Como Prevenir a Fome Oculta


Inadequações de nutrientes são encontradas no mundo todo e um terço da população mundial sofre de fome oculta. Porém, é nos países em desenvolvimento que essa deficiência é mais observada, principalmente em relação à vitamina A, ao ferro e ao zinco. Diferentemente da fome clássica ou da má nutrição, a fome oculta pode aparecer mesmo em pessoas que ingerem calorias de maneira adequada ou até mesmo naquelas que apresentam excesso de peso ou obesidade. Ou seja, a fome oculta não acomete somente os indivíduos que vivem em situação de escassez de comida, mas também aqueles que consomem alimentos em excesso.

Também conhecida com deficiência marginal, a fome oculta é a deficiência de micronutrientes (vitaminas e minerais) que frequentemente não mostra sinais ou sintomas, mas que pode levar a alterações silenciosas e resultar em sequelas a longo prazo. Atualmente, a fome oculta é identificada como o problema nutricional mais prevalente do mundo, afetando mais de 2 bilhões de pessoas no planeta.
Segundo Daniel Magnoni, consultor da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV) e diretor de Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração (Hcor), a fome oculta "ocorre quando a qualidade dos alimentos ingeridos não atinge as necessidades do indivíduo. Acomete principalmente as crianças devido à maior demanda de micronutrientes nesse período, em decorrência do crescimento e do desenvolvimento. Não importa o peso da criança, a fome oculta pode afetar os mais magros, os mais obesos, ou até mesmo aquela com peso adequado. 
"Entre os minerais que resultam em carência nutricional, podemos destacar, o ferro, o zinco, o iodo, o selênio, o cálcio, o magnésio e o fósforo. No mundo, são mais frequentes as deficiências de ferro, zinco e iodo, sendo a de ferro a mais prevalente. 
O ferro é um mineral essencial para o transporte de oxigênio, para o desenvolvimento cerebral e atua no sistema imunológico. A principal consequência da carência de ferro é a anemia, e, na criança, pode afetar o crescimento, causar déficit de aprendizagem e de cognição, além de aumentar o número e a gravidade dos quadros infecciosos. Garantir a ingestão de carnes, espinafre, ostras, fígado, ervilha e legumes, é a melhor forma de prevenir a sua deficiência. 
O zinco também é importante para o desenvolvimento e crescimento da criança, e atua nos sistemas imune e reprodutivo, na cognição, na visão e no paladar. Portanto, a sua deficiência pode levar ao retardo de crescimento e da puberdade, assim como alterações de pele e de cicatrização, no paladar e falta de apetite. Como principal fonte de zinco temos: ostras, carnes e vísceras, grãos integrais, castanhas, cereais, legumes e tubérculos. 
O cálcio, encontrado principalmente no leite e nos produtos lácteos, é o mineral mais abundante no corpo humano, e, juntamente com o fósforo, compõe os ossos e os dentes. Ainda atua na contração muscular, na manutenção da pressão arterial, na coagulação e na oxidação de gordura, diminuindo a massa gorda. As maiores necessidades de cálcio ocorrem durante a puberdade e adolescência, quando a formação óssea tem uma maior demanda. 
No Brasil, a deficiência de iodo tem sido combatida com a iodização do sal. O iodo compõe os hormônios da tireoide e também atua no crescimento e no desenvolvimento cerebral. Daí a sua carência gerar hipotireoidismo, retardo mental e atraso cognitivo. Nos alimentos, o iodo está presente nos alimentos marinhos, sal iodado, leite e ovo. 
Alguns alimentos podem dificultar ou favorecer a absorção dos minerais. A ingestão de frutas cítricas junto aos alimentos fonte de ferro, por exemplo, aumentam a sua absorção, porém o refrigerante e o leite podem atrapalhar, por isso se recomenda evitar a ingestão de leite durante as refeições principais. A lactose, por sua vez, ajuda na absorção do cálcio e do magnésio (presente nas folhas), enquanto o refrigerante atrapalha. Em altas doses, o ferro prejudica a absorção de cobre e zinco, sendo um dos motivos por que se deve evitar a associação de industrializados fortificados (por exemplo, fórmulas lácteas e cereais infantis). 
A melhor forma de prevenir a fome oculta nas crianças e garantir o crescimento e o desenvolvimento saudáveis é promovendo uma alimentação balanceada através da ingestão de frutas, legumes, verduras, castanhas, além das carnes e dos produtos lácteos."

Órgãos internacionais como a OMS, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomendam que, para a prevenção da fome oculta, devem ser implementados programas de intervenção pautados em suplementação de micronutrientes e fortificação de alimentos, além de campanhas de incentivo ao consumo de vegetais.
Conscientizar as pessoas sobre os benefícios de uma alimentação saudável, rica em nutrientes essenciais e auxiliá-las a garantir o acesso a esse direito são responsabilidades de todos aqueles que atuam na área de alimentação e nutrição. 
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