Você Comeria Peixe da Baía de Guanabara?

A Baía de Guanabara ainda é o mais importante local de pesca do estado do Rio de Janeiro, embora receba diariamente grande quantidade de esgoto

A Baía de Guanabara, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, recebe diariamente toda sorte de poluentes, inclusive 70% do esgoto doméstico de 8,3 milhões de pessoas que vivem na Região Metropolitana, conforme uma  reportagem que saiu na Revista Amanhã do jornal O Globo em 12 de março deste ano. São aproximadamente 12 mil litros por segundo de efluentes in natura (isto é, sem nenhum tratamento). Apesar de tanta poluição, as águas da Guanabara têm a maior produção de pescado do estado, com 3.891 toneladas.
A informação consta do monitoramento anual feito pela Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), cujos dados sobre a produção de pescado em 2012 acabaram de ser compilados. Pesquisadores do órgão estadual ressaltam que os números estão subestimados. Nem todos os pontos de desembarque de pescadores foram cobertos pelos especialistas.
Tanto que a estimativa apresentada pelo professor Marcelo Vianna, do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é ainda maior, mas, também considerada conservadora. Suas pesquisas indicam que a Baía de Guanabara produz cerca de 500 toneladas de pescado por mês. Ou seja, seis mil toneladas por ano, que movimentam um importante mercado pesqueiro, com aproximadamente três mil pescadores.
A influência da Baía de Guanabara não se restringe ao pescado de suas águas. Vianna ressalta que o estuário é fundamental para o ciclo de vida da maioria dos peixes capturados em mar aberto, apesar da poluição, tráfego de embarcações e dutos transportando derivados de petróleo. O camarão VG, a corvina e a tainha, entre tantos outros, precisam de águas protegidas para se desenvolver, sobretudo nas primeiras fases da vida.
O caso do camarão, valorizado nos mercados de frutos do mar, chama a atenção. Enquanto o VG, geralmente capturado em alto-mar, pode ser vendido a mais de R$ 35 o quilo, o camarão-lixo, capturado da Baía de Guanabara, tem baixo valor comercial. Miúdo e cinzento, acaba sendo vendido por unidade para servir como isca. Grande parte dos pescadores simplesmente desconhece que o pequeno e desvalorizado crustáceo é exatamente da mesma espécie que o cobiçado VG. A diferença entre um e outro é a idade e a falta de tempo para crescer, que poderia ser resolvida se ele fosse devolvido ao mar.
Se não há compreensão sobre o ciclo de vida do camarão, sobram aos pescadores outros conhecimentos. Eles são testemunhas do aumento vertiginoso do lixo. A ponto de as redes de pesca terem que sofrer adaptações, evitando a superfície da água para se desviar dos detritos.
A lida diária também mostra a queda vertiginosa tanto da qualidade quanto da variedade de pescado nos últimos 15 anos. Na Praia de Mauá, em Magé, até mesmo os atravessadores, que fazem a compra ainda na praia para levar o produto a outros mercados, diminuíram em quantidade. Para especialistas, essa é uma evidência do colapso da cadeia produtiva. Ali, o quilo costuma ser negociado a R$ 3.
O robalo, um peixe nobre que é servido cru em alguns restaurantes, consegue sobreviver na Baía de Guanabara, que recebe uma carga de 12 mil litros de esgoto por segundo. Deste total, de acordo com as estimativas do subsecretário estadual do Ambiente, Gelson Serva, apenas 30% recebem algum tipo de tratamento, nas estações de Alegria, Sarapuí, Penha, Icaraí e Ilha do Governador.
A pesca do robalo custa caro. Em vez de traineiras e motores barulhentos, os barcos de captura de robalos tem dois motores. Um deles é elétrico, para não fazer barulho (este equipamento custa cerca de R$ 700). 
A venda do robalo é fácil e há muita procura. Um único exemplar de peso nada excepcional, com uns cinco quilos, rende R$ 125. Quem capturar uma dúzia destes leva para casa R$ 1.500. De acordo com os pescadores, o grande entreposto é o Mercado São Pedro, em Niterói, de onde vão direto para restaurantes, sobretudo os japoneses, que os servem cru.
Pesquisadora da Fiperj, a oceanógrafa Francyne Vieira ressalta que ainda há muito o que se pesquisar para entender melhor não apenas a quantidade, mas a qualidade da pesca, não somente na Baía de Guanabara como também em todo estado. Porém, não há indicações de que os peixes da Baía de Guanabara tenham qualquer contaminação que faça seu consumo ser prejudicial à saúde.
Levando em consideração a quantidade de pesca, a poluição, o imenso transporte de cargas e pessoas pelas suas águas, dá para ver a força deste ambiente, sua capacidade de resiliência. Imagine a quantidade de peixes que haveria se não houvesse poluição.
Quer saber mais sobre a pesca na Baía da Guanabara? Acesse a matéria que serviu de fonte para esta postagem em  http://oglobo.globo.com/amanha/produtiva-apesar-da-poluicao-7813707#ixzz2R2jQMfYM
 

Comentários

  1. Realmente é triste ver as condições em que a Baía de Guanabara esta, não consigo imaginar a quantidade de vida que teria na baía se não fosse tão poluído.

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  2. Eu fico muito triste com a poluição de rios, praias e principalmente da baía de Guanabara, ali é o habitat de muitos peixes, muitas pessoas ganham dinheiro pescando na baía e se essa poluição continuar, as especies de peixes vão sumir cada vez mais.

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