Cirurgia Robótica

A satisfação de pacientes operados por robôs cirurgiões é de 95%. A intervenção é menos invasiva, o impacto é menor e a reabilitação, mais rápida. Só falta informação para perder o medo da mecânica

A cirurgia convencional de ponte de safena está com os dias contados. Foi-se o tempo em que o paciente era internado durante sete dias, tinha o osso do esterno, do peito, serrado e voltava à rotina em 60 dias, com uma cicatriz traumática de 25 cm de comprimento. Agora, a alta hospitalar pode ocorrer em quatro dias e o retorno às atividades habituais, em dez, porque os robôs invadiram os centros cirúrgicos e são capazes de realizar cirurgias minimamente invasivas, seja em cardiologia, seja em urologia, ginecologia, no tórax, pescoço ou na cabeça.
A cena já é realidade em três dos melhores hospitais privados da capital de São Paulo - o Albert Einstein, o Sírio-Libanês e o Oswaldo Cruz - e também para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. O primeiro hospital público brasileiro a realizar cirurgias robóticas começou a oferecer o serviço em março. Para tanto, o Ministério da Saúde repassou US$ 2,5 milhões ao Inca para a aquisição do Da Vinci Surgical System, o sistema desenvolvido pela Intuitive Surgical, empresa líder global da tecnologia de cirurgia robótica, representada no Brasil pela H. Strattner. Criado com fundos do Departamento de Defesa norte-americano como alternativa para operações a distância, o sistema possui três componentes. O primeiro é uma mesa de operação com o robô, composto por quatro braços poliarticulados, com flexibilidade de 360 graus e movimentos precisos. Na ponta de um dos braços, há uma câmera que emite imagens em 3D. Os outros braços manipulam pinças cirúrgicas, movimentadas pela máquina, que reproduzem os movimentos das mãos do cirurgião. A segunda unidade é um console, pelo qual os médicos recebem as imagens em 3D de alta definição e realizam com as mãos os movimentos operatórios, transmitidos para o robô. Completando o sistema, há um conjunto de hardware externo. 
Além da aquisição do Da Vinci, o projeto de implantação do sistema no Inca incluiu a assistência técnica do equipamento e o treinamento dos profissionais envolvidos no projeto. "O espaço físico do centro cirúrgico foi reestruturado para a instalação do robô", diz a médica Alessandra de Sá Earp Siqueira, da coordenação assistencial do Inca. O treinamento da equipe e a capacitação prática e teórica serão realizados no Exterior e em São Paulo.
Com a chegada do equipamento, o Inca passou a oferecer cirurgias robóticas, atendendo, inicialmente, um número selecionado de pacientes das áreas de urologia, cabeça e pescoço, ginecologia e cirurgia abdominal. A primeira operação com a nova máquina foi realizada no dia 6 de março na promotora de vendas Monica dos Santos Lima, de 39 anos, que teve um tumor removido das amígdalas com sucesso. Sem a precisão robótica a alternativa de tratamento cirúrgico implicaria serrar a sua mandíbula.
Para combater os compreensíveis receios dos pacientes quanto às cirurgias feitas por robô, o Inca pretende fornecer acesso às informações sobre os benefícios que elas oferecem. Entre eles, a melhoria da qualidade de vida do paciente, menor tempo de internação, diminuição da dor e das complicações pós-cirúrgicas e retorno mais rápido à rotina social, além de menores cortes, cicatrizes e índices de infecção hospitalar. "O grau de satisfação de pacientes operados por essa técnica é de 95%, de acordo com as informações do fabricante", diz Alessandra.
"O procedimento é menos invasivo, além de proporcionar diagnóstico mais exato e recuperação mais rápida e menos dolorosa", resume Carlo Passerotti, coordenador de Cirurgia Robótica do Hospital Oswaldo Cruz. O sistema traz benefícios também para o cirurgião: o robô elimina e corrige o tremor natural das mãos, proporciona maior amplitude de movimentos e melhor ergonomia durante a cirurgia, reduzindo a fadiga do médico. Com isso, o cirurgião pode visualizar em detalhes os locais que não alcançaria durante um procedimento tradicional ou mesmo laparoscópico.
O robô tem extrema habilidade para movimentos delicados, como as suturas ou anastomose (união de vasos sanguíneos ou de partes de órgãos). "A robótica proporciona uma maior acessibilidade à microcirurgia, pois possibilita a majoração ou miniaturização das imagens e dos movimentos", acrescenta Passerotti. Não é só. Com menos tempo de internação e recuperação mais rápida, pacientes submetidos a cirurgias complexas geram menos gastos para os sistemas de saúde. 
De fato, apesar de o robô poder ser controlado a distância, por meio de bandas largas, o cirurgião tem de estar obrigatoriamente presente na sala cirúrgica, ao lado de toda a equipe. "Caso ocorra algum imprevisto, a equipe está habilitada a abortar a cirurgia e convertê-la em uma cirurgia laparoscópica ou convencional, ex "Se algo acontecer com o equipamento, o cirurgião o desconecta do paciente e prossegue a cirurgia por videocirurgia", diz o cirurgião cardiovascular Robinson Poffo, coordenador do Centro de Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva e Robótica do Hospital Albert Einstein. 
A tendência é que a cirurgia robótica evolua rapidamente, inclusive para operações plásticas. Muitos cirurgiões apostam que a tecnologia avançará em direção à miniaturização dos componentes. "Há 20 anos um computador ocupava uma sala enorme. Atualmente, para a realização de cirurgias com o Da Vinci, é preciso uma sala de 60 m2. Sem contar que hoje existem laptops, notebooks e smartphones. No futuro, teremos robôs de tamanho bem menor que os atuais".
Fonte: Adaptado de matéria da Revista Planeta

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