Por Que Temos Tanto Medo da Gripe ?

Com o fim da moratória imposta aos pesquisadores da gripe aviária, a pergunta se faz pertinente: Por que temos tanto medo da gripe hoje em dia?   Na foto frango recebe injeção contra gripe aviária na China: estudos sobre a doença causaram medo de bioterrorismo.

Esta semana o portal iG publicou na sua coluna de ciência uma matéria muito interessante sobre gripe. O título da matéria era "Por que a gripe se tornou um bicho papão?" e apresenta de forma apropriada como uma doença corriqueira consegue tirar o sono dos cientistas do mundo inteiro atualmente. Afinal. por que tanta preocupação com uma moléstia tão comum em plena era do avanço científico e tecnológico da medicina? Vamos tentar compreender lendo alguns trechos da matéria que o jornalista Alessandro Barros Greco preparou para o iG.
"Ano passado, quando dois laboratórios -- um na Holanda e outro nos Estados Unidos -- anunciaram que haviam conseguido criar uma versão do vírus da gripe aviária (conhecido como H5N1) de transmissão mais fácil e iriam publicar o conteúdo da pesquisa, uma polêmica foi criada. 
As cepas, desenvolvida nos laboratórios de Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, na Holanda, e de Yoshihiro Kawaoka da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, eram capazes de se transmitir entre mamíferos e poderiam, segundo as autoridades americanas, ser copiadas por bioterroristas se os detalhes dos estudos fossem tornados publicados. Após muita análise , ambos os estudos foram publicados nos periódicos Nature e Science , mas os cientistas entraram em uma interrupção auto-imposta de seus estudos, que terminou apenas na semana passada . 
A verdade é que o H5N1 sobre o qual se fez a moratória é mortal para os pássaros, mas sua transmissão de aves para humanos ainda é considerada ocasional. Por causa disso, seu estrago não é nada se comparado ao que já fez o H1N1, causador da Gripe Espanhola de 1918, que infectou aproximadamente um terço da população mundial da época (500 milhões de pessoas) e matou cerca de 50 milhões.
O problema da virulência de uma gripe reside basicamente na capacidade humana de gerar anticorpos para combatê-la que é fruto de três fatores: o corpo haver tido contato anteriormente com a cepa específica daquele vírus da gripe e já gerado alguns anticorpos, a capacidade imunológica (que varia de organismo para organismo) e a habilidade do vírus de se transmitir de pessoa para pessoa. No caso de haver uma combinação desses três fatores, a situação complica e ele realmente pode causar um estrago grande como foi o caso da gripe de 1918.
O H1N1 continua circulando por aí e se modificando – como todo vírus que se preze. Não surpreendentemente é uma variante dele o responsável pela pandemia de gripe que ocorreu em 2009 e trouxe à tona o medo da gripe presente no inconsciente coletivo humano. O fato é que a nova cepa do H1N1 está instalada nos cinco continentes, e teremos de conviver com ela como já fazemos com a gripe sazonal – boa parte dela causada por uma outra variante do H1N1.
A única questão a ser olhada com cuidado é a possibilidade de mais mutações que tornem o H1N1 mais agressivo. A ação concreta que pode-se tomar para mitigar esta questão é monitorar a estrutura genética do vírus para ver como ele está se modificando e isso está sendo feito. Porém, antes que H1N1 leve a fama de único malvado é bom saber que há uma cepa de H5N1 bastante virulenta e com a qual os cientistas, com razão, se preocupam seriamente."
Leia também no Biorritmo: 
Com medo do bioterrorismo (24/01/2012)

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