Informação X Conhecimento

De acordo com Herton Escobar, o volume de informações disponível aumentou exponencialmente nos últimos anos, com o crescimento da internet e a disseminação das redes sociais. Como transformar tanta informação em conhecimento?

Herton Escobar, conhecido blogueiro do jornal O Estado de São Paulo, comenta sobre as relações entre a informação e o conhecimento nos dias atuais. Segundo ele, na era digital as informações chegam numa velocidade estonteante, mas pouca gente tem tempo suficiente para pensar sobre tanta coisa, estabelecer relações entre todas essas informações e aprender, de fato, alguma coisa com elas. E acrescenta: o tempo disponível para leitura e reflexão pode ter chegado ao limite.
Para fundamentar os seus argumentos, Escobar utiliza como exemplo o resultado de uma enquete que vem sendo feita desde 1977 por pesquisadores do Centro de Estudos da Informação e Comunicação, da Universidade do Tennessee em Knoxville, sobre a capacidade dos cientistas de ler trabalhos científicos.
" O levantamento mais recente, realizado com 800 entrevistados, indica que, em 2012, cientistas liam uma média de 22 artigos científicos (papers) por mês; cerca de 264 por ano. Um resultado estatisticamente igual ao da enquete anterior, de 2005. Foi a primeira vez que o número de artigos lidos por semana não aumentou desde que a pesquisa começou a ser realizada, 36 anos atrás, o que levou a pesquisadora Carol Tenopir a deduzir que “as pessoas provavelmente chegaram ao limite do tempo que têm disponível para ler artigos”.
O tempo gasto na leitura de cada artigo, que vinha caindo significativamente ao longo dos anos, também parece ter se estabilizado, na faixa dos 30 minutos, segundo as enquetes de 2005 e 2012, informa o texto.
De acordo com o texto de Escobar," o volume de informações disponível para qualquer pessoa aumentou exponencialmente nos últimos anos, com o crescimento da internet e a disseminação das redes sociais, smartphones, tablets e outros dispositivos tecnológicos portáteis de acesso à rede, que fazem chover informações na nossa mão a hora que quisermos. Por outro lado, o ano continua a ter 12 meses; os meses continuam a ter 4 semanas; as semanas continuam a ter 7 dias; e os dias continuam a ter apenas 24 horas cada. Informações não faltam. Mas tempo, falta.
Vinte e dois artigos por mês me parece um número um tanto alto. Até porque não há tantos trabalhos relevantes sendo publicados assim, com tanta frequência, para uma área de pesquisa qualquer. Imagino que no Brasil os cientistas leiam menos do que isso, talvez por conta de todas as obrigações administrativas e burocráticas com que precisam lidar diariamente.
De qualquer forma, será preciso ler tantos trabalhos assim, do começo ao fim? O que seria mais produtivo: ler muitos trabalhos superficialmente, ou ler poucos trabalhos profundamente? Se você tem um mês de férias na Europa, qual é a melhor maneira de viajar: alugar um carro e voar nas estradas para visitar 22 cidades em 30 dias, passando pouco mais de um dia em cada uma delas; ou comprar um bilhete de trem, escolher 4 cidades mais interessantes e passar uma semana em cada uma delas?"

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