Novo Monitoramento da Tuberculose no Brasil

Colônia de 'Mycobacterium tuberculosis', também conhecido como bacilo de Koch, causador da tuberculose. (foto: Wikimedia Commons) Um terço da população mundial está infectado com o bacilo de Koch. Mas só 10% desenvolvem a doença; os 90% restantes são potenciais transmissores.

Segundo previsões da Organização Mundial da Saúde, a tuberculose deverá matar 2 milhões de pessoas por ano ao longo da próxima década. Hoje, cerca de 80% dos casos se concentram nos países em desenvolvimento, pois a doença está intimamente relacionada com a má distribuição de renda.
O Brasil é um dos focos, contabilizando a média de 100 mil casos e 5 mil mortes por ano. Mas, mesmo em um cenário tão inquietante, pesquisadores brasileiros trazem uma boa notícia: o desenvolvimento de uma nova metodologia de monitoramento e controle da tuberculose, que, se colocada em prática, poderá otimizar a eficiência das políticas públicas contra a doença.
“É um método de monitoramento de tuberculose inédito no mundo”, disse à CH Online a física Rita Zorzenon dos Santos, da Universidade Federal de Pernambuco, que publicou recentemente um artigo sobre o tema no portal PLoS ONE. O estudo se baseia no georreferenciamento dos casos de tuberculose, usando mapas gerados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São mapas divididos em vários polígonos, que correspondem à área de 300 residências ou 1.200 habitantes. “A nova metodologia identifica quantos casos da doença existem em cada polígono, fornecendo um panorama acurado de onde estão os principais focos”, diz Zorzenon.
Os métodos tradicionais de mapeamento mostram apenas as áreas da cidade que se encontram em situação mais preocupante. São mapas pouco precisos, pois indicam só bairros ou regiões. A nova metodologia fornece mapas com um grau de precisão muito maior, em que é possível saber exatamente quais são as quadras ou residências onde há casos de tuberculose.
De acordo com os pesquisadores envolvidos no estudo, isso possibilita o planejamento de políticas públicas muito mais direcionadas e eficientes para monitorar e combater cada ocorrência.
Além de mapear a tuberculose de forma mais precisa, a nova metodologia permite ainda rastrear sua disseminação ao longo dos anos.
“Nossa equipe examina periodicamente cada indivíduo acometido pela doença, rastreando o caminho que ele percorre em seu dia a dia e colhendo informações sobre seus hábitos e relações sociais”, explica o bioquímico Celio Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), coautor do trabalho. “Assim é possível entender a dinâmica de transmissão do bacilo e propor estratégias de controle sempre atualizadas.”
O estudo-piloto foi feito em Olinda, município pernambucano de 370 mil habitantes onde os índices de tuberculose são mais elevados do que a média nacional.
Para controlar a doença no mundo, a OMS recomenda que cada país seja capaz de detectar pelo menos 75% dos casos em seu território. Destes, pelo menos 80% devem ser tratados.
“Mas o Brasil ainda está longe de atingir essa meta”, lamenta Silva. “Se aplicada corretamente, a nova metodologia pode ser uma ferramenta importante. Já apresentamos a ideia às autoridades, mas até agora nada.”

Por Henrique Kugler (Especial para a CH On-line / PR)

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