos de vigorosa atividade aeróbica (como correr) por semana. Se quiser realizar essa tarefa em dois, três, quatro ou sete duas, isso é com você. 
10- Pratique ioga para reforçar o sistema imunológico e aliviar o estresse. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos considera a ioga uma forma de “medicina complementar e alternativa” e os médicos às vezes a recomendam como um agregado ao tratamento convencional para uma série de problemas crônicos, incluindo asma, dores nas costas e artrite.

Fonte: Portal iG

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Desaparecimento das Abelhas

As abelhas fazem o seu trabalho de polinização há 100 milhões de anos. Plantas e abelhas evoluíram em conjunto e formam uma das alianças mais antigas e frutíferas da natureza. O que acontece se removermos um dos elementos desta parceria perfeita?

84% das espécies vegetais e 76% da produção alimentar da União Europeia dependem da polinização das abelhas. Sem elas, o futuro do nosso planeta será certamente mais cinzento. O total desaparecimento das abelhas e de outros animais polinizadores poderia desencadear uma crise mundial.
Industrialização, urbanização, perda de habitats, introdução de espécies invasoras, desnutrição... São muitos os fatores que afetam a saúde das abelhas, sendo um dos principais a presença de agentes tóxicos no ambiente, em especial a utilização indevida ou excessiva de determinados pesticidas.
O contínuo aumento da taxa de mortalidade das abelhas preocupou finalmente o Parlamento Europeu (PE), que lançou, no dia 15 de novembro de 2011, um relatório que alerta para o "impacto negativo profundo" que esta condição poderá ter na agricultura, na produção e segurança alimentares, na biodiversidade, na sustentabilidade ambiental e nos ecossistemas.
O PE alerta quanto à necessidade de serem tomadas "medidas urgentes" no controle da morte das abelhas e insta a Comissão a atribuir mais recursos à apicultura e a aumentar o apoio à investigação para a prevenção e controle das doenças que vitimam as abelhas. É solicitada a criação de sistemas nacionais de vigilância que permitam ter informações mais detalhadas sobre o número de colmeias, apicultores e perdas de colônias, para que a informação circule entre laboratórios, apicultores, agricultores, indústria e cientistas.
Os eurodeputados sugerem ainda o apoio a programas de formação para quem trabalha com abelhas e exortam a Comissão a levar a cabo uma investigação objetiva sobre os eventuais efeitos negativos do cultivo e das monoculturas de OGM na saúde das abelhas.
Veja, a seguir, o excelente documentário "O Silêncio das Abelhas", do PBS, que mostra os principais problemas enfrentados pelas abelhas nos nossos dias.



Fonte: site O Único Planeta que Temos

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Era dos Robôs Pensantes (O Início ?)

Uma nova geração de chips neurossinápticos, inspirados no funcionamento das sinapses neuronais, encurta o caminho para o dia em que teremos computadores capazes de aprender com a experiência.

Pesquisadores da IBM norte-americana apresentaram em Nova York, em agosto, os dois primeiros protótipos de um novo tipo de chip de computador desenhado para emular as sinapses de percepção, ação e cognição dos neurônios humanos. Os chips neurossinápticos aumentam a eficiência das máquinas em várias ordens de magnitude, consumindo menos energia e ocupando menos espaço dentro dos computadores. Em longo prazo, eles induzirão à engenharia de máquinas de inteligência adaptativa, baseadas na análise de informação complexa e proveniente de múltiplas fontes sensoriais, capazes de se retroalimentar da sua interação com o ambiente.
Se tudo der certo, por meio de algoritmos e circuitos de silício, os novos chips replicarão parte da dinâmica biológica das sinapses nos neurônios humanos. Com eles inaugura-se a geração de computadores cognitivos capazes de encontrar correlações, criar hipóteses e "lembrar" de resultados, reproduzindo a "plasticidade sináptica" do pensamento, que aprende com a experiência. Atualmente na fase 2, o projeto se encerra com a fase 4 - sem data marcada para terminar -, que culminaria com a fabricação de um robô "inteligente". Se tudo der certo.
Para tanto, os cientistas da IBM Research, liderados pelo engenheiro indiano Dharmendra Modha, líder do projeto SyNAPSE (sigla em inglês para Sistemas Eletrônicos Escaláveis de Adaptação Plástica Neuromórfica), trabalham combinando princípios de nanociência, neurociência e supercomputação, em parceria com pesquisadores de várias universidades norte-americanas (Stanford, Wisconsin- Madison, Cornell, Columbia e Califórnia-Merced) e com a Agência de Projetos Avançados de Pesquisa de Defesa (Darpa) do governo norte-americano, cofinanciadora do projeto.
A sinapse humana é a base teórica da inovação. "A sinapse nada mais é do que a carga que passa pela junção do axônio de um neurônio (sua linha de saída) ao dendrito de outro (sua linha de entrada)", explica Mohda. "Usamos a Lei de Hebb, que diz que 'neurônios ativados simultaneamente intensificam a sinapse', para adaptar o peso das mesmas. Trata-se de intensificar ou de diminuir as sinapses, em resposta a causalidades ou anticausalidades."
O húngaro-americano John Von Neumann (1903-1957) criou a arquitetura clássica de computador, baseada em um programa de processamento de instruções sequenciais e uma memória armazenadora de dados, estabelecendo o esqueleto do primeiro grande computador digital eletrônico, o Eniac (Electrical Numerical Integrator and Computer), em 1946. Já o neurologista canadense Donald Hebb (1904-1985), criador da Lei de Hebb, foi um dos pioneiros no estudo da contribuição dos neurônios para o aprendizado humano.
Desde os anos 1940 as redes neurais vêm sendo estudadas, junto com a modelagem matemática dos neurônios. Todo ano há congressos internacionais de informática sobre redes neurais. Na prática, as redes já inspiram a fabricação de máquinas fotográficas que disparam quando a pessoa fotografada ri e de sistemas de identificação baseados na memorização dos traços do rosto. A novidade do chip neurossinapático é ser uma peça de hardware que agrega uma promessa de evolução veloz para o desenvolvimento da inteligência artificial. Embora não contenha elementos biológicos, os novos chips usam circuitos digitais de silício e contam com um núcleo neurossináptico composto por uma memória integrada (sinapses replicadas), uma base de computação (neurônios) e eixos de comunicação (axônios). 
Combinar as percepções em tempo real, com rapidez quase instantânea, seria tarefa impossível para computadores atuais, mas pode ser natural para um sistema de chips neurossinápticos. Isso não quer dizer que a memória sináptica de um computador não possa ser adaptada em tempo real para codificar correlações, associações, causalidades e anticausalidades. Máquinas mais inteligentes seriam capazes de compreender nossos desejos, diz o cientista.
"O chip da IBM tem 256 neurônios e o cérebro humano tem 100 bilhões. Portanto, falta muito", ressalta o professor Adriano Lorena Inácio de Oliveira, do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. "Entretanto, especialistas como Ray Kurzweil advertem que em 1945 não havia perspectiva do que fazemos em 2011. A velocidade da evolução tecnológica que a invenção de um chip neurossináptico deflagra é imprevisível. Não sei se será viável construir um robô com 100 bilhões de neurônios. Não sei nem mesmo se interessa construí-lo. Mas aumentar a inteligência das máquinas interessa."
Com chips neurossinápticos, uma nova arquitetura de computador deverá surgir. Será possível configurar redes neuronais para propósitos diferentes e maleáveis. "É possível imaginar uma hierarquia de técnicas de programação estruturada por uma rede social de chips neurossinápticos falantes, capazes de ser adaptados e reconfigurados para realizar tarefas.

Fonte: Revista Planeta ed.469

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cavalos Pré-Históricos Eram Reais


As pinturas da espécie de cavalos nas cavernas são retratos claramente realistas dos animais, revela estudo genético do Instituto Leibniz de Pesquisas Zoológicas, em Berlim

As imagens encantadoras de cavalos selvagens que povoam a arte da Idade da Pedra não só eram bonitas como também primavam pelo realismo, mostra um estudo que investigou o DNA dos equinos pré-históricos. Entre arqueólogos, havia um debate antigo sobre a natureza das pinturas de cavalos e de outros grandes mamíferos do Paleolítico Superior (fase anterior à invenção da agricultura, quando ocorre uma explosão artística). Não se tinha certeza se essas imagens eram estilizadas, com características sobretudo simbólicas e rituais, ou se os caçadores-coletores de 25 mil anos atrás estavam simplesmente retratando os animais como os viam.
A equipe liderada por Arne Ludwig, do Instituto Leibniz de Pesquisas Zoológicas, em Berlim, decidiu tirar a dúvida analisando amostras genéticas de cavalos da época, obtidas na Sibéria e em vários locais da Europa.
Usando variantes de DNA que denunciam a cor da pelagem do animal, os cientistas mostraram que os cavalos do Paleolítico tinham coloração baia (grosso modo, castanho), preta e "leopardo", um padrão caracterizado por pintinhas pretas no corpo claro do bicho.
Curiosamente, são justamente esses três padrões os retratados pela arte da Era do Gelo. Até as pintinhas aparecem em certas imagens, embora as cores escuras sejam as mais comuns.
Isso sugere "que as pinturas da espécie nas cavernas são retratos claramente realistas dos animais; isso apoia a hipótese de que as pinturas tinham menos conotação simbólica ou transcendental do que se imagina às vezes", escrevem os pesquisadores.
A pesquisa está na revista científica "PNAS".

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Cifonauta e as Belezas do Mar

aranguejo ‘Porcellana’
Banco de imagens criado por pesquisadores da USP reúne fotos e vídeos da vida marinha para uso e compartilhamento gratuito. Na foto: O exótico Caranguejo ‘Porcellana’

Imagens dos mais simples e microscópicos e também dos maiores e mais complexos seres marinhos estão disponíveis para visualização e download no Cifonauta, nova página do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP) na internet.
O banco de imagens criado pelos biólogos Álvaro Migotto e Bruno Vellutini reúne mais de 11 mil fotos e 270 vídeos de 300 espécies de animais, plantas e protozoários marinhos.
Todas as imagens são fruto de pesquisas feitas na instituição e trazem informações como classificação taxonômica, estágio de vida e hábitat de cada organismo apresentado.
“No nosso trabalho, a documentação por imagens é muito comum, mas apenas uma pequena parcela dos vídeos e fotos produzidas acaba sendo publicada”, explica. “Nós percebemos que esse acervo tinha um enorme potencial para a divulgação científica e educação em geral e por isso criamos o Cifonauta, para que esse material possa ser usado por estudantes, professores, artistas, curiosos, e para que colabore na conscientização das pessoas sobre a importância da biodiversidade marinha.”Migotto conta que o site foi criado para aproveitar o material audiovisual resultante das pesquisas feitas no CEBIMar, que acabava ficando esquecido depois do fim dos trabalhos.

Além de fotografias convencionais, o site conta com imagens feitas por microscopia e outras técnicas que permitem a visualização de estruturas internas, órgãos, tecidos e células dos organismos marinhos.
As imagens e vídeos estão classificados também pelo tamanho e tipo de técnica fotográfica, para facilitar uma busca mais específica. A página conta ainda com alguns ‘tours virtuais’ que reúnem imagens de um mesmo tema acompanhadas de um texto explicativo. 
Um deles apresenta ao internauta a biodiversidade e a paisagem da Baía do Araçá, no litoral norte de São Paulo, outro mostra em detalhes o ciclo de vida da bolacha-do-mar Clypeaster subdepressus, desde a liberação dos gametas à vida adulta.
Todo o material do site pode ser usado e compartilhado para fins não-comerciais desde que sejam citadas a fonte e a autoria.
Para saber mais, acesse www.cifonauta.cebimar.usp.br

domingo, 13 de novembro de 2011

"Contágio": E se Fosse no Brasil?

Cientistas brasileiros debatem ações contra epidemia mortal retratada em filme
Tema do longa "Contágio" foi discutido por especialistas da Fiocruz, UFRJ e Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio

Um vírus letal que se espalha rapidamente por todo o planeta, causando pânico e caos entre a população. O tema do filme Contágio, em cartaz nos cinemas brasileiros, foi debatido no dia 28 de setembro de 2011 por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio. A iniciativa do debate foi da Foundation for Vaccine Research, uma fundação dos Estados Unidos.
De acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, Marcio Garcia,o Brasil tem experiência e conhecimento em vigilância e investigação, que faz do país capaz de dar resposta razoável contra um vírus letal.
" Temos uma rede nacional de alerta e resposta que, inclusive, é conectada com a sala dos CDC Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle de Enfermidades dos Estados Unidos), que aparece no filme, em uma rede internacional. Também temos um programa especializado em investigação de surtos, que é o Epsus, com mais de 100 pesquisadores formados," disse ele.
A infectologista Patrícia Brasil, da Fiocruz, discorda da análise. Ela disse que um país que não consegue conter o avanço de doenças já conhecidas e que podem ser combatidas, como a tuberculose e a dengue, e sequer tem condições de responder a um vírus como o do filme.
" Na verdade, ninguém está preparado para um vírus como esse do filme Contágio. E nós temos nossos próprios pesadelos, como a tuberculose. Na epidemia de dengue de 2008, foram mais de 300 mil casos, mais de 40% de mortes de crianças. Temos a reintrodução da malária. São muitos os desafios de saúde pública ainda. Nosso sistema de saúde já é caótico, não só o público, com emergências lotadas. Imagine com uma epidemia de vírus letal?" , pergunta a pesquisadora.
O pesquisador Mauro Schechter, da UFRJ e membro da entidade que promoveu o debate, lamentou que se invista tão pouco em pesquisa de novas vacinas. Ele defendeu o financiamento de organismos multilaterais em estudos nessa área " Vacina não dá dinheiro. A não ser que seja para algumas patologias, como HPV, cuja vacina é muito cara. Mas criar uma vacina para tuberculose ou malária não é rentável, por exemplo. O Estado tem outros problemas para resolver, como garantir saúde, educação, segurança e transporte para a população. Por isso, há a necessidade de esforços internacionais conjuntos" .
De acordo com Schechter, especialista em HIV, para desenvolver uma vacina contra a aids em dez anos seriam necessários investimentos adicionais de U$ 5 milhões a U$ 10 milhões por ano sobre o que já se investe hoje em pesquisa. " O que é feito hoje é insuficiente" , lamentou o pesquisador.
Assista ao trailer oficial do filme "Contágio"



Fonte: Isaude.net

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CNVs: Uma Nova Pista para Explicar as Diferenças Individuais

autismo
Os CNVs podem abrir caminho para entender desde a grande diversidade da espécie humana e as causas genéticas de algumas formas de deficiência mental e, ainda , solucionar um mistério que intriga oncologistas: a suscetibilidade ao câncer

Cada gene tem variações naturais, como, por exemplo, as que determinam a cor do olho, castanho, azul, etc. Essas variações são chamadas de alelos e, na escola, é ensinado que herdamos dois alelos de cada gene, um da mãe e outro do pai. O que os cientistas estão descobrindo é que às vezes herdamos o mesmo alelo repetido três, quatro ou até seis vezes de um genitor. Ou então, trechos inteiros de DNA, com vários genes, repetidos várias vezes. Essas variações podem ser herdadas ou aparecer de novo, isto é, esporadicamente. São chamadas de copy number variations (variação no número de cópias, CNVs, na sigla em inglês) e podem explicar casos de retardo mental, suscetibilidade ao câncer e talvez até características individuais. 
Cientistas como Carla Rosenberg, do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo (USP), acreditam que os CNVs podem abrir caminho para entender desde a grande diversidade da espécie humana e as causas genéticas de algumas formas de deficiência mental e, ainda , solucionar um mistério que intriga oncologistas e estudiosos do câncer. Cerca de 10% dos casos de câncer são os chamados cânceres familiais, em que um gene defeituoso é passado de pais para filhos, aumentando exponencialmente o risco de aparecimento da doença. É o caso das famílias afetadas pela síndrome de mama e de ovário, síndrome de Li-Fraumeni ou de algumas formas de câncer de cólon. Os outros 90% são esporádicos, afetam qualquer pessoa. 
O que talvez possa explicar essa maior suscetibilidade ao câncer ou certas deficiências mentais como na síndrome de Down seja o copy number variations, variações de tamanho num dado segmento de DNA, na maior parte das vezes provocadas por deleções (perdas) ou duplicações desses trechos. “Essas variações só puderam ser detectadas mais recentemente, por causa de uma nova técnica que permite comparar segmentos pequenos de DNA de vários genomas . Até então, os exames disponíveis só conseguiam detectar variações grandes. Foi o grau de resolução dessas técnicas que aumentou”, explica a pesquisadora da USP. 
Atualmente existem várias técnicas que permitem a comparação do material genético, como o Fish (hibridação in situ fluorescente), que permite identificar trocas de trechos de cromossomos, bem como deleções e duplicações de grandes porções de DNA. Temos a chamada hibridação comparativa do genoma em arrays (CGH), técnica que está permitindo esse aumento de resolução mencionado. O teste permite detectar essas alterações em trechos de DNA pequenos, de até 200 bps – 200 pares de bases A,T, C e G, que compõem a molécula. 
Nessa técnica, trechos do DNA que se quer examinar e trechos normais que servem de referência são marcados por substâncias fluorescentes de cores diferentes (verde e vermelho) expostos a milhares de sonda – pedacinhos de DNA complementares às seqüências do genoma conhecidas. Calcula-se então a intensidade da fluorescência produzida em relação à do DNA que serve de referência e o resultado indica as alterações de número de cópias de determinado segmento naquela região do genoma. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Perus Selvagens Invadem Nova York

Dezenas de perus selvagens invadiram recentemente as ruas da costa oriental de Staten Island, região de Nova York, EUA. Mesmo que bandos de perus sejam ocasionalmente vistos em áreas arborizadas em torno da cidade, os bairros adjacentes de Dongan Hills e South Beach marcam o único ponto onde perus selvagens têm se tornado um incômodo crescente, de acordo com a Secretaria Estadual de Conservação Ambiental. Há pelo menos 100 deles na região. 
Os moradores se queixam que os perus comem seus arbustos e vegetais do jardim, assustam crianças pequenas e roubam biscoitos de suas mãos, acordam famílias antes do sol nascer e atravessam as ruas em bandos que parecem despreocupados com os motoristas impacientes.
Até agora o Estado tem tentado, sem sucesso, evitar o aumento da população com a busca de seus ninhos e ovos. Moradores foram aconselhados a assustar os perus com mangueiras de água. Nada funcionou. Um levantamento da área afetada, realizado pelo Estado em janeiro, descobriu que 61% dos entrevistados relataram ter visto perus diariamente, 57% temiam acertar um com seus carros e cerca de metade disse que tinham que limpar os excrementos dos animais.
O Estado rejeitou os esforços para transferir os animais para municípios mais rurais, onde normalmente vivem – mas onde os oficiais temem que os rebanhos de Staten Island não possam se ajustar bem após aclimatação a um habitat humano. Os perus também não podem ser caçados porque eles são protegidos por lei dentro dos limites da cidade.
Como perus selvagens chegaram a Staten Island é um assunto polêmico. Moradores muitas vezes falam de fazendas de ovelhas e vegetais que existiam na ilha há 50 anos. Mas oficiais do Estado insistem que os perus não são indígenas e que, em 2000, nove perus foram trazidos para a ilha "por um residente". Os perus, desde então, multiplicaram-se.
A cabeleireira Mary Jane Froese, 64, ficou tão nervosa com os perus que decidiu juntar provas para comprovar suas queixa. Recolheu seus excrementos e penas, colocou tudo em oito sacos de plástico e pesou na balança do banheiro. O total passou de 50 kg. "Adoro os animais e não quero que eles sejam mortos sem motivo", disse Mary Jane conforme quatro perus passavam por sua calçada. "Quero que eles sejam colocados em outro lugar – no norte do Estado."
Fonte: Portal iG

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Como Saber Quando um Animal Está em Extinção?

Encontrado apenas na ilha da Tasmânia, na Austrália, o Demônio da Tasmânia passou do status de
Encontrado apenas na Austrália, o Demônio da Tasmânia passou do status de "pouco preocupante" para "em perigo"

"Um animal é considerado extinto quando deixa de existir, seja na natureza ou em cativeiro, por causas naturais ou pela ação do homem. Mas, para dizer que uma espécie está em extinção, não basta saber a quantidade geral de indivíduos que existem na natureza", explica Kátia Rancura, bióloga da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Essa classificação é mais complexa e feita com base em critérios adotados pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), mais antiga organização internacional de preservação do meio-ambiente. Segundo a IUCN, as espécies podem ser classificadas em oito categorias: extinta, extinta na natureza, criticamente em perigo, em perigo, vulnerável, quase ameaçada, pouco preocupante e deficientes em dados. Se a espécie foi classificada em uma das duas primeiras categorias é considerada extinta, se está entre vulnerável e criticamente em perigo, corre risco de extinção.
Para se chegar a uma dessas categorias, são levados em conta os seguintes critérios: 1 - Quanto a população diminuiu durante o espaço de três gerações ou qual é a projeção de declínio populacional para as próximas três gerações; 2 - Extensão de ocorrência e tamanho da área que ocupa; 3 - Tamanho da população de indivíduos maduros (prontos para a reprodução); 4 - Análises quantitativas que mostram a probabilidade de extinção na natureza nas próximas três gerações. 
Com base nesses critérios, desde 1994 a IUCN publica a chamada Lista Vermelha, um documento que detalha a situação de 45 mil espécies de animais, plantas e fungos. A última lista, lançada em 2008, classifica 10.500 espécies como ameaçadas. Entre os animais vertebrados, 10% de todas as espécies conhecidas correm o risco de desaparecer.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Respeitável Mundo das Plantas

Assim como nós, humanos, e os demais animais, as plantas são seres vivos complexos que lutam pela sobrevivência. Mas por que é tão difícil incluí-las na esfera moral?



Segundo os botânicos norte-americanos Elisabeth Schussler e James Wandersee, sofremos de plant blindness, algo como "daltonismo de plantas". Trata-se da incapacidade de enxergá-las como parte importante e fundamental da biosfera, tornando-as inferiores aos animais e desmerecedoras da consideração humana. A principal hipótese para o fenômeno é que humanos tendem a prestar menos atenção nas plantas devido às diferenças em sua distribuição espacial, movimentação, coloração e percepção de perigo, além de pouca familiaridade com elas. "Os animais estão mais próximos dos humanos e podemos ver algumas das nossas características neles. Isso não ocorre com as plantas". argumenta o biólogo Matthew Hall, do Jardim Botânico Real de Edimburgo, no Reino Unido, autor do livro Plants As Persons: A Philosophical Botany (Plantas Como Pessoas: Uma Botânica Filosófica).
Sim, elas são muito diferentes de nós, a começar por suas prioridades na vida. O botânico Francis Hallé, que também estuda o comportamento humano em relação a plantas, argumenta que prestamos pouca atenção a elas por vivermos em sociedades zoocêntricas ou antropocêntricas. Identificamo-nos com os animais, uma vez que as plantas parecem viver alheias a nossa realidade. Pensando desse modo, o cientista francês acha que o caminho para reverter tal situação é aumentar o conhecimento acerca da fisiologia das plantas, enfatizando como elas são totalmente diferentes dos humanos e do resto dos animais e que, por isso, merecem admiração e respeito.
O argumento mais comum do porquê de as plantas não serem incluídas no pensamento moral é que elas não são sencientes, capazes de sentir. Tendo isso em vista, vários cientistas tentaram provar a senciência das plantas e até mesmo suas propriedades paranormais. O pioneiro foi o indiano Jagadish Chandra Bose (1858-1937), cujos experimentos mostraram que as plantas crescem mais rapidamente ao som de música calma e mais devagar quando expostas a ruídos. Ele também estudou como as estações do ano e estímulos químicos influenciavam as plantas. A partir da análise da variação da membrana celular das plantas em situações diferentes, advertiu que os vegetais podiam sentir dor e entender o afeto.
Cada vez mais, os estudos em botânica evidenciam comportamentos "inteligentes" em plantas, mostrando que elas estão longe da antiga concepção de serem seres com respostas simples a estímulos. Por sua complexidade de desenvolvimento, alguns autores, como Anthony Trewavas, do Instituto de Biologia Celular e Molecular da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, lhes atribuem o adjetivo "inteligente". "Elas são autônomas. Percebem seu ambiente e interagem inteligentemente com ele. Vivem de forma ativa e são fundamentais para a sobrevivência humana.
Richard Firn, do Departamento de Biologia da Universidade de York, no Reino Unido, critica a comparação entre as habilidades das plantas e as dos animais. Para ele, essa associação deveria ser feita entre espécies de vegetais e não entre organismos distintos. Além disso, a atribuição de características animalescas e humanas pode ter sentido distorcido quando dirigida às plantas. Uma de suas críticas é contra a afirmação de que as plantas são inteligentes. Em seu ponto de vista, o conceito de inteligência popularmente aceito se refere à mentalidade, à razão e ao poder de escolha. Ao usar essa nomenclatura, com outra definição implícita, causa-se um ruído na comunicação. Trewavas usa o conceito de inteligência proposto por David Stenhouse, que remete à capacidade de ser flexível e se adaptar ao meio durante a vida, uma denotação que pode se adequar às plantas.
Firn defende que faltam termos de linguagem que especifiquem corretamente o que as plantas fazem. Como estamos limitados à língua, fazemos associações indevidas. "Se novas palavras são necessárias para descrever como as plantas vivem, então, talvez devêssemos inventar novos termos em vez de tentar redefinir os já existentes", escreve em Plant Intelligence: an Alternative Point of View.
Independentemente da nomenclatura e do desenvolvimento das pesquisas biológicas no futuro, as plantas são seres mais complexos e mais flexíveis do que imaginamos. Elas têm mecanismos sábios para lidar com predadores e conseguir nutrientes. Uma vez que não podemos viver sem matá-las, já que nos são essenciais, Hall propõe que pensemos sobre nossa responsabilidade com elas.
O objetivo é diminuir os maus-tratos e a matança desnecessária, que destrói hábitats e põe em risco não só a flora, mas a fauna. "Para mim, é preciso haver respeito e responsabilidade sobre a vida das plantas. Evitar atitudes que possam causar mais desmatamento. Planejar melhor nossos sistemas de produção de alimento. Talvez não seja necessária tanta destruição. A agricultura gera grande impacto na vida das plantas e, consequentemente, na saúde dos hábitats que sustentam a nossa vida", reflete Hall.
Veja também no Biorritmo: Investigando a vida secreta das plantas (23/11/2010)
Fonte: Revista Planeta ed.469 (adaptado)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Ilustração Científica em Destaque


Desenhos ou pinturas são usados para representar diversos objetos científicos. No Estúdio CH desta semana, o biólogo Marcos Antônio dos Santos Silva, da Universidade de Brasília, explica por que a ilustração científica ainda é relevante hoje em dia, na era digital. 
Em entrevista a Fred Furtado, Silva conta que é difícil dizer quando surgiu a ilustração científica, pois há vários momentos na história que podem ser considerados como a origem desse tipo de arte. Um dos primeiros exemplos são os registros presentes nos herbários dos gregos antigos. 
Silva, que coordena o Núcleo de Ilustração Científica da UnB, afirma que essas representações ainda são bastante necessárias, mesmo com o advento da fotografia digital, pois permitem, por exemplo, que o artista realce detalhes que não seriam prontamente vistos em uma foto. 
Segundo o biólogo, esse tipo de arte encontra demanda em vários campos, como em revistas científicas que publicam artigos sobre novas espécies, teses, trabalhos de iniciação científica e na divulgação da ciência. Silva fala ainda sobre a formação necessária para o ilustrador científico e a situação dessa arte no Brasil.
Para ouvir a entrevista completa clique no link abaixo:

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Novos Testes de Identificação do Vírus HPV


Pela primeira vez desde o fim da década de 40, quando o exame de papanicolau entrou para a prática médica, surge uma tecnologia tão ou mais eficaz na prevenção ao câncer de colo do útero. Desenvolvido na década de 20 pelo médico grego George Papanicolau, pesquisador da Universidade de Cornell, Nova York, o exame tradicional para detecção desse tipo de câncer apresenta um índice de resultados falsos negativos de 10%.  Isso significa que de cada 100 testes realizados, 10 apresentam resultados falsos negativos – ou seja, as células tumorais estão lá, mas passam despercebidas. É um índice de falha alto, quando se considera, sobretudo, o elevado número de vítimas de câncer de colo uterino no país. Todos os anos 20.000 brasileiras recebem o diagnóstico da doença  e 5.000 morrem em decorrência dela.
Uma nova geração de testes tem conseguido reduzir a margem de erro para 1%. Por serem totalmente automatizados, esses exames praticamente eliminam o risco de erro humano. Eles conseguem detectar a presença do vírus HPV (Vírus do Papiloma Humano) antes de qualquer modificação na arquitetura das células do colo do útero. Transmitido principalmente nas relações sexuais, o HPV está associado a 99% dos casos de câncer de colo uterino. Além de indicarem a contaminação, os exames mais modernos  são capazes de determinar o tipo de HPV responsável pela infecção (existem cerca de 140 deles) e, com isso, a probabilidade de a paciente vir a desenvolver um tumor maligno. Ao esquadrinharem o material genético do vírus, antecipam o diagnóstico da doença em 20 anos  (o método tradicional só é capaz de identificá-la 10 anos antes).
De cada 100 mulheres submetidas ao papanicolau, 3 apresentam alguma lesão celular. Essas pacientes passam, então, por uma colposcopia, que utiliza uma lente de aumento para localizar a região do colo do útero da qual deve ser retirado o material para biópsia. Em caso de câncer, a área doente é cauterizada ou removida cirurgicamente. Com os novos exames, a lógica de investigação é inversa. Primeiro, procura-se o vírus. O resultado positivo para os tipos mais perigosos de HPV, especialmente os de números 16 e 18, serve de alerta para o ginecologista.
Desde 2009, o exame molecular automatizado do HPV já é usado no sistema público de saúde de vários países da Europa. Por aqui, a nova tecnologia já está disponível apenas em certas clínicas particulares e custa 90 reais, o equivalente ao cobrado hoje pelo papapnicolau em laboratórios privados. Para os padrões do nosso SUS (Sistema Único de Saúde), que paga 7 reais pelo exame tradicional, 90 reais representam uma fortuna. A expectativa é que, com a disseminação da técnica, seu preço caia para 10 reais, num processo semelhante ao ocorrido com o teste de HIV, que chegou ao país em 1996 pelo equivalente a 255 reais e hoje custa 20 reais.
Até recentemente, a infecção pelo HPV era considerada um problema tipicamente feminino. Um artigo publicado na revista científica Lancet derrubou essa tese. Ao acompanhar  1.159 homens aparentemente sem nenhum problema de saúde, entre 18 e 70 anos, pesquisadores brasileiros, americanos e mexicanos constataram que 50% dos voluntários estavam contaminados  pelo HPV - entre os pacientes masculinos é de câncer de pênis, um tumor raro.
 Mesmo com a adoção de novas tecnologias para detecção do vírus HPV, o método de papanicolau ainda se faz imprescindível, pois é necessário confirmar se o tipo de vírus identificado causou ou não alterações nas células uterinas após um periodo de um ano. Apesar de Papanicolau ter associado as alterações morfológicas observadas nas células do colo uterino ao câncer nos anos 30, somente na década de 70 que a relação entre a doença e o HPV veio a ser estabelecida pelo médico alemão Harald zur Hausen, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina  de 2008 pela descoberta.