Mais Fé, Menos Testosterona?

Um estudo canadense avaliou como os hormônios masculinos ( os chamados andrógenos) influenciam a crença religiosa. Um pesquisador canadense avaliou mais de 3.000 indivíduos na faixa etária dos 57 aos 85 anos e constatou que aqueles com níveis menores de testosterona e de desidroepiandrosterona (DHEA) estavam ligados à alguma instituição de fé religiosa. Contrariando os argumentos de modulação sociocultural dos andrógenos, os resultados da pesquisa se somam à crescente evidência de que a religiosidade pode ter raízes fisiológicas e não simplesmente psicossociais.


Um estudo canadense, publicado no final do mês passado na revista Adaptative Human Behavior and Physiology avaliou como os andrógenos influenciam a crença religiosa. Um pesquisador canadense avaliou mais de 3.000 indivíduos na faixa etária dos 57 aos 85 anos e constatou que aqueles com níveis menores de testosterona e de desidroepiandrosterona (DHEA) estavam ligados à alguma instituição de fé religiosa.
A desidroepiandrosterona (ou DHEA, do inglês dehydroepiandrosterone) é um hormônio esteroide produzido a partir do colesterol pelas glândulas adrenais, testículos, ovários, tecido adiposo, cérebro e pele. A DHEA serve como matéria-prima para a fabricação de todos os outros hormônios importantes secretados pela glândula supra-renal. É convertida em andrógeno (hormônio masculino) ou estrógeno (hormônio feminino) dependendo do sexo da pessoa, idade e outros fatores individuais. A DHEA é o esteróide precursor quase direto da testosterona e do estradiol, mas ela própria possui fraca ação androgênica.
Diversos estudos sugerem que, quanto menor o nível de DHEA da pessoa, maior o risco de morte por doenças relacionadas com o envelhecimento. Outros estudos também indicam que baixos níveis de DHEA seriam responsáveis por muitas doenças degenerativas e pelo envelhecimento acelerado. Considerou-se o envolvimento do hormônio em diversos problemas de saúde, entre eles o Mal de Alzheimer, doenças auto‑imunes, distúrbios provocados pelo estresse, entre outros. A concentração de DHEA diminui cerca de 80% entre as idades de 25 e 75 anos. O envelhecimento também resulta num aumento da rigidez arterial, a qual é um preditor independente de risco de doença cardiovascular (DCV) e mortalidade.
A religião é uma importante instituição social através da qual as ações que violam as normas sociais são controladas. Assim, os laços com essa instituição podem ser menores entre os homens com níveis mais altos de andrógenos. O estudo questionou esses vínculos. Ao contrário dos argumentos de modulação sociocultural dos andrógenos, o padrão de associações era mais consistente com a causação hormonal das conexões religiosas. Os resultados acrescentam à crescente evidência de que a religiosidade pode ter raízes fisiológicas e não simplesmente psicossociais.
A proposta da pesquisa não é reduzir tais padrões apenas às diferenças hormonais básicas. As descobertas sugerem a necessidade de modelos conceituais que possam acomodar a interação dinâmica de fatores psicossociais e neuroendócrinos na formação do ciclo de vida. Mais geralmente, como argumentado na pesquisa, a religião influencia uma série de padrões culturais e políticos ao nível da população. Os resultados do estudo indicam que a religião também pode ter raízes hormonais, que ainda estão por ser exploradas. Uma questão pertinente é:será que a prática religiosa reduz os andrógenos ou atrai mais as pessoas com baixas taxas hormonais?
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