O Homem Que Pôs a Evolução Numa Garrafa

A revista Science publicou um artigo da jornalista Elizabeth Pennisi intitulado “O homem que engarrafou a evolução” no qual relembra o memorável experimento de evolução biológica realizada há 25 anos por Richard Lenski

Em 1988, Richard Lenski, pesquisador da Universidade Estadual de Michigan, colocou em prática uma ideia simples, mas radical, que permitira a ele e seu grupo de pesquisadores estudarem a evolução biológica de uma maneira ainda não testemunhada, muito mais precisa
O experimento começou com 12 populações idênticas da bactéria Escherichia coli que foram acondicionadas em frascos com meios de cultura contendo 25 mg de glucose por litro. Os pesquisadores do laboratório de Lenski, assistiam-nas proliferando diariamente, e a cada 24 horas, as bactérias sob agitação constante e mantidas a uma temperatura de 37 ° C, multiplicam  explosivamente, esgotando a glicose, quando 1% delas eram transferidas para um novo frasco com novo suprimento de glicose. 
A cada 75 dias, ou seja, mais ou menos a cada 500 gerações, algumas das bactérias eram retiradas de seus frascos de crescimento, sendo então congeladas em freezeres para futuros estudos comparativos (e como reservas, caso os experimentos fossem contaminados) entre estágios mais novos e antigos da evolução dessas populações, o que permitiria também tentar replicar qualquer resultado em particular, repetindo o experimentos a partir de uma das amostras da população ancestral. Este protocolo de cultura microbiológica continuou dia após dia praticamente sem ser interrompido, com as culturas sendo congeladas temporariamente durante uma pausa de inverno, quando o campus estava deserto e quando Lenski mudou seu laboratório da Califórnia para Michigan. Vinte e cinco anos mais tarde já testemunhamos 58 mil gerações, o seria mais ou menos equivalente a um milhão de anos de evolução humana, ajustando para os tempos geracionais de nossa espécie.
Doze populações de bactérias, replicando e evoluindo por 25 anos, produziram alguns números bem grandes. As 12 populações de bactérias originalmente idênticas umas as outras, agora, são todas diferentes. Passaram-se 58000 gerações, sendo a cada dia observam-se 6,6 gerações. Em total estimado de aproximadamente 1014 bactérias. São empregados mais de 4000 frascos que mantem os ancestrais e as evoluídas e foram gastos dez mil litros de meio de cultura líquido. O custo do experimento é em 4 milhões de dólares. O envolvimento de trabalho em conjunto das pessoas equivale a 75 anos. Passaram pelo experimento 30 estudantes de doutorado e pós-doutorados e estão envolvidos nele 40 colaboradores externos. Até agora o experimento rendeu mais de 50 publicações em revistas científicas.
Os mais novos resultados mostram que, ao invés das bactérias chegarem a um "pico de aptidão" e por lá permanecerem, durante toda a duração do experimento, as bactérias continuaram a tornarem-se mais adaptadas. Quando os pesquisadores mediram o quão rápido as bactérias das gerações mais recentes poderiam proliferarem-se em relação aos seus antepassados (descongelados e ressuscitados de sua animação suspensa), eles descobriram que a aptidão das descendentes continuou a aumentar, sem sinais de estabilização, com a aptidão média aumentando, aparentemente, sem limites, de acordo com uma lei de potência.
Fonte: Evolucionismo.org (adaptado)

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