Reprogramação Celular

Assim como as células-tronco embrionárias, as iPS são capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo humano.O uso de células iPS humanas (na foto) para gerar grandes quantidades de diversos tipos celulares poderá auxiliar a área clínica agilizando a avaliação de toxicidade de medicamentos, por exemplo

Em 2007, no Japão, Shynia Yamanaka transformou pela primeira vez células da pele em células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Usou as mãos e um punhado de vírus. O método ficou conhecido como reprogramação celular.
As células iPS são equivalentes às células-tronco embrionárias, derivadas de embriões e capazes de se transformar em qualquer tipo celular do corpo humano. Essa característica é conhecida como pluripotência
Criar células iPS é mais um capítulo de uma bela história de sucessos iniciada há trinta e poucos anos, quando Mario Capecchi, Martin J. Evans e Oliver Smithies, ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina, isolaram as primeiras linhagens de células-tronco embrionárias de camundongos. A pluripotência separa as células-tronco derivadas de embrião e as reprogramadas das células-tronco de órgãos específicos, ou células-tronco adultas. Nessa categoria estão as células-tronco da medula óssea, do tecido adiposo e do cordão umbilical, com potencial limitado de crescimento e diferenciação.
O desenvolvimento de técnicas de reprogramação celular pela equipe de Shynia Yamanaka alterou radicalmente o panorama das pesquisas sobre células-tronco em todo o mundo. Criou alternativas para a superação de barreiras que limitam o sucesso terapêutico de células pluripotentes, vislumbrado desde o isolamento das primeiras células-tronco embrionárias humanas, há 12 anos, pela equipe de James Thomson, nos Estados Unidos.
A primeira dessas barreiras está na dificuldade prática para a obtenção de embriões, necessários à criação de células-tronco embrionárias. A outra está na possibilidade de rejeição das células-tronco embrionárias humanas quando transplantadas em pacientes. Nesse sentido, cabe lembrar que mesmo que o ensaio clínico iniciado recentemente nos Estados Unidos seja bem-sucedido, todos os pacientes com lesão medular que vierem a receber derivados de células-tronco embrionárias humanas terão que tomar, por toda a vida, medicamentos imunossupressores, de modo que seus corpos jamais rejeitem o material transplantado.
Células iPS são geradas à la carte, cada uma delas carregando a identidade genética de um determinado paciente. Não são necessários embriões para sua obtenção, que é personalizada, o que, por sua vez, elimina a chance de serem confundidas com células invasoras no próprio corpo. Por outro lado, sua aplicação na prática médica, como alternativa às células-tronco embrionárias ou transplantes em geral, ainda depende de uma série de avanços na própria técnica de reprogramação celular.
Atualmente, o método mais eficaz de reprogramação envolve a utilização de vírus que, funcionando como cavalos de Troia, carregam para o interior das células da pele genes essenciais à pluripotência. Tanto esses genes quanto os vírus aumentam os riscos de formação de tumores pelas células iPS.  Erradicar seu potencial tumoral é de fundamental importância para permitir a transferência da tecnologia de reprogramação celular para a área clínica.
Enquanto esses desafios não são ultrapassados, o padrão-ouro continua com as células-tronco embrionárias, essenciais, mas vale discutir o que é realidade para as células iPS e como estão contribuindo, na prática, para o progresso da medicina. Alguns grupos de pesquisa já descreveram métodos alternativos para a geração de células iPS, sem vírus, com outros genes, mas tudo muito recente, aguardando confirmação pela comunidade científica.

Adaptado do artigo de Stevens Rehen intitulado "O futuro da medicina é personalizado" para a CH On-Line

Comentários

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