Testes Genéticos Preditivos

Atualmente, a análise de DNA permite que se constate o risco de desenvolvimento de uma centena de doenças. No Brasil, há cerca de 20 centros especializados, entre hospitais e laboratórios, localizados nas principais capitais. O preço de um teste genético preditivo varia de 600 a 15 mil reais, conforme a complexidade do processo. O controle sobre uma doença de origem genética varia muito. No caso de enfermidades como obesidade, diabetes e colesterol alto, a genética influencia, mas não as determina. O peso do fator ambiental é muito maior. Com mudanças no estilo de vida, é possível impedir a manifestação dos genes associados a elas. Há, no entanto, os casos em que a genética ou é uma sentença inapelável de desenvolvimento de uma doença como a doença de Huntington, um distúrbio neurológico que compromete os movimentos do corpo até a paralisia, ou é o principal fator de risco para o aparecimento de uma série de moléstias, sobretudo o câncer.
Os exames genéticos na requerem nenhum tipo de preparo por parte do paciente para serem realizados e bastam 10 ml de sangue para análise - o equivalente à quantidade necessária para um hemograma. No entanto, devido à sua complexidade, o resultado demora de um a dois meses para sair. A amostra de sangue vai para uma centrífuga, em que as células brancas são separadas das células vermelhas (as células vermelhas são descartadas, pois elas não contêm DNA). Mediante o uso de substâncias especiais e mais uma centrifugação, o DNA é isolado no fundo do tubo de ensaio e é submetido ao processo chamado PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase). Além de identificar o trecho de DNA no qual está o gene estudado, esta técnica da biologia molecular copia tal trecho milhões de vezes, de modo a facilitar e garantir a precisão da análise do material. Os milhões de cópias do trecho do DNA passam por um seqüenciador automático, uma máquina que o compara com um modelo-padrão de um gene normal. Com base na comparação, um programa de computador identifica se o gene está alterado.
Segundo um estudo coordenado pela neurocientista Iscia Cendes, da Unicamp, a maioria das pessoas não está preparada para enfrentar um teste preditivo. De cada 10 pacientes com histórico familiar de doenças genéticas incuráveis que chegam à Unicamp com tal objetivo, 7 desistem. E 30% das desistências são incentivadas pelos próprios profissionais de saúde. O motivo é a falta de estrutura psicológica para suportar o eventual baque de um resultado positivo. Toda pessoa que se submete a um teste genético preditivo passa obrigatoriamente por aconselhamento com médico geneticista, psicólogos e assistentes sociais. Os profissionais avaliam a capacidade de ela lidar com um resultado positivo e apresentam as conseqüências de tal notícia. A discussão em torno do uso do exame genético para determinar o risco de doenças intratáveis e incuráveis divide os especialistas. A geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, por exemplo, é contra. Diz ela: “Identificar numa pessoa jovem saudável, a existência de uma alteração genética que pode provocar doença aos 40, 50 anos, sem que nada possa ser feito a respeito, parece-me absolutamente desaconselhável. Nessa circunstância, os testes preditivos servem apenas para antecipar o sofrimento”.



* Postagem elaborada com base na reportagem da Revista Veja intitulada “O Testamento Dentro de Cada Um” de 25/11/09

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