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Projeto Biogenoma da Terra: Sequenciamento Genético da Biodiversidade do Planeta

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A fim de preencher a enorme lacuna no conhecimento e explorar o potencial científico, econômico, social e ambiental da biodiversidade eucariótica terrestre, um consórcio internacional pretende sequenciar, catalogar e caracterizar o genoma de todas as espécies eucarióticas da Terra ao longo de 10 anos. Os objetivos e os desafios da iniciativa, denominada Projeto BioGenoma da Terra (EBP, na sigla em inglês), foram descritos em um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). No Brasil, o projeto terá a colaboração da FAPESP.

Um consórcio internacional de cientistas quer sequenciar, catalogar e analisar os genomas de todas as espécies eucarióticas conhecidas na Terra; isto é, todos os animais e plantas, exceto bactérias e arqueas. O Projeto BioGenoma da Terra (Earth Biogenome Project) tem um objetivo: preservar a biodiversidade do planeta. Até agora, os cientistas sequenciaram menos de 15.000 espécies, a maioria delas microrganismos. A proposta, desc…

Animais Midiáticos Não Estão Livres da Extinção

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Segundo um estudo publicado  na revista PLoS Biology, a popularidade de animais muito comuns em filmes, jogos, brinquedos e campanhas de marketing como leões, tigres, ursos, elefantes e girafas não os beneficia. Pelo contrário, as espécies mais carismáticas são deixadas desassistidas. De tantos vê-los na ficção, o público assume que eles estão seguros em seu habitat. Os autores acreditam que a onipresença desses animais em nossa cultura, mídia e publicidade contribui para a criação de uma "população virtual enganosa" que distorce a percepção pública

Segundo um estudo publicado esta semana na revista PLoS Biology , a popularidade de animais muito comuns em filmes, jogos, brinquedos e campanhas de marketing como leões, tigres, ursos, elefantes e girafas não os beneficia. Pelo contrário, as espécies mais carismáticas são deixadas desassistidas. De tantos vê-los na ficção, o público assume que eles estão seguros em seu habitat. De acordo com o líder do estudo Franck Courchamp,

Taxonomia: Da Escola Para o Mundo

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Alunos do terceiro ano do ensino fundamental de uma escola pública de Florianópolis (SC) entraram para a história mundial da ciência. Foram eles os responsáveis por dar o nome científico de inseto descoberto no Brasil, o Aedoktrius adotivae. A missão de batizar a espécie partiu do biólogo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Luiz Carlos Pinho, que havia sido convidado pela Escola Adotiva Liberato Valentim, por meio da UFSC, para orientar as crianças sobre zoologia. 
A Escola Básica Municipal de Florianópolis, Adotiva Liberato Valentim foi homenageada com o nome de um inseto descoberto na Amazônia pelo professor Luiz Carlos Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O animal, batizado de “Aedokritus adotivae” em homenagem à escola catarinense, é um inseto bem menor que os outros de sua espécie. Ele não suga sangue e é parente próximo de insetos que são bem comuns nas cidades, formando grandes enxames ao entardecer. A desc…

A Burocratização da Ciência

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Transformada em uma espécie de mantra daquilo que acontece no contexto acadêmico em termos de criação e veiculação do conhecimento, a expressão usada nas universidades americanas "publique ou pereça" ("public or perish") tem norteado a produção científica mundial nos últimos tempos. Seja por parte daqueles que exigem produção, seja daqueles que são pressionados a publicar, seja ainda dos editores das revistas científicas e de outros envolvidos nesse processo, como é o caso dos pareceristas, ninguém está a salvo do processo de burocratização pelo qual a ciência tem passado ultimamente.
Transformada em uma espécie de mantra daquilo que acontece no contexto acadêmico em termos de criação e veiculação do conhecimento, a expressão usada nas universidades americanas "publique ou pereça" ("public or perish") tem norteado a produção científica mundial nos últimos tempos. Seja por parte daqueles que exigem produção, seja daqueles que são pressionados a …

Uma Rã Com 12 Cromossomos Sexuais

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A rã amazônica conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus) ostenta atualmente o título do vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado. São 12  cromossomos sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos (10 são autossomos). Anteriormente, o vertebrado recordista era o ornitorrinco, um mamífero monotremado da fauna australiana, com 10 cromossomos sexuais. É um sistema muito diferente do nosso X e do Y que determinam se uma pessoa é homem ou mulher.
O biólogo Thiago Gazoni registrou o vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado. Trata-se da  rã amazônica conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus).
De acordo com o pesquisador, o mais curioso é que, das 13 rãs estudadas (seis fêmeas e sete machos) têm mais cromossomos sexuais do que não sexuais (os autossomos). São 12 sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos. “O que define, visualmente, serem cromossomos sexuais é haver diferenças entre os cariótipos de …

Para Que Servem as Métricas Nas Ciências?

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O primeiro episódio da terceira temporada da série britânica Black Mirror retrata um mundo fictício onde a reputação das pessoas é quantificada em pontos gerados por avaliações alheias produzidas por um aplicativo de celular. Realisticamente, vivemos em um mundo onde a reputação abre portas, gera privilégios e até dinheiro. Assim como nos campos político e econômico, o mundo da ciência também utiliza diversos indicadores métricos para avaliar o impacto das suas produções, uma vez que de seus resultados dependem a obtenção ou manutenção do capital científico do pesquisador.
Você seria capaz de viver em um mundo onde a sua reputação fosse quantificável em pontos, gerados através de avaliações alheias, e esses pontos pudessem ser utilizados em descontos de aluguéis, filas preferenciais de aeroportos e outros privilégios que hoje só podem ser adquiridos através do consumo? Além disso, quanto mais pontos você possuir, mais fácil será o seu acesso a alta sociedade? Essa é a proposta de Nose…

"Chô, Chô! Passarinho!": Quando a Geopolítica Interferiu no Trabalho de um Cientista

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Preso em 1942 pela política do Estado Novo de Vargas, o ornitólogo alemão Helmut Sick (1910-1991) passou o seu tempo no cárcere se dedicando aos estudos de ciências naturais. Na prisão, Sick descreveu 11 espécies novas de cupins e, da sua cela mesmo ou do pátio durante os banhos de sol, conseguiu reunir informações suficientes para depois publicar dois trabalhos científicos: um  sobre o andorinhão-estofador (Panyptila cayennensis) e outro sobre o chupim (Molothrus bonariensis). Atualmente, os trabalhos de Sick são as principais referências para os estudos da ornitologia brasileira.

Em 1939, aos 29 anos, dois após concluir seu doutorado sobre a “estrutura funcional da pena das aves”, o zoólogo alemão Heinrich Maximilian Friedrich Helmut Sick (1910-1991) desembarcou no Rio de Janeiro, como assistente do ornitólogo Adolf Schneider numa expedição do Museu de História Natural da Universidade de Berlim. As boas relações que o Brasil mantinha com a Alemanha antes do estopim da Segunda Guerra…