A Carne de Laboratório é Confiável?

No futuro poderemos comer carne sem matar animais, reduzindo os impactos ambientais da pecuária. Segundo pesquisador, ausência da gordura interfere no paladar, mas consistência e o sabor estão muito próximos da carne bovina normal. Mas, será que essa carne é 100% confiável.

Cientistas holandeses apresentaram em Londres no dia 5 de junho de 2013, o primeiro hambúrguer criado em laboratório a partir de células-tronco bovinas. A degustação foi transmitida ao vivo em um estúdio de televisão. Para preparar a carne, os cientistas misturaram a carne com outros ingredientes normalmente usados em hambúrgueres, como sal, ovo em pó e farinha de rosca. Além disso, suco de beterraba vermelha e açafrão foram adicionados para dar uma cor mais natural ao produto.
A iguaria talvez não seja a mais saborosa do gênero, mas, certamente, é a mais custosa: foram necessários dois anos de pesquisa e 325 mil dólares para se chegar a esse único e histórico sanduíche. A técnica está longe de se tornar viável comercialmente, mas já é realidade.
Na verdade, o holandês Dr. Mark Post, professor da Universidade de Maastricht, dedicou seis anos de pesquisas em carne artificial para culminar na degustação de junho do ano passado. Os voluntários que provaram do sanduíche feito com carne in vitro reclamaram da falta de gordura no produto. Segundo o pesquisador, a ausência da gordura realmente interfere no paladar, mas acredita que a consistência e o sabor estão muito próximos da carne bovina normal.
A produção da carne in vitro foi financiada por Sergey Brin, cofundador do Google. Sua identidade permanecia anônima até o evento de degustação, mas foi essencial para o projeto. Em entrevista a INFO, Post afirmou que a escolha por carne de vaca foi uma preferência de Brin.
Segundo a Revista Planeta, tentativas de produzir carne in vitro já acontecem há 15 anos. Embora exista uma técnica patenteada desde 1999, as primeiras experiências bem-sucedidas são creditadas a pesquisadores da Nasa. Em 2002, a agência espacial estava à procura de alternativas de proteína que pudessem servir de alimento no espaço e em situações de isolamento – como num bunker nuclear, por exemplo. Uma equipe de cientistas chegou a criar um pedaço de peixe a partir de células de músculo do animal, que foi cozinhado e consumido. Mas, apesar do sucesso, a agência não continuou os projetos.
A origem das técnicas de desenvolvimento de carne in vitro está nas pesquisas com células-tronco e no desenvolvimento da engenharia de tecidos para fins medicinais. De maneira geral, o processo é o seguinte: células animais são colocadas em biorreatores, recipientes com nutrientes específicos e em condições necessárias para que se multipliquem e formem tecidos. Para criar um pedaço de carne comestível, Post colheu células-tronco do pescoço de uma vaca, num abatedouro, e as colocou em recipientes preparados para a multiplicação.
Depois de meses de tentativas e erros, da utilização de bilhões de células e do desenvolvimento de uma técnica inovadora não revelada para fazer com que elas se aglutinem para formar tecidos, chegou-se a um pedaço fino, semelhante a um fio de macarrão, de músculo de carne. Esses filamentos serviram para compor o hambúrguer que foi degustado pela imprensa em 2013.
Post garante que a carne in vitro não oferece riscos para a saúde humana. “Também podemos usar a bioquímica da célula para que o material produza mais ácidos graxos poli-insaturados. Isso pode, eventualmente, deixar a carne artificial mais saudável do que a carne normal”, afirma o pesquisador.
A tecnologia poderá ser uma forma sustentável de suprir a crescente demanda por carne. A técnica também elimina emissões de gases poluentes associados à criação de animais. Cada vaca será capaz de produzir cerca de um milhão de vezes mais carne por meio desse método do que pelo abate de animais.
A técnica ainda precisa ser aprimorada. O próximo desafio será expandir o processo. Dr. Post estima que levará de 10 a 20 anos para que a carne in vitro possa ser produzida em massa. Conforme a técnica for aprimorada, também é provável que o custo da carne fique mais barato. Ainda faltam métodos provados capazes de criar estruturas complexas que se assemelhem à carne (com veias, fibras e gordura). Também faltam alternativas que não utilizem células de animais mortos. Falta também enfrentar o crivo da opinião pública e das agências de saúde regulatórias.

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