Faltam 350 Mil Parteiras no Mundo

Em muitas regiões, o trabalho dessas profissionais representa o primeiro contato de mulheres com serviços de saúde. Um número significativo de parteiras tradicionais atuam tanto em domicílio, quanto em hospitais, sem nenhum registro oficial

Levantamento feito pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) revela que há uma carência de 350 mil parteiras em todo o mundo, resultando na morte desnecessária de centenas de milhares de recém-nascidos. Atualmente, as parteiras treinadas salvam quase todas as mulheres que passam por complicações no parto ou as encaminham para cuidados médicos especializados.
Com habilidades médicas, equipamentos e remédios, as parteiras ajudam as mães e também os bebês em suas primeiras horas de vida. Em muitas partes do mundo, elas são o primeiro contato das mulheres com o serviço de saúde.
Em junho, o Unfpa vai lançar um relatório, o primeiro do tipo, sobre a situação das profissionais em 60 países, com estatísticas e padrões globais. O objetivo é fortalecer a atividade e identificar oportunidades de financiamento em qualificação e políticas públicas. Além disso, o relatório pretende examinar o número de parteiras e sua distribuição no mundo. Serão tratados ainda temas como educação, regulamentação profissional e ajuda externa.

A Realidade Brasileira

Apesar da presença do sistema público de saúde em muitas localidades , um grande número de partos ainda é feito por parteiras tradicionais em domicílio nos estados do Norte e Nordeste do Brasil. Estima-se que existam cerca de 20 mil parteiras na região Norte, segundo dados do Ministério da Saúde. Foi a partir dessas informações que uma pesquisa desenvolvida no Médio Solimões, no Amazonas, constatou que existe um número significativo de parteiras tradicionais atuando tanto em domicílio, quanto em hospitais, sem nenhum registro oficial.
Realizado pela pesquisadora Maria de Fátima Ferreira, professora orientadora de vários trabalhos desenvolvidos na Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Tefé) por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) da FAPEAM, o trabalho "Parteira tradicional única alternativa de atendimento ao parto no Médio Solimões" teve como objetivos mostrar a quantidade de parteiras em atuação no Médio Solimões, a quantidade de partos realizados por elas e a problemática da remuneração dos partos a domicílio.
"Este levantamento sobre as parteiras faz parte de uma pesquisa mais ampla, cuja meta é conhecer os direitos e a saúde sexual e reprodutiva na região do Médio Solimões, com um recorte para as mulheres urbanas, ribeirinhas e indígenas, usuárias do sistema público de saúde do município de Tefé", explicou Ferreira.
De acordo com a professora, o estudo permitiu gerar conhecimentos sobre Direito, Saúde Sexual e Reprodutiva no Médio Solimões, com a intenção de contribuir com a melhoria da assistência à saúde, por meio da adoção de novas políticas públicas e para a formação de estudantes em iniciação científica nessa área de pesquisa.
Ferreira explicou que o "ofício de partejar", realizado pelas parteiras tradicionais, compreende o atendimento até o parto, orientação e encaminhamento para o pré-natal e a ajuda à mulher nos primeiros dias do nascimento da criança, de 2 a 8 dias. "Além disso, há a orientação sobre vacinação, contracepção e multimistura. Na região do Médio Solimões encontramos 144 parteiras registradas no período de 2001-2008 pela Secretaria de Saúde de Tefé", disse. Deste total, 35% parteiras foram registradas em Maraã, 20% em Uarini, 15% em Alvarães, 15% em Fonte Boa, 11% em Tefé, 1% em Jupurá e 3% em Nogueira, Juarituba, Tupé do Meio e Juruá.
No registro de partos em domicílio pagos pela Secretaria de Saúde de Tefé foram identificados 71 partos pagos no período de 2006-2008, dos quais 9 (13%) em 2006, 35 (49%) em 2007 e 27 (38%) em 2008. "O valor pago por cada parto foi de R$ 30 (trinta reais) para 8 parteiras de Tefé. Em pesquisa realizada com 29 parteiras, juntas elas informaram que já haviam realizado cerca de 2.349 partos ao longo do trabalho como parteiras", detalhou.
Para a realização da pesquisa, Ferreira utilizou dados da Secretaria Municipal de Saúde de Tefé, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e do cadastro do Encontro de Capacitação de Parteiras Tradicionais, no período de 2001-2008, realizado em parceria com o Ministério da Saúde.

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