O Efeito da Espiritualidade na Saúde


 O número crescente de evidências científicas que mostram os benefícios da espiritualidade nos tratamentos clínicos já mostra que o divórcio entre fé e ciência está chegando ao fim.


Se antes recorrer à religião era ato comum em vítimas de câncer, aids ou qualquer outra doença que ainda desafia a medicina, agora as “doses de oração” já são recomendadas por alguns médicos para tratar e prevenir problemas mais simples como hipertensão, colesterol e diabetes.  A fé dos pacientes deixou de ser “aceita” pela ciência apenas quando o quadro do doente é extremamente grave, sem a menor chance de recuperação. Com o respaldo de pesquisas científicas, a evidência é que o efeito da espiritualidade na saúde não precisa ser limitado quando há dificuldade de cura. A fé pode ser preventiva. 
Um dos cardiologistas mais conceituado do País, Roque Marcos Savioli, afirma que “com certeza, em questão de tempo, os médicos vão receitar fé aos seus pacientes, inclusive, para diminuir os custos de internação em hospitais.” 
Savioli, que é diretor da Unidade de Saúde Suplementar do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) e atua em uma comissão internacional para avaliar quando um caso médico pode ser considerado “milagre”, explica que os mecanismos por trás da boa influência da fé na saúde não são nada sobrenaturais e, sim, físicos. 
“Um estudo internacional muito importante (publicado no Journal of Neuroscience, em 2001) realizou ressonância magnética no cérebro de religiosos no exato momento da oração”, diz. “Ficou atestado que a leitura do salmo ativa áreas cerebrais relacionadas ao sistema imunológico, o que protege corpo humano de várias doenças”, afirma. 
A comprovação científica dos efeitos da fé na saúde fez com que a espiritualidade e a medicina ficassem mais próximas, depois de anos trilhando caminhos separados. No exterior, a partir do ano 2000, coleções de estudos e pesquisas foram realizadas para comprovar o uso terapêutico da reza, inclusive para benefício de terceiros. 
No Brasil, os ensaios científicos do tipo ainda são escassos, mas a descoberta dos mecanismos internos da oração (em qualquer credo) como bons influentes em indicadores básicos de saúde despertou interesse nacional. Recentemente o atual presidente da rede Hospital Albert Einstein e ex-secretário municipal de saúde de São Paulo (gestão 2006), Cláudio Lottenberg, veio publicamente defender a fé dentro dos hospitais. Em entrevista ao iG Saúde (15/07/2012), Lottenberg disse: "As pessoas usam a religião para compreender a fé, porque é um mecanismo mais fácil de entendimento. Mas a fé não precisa ser atrelada à religião. Na saúde, até os ateus podem ter os benefícios do que as pessoas chamam de fé. É por meio da fé que conseguimos gerenciar o estresse, que libera hormônios e neurotransmissores tóxicos ao organismo. O nervosismo não causa asma em ninguém, mas cientificamente sabemos que os asmáticos, quando nervosos, podem ter crises agravadas e morrer por isso. Também é científico que as pessoas que exercem a fé apresentam melhoras de saúde mais rápida, tempos mais reduzidos de internação. Já existem pesquisas que mostram que os pacientes terminais com câncer que exercem a espiritualidade, por exemplo, dão menos custos aos hospitais do que os com o mesmo perfil que não têm fé. Os hospitais precisam começar a dar espaço para a fé. Se não for uma questão humanista, que seja por uma razão econômica." 
Quando perguntado se haveria possibilidade de uma conciliação entre ciência e fé, o médico acrescentou: "
"Só o número crescente de evidências científicas que mostram os benefícios da espiritualidade nos tratamentos clínicos já mostra que o divórcio entre fé e ciência está chegando ao fim. Eu defendo que os médicos, ao menos, se mostrem disponíveis e dispostos em perguntar se a fé é importante para o tratamento dos pacientes. E se a resposta for sim que não impeçam o exercício dela. Isso, no Einstein, já é protocolo de atendimento e uma das bases da nossa missão. Eu já conversei com o ministro da saúde (Alexandre Padilha), que ouviu atentamente o meu posicionamento. Também levei esta temática nos encontros que tive com líderes religiosos (mês passado Lottenberg foi recebido pelo papa Bento XVI). Falei sobre o assunto também com o Dalai Lama. Ele, acredite, tem um interesse muito grande em neurologia, sabia?" 
O iG Saúde perguntou também se os médicos, estão preparados para abrir espaço à fé de seus pacientes. Lottenberg respondeu: "Einstein já disse que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. Acredito que começamos este processo. Os médicos precisam ocupar este espaço. Porque deixá-los vazios é permitir a invasão de pessoas de má fé. Medicina tradicional é complementada pela espiritualidade e vice-versa. Uma oração não vai substituir uma droga anticâncer."

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