A Degradação do Meio Ambiente no Rio


Fotos tiradas no canal da Joatinga (antes e depois) por Mário Moscatelli (divulgação)

Em 1997, o biólogo Mário Moscatelli, então com 32 anos, resolveu empreender um projeto de monitoração de áreas verdes na Região Metropolitana e no Litoral Sul do estado do Rio de Janeiro. O objetivo do Projeto Olho Verde era fazer sobrevoos para tirar fotos aéreas, de modo a acompanhar a degradação de matas, encostas, mangues, rios, lagoas e baías. Para a desolação do biólogo, desde o começo as imagens não eram nada animadoras. "Não tem foto bonita desde o primeiro voo. Entra ano, sai ano, só vejo degradação", afirma.
Passados 14 anos, Moscatelli está pessimista com o futuro do meio ambiente que os dois filhos pequenos vão desfrutar. "Infelizmente, falta muito para os gestores públicos e, principalmente, a sociedade entenderem que estamos cavando nossa própria sepultura", sentencia Moscatelli
Essa previsão é baseada nas centenas de fotografias que o biólogo tirou, praticamente todos os meses, ao longo de quase uma década e meia. As imagens comprovam como a ação do homem devastou planícies e encostas para a construção de favelas e condomínios de luxo, poluiu bacias hidrográficas com esgoto in natura e desmatou imensas áreas verdes para a criação de lixões.
"Rios foram transformados, institucionalmente, em valões de esgoto. Os rios Faria, Jacaré, Irajá, São João de Meriti, Sarapuí-Iguaçu e Guaxindiba, todos com grande volume de água, hoje, são esgoto puro", denuncia Moscatelli. "Esses rios não têm mais vida. Morreram", diz. O biólogo inclui nesta lista as bacias hidrográficas de Sepetiba, da Baixada de Jacarepaguá e a Baía de Guanabara. "Os rios levam esgoto para lagoas e baías, que se transformaram em imensos penicos", afirma.

Programa para despoluir Baía de Guanabara teve várias paralisações

Orçada inicialmente em US$ 793 milhões, as obras do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que começaram em 1994, sofreram sucessivas paralisações. De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), cerca de R$ 2 bilhões já foram gastos no PDBG.
Das três estações de tratamento de esgoto (ETEs) construídas, as ETEs da Pavuna e de Sarapuí estão funcionando precariamente, já que a rede coletora para captar o esgoto das cidades no entorno da baía só está sendo construída agora. A ETE de Alegria, a maior das três, fazia parte da primeira fase do projeto, deveria ter sido concluída em 1999, mas só foi inaugurada completamente dez anos depois do prazo inicial: em 2009.
De acordo com a SEA, o governo do estado vai pleitear mais R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para construir toda a rede coletora de esgoto até a Copa de 2014. Caso o empréstimo seja concretizado, o custo do PDBG vai superar em mais de R$ 2,6 bilhões a previsão orçamentária inicial.

Estação de tratamento prevista para o Pan-2007 ainda está em obras

No âmbito municipal, a construção da Unidade de Tratamento de Rio (UTR) de Arroio Fundo, na Zona Oeste, é outro exemplo de atrasos e desperdício de verbas públicas. A obra, que tem a finalidade de tratar o esgoto lançado no Canal do Arrio Fundo, ajudaria a despoluir a Lagoa da Tijuca. A previsão era inaugurar a UTR nos Jogos Pan-Americanos de 2007, mas até hoje a obra não foi finalizada.
De acordo com a Rio-Águas, órgão da Prefeitura do Rio, o orçamento inicial previa um gasto de R$ 23 milhões. Agora, segundo a Rio-Águas, deverão ser gastos R$ 26 milhões até a inauguração da obra, prevista para outubro deste ano.

Biólogo diz que é possível recuperação em 20 anos

Apesar de todos os problemas, Moscatelli afirma ser possível despoluir rios, lagoas e baías a médio e longo prazo. Segundo ele, várias UTRs devem ser instaladas nos leitos dos rios.
"Em dois anos não teremos mais esgoto chegando. Vão ser necessários mais cinco anos para fazer dragagens, retirar o lodo depositado no fundo e recuperar os manguezais", calcula o biólogo. "Tecnicamente falando, incluindo as políticas de saneamento, habitação e transporte, em 20 anos é possível reverter o processo de degradação de 200 anos", afirma.


Postagem elaborada com base na reportagem de Bernardo Tabak para o Portal G1 RJ em 27/06/2010

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