Entenda O Seu Estresse

O estresse é uma parte normal da vida cotidiana, apesar de ter uma conotação negativa. Biomédico explica o mecanismo químico envolvido na fisiologia do estresse. 
Raphael Gonçalves Nicésio, biomédico e especialista em Microbiologia Clínica e Laboratorial, postou em seu site Biomedicina Brasil  uma matéria muito interessante sobre o mecanismo do estresse, da qual retirei alguns trechos que vão servir para entendermos melhor a fisiologia do estresse. Segundo ele " nossos corpos são projetados para experimentar e combater o estresse. A exposição a certas situações difíceis provoca uma série de reações conhecidas como o sistema de resposta ao estresse. O gatilho ou estressor pode produzir uma resposta positiva ou negativa. Estressores não são necessariamente classificados como bons ou maus - isso depende de como você reage a eles."

"De acordo com a fisiologia médica, o estresse biológico estimula a liberação de dois hormônios principais: o hormônio adrenocorticotrófico, que libera adrenalina, e o hormônio liberador de corticotropina, que produz cortisol,  principal hormônio do estresse. Gatilhos fisiológicos de adrenalina incluem excitação, sinais físicos, aumento de percepção de luzes e barulhos ou um clima mais quente do que o habitual. A adrenalina aumenta a frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial, que afeta todos os músculos e diminui a sensibilidade à dor. Um aumento repentino da adrenalina sinaliza para o organismo usar a sua gordura e estoques de glicose para fornecer uma onda de energia necessária para a reação de luta ou fuga.
"Além dos hormônios produzidos pela glândula supra-renal, mensageiros químicos conhecidos como catecolaminas, dopamina, epinefrina ou adrenalina e noradrenalina, também podem ser liberados a partir de certas áreas do cérebro", explica Raphael Nicésio. "Se alguém não é capaz de lembrar de detalhes específicos durante um incêndio em sua casa, é porque a adrenalina suprime a atividade em uma área do cérebro responsável pela memória de curto prazo, concentração, inibição, e até mesmo o pensamento racional. Ela também ativa a parte do cérebro chamada amígdala, que traz emoções como o medo, o que ajuda o cérebro a aprender a partir do evento estressante.
Para os órgãos vitais funcionarem adequadamente, o cérebro imediatamente sinaliza ao corpo que os órgãos mais importantes devem ser supridos com sangue rico em oxigênio. Isto leva a uma diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos menos vitais, como a pele, e o sangue é imediatamente desviado para os órgãos que são afetados pelo estresse, tais como os pulmões, o cérebro e os músculos do corpo."
Raphael esclarece também que homens e mulheres lidam de forma diferente com o estresse: "Embora o estresse afete ambos os sexos, as mulheres são mais propensas a experimentar estresses contínuos do que os homens. E quanto ao enfrentamento, as mulheres também são menos propensas a fugir da situação estressante.
Normalmente, mulheres tendem a ser mais amigáveis quando estão estressadas, um comportamento de carinho natural encontrado especialmente em mães. Hormônios sexuais femininos e da ocitocina são responsáveis ​​por este comportamento em mulheres, e ajudam a aliviar a ansiedade. Durante períodos de estresse, os homens liberam o hormônio testosterona, o que explica por que tendem a ser mais hostis e agressivos, e até violentos quando confrontados com situações estressantes."
"Além de complicações cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e problemas psiquiátricos ou psicológicos ainda pode surgir o estresse crônico. Mesmo ao nível molecular, a predominância de hormônios do estresse afeta certas áreas do cérebro, o que, eventualmente, provoca mudanças estruturais que podem causar danos permanentes ao cérebro", diz o biomédico.

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