quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mudança no Perfil Epidemiológico das Populações Indígenas


Mais de 50% da população indígena feminina já sofre com a obesidade
Mudança epidemiológica tem levado para as aldeias do país problemas como obesidade, hipertensão arterial e diabetes

Segundo dados do Censo 2010, hoje no Brasil vivem mais de 800 mil índios (cerca de 0,4% da população brasileira), distribuídos em 688 terras indígenas e algumas áreas urbanas. Os números não mensuram os dados que consideram a mais recente característica dessa população: o perfil epidemiológico e nutricional dos povos indígenas vive um cenário de transição.
Alterações nos padrões alimentares e de atividade física têm provocado drásticas transformações na saúde desse grupo, levando para as aldeias problemas como obesidade, hipertensão arterial e diabetes. A afirmação faz parte dos resultados do 1º Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, uma realização da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social de Combate à Fome e sob a coordenação do pesquisador da ENSP e editor da revista Cadernos de Saúde Pública Carlos Everaldo Álvares Coimbra Júnior, com participação dos pesquisadores Andrey Moreira Cardoso e Ricardo Ventura Santos.
A hipertensão arterial se faz presente como consequência dessas mudanças e já é sinalizada como uma questão de saúde importante relacionada às mulheres indígenas, uma vez que atinge mais de 15% delas. Outro fator que é motivo de cuidados é a obesidade, que afeta mais de 50% da população indígena feminina. As crianças, por sua vez, apresentam desnutrição, diarreia, anemia e carteira de vacinação desatualizada.
O trabalho, embora revele situações que deixam as autoridades de saúde em alerta, comprova a preocupação maior em analisar os hábitos e aspectos relacionados à saúde da população indígena. E as pesquisas são abrangentes, reconhecidas nos estudos desenvolvidos na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) ao se tornarem objeto de diversas linhas de pesquisa e tema de dissertações de mestrado, como também teses de doutorado dos alunos na pós-graduação. Doenças respiratórias, doenças infecciosas, saúde de mulheres adultas e crianças, além das próprias mudanças socioambientais são exemplos de alguns dos trabalhos realizados.

O Inquérito Nacional

“O objetivo principal dessa pesquisa foi descrever a situação alimentar e nutricional das populações indígenas presentes em todas as macrorregiões do país. É a primeira vez que se tem uma pesquisa de base populacional e estatisticamente representativa dos povos indígenas das diversas macrorregiões do país”, afirmou o coordenador Carlos Coimbra. Com foco nas crianças menores de 60 meses e nas mulheres entre 14 e 49,9 anos, a investigação cobriu uma amostra de mais de 100 aldeias, nas quais foram entrevistados milhares de domicílios, mulheres e crianças.
O perfil de saúde e nutrição das mulheres indígenas, nas regiões Centro-Oeste e Sul/Sudeste, determina que a hipertensão arterial merece ser compreendida como uma questão de saúde significativa. “Os achados para esse grupo de mulheres evidenciam não apenas diferenças inter-regionais importantes, como também sugerem a ocorrência de um acelerado processo de transição em saúde nas várias macrorregiões, ainda que em graus distintos. As mulheres indígenas que vivem na macrorregião Norte apresentam menores níveis de escolaridade e maior quantidade de filhos. Os resultados também apontam para um perfil de saúde, referente às mulheres do Norte, em que sobrepeso, obesidade e níveis tensionais se mostram menos frequentes e mais baixos que nas demais macrorregiões”, destacou Coimbra.

Perfil das crianças

Ao abordar a questão das crianças, o pesquisador admitiu que os resultados do inquérito confirmam, em escala nacional, que a desnutrição, avaliada por meio do indicador baixa estatura para idade, traduz-se como um problema de enorme magnitude no Brasil, atingindo uma em cada três crianças indígenas. Na população residente na macrorregião Norte, as prevalências foram de mais de 40%. “Se levarmos em conta outros parâmetros nutricionais, como anemia, fica evidente a precária situação nutricional das crianças indígenas, que alcança mais de 50%”, ponderou.

Doenças respiratórias

A mudança de perfil da população indígena requer melhoria nas condições de moradia e saneamento. Em sua tese de doutorado, o pesquisador da ENSP Andrey Moreira Cardoso confirmou que modificações relacionadas a alguns aspectos da vida desse grupo interferem na prevalência de doenças respiratórias agudas. “É possível identificar claras iniquidades em saúde nos povos indígenas se comparados aos demais segmentos sociais, sendo mundialmente vulneráveis às infecções respiratórias agudas (IRA)”, revelou.
Em seu estudo, Andrey acompanhou 6.483 indígenas Guarani, contabilizando 666 hospitalizações concentradas em 497 indivíduos – a maioria em crianças na faixa etária abaixo de 5 anos (71,9%). E o pesquisador analisa: "As doenças respiratórias foram as principais causas de hospitalização (64,6%), sobretudo em menores de 5 anos (estes representaram 77,6%; menores de 1 ano, 83,4%). A taxa de hospitalização por IRA em menores de 5 anos foi de 23,7/100 pessoas-ano, superando em 7,4 e 5,4 vezes as taxas de hospitalização por diarreia e por outras causas, respectivamente".
A tese enfatiza também situações consideradas como fatores de risco expressivos para doenças respiratórias agudas, tais como: não ter salário fixo na família; baixa idade materna; dormir no chão; número de crianças menores de 5 anos adicionais no domicílio; localização do fogo principal no interior do domicílio sem divisória de cômodo. “Os resultados indicam condições de vulnerabilidade relacionadas à pobreza e a piores condições socioeconômicas, habitacionais, nutricionais e de atenção à saúde. Intervenções para minimizar essas iniquidades devem ser pautadas na garantia da subsistência, na redução da pobreza e da fome, na promoção de ambientes saudáveis e na atenção primária de qualidade”, justificou.

Fonte: Informe da ENSP (em 19/04/2012)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mensageiros? Que Nada!


Como o pombo-correio sabe para onde ele deve levar a mensagem?  Neurofisiologista diz tratar de uma estratégia adaptativa. Os pombos-correio possuem uma moradia fixa e procuram sempre voltar para esse abrigo, onde encontram proteção, alimento e os membros de seu bando


O pombo-correio não leva uma mensagem espontaneamente a um determinado destino, como muita gente pensa. Ao invés disso, ele é transportado de seu local de origem até um certo ponto de partida, de onde ele saberá como retornar à sua casa. "É um mecanismo natural que ele tem. Trata-se de uma estratégia adaptativa, ou seja, um resultado da seleção natural. Alguns animais são nômades, outros, migratórios. Já os pombos-correio possuem uma moradia fixa e procuram sempre voltar para esse abrigo, onde encontram proteção, alimento e os membros de seu bando", diz o professor Ronald Ranvaud, que ministra as disciplinas de Neurofisiologia e Ciências Cognitivas no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). "Na etologia, que engloba os estudos de comportamento, isso é chamado de fidelidade ao sítio de origem", complementa. Ele conta que, além dessa característica, esses animais apresentam também um comportamento gregário, o que significa que não são solitários e, por isso buscam estar sempre juntos a um bando.
Os pombos-correio são da mesma espécie dos pombos comuns que se veem nas ruas, mas pertencem a uma raça diferente. Seu porte é maior e possuem uma carúncula mais acentuada na base do bico. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, eles foram bastante utilizados para o envio de mensagens, como um recurso alternativo de comunicação. "Documentos da época mostram caminhões que serviam como pombais móveis. Mesmo que eles fossem levados a lugares diferentes a cada dia, desde que não muito distantes do local de origem, os pombos conseguiam voltar", conta o professor. Ronald explica que as mensagens ou encomendas são geralmente amarradas na perna do animal, ou colocadas em um tipo de mochila especial. Hoje em dia, essas aves ainda são utilizadas como mensageiras. "Até recentemente, o exército russo mantinha uma 'divisão' para pombos-correio. Na Inglaterra, há cerca de dez anos, um hospital os usava para levar amostras ao seu laboratório, por ser um transporte mais rápido, que não precisa enfrentar o trânsito. E faz parte do folclore que elas também sejam usadas no contrabando de drogas e diamantes".
Mas não é qualquer pombo que se pode usar como mensageiro. Se pegássemos um exemplar na rua e o levássemos para um local desconhecido, ele provavelmente conseguiria voltar para casa - mas existe uma limitação. "Se o animal for afastado cerca de 15 km de onde vive, por exemplo, ele certamente saberia encontrar o caminho de volta. Mas se essa distância exceder uns 50 km, ele dificilmente voltaria, pois precisaria ter um porte de atleta", diz Ronald Ranvaud. Por isso, os pombos-correio são treinados desde pequenos a voar longas distâncias para ganhar resistência e não se perderem. O treinamento começa a ser realizado a partir do momento em que o animal aprende a voar, geralmente aos 30 a 45 dias de vida. "Inicialmente, ele faz voos livres todos os dias, não se afastando muito do pombal. A partir dos três meses de idade, já se pode afastá-lo uns 30 km de sua casa que ele saberá voltar", conta o professor. Aos poucos, as distâncias vão aumentando e as direções para onde é levado também são diversificadas. "Cada uma dessas ocasiões representa um aprendizado", explica o professor.
Para se guiar no caminho de volta, os pombos possuem três habilidades fundamentais: a visão, pela qual localiza o Sol e identifica sua posição (leste, oeste e norte); o relógio interno, por meio do qual identifica o período do dia (manhã, meio-dia, tarde, noite); e a memória, que ele utiliza para aprender a relação entre a posição do Sol e o horário. "O Sol muda de lugar ao longo do dia: de manhã, indica o leste; ao meio-dia, o norte (no hemisfério sul); de tarde, oeste. Funciona como uma bússola", diz Ronald. "Mas para usar o astro como bússola, é essencial ter um relógio para saber qual a sua posição a cada hora do dia". Para comprovar a importância dessa relação, o professor cita um experimento onde um pombal é colocado dentro de um laboratório sem janelas durante uma semana. A luz é ligada todos os dias na posição onde nasce o Sol, mas com seis horas de atraso, ou seja, ao meio-dia, e desligada também seis horas depois que ele se põe, à meia-noite. "Se depois disso, o pombo for levado a uma distância pequena e liberado ao meio-dia, a ave vai olhar para o Sol e achar que são seis da manhã, porque seu relógio interno está atrasado. Então interpretará que a posição indicada pela luz é o leste, quando na verdade é o norte. Então é como se ele virasse o mapa 90 graus para a esquerda", comenta. Apesar disso, alguns conseguem voltar, mesmo que levem alguns dias, pois, aos poucos, seu relógio e sua bússola internos vão se ajustando. "É como o jet lag, a gente leva uns dias para se adaptar", diz Ronald.
Atualmente, além de transportadores de mensagens e encomendas, os pombos-correio são usados em competições chamadas columbofilia. Esses torneios mostram que é muito difícil definir a distância máxima que esses animais conseguem percorrer no caminho de volta para seu abrigo. "Há uma prova na Europa em que eles partem de Barcelona e chegam à Bélgica, percorrendo quase mil quilômetros. No Brasil, há uma em que saem de Brasília e chegam a São Paulo, ou seja, são mais de 900 quilômetros e tem pombo que voltou no mesmo dia. Alguns deles voam direto, sem paradas. Outros até param para beber água, por exemplo, depende da condição de cada um". E muitos deles não voltam: ou porque se perdem, ou porque são capturados por predadores, como o gavião.
Além dos pombos, outros animais também possuem essa capacidade. "Praticamente todos eles conseguem encontrar o caminho de volta para casa, em maior ou menor grau", diz Ronald. "As abelhas fazem isso o tempo todo. Os gatos também conseguem. Se o seu dono tenta abandoná-lo levando-o para longe, depois de alguns dias ou semanas ele estará de volta em casa. Foi feita uma experiência com albatrozes no sul do Havaí, levando-os para regiões como Califórnia, Alaska e Japão, e a maioria retornou, de distância de 3 mil até 6 mil quilômetros".

domingo, 27 de maio de 2012

Será o Fim da Picada?

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology desenvolveram um novo dispositivo capaz de injetar medicamentos sem o uso de agulhas hipodérmicas.
Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram um novo dispositivo capaz de injetar medicamentos sem o uso de agulhas hipodérmicas.
A abordagem, que entrega um líquido por meio de um jato de alta velocidade que rompe a pele com a velocidade do som, permite entregar vários medicamentos simultaneamente, melhora a adesão dos pacientes e reduz o risco de picadas acidentais.
Nas últimas décadas, os cientistas desenvolveram várias alternativas para agulhas hipodérmicas. Por exemplo, adesivos de nicotina que lentamente liberam drogas através da pele. No entanto, essas opções só podem liberar pequenas moléculas de droga para passar através dos poros da pele, limitando o tipo de medicamento que pode ser entregue.
Para permitir a entrega de drogas baseadas em grandes proteínas, os investigadores desenvolveram novas tecnologias incluindo injetores a jato, que produzem um jato de alta velocidade e entregam drogas que penetram na pele.
Embora existam vários dispositivos baseados em jatos no mercado, os pesquisadores observam que existem desvantagens para estes dispositivos disponíveis comercialmente. Os mecanismos que eles usam, principalmente em projetos de mola, são essencialmente tudo ou nada, liberando uma bobina que ejeta a mesma quantidade de droga a uma mesma profundidade cada vez.
Agora a equipe do MIT, liderada por Ian Hunter projetou um sistema de injeção a jato que proporciona uma gama de doses a profundidades variáveis de uma maneira altamente controlada.
O projeto é construído em torno de um mecanismo que consiste em um ímã pequeno e poderoso cercado por uma bobina de fio que é ligada a um pistão no interior de uma ampola da droga. Quando a corrente é aplicada, ele interage com o campo magnético para produzir uma força que empurra o êmbolo para frente, ejeta a droga a uma pressão e velocidade muito elevadas através do bico da ampola.
A velocidade da bobina e a velocidade transmitida para a droga pode ser controlada pela quantidade de corrente aplicada por meio de ondas.
Através de testes, o grupo descobriu que vários tipos de pele podem exigir formas de onda diferente para fornecer volumes adequados de drogas para a profundidade desejada.
A equipe também está testando o desenvolvimento de uma versão do dispositivo para administração transdérmica de drogas normalmente encontradas na forma de pó, transformando o pó em uma forma de "leite fluidizado" que pode ser entregue através da pele muito semelhante a um líquido.
Fonte: Isaude.net

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Seguindo a Nossa Pegada Ecológica


A Pegada Ecológica traça uma comparação entre o consumo humano e a capacidade da natureza de suportá-lo. O resultado dessa conta é o indicador do impacto ambiental que cada um exerce sobre o planeta.

A pegada ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras, a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar. Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceano, florestas, áreas construídas) e as diversas formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transportes e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta. Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares, Além disso, é preciso incluir áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.
A pegada ecológica não é uma medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver esta de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos. Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações.
A população brasileira já ultrapassou o que seria considerada uma Pegada Ecológica per capita máxima. Enquanto o valor calculado para garantir a sustentabilidade é de 2,1 hectares/ano por pessoa, a média brasileira é de 2,4 hectares/ano por pessoa. É o que revela o estudo “living the planet” da rede WWF divulgado em 2008. As cinco maiores pegadas per capita nacionais são dos Emirados Árabes, dos Estados Unidos, do Kwait, da Dinamarca e da Austrália. As cinco menores pertencem a Maláui, ao Afeganistão, ao Haiti, ao Congo e a Bangladesh.

Composição da Pegada Ecológica

TERRA BIOPRODUTIVA: Terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto.
MAR BIOPRODUTIVO: Área necessária para pesca e extrativismo.
TERRA DE ENERGIA: Área de florestas e mar necessária para absorção de emissões de carbono.
TERRA CONSTRUÍDA: Área para casas, construções, estradas e infra-estrutura.
TERRA DE BIODIVERSIDADE: Áreas de terra e água destinadas a preservação da biodiversidade.

A Pegada Ecológica traça uma comparação entre o consumo humano e a capacidade da natureza de suportá-lo. O resultado dessa conta é o indicador do impacto ambiental que cada um exerce sobre o planeta.
Esse cálculo tenta mensurar conseqüências ambientais de simples atitudes do dia-a-dia até impactos maiores causados pelo desenvolvimento industrial. Assim, pela Pegada Ecológica é possível avaliar como a nossa alimentação, a energia que utilizamos, a maneira pela qual nos transportamos, entre outros fatores, impactam o meio ambiente.
De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas. Suas pegadas são maiores, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta da geração de resíduos. Como a produção de bens e consumo tem aumentado significamente, o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual. Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a “capacidade” do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.
Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva anual da Terra. Mas em 19 de dezembro de 1987 foi a primeira vez em que se registrou um nível de consumo de recursos maior do que o planeta é capaz de renovar no período de doze meses.
Desde então, esse cálculo marca o dia do ano em que a humanidade já usou todos os recursos que a natureza irá gerar no período de 12 meses – o chamadoEarth Over Shoot Day”.
Também chamada de Dia "D" do Consumo, a data de esgotamento dos recursos terrestres acontece cada vez mais cedo. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E em 2007 chegou à marca histórica de 6 de outubro. Em 2008, esse dia foi 23 de setembro. 
Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo, que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.
O relatório Living Planet 2008 (Planeta Vivo), divulgado em outubro de 2008 pela organização internacional WWF, afirma, com base em cálculos realizados a partir da Pegada Ecológica, que a partir de 2030 a demanda por recursos naturais será o dobro do que a Terra pode oferecer, caso o modelo atual de consumo e degradação ambiental não seja superado. Atualmente, já demandamos 30% a mais da capacidade do planeta.
 Fonte:  site Mudanças Climáticas

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aves à Vista


Associação nacional recém-criada promete facilitar a vida dos adeptos da observação de pássaros na natureza, bem como estimular essa prática e a preservação de ecossistemas no país.

Há quem viaje longas distâncias com o objetivo exclusivo de avistar pássaros em liberdade. Ornitólogos e entusiastas dessa prática podem contar agora com uma entidade nacional que pretende criar instrumentos para estimular, facilitar e difundir a atividade no país. Inaugurada em outubro de 2011, a Associação Brasileira de Observadores de Aves (Aboa) já reúne mais de 600 membros.
Estranhamente, o Brasil ainda não tinha uma instituição de âmbito nacional com esse propósito – mesmo sendo o segundo país com maior biodiversidade de aves no mundo. As iniciativas resumiam-se a grupos regionais com limitada atuação e, em geral, pouca estrutura.

A ideia, embora concretizada somente no ano passado, já vinha sendo discutida desde 2010, quando o ornitólogo SandroVon Matter lançou Ornitologia e conservação: ciência aplicada, técnicas de pesquisa e levantamento, o primeiro livro editado no Brasil sobre métodos de pesquisa com aves, considerado um marco para a ornitologia nacional.
Atualmente o país mais cobiçado em relação à observação de aves é a Colômbia, com 1.819 espécies registradas (72 das quais são endêmicas). O Brasil fica em segundo lugar, com 1.757 espécies (211 endêmicas). Em seguida vêm Peru, Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina – o que faz da América do Sul um dos destinos mais bem cotados para viajantes determinados a contemplar aves.
Em território brasileiro, ao contrário do que se imagina, o bioma mais abundante em diversidade de aves endêmicas não é a Amazônia, e sim a floresta atlântica. Não por acaso, os grupos mais ativos de observadores de aves localizam-se na região Sudeste do país. “A prática de observar aves como uma atividade de lazer diferenciada é muito difundida no mundo todo, mas, ironicamente, no Brasil ela ainda é bastante tímida”, avalia Von Matter.
 Soldadinho-do-araripe (‘Antilophia bokermanni’), ave raríssima que habita a região da chapada do Araripe, no Nordeste brasileiro. A espécie foi catalogada somente em 1996 e atualmente está em estado crítico de conservação.

Também está na agenda da associação difundir a observação de aves na mídia – afinal, a atividade é considerada importante aliada do desenvolvimento sustentável, especialmente quando o assunto é ecoturismo. “Visamos à proteção dos ecossistemas a que as aves pertencem, assim como à mudança de atitude das pessoas, ao oferecer a alternativa saudável de apreciar aves em liberdade a grupos que no passado as aprisionavam”, diz o fundador da Aboa.
O próximo passo é incluir o assunto na pauta da Rio+20. A propósito, a Aboa pretende realizar seu primeiro encontro oficial durante a conferência, quando serão discutidas estratégias de conservação de aves e seus biomas.
Von Matter cita ainda um exemplo interessantíssimo de como a observação de pássaros pode render mudanças sociais significativas: o projeto Birds as peacemakers in the Middle East. “Essa iniciativa conseguiu nada menos que unir israelenses e palestinos em torno da preservação de aves”, diz o ornitólogo, lembrando que o projeto é um sucesso há 15 anos.
“Por que não utilizar essa prática para trabalhar a criminalidade em comunidades carentes?”, sugere o fundador da Aboa. “Podemos oferecer aos jovens um curso de formação de guias de observação de aves. Esse é um dos próximos objetivos de nossa entidade.”
A observação de pássaros, internacionalmente conhecida como birdwatching, movimenta bilhões de dólares todos os anos. Somente nos Estados Unidos, segundo estimativas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, são mais de 30 bilhões de dólares anuais.
Existem hoje mais de 120 agências ao redor do mundo especializadas em turismo de observação de aves. O preço médio de uma viagem curta em grupos de até 12 integrantes é de 4 mil dólares por pessoa. Algumas companhias conseguem agendar até 150 expedições por ano. No Brasil, ainda são poucas as agências exclusivamente dedicadas a esse mercado.
Fonte: Matéria da Ciência Hoje On-Line (adaptado)

domingo, 20 de maio de 2012

As Piores Epidemias da História

As carroças cheias de cadáveres, pessoas agonizando no meio das ruas, religiosos malucos. Essas foram as consequências da peste negra. Surgida na Idade Média, a doença matou metade da Europa e parte da China.

As epidemias se caracterizam pela contaminação de um grupo de pessoas muito grande, como uma cidade ou uma região, num período muito curto de tempo. Se a contaminação atingir áreas mais amplas, ela é chamada de pandemia. Na história viu-se muitas vezes a humanidade se descabelar por causa dessas doenças desagradáveis. Acredita-se que o homem criou as condições ideais para suas epidemias quando começou a domesticar animais, que já possuíam seus próprios micróbrios, ou quando começou a armazenar alimentos, prática que atraía muitos animais perigosos à saúde, sem contar a exposição a esse tipo de comida que, digamos, estariam em más condições (no mínimo). Além disso, o modo de vida contemporâneo vai desafiando cada vez mais os tipos de epidemias, que se desenvolvem em complexos cada vez mais resistentes, e como resultando elas acabam nos desafiando.
Quando se fala em quantidade de pessoas que morreram em um curto espaço de tempo, a pior epidemia foi a da peste negra, que assolou a Europa e a Ásia no século 14. Também conhecida como peste bubônica, a doença apareceu em 1348 e, em dois anos, matou um terço da população européia (estimada em 75 milhões de pessoas). A peste é transmitida por uma bactéria, que tem como vetor a pulga do rato. A vítima é picada pelo inseto e o patógeno entra no sistema sanguíneo. De lá, ela pode se alojar nos gânglios, criando os bulbos, mas também pode ir para o sangue, criando uma infecção generalizada, ou ainda comprometendo os pulmões. Quando a bactéria era responsável por uma pneumonia, passava a ser expelida pelas secreções e a doença era transmitida de uma pessoa a outra, facilitando sua disseminação. "A mortalidade foi grande porque, na época, não havia antibióticos e a população não entendia como a bactéria se disseminava", explica o infectologista Stefan Cunha Ujvari. O médico ainda conta que a bactéria nunca desapareceu, mas depois de varrer a Europa continuou vivendo nos ratos e, de tempos em tempos, causava pequenos surtos da doença. Até hoje é possível encontrar a peste bubônica em algumas regiões do mundo, mas atualmente ela é facilmente curada com a ajuda de antibióticos.
Outra epidemia importante é a que dizimou os povos indígenas nas Américas. Quando os europeus chegaram ao Novo Continente, trouxeram consigo doenças desconhecidas dos nativos, como a varíola, o sarampo e a gripe. "As pessoas não dão muita ênfase a essa epidemia porque ela foi progredindo e durou um grande período de tempo. Mas entre os séculos 16 e 19, essas três doenças mataram mais de 80% da população indígena do continente", afirma Stefan. 
Também entra no ranking de epidemias mais mortais a da gripe espanhola, que surgiu em 1918. "Há polêmica sobre o número de vítimas que o vírus causou. Mas, em dois anos, entre 20 e 40 milhões de pessoas morreram em decorrência da gripe", diz Stefan. Ele conta que a taxa de mortalidade da doença variou muito. Em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, ficou em cerca de 0,5% (muito próxima à da gripe comum), mas em nações como a Índia, até 6% dos infectados morreram. Depois de se espalhar pelo mundo, a gripe espanhola sumiu quando a população desenvolveu anticorpos, deixando de ser suscetível à doença. A partir de então, o vírus sofreu mutações e passou a causar gripes comuns. "Algo similar deve acontecer com a gripe H1N1 (a gripe suína).

sábado, 19 de maio de 2012

Estudo Questiona os Benefícios do "Colesterol Bom" Para o Coração


Estudo de pesquisadores americanos desafia suposição de que elevação do colesterol de lipoproteinas de alta densidade (HDL) reduz risco de ataque cardíaco

Estudo publicado online na revista The Lancet desafia a suposição de que a elevação de HDL - o chamado colesterol bom - necessariamente reduz o risco de um ataque cardíaco. Equipe liderada por pesquisadores do Broad Institute and Massachusetts General Hospital (MGH), nos Estados Unidos, explorou a ocorrência natural de variações genéticas em humanos para testar a conexão entre os níveis de HDL e ataques cardíacos. Ao estudar os genes de cerca de 170 mil indivíduos, a equipe descobriu que, quando analisadas em conjunto, as 15 variantes de elevação de HDL testadas não reduziram o risco de um ataque cardíaco.
Para os autores do estudo, resultados indicam que não há provas de que altas concentrações de colesterol de lipoproteinas de alta densidade (HDL) estejam diretamente vinculadas a um menor risco de ataque cardíaco.
De acordo com informações divulgadas pelo site Broad Institute, o estudo analisou o risco de ataque cardíaco em pessoas com perfil genético predisposto a altos níveis de HDL (o bom colesterol), que deveriam apresentar menores riscos de acidentes cardíacos. No entanto, após a avaliação de 12,5 mil pessoas que já sofreram um ataque cardíaco e 41 mil sem antecedentes, os pesquisadores descobriram que a associação não se mostrou efetiva.
"Estes resultados revelam que algumas formas de incrementar o colesterol HDL podem não reduzir o risco de infarte do miocárdio nos seres humanos", diz o pesquisador envolvido no estudo Sekar Kathiresan, que observa: "se um medicamento aumenta o nível do colesterol HDL, não podemos deduzir automaticamente que reduzirá o risco de infarto do miocárdio."
Fonte: Isaude.net

sexta-feira, 18 de maio de 2012