Saúde em Abundância?

Estudo controverso da Universidade de Oxford aponta que a gordura corporal concentrada nas coxas e no bumbum pode significar proteção para a saúde da mulher e um desenvolvimento melhor do cérebro do bebê. 

Segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, pessoas que concentram gordura corporal nas coxas e nádegas contam com proteção extra contra diabetes, doenças cardíacas e outras co-morbidades associadas à obesidade. Essa proteção seria explicada porque, nessa região, a gordura absorve ácidos graxos e contém um agente anti-inflamatório que impede a obstrução das artérias. O artigo, publicado na revista científica 'International Journal of Obesity', afirma ainda que ter bumbum grande é preferível à gordura na região da cintura, que não oferece esse tipo de proteção. O corpo em forma de pera – com mais gordura nas coxas, quadris e bumbum – seria muito mais saudável que o corpo em forma de maçã – com gordura concentrada na barriga e cintura.
De acordo com os pesquisadores, que avaliaram dados de mais de 16 mil mulheres, em contrapartida, pouca gordura nos quadris pode levar a problemas metabólicos sérios, como a Síndrome de Cushing, uma desordem causada por altos níveis de cortisona do sangue e que causa aumento de peso. "O que importa é a forma e onde a gordura se acumula", disse Konstantinos Manolopoulos, principal autor do trabalho.
Para quem se encaixa no perfil, vale procurar mais informações antes de sair comemorando. O médico e diretor da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Frederico Peret, explica que existem, sim, vários tipos de acúmulo de gordura e obesidade; e que a composição do corpo feminino acentua essa diferenças. “O que é considerada uma verdade científica, atualmente, é que a obesidade central, ou seja, a gordura acumulada no tronco e no abdômen, associa-se a um risco maior de doença cardiovascular. Isso quer dizer que o acúmulo na parte inferior do corpo traz um risco menor, mas não uma 'proteção' extra”, explica Peret.
De acordo com o médico, a obesidade central vincula-se também a problemas metabólicos importantes, relacionados tanto ao colesterol e aos triglicérides quanto à resistência à insulina, favorecendo o aparecimento de diabetes e aumentando os riscos durante a gravidez. “Uma série de mecanismos associados à atividade inflamatória explica esse processo. As mulheres que acumulam mais gordura na parte inferior do corpo têm, a longo prazo, resultados um pouco melhores em relação a doenças crônicas do que aquelas com obesidade central. O que não quer dizer que elas estão isentas dessas complicações e não precisam se cuidar. Obesidade não é bom para ninguém”, resume o especialista. 
Peret acredita que o estudo queira mostrar, na verdade, o seguinte: caso você apresente acúmulo de gordura no corpo, será menos maléfico para o organismo se ele estiver nas coxas e bumbum. “Mas daí a isso significar uma 'proteção' ou uma 'vantagem' em relação a todo o restante da população, ainda há há um longo caminho a ser percorrido em pesquisas. Essa conclusão é muito controversa”, alerta o médico, lembrando que mesmo uma pessoa com composição corporal adequada, alimentação saudável e praticante de exercícios pode apresentar problemas metabólicos e cardiovasculares. O acompanhamento médico é necessário em todos os casos.
O diretor da Sogimig lembra ainda que quadril largo não é sinônimo de mais gordura nessa região do corpo. E que são necessários outros estudos para definir se esse tipo de gordura pode configurar, futuramente, um fator de proteção. “Um indivíduo saudável que não se cuida pode passar pelos mesmos problemas que uma pessoa propensa a problemas cardíacos, por exemplo. Para viver muito e viver bem, é preciso ter cuidados básicos, e nenhum tipo de corpo escapa disso”, finaliza Frederico Peret.

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