Perfil das Vítimas de Linha de Cerol em MG

A manicure Esteliane Lima Silva, de 21 anos, teve o pescoço cortado por uma linha de pipa com cerol em 2009 no Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba (SP). Levantamento vai auxiliar na prevenção das ocorrências e atendimento às pessoas que chegam ao pronto-socorro

Um estudo inédito realizado no Hospital João XXIII, da Rede Fhemig, em Minas Gerais, traçou o perfil epidemiológico das vítimas de linhas de cerol na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O levantamento, realizado com 211 vítimas desse tipo de acidente, entre 2005 e 2009, vai auxiliar na prevenção das ocorrências e atendimento às pessoas que chegam ao pronto-socorro.
O cerol é uma mistura criminosa de cola de madeira com vidro moído usada em linhas de papagaio (pipas) por todo o Brasil. Em meados de julho, agosto e setembro, onde os ventos são fortes e as crianças estão em período de férias escolares, e em dezembro, janeiro também época de férias escolares são comuns os acidentes com motociclistas que passam por áreas onde crianças e adolescentes empinam papagaios e enroscam o pescoço em suas linhas. São também vítimas do cerol: Aeronaves, pedestres, ciclistas, pára-quedistas, skatistas e outros.  O que devia ser uma brincadeira, na verdade é algo muito perigoso. Tão perigoso, que é até crime, sabia? De acordo com uma análise feita na cidade de São Paulo, janeiro, junho e julho são os meses em que ocorrem o maior número de casos - nesse período foram registrados 89% dos casos. Os dados indicam ainda que a maioria dos envolvidos são do sexo masculino e se encontram na faixa dos 20 anos.
Segundo o médico cirurgião geral Paulo Roberto Carreiro, que realizou a pesquisa em Minas Gerais juntamente com o médico sanitarista Roberto Marini, gerente de Estratégica e Informação do Hospital João XXIII, os números serão muito úteis. " Conhecendo o perfil epidemiológico podemos planejar melhor as atividades voltadas para a prevenção e a organização de um socorro mais rápido e efetivo deste tipo de lesão, que são perfeitamente evitáveis" , disse Paulo Roberto Carreiro.
Segundo ele, a maioria das lesões, 57%, acontece nas mãos. Cerca de 15% no pescoço, 13% na cabeça e 11% nos membros inferiores (pernas).
Apesar dos casos de lesões mais graves, principalmente aquelas que resultam em óbitos, serem registrados em motoqueiros e ciclistas, eles representam apenas 28% do total de vítimas. A grande maioria dos ferimentos se dá nas próprias pessoas que estão soltando as pipas.
Nos motoqueiros e ciclistas o estudo apontou que 49% das lesões examinadas foram no pescoço e 33% na face ou na cabeça.
Nos 211 casos pesquisados, foram registrados dois óbitos. " O número pode parecer baixo, mas quando nos referimos a mortes que poderiam ser facilmente evitadas, o drama toma outra proporção" , ressaltou o médico, destacando o fato de que, nesses casos, a causa da morte de motoqueiros e pedestres é aquilo que era para ser uma simples brincadeira.
O número de pacientes que deram entrada no Hospital João XXIII em 2010, vítimas de linhas de cerol, reafirma a pesquisa. Foram 25 no total, sendo que 26 deles nos meses de junho e julho e cinco em janeiro.

Fonte: AG MINAS

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