Crocodilo Extinto do Estado do RJ

Cientistas descrevem réptil que viveu no Brasil há 56 milhões de anos. Espécie 'Sahitisuchus fluminensis' mede 2 m e foi encontrada na região de Itaboraí (RJ).

Cientistas brasileiros publicaram na revista ‘PLoS One’ no dia 15 de janeiro de 2014 um artigo sobre os registros fósseis de um réptil no Estado do Rio de Janeiro datados do período Paleoceno (56 milhões de anos).
Os fósseis foram descobertos em 1984 na Bacia Calcária de São José do Itaboraí, mas só agora a espécie de dois metros de comprimento foi descrita.
Seu nome científico é ‘Sahitisuchus fluminensis’. O gênero vem da união de palavras de origem diferente. ‘Sahiti’ vem da língua xavante ‘sahi ti’ que significa ‘ser bravo’, nome atribuído aos guerreiros; ‘suchus’ vem do grego ‘soûkhos’, nome de um deus egípcio com forma de crocodilo. Traduzindo-se, seria ‘crocodilo guerreiro’.
O epíteto específico ‘fluminensis’ vem da palavra ‘fluminense’ que é o gentílico de quem nasce no Estado do Rio de Janeiro. Aliás, ‘fluminense’ vem do latim ‘flumen’ que significa ‘rio’.
A descoberta foi anunciada pelo paleontólogo Diógenes de Almeida Campos e pelos pesquisadores Alexander Kellner e André Pinheiro, ligados ao Museu de Ciências da Terra, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e ao Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo a descrição dos autores, o Sahitisuchus fluminensis tinha aproximadamente dois metros de comprimento, possuía um crânio alto e em torno de 16 dentes serrilhados na arcada superior, o que o ajudava a dilacerar suas presas.
Os cientistas avaliam que esta espécie comia de mamíferos marsupiais a répteis menores.
De acordo com o CPRM, trata-se do mais antigo réptil fossilizado encontrado no Estado do Rio de Janeiro. Além disso, o estudo aponta que essa espécie sobreviveu à grande extinção de 65,5 milhões de anos atrás, que dizimou parte dos animais, incluindo os dinossauros.
Para os paleontólogos, é um dos espécimes mais bem preservados já encontrados de crocodiliformes, grupo de répteis a qual pertence o “guerreiro fluminense” e que compreende os maiores predadores dos mares que viveram no planeta depois da grande extinção.
Nos calcários da Bacia de São José de Itaboraí já foram descobertos fósseis do Paleoceno (do período que compreende entre 65 milhões e 55 milhões de anos atrás) e do Pleistoceno, período mais recente, entre 2,5 milhões e 11,5 mil anos atrás.
De acordo com comunicado divulgado pelo CPRM, havia ainda no local milhares de pedaços de ossos e dentes isolados de mamíferos, principalmente marsupiais que viveram na América do Sul após a extinção em massa. Restos de répteis raramente são encontrados e ainda precisam ser mais bem estudados.

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