Cogumelo Contra a Leishmaniose

Um famoso cogumelo pode ser a mais nova arma na luta contra a leishmaniose. O Agaricus brasilienses, conhecido popularmente como cogumelo do sol, contém substâncias que combatem a enfermidade, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das mais importantes doenças infecciosas.
A descoberta é de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em parceria com a cooperativa Minasfungi do Brasil Ltda, eles produziram um medicamento a partir do fungo para uso no tratamento da leishmaniose.
Normalmente negligenciada pelos grandes laboratórios farmacêuticos, a leishmaniose é causada por protozoários do gênero Leishmania, que são transmitidos ao homem pelo mosquito-palha após picar cães ou roedores infectados. A doença se manifesta de duas formas: a visceral, que afeta órgãos internos como fígado e baço; e a cutânea, que acomete a pele e as mucosas. Em casos mais graves, a forma visceral pode levar à morte e a cutânea, a lesões que desfiguram os pacientes.
Segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde, em 2009 foram registrados no Brasil 3.693 casos da leishmaniose visceral e 21.824 da cutânea. Atualmente, o tratamento da doença é feito com medicamentos injetáveis chamados antimoniais pentavalentes.Mas esse tipo de medicação pode gerar efeitos colaterais graves – como problemas cardíacos, hepáticos e renais –, em função de sua toxicidade elevada. “Além disso, há sempre o risco de recaídas”, acrescenta um dos coordenadores do estudo, o imunologista Eduardo Antonio Ferraz Coelho, do Colégio Técnico da UFMG. 
O novo medicamento, que será administrado por via oral, é composto por substâncias isoladas do cogumelo do sol. “Ao que tudo indica, elas são específicas do Agaricus brasilienses”, afirma Coelho. Em uma primeira fase de testes, a formulação farmacêutica desenvolvida pela equipe da UFMG eliminou cerca de 90% dos parasitas em experimentos in vitro.
Testado em camundongos, o remédio eliminou todos os parasitas no baço dos roedores e um grande número deles em outros órgãos. Segundo o pesquisador, o medicamento mostrou uma resposta melhor em comparação aos fármacos tradicionais usados no estudo, que reduziram uma quantidade satisfatória, mas não tão grande, de parasitas.
A nova substância obtida pelos pesquisadores também é capaz de preservar os macrófagos, células de defesa do corpo humano e que são as principais infectadas pelo parasita causador da leishmaniose.
No tratamento tradicional, a ação dos medicamentos não se restringe aos parasitas e pode destruir também as células normais. “Isso pode causar uma redução temporária de imunidade e deixar o paciente suscetível a outras doenças”, explica outro coordenador do estudo, o imunologista Carlos Alberto Pereira Tavares, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.
Além disso, o medicamento desenvolvido na UFMG deverá ter um custo menor. Segundo Eduardo Coelho, o tratamento atual é caro e as doses de medicamentos custam em média entre 100 e 150 dólares. “A produção de um remédio nacional e proveniente de um alimento irá baratear o tratamento”, avalia o pesquisador Wiliam César Bento Régis, da empresa Minasfungi do Brasil Ltda.
Atualmente, a equipe negocia uma segunda rodada de testes com o novo medicamento, agora com cães, considerados os principais hospedeiros domésticos da leishmaniose. 
“Para cada caso humano de leishmaniose, há cerca de dez mil casos em cães”, afirma Eduardo Coelho, acrescentando que o fato de muitos animais não manifestarem sintomas dificulta o controle da doença. Diante dessa alta taxa de infecção, os cães são um dos alvos prioritários para frear o contágio da leishmaniose.
O cogumelo do sol é classificado pela Agência Nacional de Saúde como um alimento nutracêutico, nomenclatura para produtos nutricionais que alegam ter valor terapêutico. O fungo é utilizado popularmente em alguns países para tratar doenças como a hipertensão arterial e o diabetes. Mas, segundo Coelho, ainda não há comprovações científicas de sua eficácia.
O pesquisador também ressalta que, na forma como é comercializado, o cogumelo não combate a leishmaniose. “Ele só se torna efetivo após os processos bioquímicos que realizamos em laboratório”, adverte. A previsão é que o medicamento esteja disponível no mercado daqui a cerca de três anos.

Por Saulo Pereira Guimarães para a revista Ciência Hoje On-line

Comentários

  1. Olá bom dia, meu cão segundo varios exames realizados, é portador
    da leishmaniose apesar de ter feito tratamento com Milteforan mas,
    não eliminou o parasita gostaria de saber se esse medicamento já
    está disponivel no mercado ou se posso consegui-lo de outra forma.
    Por favor me respondam.
    Desde já muito obrigado pela atenção
    roberto.serejo@bol.com.br

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    1. Talvez isso possa te ajudar, Roberto: https://www.apipa10.org/noticias/publicacoes-da-apipa/no-brasil/4185-milteforan-medicamento-que-trata-a-leishmaniose-canina-e-liberado-no-brasil.html

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