Vacina Contra a Gripe A: Uma Dose de Verdade


Pesquisadores canadenses comprovaram que a vacina aplicada para proteger contra infecções pelo vírus H1N1 pode levar pacientes a desenvolver síndrome neurológica que afeta controle dos músculos


Quando o Ministério da Saúde lançou a campanha de vacinação contra a gripe suína no Brasil, em março de 2010, surgiram uma série de teorias conspiratórias que colocavam em dúvida a eficácia da vacina. Na época, inúmeros sites povoaram a internet com informações contrárias às campanhas de vacinação e diversas mensagens alarmistas circularam por e-mail. Algumas apelavam dizendo que a vacina contra a gripe H1N1 foi criada com o objetivo de reduzir a população do planeta e chegaram a distorcer informações verdadeiras para produzir medo. Diziam, por exemplo, que havia mercúrio no medicamento. De fato, na vacina contra o vírus H1N1 há um derivado do mercúrio, o timerosal, um bactericida largamente utilizado em vários tipos de vacinas. Diziam também que havia escaleno, que seria tóxico, etc. Todos esses rumores que circularam naquela ocasião foram divulgados por mim em duas postagens, "A conspiração da gripe suína" (18/03/2010) e "Gripe suína: a revolta da vacina" (28/03/2010). Também naquela ocasião, alguns sites chegaram a noticiar que a vacina contra a gripe podia provocar uma doença neurológica, a Síndrome de Guillain-Barré. Isto sim, tem um fundo de verdade. Pelo menos ficamos sabendo disso agora. 
Pesquisadores canadenses descobriram recentemente que a vacina contra a gripe H1N1 está associada a um risco pequeno, porém significativo de uma doença neurológica conhecida como Síndrome de Guillain-Barré, conforme publicou no dia 11/07/2012 o site Isaude.net
Contudo, os resultados sugerem que os benefícios da vacina compensam o risco.
A síndrome atinge os nervos e afeta os movimentos. Aos poucos, o paciente perde reflexos e a capacidade de controle dos músculos. Nos casos mais graves, a função respiratória é prejudicada. Pesquisadores acreditam que essa síndrome é autoimune, ou seja, é causada por uma reação exagerada do próprio sistema de defesa do corpo, que passa a atacar os nervos. O processo seria desencadeado por algum agente externo.
O líder da pesquisa Philippe De Wals, da Universidade Laval e seus colegas conduziram um estudo para avaliar o risco da condição após a administração da vacina contra a pandemia de gripe.
No outono de 2009, uma campanha de vacinação foi lançada em Quebec contra a cepa pandêmica de H1N1. Até o final do ano, 4,4 milhões de moradores foram vacinados. O estudo incluiu o acompanhamento durante o período de 6 meses de outubro de 2009 a março de 2010 para os casos suspeitos e confirmados da síndrome.
Durante o período de 6 meses, 83 casos confirmados da Síndrome de Guillain-Barré foram identificados. Vinte e cinco casos confirmados foram vacinados contra a gripe 2009, 8 semanas ou menos antes do início da doença, com a maioria sendo vacinada 4 semanas ou menos antes do início.
A análise dos dados indicou um risco pequeno, mas significativo da síndrome após a vacinação da gripe A (H1N1). O número de casos atribuíveis à vacinação foi de aproximadamente 2 por 1 milhão de doses. O excesso de risco foi observado apenas em pessoas de 50 anos de idade ou mais.
"O risco individual de internação após uma infecção por vírus influenza documentado foi de 1 por 2.500 e o risco de morte foi 1 em 73 mil. A vacina H1N1 foi muito eficaz na prevenção de infecções e complicações. Acreditamos que os benefícios da imunização compensam os riscos", concluem os autores.

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