Escola Pública Não é Sinônimo de Fracasso

Apesar de não obter resultados satisfatórios no ENEM e em outros indicadores educacionais, a escola pública não pode ser vista como um sinônimo de fracasso

O Ministério da Educação divulgou no dia 12 de setembro de 2011 o ranking das melhores escolas segundo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010. No ranking das dez melhores escolas do Estado do Rio de Janeiro, as públicas ficaram de fora. Atrás do São Bento, as duas melhores são o Cruzeiro (unidade do Centro) e o Santo Agostinho (Novo Leblon). A primeira pública, CAp-Uerj, aparece na 11ª colocação do ranking estadual. Já o Colégio Estadual São Bernardo, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ficou em último lugar no Estado. A escola, que fica em uma comunidade onde só se chega por uma estrada de terra, tem 172 alunos matriculados no ensino médio. Analisando estes resultados e refletindo sobre o assunto, me reportei a uma postagem do blog do jornalista Fernando Leal, publicada em 2 de março de 2011 e cujo título é  "Escola pública não é sentença de fracasso". Nesta referida postagem o jornalista e editor do jornal Destak Rio relata uma história de sucesso envolvendo uma aluna de escola pública. Vejamos o relato:
Nessa semana, Sabrina, aluna de 19 anos, de Santo Aleixo, distrito de Magé, Baixada Fluminense, que estudou a vida toda em escolas públicas, assiste a suas primeiras aulas no curso de letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Sabrina é uma exceção. Lembrei de sua história imediatamente ao ler o depoimento de uma professora na excelente reportagem da revista Piauí de fevereiro, que acompanhou o cotidiano de uma turma de 8º ano de uma escola municipal do Rio. "Tratam o aluno como coitadinho. Dão tudo e tapam o sol com a peneira", diz a professora, protestando contra um sistema que vê o aluno como vítima e, a partir daí, vai tirando todas as pedras do meio de seu caminho, sem que nada seja exigido dele. "Estão se contentando com a mediocridade." Esse não foi o caso de Sabrina, o que em grande parte explica o fato de ela ter conseguido ingressar em uma universidade pública, cujas vagas são ocupadas majoritariamente por estudantes que fizeram a Educação Básica na rede privada de ensino. Na família, ela nunca encontrou espaço para desempenhar o papel de vítima, de coitadinha. Sua mãe estava sempre pronta a pegar no seu pé, exigindo dedicação nos estudos.
Seu caso prova que escola pública não é sentença de fracasso. O desafio é convencer o aluno disso. E aí a história de Sabrina comprova o que muitas pesquisas já mostraram: a família responde por parte significativa do desempenho do estudante e de seu sucesso na vida escolar. Uma constatação dramática, pois a capacidade de atuação do Estado na vida familiar parece bastante limitada. Até que ponto a escola pode fazer o papel dos pais (incentivando a leitura desde muito cedo e despertando o interesse pelo conhecimento, por exemplo) ainda é um ponto de interrogação. A boa notícia é que Sabrina pode ser uma exceção, mas não é uma raridade. Cada vez mais alunos de escolas públicas conseguem um lugar ao sol no mundo do educação superior. Mecanismos como o Enem e o ProUni tem contribuído para isso. O dia em que tiverem seus filhos, eles e elas (principalmente elas, pelo que dizem as pesquisas) vão ambicionar para a nova geração ao menos o que alcançaram. É claro que isso leva tempo.
Quem estiver interessado em outras postagens que tratam de educação pelo lado positivo, pode acessar o blog "Direito de aprender" do jornalista e editor Fernando Leal.

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