Defesa Que Vem da Lavoura


Pode vir da lavoura a mais nova arma para defender o organismo do ataque de bactérias, fungos e vírus que causam doenças. Cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) descobriram moléculas com propriedades antimicrobianas em dois alimentos largamente produzidos e consumidos no Brasil: a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) e o feijão-fradinho (Vigna unguiculata).
As moléculas encontradas são proteínas conhecidas como beta-defensinas, cujo potencial antimicrobiano já havia sido constatado anteriormente pela equipe da UFPE. “Como nosso grupo já tinha grande conhecimento sobre o genoma da cana-de-açúcar e do feijão-fradinho, começamos a procurar os genes dessas proteínas nessas plantas”, conta o coordenador da pesquisa, o biólogo Sergio Crovella, da UFPE.
Segundo o pesquisador, essas proteínas também estão presentes em humanos e outros animais, que são atacados por microrganismos semelhantes aos que causam doenças em vegetais.
O biólogo destaca a grande eficiência das plantas em reagir ao ataque de microrganismos patogênicos: além das defesas mecânicas (como espinhos e sementes resistentes), elas têm proteção bioquímica (como a produção de compostos tóxicos). Isso acontece porque, ao contrário dos animais, vegetais não têm imunidade adquirida, característica que cria uma espécie de “memória” no sistema imunológico para a defesa contra invasores.
Aplicações médicas e agrícolas
As moléculas encontradas na cana-de-açúcar e no feijão-fradinho poderão dar origem a novos medicamentos de uso externo – em forma de spray ou pomada – contra a ação de bactérias, vírus ou fungos que causam doenças nos seres humanos. As proteínas poderão ser usadas ainda na produção de pesticidas naturais, que prejudiquem menos o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores rurais.
Segundo Crovella, essas moléculas também podem ajudar na luta contra a Aids. O estudo da ação das beta-defensinas humanas já mostrou o potencial dessas proteínas no combate ao HIV. “Achamos que as defensinas das plantas poderiam ter o mesmo efeito, mas ainda é preciso fazer muita pesquisa antes de comprovar essa possibilidade”, pondera.
A equipe agora pretende testar as aplicações farmacológicas e terapêuticas das defensinas vegetais para comprovar seu efeito antimicrobiano em humanos e outros animais.


Raquel Oliveira
Ciência Hoje On-line
07/09/2009

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