O "Fenômeno Eunuco" em Aranhas

Aranhas macho se castram durante cópula para elevar chance de paternidade. Quadrado vermelho mostra um órgão sexual masculino quebrado inserido em uma aranha fêmea

Algumas aranhas macho se castram voluntariamente durante o processo reprodutivo para aumentar suas chances de procriar, indica um estudo publicado em fevereiro de 2012 no periódico Biology Letters
Os machos rompem seu próprio órgão sexual no meio da cópula, o que permite que continuem inserindo esperma na fêmea mesmo depois de eles próprios já terem se afastado da parceira. 
O afastamento rápido após o ato sexual tem uma explicação: as aranhas fêmeas costumam devorar seus parceiros em seguida à procriação.
Há até pouco tempo, os biólogos não entendiam o comportamento dos machos, já que a autocastração os deixa estéreis. Mas os pesquisadores agora creem que a autoimolação aumenta a quantidade de esperma colocado na fêmea e dá ao macho mais chances de gerar filhotes. 
Quebrar a ponta do palpo (um apêndice dos artrópodes) durante o ato reprodutivo é algo relativamente comum em aranhas - acredita-se que como uma forma de impedir que outros machos copulem com aquela fêmea e de proteger o macho do canibalismo feminino.
Mas a castração total não era considerada necessária para evitar esses problemas. 
Sendo assim, os cientistas tiveram de buscar outras explicações para esse comportamento drástico, conhecido como o "fenômeno eunuco". 
Entre as teorias levantadas está a do "melhor lutador" - eunucos (estéreis) são mais agressivos e ágeis se comparados com machos de órgãos sexuais intactos. 
Mas Daigin Li, da Universidade Nacional de Cingapura, e seus colegas decidiram testar outra hipótese: se a castração resultava na continuidade da transferência de esperma a fêmeas da espécie Nephilengys malabarensis. Os estudiosos dissecaram as aranhas e, com microscópios, contaram o esperma. 
Os resultados mostram que a inserção de esperma do palpo rompido continua mesmo depois do fim do ato sexual. Quanto mais tempo o órgão rompido ficar dentro do corpo da fêmea antes de ser removido, mais esperma é transmitido, e maiores são a chances de paternidade. 
Os pesquisadores também descobriram que, ainda que tanto machos quanto fêmeas tomem a iniciativa de quebrar o órgão sexual masculino, o ato sexual tem duração mais curta quando essa castração é feita pela fêmea - o que reduz o potencial reprodutivo da relação. 
Sendo assim, os autores do estudo acreditam que a autocastração do macho seja, também, uma maneira de ele controlar a duração do ato sexual e monopolizar a fêmea por mais tempo. 
No artigo escrito à Biology Letters, os cientistas dizem acreditar que o macho se castre também para se beneficiar do aumento de sua própria agressividade.

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