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A Burocratização da Ciência

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Transformada em uma espécie de mantra daquilo que acontece no contexto acadêmico em termos de criação e veiculação do conhecimento, a expressão usada nas universidades americanas "publique ou pereça" ("public or perish") tem norteado a produção científica mundial nos últimos tempos. Seja por parte daqueles que exigem produção, seja daqueles que são pressionados a publicar, seja ainda dos editores das revistas científicas e de outros envolvidos nesse processo, como é o caso dos pareceristas, ninguém está a salvo do processo de burocratização pelo qual a ciência tem passado ultimamente.
Transformada em uma espécie de mantra daquilo que acontece no contexto acadêmico em termos de criação e veiculação do conhecimento, a expressão usada nas universidades americanas "publique ou pereça" ("public or perish") tem norteado a produção científica mundial nos últimos tempos. Seja por parte daqueles que exigem produção, seja daqueles que são pressionados a …

Uma Rã Com 12 Cromossomos Sexuais

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A rã amazônica conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus) ostenta atualmente o título do vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado. São 12  cromossomos sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos (10 são autossomos). Anteriormente, o vertebrado recordista era o ornitorrinco, um mamífero monotremado da fauna australiana, com 10 cromossomos sexuais. É um sistema muito diferente do nosso X e do Y que determinam se uma pessoa é homem ou mulher.
O biólogo Thiago Gazoni registrou o vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado. Trata-se da  rã amazônica conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus).
De acordo com o pesquisador, o mais curioso é que, das 13 rãs estudadas (seis fêmeas e sete machos) têm mais cromossomos sexuais do que não sexuais (os autossomos). São 12 sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos. “O que define, visualmente, serem cromossomos sexuais é haver diferenças entre os cariótipos de …

Para Que Servem as Métricas Nas Ciências?

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O primeiro episódio da terceira temporada da série britânica Black Mirror retrata um mundo fictício onde a reputação das pessoas é quantificada em pontos gerados por avaliações alheias produzidas por um aplicativo de celular. Realisticamente, vivemos em um mundo onde a reputação abre portas, gera privilégios e até dinheiro. Assim como nos campos político e econômico, o mundo da ciência também utiliza diversos indicadores métricos para avaliar o impacto das suas produções, uma vez que de seus resultados dependem a obtenção ou manutenção do capital científico do pesquisador.
Você seria capaz de viver em um mundo onde a sua reputação fosse quantificável em pontos, gerados através de avaliações alheias, e esses pontos pudessem ser utilizados em descontos de aluguéis, filas preferenciais de aeroportos e outros privilégios que hoje só podem ser adquiridos através do consumo? Além disso, quanto mais pontos você possuir, mais fácil será o seu acesso a alta sociedade? Essa é a proposta de Nose…

"Chô, Chô! Passarinho!": Quando a Geopolítica Interferiu no Trabalho de um Cientista

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Preso em 1942 pela política do Estado Novo de Vargas, o ornitólogo alemão Helmut Sick (1910-1991) passou o seu tempo no cárcere se dedicando aos estudos de ciências naturais. Na prisão, Sick descreveu 11 espécies novas de cupins e, da sua cela mesmo ou do pátio durante os banhos de sol, conseguiu reunir informações suficientes para depois publicar dois trabalhos científicos: um  sobre o andorinhão-estofador (Panyptila cayennensis) e outro sobre o chupim (Molothrus bonariensis). Atualmente, os trabalhos de Sick são as principais referências para os estudos da ornitologia brasileira.

Em 1939, aos 29 anos, dois após concluir seu doutorado sobre a “estrutura funcional da pena das aves”, o zoólogo alemão Heinrich Maximilian Friedrich Helmut Sick (1910-1991) desembarcou no Rio de Janeiro, como assistente do ornitólogo Adolf Schneider numa expedição do Museu de História Natural da Universidade de Berlim. As boas relações que o Brasil mantinha com a Alemanha antes do estopim da Segunda Guerra…

Projeto Viroma Global

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Representado pela Fiocruz, Brasil participa do Projeto Viroma Global (PVG), uma iniciativa internacional que propõe identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite prever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.
Com o objetivo de identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite prever as próximas epidemias e mitigar seus danos foi lançado este o ano o Projeto Viroma Global (PVG), uma iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. O PVG se baseia na estimativa de…

Formigas Socorristas

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Um estudo recente revelou que formigas africanas matabele (Megaponera analis) socorrem as companheiras feridas nas operações de caça a cupins e cuidam delas até que recuperem totalmente a saúde. Após resgatar as companheiras feridas em combate e levá-las para a colônia, as formigas atuam como equipes médicas, reunindo-se em torno das pacientes para lamber seus ferimentos de forma "intensa." Sem esse atendimento eficiente, cerca de 80% das formigas feridas morreriam. Depois de receber esse tratamento "médico", apenas 10% sucumbem aos seus ferimentos .


Um vídeo interessante divulgado pela agência Europa Press mostra formigas africanas Matabele (Megaponera analis) tratando as feridas de suas companheiras-soldados feridas após confrontos com várias espécies de cupins. A forma de tratamento é bem peculiar: as formigas "médicas" lambem os ferimentos das outras companheiras feridas como fazem os cães. Sem esse atendimento eficiente, cerca de 80% das formigas f…

Abutres Que Respeitam Fronteiras

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Pesquisadores revelaram que abutres que vivem na Espanha raramente ultrapassam a fronteira com Portugal, embora não exista nenhum tipo de barreira física. O limite político acabou tornando-se uma barreira ecológica por causa das diferentes políticas públicas de saneamento. Na Espanha, carcaças de gado podem ser deixadas no campo, enquanto em Portugal estas carcaças devem ser recolhidas. O estudo foi publicado no periódico Biological Conservation.


Um novo artigo, publicado recentemente na revista Biological Conservation, analisou as estratégias de forrageamento de 71 abutres - 60 abutres-fouveiros (Gyps fulvus), também conhecido pelo nome de grifo e 11 abutres-pretos (Aegypius monachus), também chamado de abutre-cinéreo - monitorados por GPS na Espanha e que vivem na região fronteiriça luso-espanhola (que é largamente definida pelos vales dos rios e não está associada a nenhum mudança abrupta ou sistemática em termos de clima, topografia ou cobertura terrestre).  Esta pesquisa fascinan…