Variações Genéticas Entre Várias Partes de um Único Tumor

Estudo ajuda a explicar por que o uso de biópsias simples para criar tratamentos personalizados contra o câncer não funciona

Cientistas do Cancer Research UK identificaram, pela primeira vez, variações genéticas entre diferentes partes de um mesmo tumor. Os resultados mostram que cerca de dois terços das falhas genéticas não são partilhados por diferentes biópsias retiradas da mesma célula cancerosa.
As descobertas podem ajudar a explicar por que tentativas de usar biópsias simples para identificar biomarcadores que podem levar a tratamentos personalizados contra o câncer não têm sido muito bem-sucedidas.
"Nós sabíamos a algum tempo que os tumores são como uma mistura de falhas, mas esta é a primeira vez que fomos capazes de usar sequenciamento do genoma de última geração para mapear a paisagem genética de um tumor em detalhes", afirma o líder da pesquisa Charles Swanton, da University College London.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia revelou uma extraordinária quantidade de diversidade, com mais diferenças entre biópsias do tumor mesmo a nível genético do que semelhanças.
Para o trabalho, a equipe analisou amostras de tumores doadas por pacientes com câncer renal avançado.
"A ideia da medicina personalizada é o tratamento feito sob medida para atender pacientes individuais. Este estudo no câncer do rim mostrou significativas alterações moleculares entre diferentes partes de um mesmo tumor. Vimos também diferenças entre tumores renais primários e células cancerosas que se espalharam para outros órgãos. Isto pode ser relevante para a forma como tratamos o câncer renal com drogas porque as alterações moleculares que dirigem o crescimento da doença, uma vez que ela se espalhou, podem ser diferentes daquelas que dirigem o crescimento do tumor primário", explica o pesquisador James Larkin.
Os pesquisadores compararam as falhas genéticas em amostras colhidas de diferentes partes de quatro tumores renais separados, e também de locais para onde o câncer se espalhou.
Isto permitiu que eles identificassem 118 diferentes mutações, das quais 40 eram de mutações presentes em todas as biópsias, 53 mutações comuns que estavam presentes na maioria, mas não em todas as biópsias e 25 mutações privadas que só foram detectadas em uma única biópsia.
Ao analisar a localização de mutações comuns em relação ao tumor em geral, os pesquisadores foram capazes de rastrear as origens dos subtipos específicos de células cancerosas. Isto permitiu que eles criassem um "mapa" de como o padrão de falhas dentro do tumor pode ter evoluído ao longo do tempo.
A equipe acredita que estes resultados destacam diferenças importantes que existem nos tumores e sugerem uma maneira de melhorar a taxa de sucesso de medicamentos personalizados contra o câncer.
Fonte: Isaude.net

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