"Biologia de Garagem"

Atualmente existem pessoas espalhadas pelo mundo todo com foco em uma atividade, no mínimo, interessante: hackear organismos vivos. O chamado biohacking tem crescido e despertado o interesse de cada vez mais entusiastas. Adeptos da cultura "do it yourself" ("faça você mesmo"), o biohacking une o universo da biologia com a cultura hacker, formando a Biologia DIY (Biologia Do It Yourself). Com isso, esses entusiastas acabam gerando pesquisas independentes em "laboratórios de garagem", encabeçando projetos relevantes para a sociedade na área da ciência.

O ato de hackear está extrapolando os limites da informática e começando a invadir áreas científicas que, até então, estavam restritas a universidades e centros de pesquisas, principalmente pelo alto custo de seus métodos e equipamentos. Atualmente, existem pessoas espalhadas pelo mundo todo com foco em uma atividade, no mínimo, interessante: hackear organismos vivos. O chamado biohacking tem crescido e despertado o interesse de cada vez mais entusiastas, mas isso tem alarmado autoridades que acreditam que esse hobby pode representar uma ameaça à paz, pois temem a possibilidade da criação de novas armas biológicas.
"Biohacking parece assunto de ficção científica, mas já é realidade. No futuro, é muito provável que as crianças não estarão interessadas em modificar a configuração do computador, mas sim as propriedades biológicas do cãozinho da família."
A ideia por trás dessa atividade é unir biologia e ética hacker, usando, para isso, conceitos da cultura "do it yourself"(faça você mesmo”) e a capacidade de aprender conceitos científicos sozinho, sem a ajuda de professores. O biohacking une o universo da biologia com a cultura hacker, formando a Biologia DIY (Biologia Do It Yourself). Com isso, esses entusiastas acabam gerando pesquisas independentes e que abordam desde mudanças corporais — como a inserção de implantes magnéticos — até sequenciamento genético completo realizado em casa.
O pensamento que norteia a cabeça destes jovens é democratizar a tecnologia, mostrar que a ciência não precisa se restringir à área da universidade. Em última análise, o que eles querem é ampliar o número de experiências possíveis com menos recursos. O biohacking é essencialmente interdisciplinar, ou seja, atrai pessoas de áreas como Física, Design, Artes, Computação e Matemática, as quais juntam seus conhecimentos à Biologia para desenvolver projetos.
Assim como hackers de computadores, os interessados precisam ter um bom conhecimento no assunto para poder se aventurar em ações mais inovadoras, mas isso não significa ter doutorado em Biotecnologia.
De acordo com o site DIYBio, há mais de 80 espaços de Biologia DIY pelo mundo. A maioria está em cidades do hemisfério norte como Amsterdã (Holanda), Berlim (Alemanha), Paris (França), Nova York e São Francisco (Estados Unidos). Nos Estados Unidos e na Europa, o movimento Biologia DIY foi surgindo conforme tecnologias biológicas, como sequenciamento de DNA, foram ficando mais acessíveis. Já no Brasil e em países como Índia e África do Sul, segundo os próprios biohackers, o movimento surgiu da necessidade.
Há três principais subdivisões na Biologia DIY. Grupos focados em fazer experimentos para encontrar soluções; pessoas interessadas em desenvolver e baratear equipamentos e em montar laboratórios coletivos que possibilitem esses experimentos; e uma terceira vertente, interessada em modificações corporais tecnológicas.
Nessa última área estão, por exemplo, pessoas que injetam chips e ímãs sob a pele e fazem experimentações colocando substâncias e até mesmo circuitos eletrônicos no próprio corpo. Essa é a vertente do biohacking que acaba chamando mais atenção, mas também atrai críticas dentro do movimento.
Segundo matéria publicada pela BBC Brasil, as possibilidades trazidas pela Biologia DIY dentro do campo das experimentações são inúmeras. A ideia de analisar a origem de alimentos, por exemplo, se baseia em uma técnica chamada DNA Barcoding (Código de Barras de DNA, em tradução livre).
Todo segundo sábado do mês o centro Genspace, em Nova York, abre seu laboratório para que as pessoas levem suas próprias amostras de alimentos e façam testes do tipo. Há quem invista na divulgação científica e nas possibilidades educacionais da Biologia DIY.
É o caso do carioca Filipe Oliveira, um dos criadores do Conector Ciência, iniciativa que visa colocar em contato escolas com métodos de ensino de baixo custo e fazer os próprios alunos construírem os equipamentos. Assim, com criatividade, é possível descobrir a biodiversidade com um microscópio de papel, fazer a automação de luzes com sensores de luminosidade, entre outros usos.
Outro caminho comum é o desenvolvimento de novos materiais, como fez o estudante de Biotecnologia baiano Geisel Alves, que ajudou uma ONG a criar um mecanismo que converte fibra do coco verde em papel reciclável usando métodos caseiros e materiais acessíveis.
Manipular micro-organismos também é muito útil para tornar alguns tipos de fármacos mais acessíveis. O consultor de tecnologia e criador da rede SynTechBio, Andrés Ochoa, participou da fase inicial do projeto Open Insulin, em que um grupo de 16 biohackers da América Latina se uniu para criar um protocolo open source (aberto) de insulina - espécie de instrução que serve de base para a produção da substância, usada no tratamento de diabetes, de maneira mais barata e acessível. O projeto conseguiu arrecadar U$ 16 mil (R$ 50 mil) no Experiment, uma plataforma de financiamento coletivo para pesquisas científicas.
No Brasil, não há legislação específica para "laboratórios de garagem", no entanto, tudo o que é produzido fica sujeitos à legislação específica para aquele produto, diz a matéria da BBC. Remédios, por exemplo, terão de passar por aprovação da Anvisa antes de serem distribuídos.
O Brasil já tem diversos laboratórios "de garagem" abertos, com impressoras 3D e outros materiais para quem é adepto do faça-você-mesmo — como o Olabi, no Rio de Janeiro, e o Garoa Hackerspace e os FabLabs da Prefeitura de São Paulo.
Para trabalhar com "Biologia de Garagem", no entanto, é preciso um pouco mais: áreas separadas, estéreis, com equipamentos específicos e protocolos de biossegurança. São os chamados wetlabs, laboratórios "molhados", porque lidam com componentes vivos.
A manipulação de micro-organismos também pode possuir objetivos artísticos. É comum, por exemplo, que artistas envolvidos com o biohacking modifiquem bactérias para que elas passem a brilhar no escurou ou que cresçam seguindo um determinado caminho, para formarem uma imagem.
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