Gene p53: O Guardião do Genoma


Os genes supressores de tumores localizados no braço curto do cromossomo humano 17, e codificadores da fosfoproteina p53 (gene p53), estão sendo vistos hoje como a principal linha de pesquisa para a descoberta de novos tratamentos contra o câncer 

A proteína p53 é codificada por um gene situado no cromossomo de número 17, que leva o mesmo nome (gene p53), em razão de seu peso molecular de 53 Kd. E se atualmente existe um gene com vocação para estrela, ele é o p53, supressor de tumores, que já foi eleito como a molécula do ano em 2010. Em 1993, foi capa das principais revistas americanas e é conhecido como "o guardião do genoma". Desde a sua descoberta há 30 anos, foi objeto de cerca de 50 mil trabalhos científicos (os chamados papers).
Tanto interesse num único gene se explica. O p53 aparece mutado, com perda de sua função protetora em 50% dos casos de câncer e há quem diga que nos outros 50% ele simplesmente desaparece. " O p53 funciona como um freio de emergência que impede o trem celular de descarrilar. Ele é ativado por situações de estresse, como raios ultravioleta, raios gama, proliferação excessiva, hipoxia (falta de oxigênio), perda de contato entre células, só para citar alguns. Detectado um dano no DNA, o p53 interrompe o ciclo celular para que seja reparado ou, se isso não for possível leva ao suicídio, a apoptose", conforme explica o pesquisador Pierre Hainaut, chefe do grupo de Carcinogênese Molecular e Biomarcadores da International Agency for Research on Cancer (Iarc), órgão com sede em Lyon, na França, e ligado à Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com Hainaut, esse gene atua em todas as fases da carcinogênese.
Além dessa função de guardião do genoma , esse gene funciona  como fator de transcrição, produz microRNAs - moléculas que regulam negativamente a expressão de outros genes- e modula ainda dezena de outros genes. Pesquisas indicam que o p53 atua na regulação de atividades metabólicas, tem papel importante na fixação do embrião no útero e na diferenciação de tecidos embrionários. É um gene altamente conservado durante a evolução - há ortólogos do p53 em vermes como o C. elegans e insetos , como a drosófila - e aparece em todos os mamíferos que tiveram o seu genoma sequenciado.
Um dos desafios dos pesquisadores é aplicar esse conhecimento já adquirido sobre o p53 na prática clínica, tanto para diagnóstico como para prognóstico do câncer. Ma sos obstáculos não são poucos. Testes em animais revelam, por exemplo, que terapia genética não é muito bem sucedida. "Quando se insere um novo p53, a célula o elimina", conta Hainaut. A busca dos pesquisadores hoje é por meios de restaurar as funções perdidas pelo gene que sofreu mutação.

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