Andar Com Fé na Ciência

Neurocientista brasileiro quer surpreender o mundo durante a abertura da Copa de 2014 apresentando um exoesqueleto capaz de fazer um paraplégico andar

Em palestra no Rio de Janeiro, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis falou sobre projeto que pretende fazer paraplégico andar até a Copa de 2014 e sobre iniciativas científicas e sociais promovidas pelo centro de pesquisa que coordena em Natal.
Na palestra realizada no dia 21 de maio de 2013, no auditório da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no Rio de Janeiro, Nicolelis, que é  pesquisador  da Universidade de Duke nos Estados Unidos e do  Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN ), apresentou suas expectativas e sonhos para o projeto Walk Again (andar de novo, em português). A iniciativa pretende desenvolver exoesqueletos movidos ‘por pensamento’ para permitir que pessoas com danos motores possam voltar a andar e recuperar a sensibilidade dos membros afetados.
Com o evento internacional tão próximo, há muito ceticismo em relação à possibilidade de o feito se concretizar – até porque um grande salto tecnológico precisaria ser dado. Mas Nicolelis está confiante. “Se tudo der certo, vamos mostrar ao mundo uma nova neurociência e afirmar que o Brasil não tem apenas bom futebol, mas muito boa ciência também”, profetizou, com a emoção habitual, o neurocientista. “Será um chute da ciência brasileira por toda a humanidade”, completou, com a voz embargada.
Fruto de uma parceria do IINN com a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), o projeto tem como base científica todo o conhecimento sobre a interface cérebro-máquina desenvolvido por Nicolelis nos últimos anos. No início da década de 2000, por exemplo, sua equipe da Universidade Duke conseguiu fazer um macaco mover um braço mecânico apenas com sinais nervosos. Em 2007, mostrou que esse tipo de controle poderia ser obtido remotamente e, em 2011, macacos controlando um braço virtual conseguiram reconhecer, na forma de impulsos nervosos, até a textura de objetos.
Nesse período, a capacidade de registrar a atividade neuronal aumentou muito – se antes era possível 'ler' 100 neurônios por vez, agora já são dois mil – e Nicolelis quer chegar aos 10 mil ainda este ano, o que dará mais precisão aos movimentos.
 Além disso, as pesquisas também têm obtido sucesso em outro ponto central para a construção de exoesqueletos que se movimentem em tempo real: a resposta mecânica aos impulsos. No caso do estudo de 2011, por exemplo, o cérebro do macaco nos Estados Unidos conseguiu movimentar um robô no Japão 20 milissegundos antes do próprio animal realizar o movimento.  
Desde 1988 nos Estados Unidos, o neurocientista  comemorou a realização do projeto Walk Again no Brasil, com investimento nacional. “Boa parte de minhas pesquisas foi feita nos Estados Unidos, com dinheiro americano”, afirmou Nicolelis. “Queremos mostrar que o Brasil pode fazer ciência capaz de impressionar o mundo e bancada por nós”, completou.
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Fonte: Revista CH On-Line (adaptado)

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