No Meio do Caminho Tinha uma Perereca...

A "Physalaemus Soares" só existe no município de Seropedica-RJ e a descoberta dessa espécie rara de perereca foi o que paralisou a obra de quase um bilhão de reais por nove meses.

Um pequeno anfíbio foi capaz de paralisar parte das mais importantes obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio de Janeiro. Ao encontrar a minúscula  Physalaemus soaresi (uma perereca de apenas 2 cm), em setembro de 2009, em um trecho de 4 km em Seropédica, o Arco Metropolitano não pôde simplesmente ignorar o animal. A solução encontrada pela secretaria de Obras, responsável pelo projeto, foi construir um viaduto ao custo de R$ 18 milhões para preservar o hábitat do bicho. Trata-se de uma espécie que só vive numa área de 4,9 milhões de metros quadrados da Flonamax (FlorestaNacional Mário Xavier), em Seropédica, entre a rodovia Presidente Dutra e a antiga Rio-São Paulo – exatamente no trecho onde o Arco vai passar. E a perereca não está sozinha. Há ainda o peixe das nuvens (Leptolebias minimus), também endêmico e ameaçado de extinção. O projeto aguarda liberação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para entrar em processo de licitação. A previsão é de começar a fazer o viaduto em dois meses, no máximo. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho prometeu entregar a rodovia pronta em dezembro de 2012, durante fórum na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). Além do problema ambiental, a obra sofreu atraso devido às mais de 3,6 mil desapropriações e da descoberta de mais de 40 sítios arqueológicos.
O valor total da obra, que une recursos dos governos federal pelo PAC e estadual, já passa de R$ 1 bilhão. A via vai ligar o complexo petroquímico de Itaboraí ao Porto de Sepetiba, em Itaguaí, desviando o trânsito pesado dos caminhões da região metropolitana. A obra ganhou Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento no dia 18 de abril de 2011. O estudo cruza oportunidades e restrições ambientais da região, além de identificar problemas, como nos abastecimentos de água e de energia. A finalidade é evitar a destruição ambiental e formação de assentamentos urbanos precários.

Além da preservação do hábitat da perereca, foram removidas e replantadas ou encaminhadas para outros lugares alguns exemplares de plantas, como o cactus (Pereskia grandifolia Haw). O plano diretor prevê o reflorestamento com espécies nativas da mata atlântica, que compreende 38% do Arco Metropolitano, e recuperar a vegetação dos mananciais que compõem a Baía de Guanabara e de Sepetiba.

Sobre reportagem do Jornal Metro Rio ( 26/04/2011)

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