Biodiversidade na Rede

Catalogando a biodiversidade

Boa dica a professores e alunos interessados em biologia e meio ambiente é navegar pelas páginas virtuais do EOL e ARKive. Educativas e divertidas, elas reúnem um dos maiores acervos ‘on-line’ sobre a vida em nosso planeta.


Quantas formas de vida habitam a Terra? “Esta é uma das perguntas fundamentais da ciência contemporânea. Mas a resposta ainda é um enigma”, diz o biólogo colombiano Camilo Mora, da Universidade de Dalhousie, Canadá, em recente artigo publicado na revista PLoS Biology.
As últimas estimativas indicam que nosso planeta abriga mais de 8 milhões de espécies – sendo que só cerca de 2 milhões já foram catalogadas pela ciência. Seria possível sistematizar todo esse acervo em um mecanismo de buscas unificado, um tipo de Google taxonômico? Ainda não.
Mas a Encyclopedia of Life (EOL) já deu os primeiros passos nessa direção. Com o objetivo de reunir informações sobre o maior número possível de espécies em um único endereço, a plataforma on-line serve de ponte entre o usuário e dezenas de bancos de dados selecionados a dedo por especialistas da área.
“Isso faz do EOL uma ferramenta com enorme potencial para o ensino”, diz Breen Byrnes, responsável pela divulgação da iniciativa.
“Professores podem usar nosso conteúdo para criar comunidades on-line, por exemplo, e elaborar planos de ensino interativos.” Aliás, o site traz uma seção exclusivamente dedicada aos docentes, com sugestões de estratégias didáticas para trabalhar o conteúdo em sala.
Lançada em 2007 e reformulada em setembro passado, a plataforma já tem mais de 50 mil usuários. “Há uma demanda para traduzirmos o conteúdo para outras línguas, inclusive o português”, diz Byrnes. “Tudo dependerá de futuras parcerias”, acrescenta. O professor de ciências Rafael Cruz Lima, que leciona em duas escolas de Curitiba (PR), aprova a ideia. “O site atende à expectativa tanto de pessoas experientes quanto de iniciantes”, diz. “Para os que estão começando na área da biologia da conservação, as informações são bastante ricas e o acesso é facilitado pela boa organização do site.” Após um breve cadastro, o usuário está prestes a se embrenhar na selva virtual dos reinos da natureza – com direito a mais de 900 mil páginas repletas de informações variadas sobre a vida que nos rodeia.
Para os professores animados com a ideia, há outro site que vale a pena conhecer: o ARKive, similar ao EOL, porém com uma proposta mais lúdica, focada em belas fotografias e vídeos das espécies consideradas em risco de extinção. “Nosso objetivo é mostrar a ‘cara’ de todas as espécies ameaçadas”, diz Liana Vitali, responsável pela divulgação da página, referindo-se às 19 mil que integram a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
Entre os diferenciais do ARKive está a opção de consulta por hábitat. Há, por exemplo, uma seção dedicada à mata atlântica. Boa surpresa é encontrar ali a pequena ave maria-leque-do-sudoeste (Onychorhynchus coronatus), difícil de ser observada. O imponente leque alaranjado que ela exibe na cabeça fica fechado a maior parte do tempo. Vê-lo aberto, como nesta foto, é um momento raro. Para isso, o site traz fotos e vídeos de excelente qualidade – material cedido por parceiros que entendem do assunto, como BBC, National Geographic, Discovery, além de muitas outras instituições e profissionais independentes.
Em outubro de 2011, representantes do EOL e do ARKive apresentaram as iniciativas à imprensa durante a 21ª Conferência da Sociedade de Jornalistas Ambientais dos Estados Unidos, em Miami. “O Brasil fica na 14ª posição em número de visitantes do ARKive”, disse Vitali durante o evento. “A expectativa é de que em breve seu país esteja no Top 10.”
Fonte: CH On-Line

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