Gordofobia

 Obesos são vistos como pessoas gananciosas, sem autocontrole, desorganizadas, até grotescas.
Muitas  desenvolvem um sentimento de rejeição pela obesidade mais pelos aspectos estéticos e comportamentais do que pelo risco médico. 

No Brasil, o SUS gasta R$ 488 milhões anuais com tratamentos contra a obesidade. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em agosto de 2013, 51% dos brasileiros estão acima do peso (sendo 17% obesos). Em 2011, eram 48%. Campanhas por uma alimentação saudável e uma redução de peso são uma necessidade. O problema é que às vezes elas favorecem o aumento do preconceito. "Muitas pessoas desenvolvem um sentimento de rejeição pela obesidade mais pelos aspectos estéticos e comportamentais do que pelo risco médico", diz o endocrinologista Lício Veloso, professor da Unicamp e pesquisador de mecanismos da obesidade.
Em novembro de 2013, a revista Superinteressante (Editora Abril, nº325) publicou uma matéria cujo título era "Onde os gordos não tem vez" para denunciar os preconceitos sofridos por pessoas obesas em todos os setores da sociedade. O termo gordofobia que dá título a esta postagem foi tirada dessa matéria. Segundo a revista , a gordofobia está por toda a parte: no mercado de trabalho, nos concursos públicos, nas marcas de roupa, na novela.
"Desde que o pânico sobre o aumento de peso da população emergiu na década de 1990, essa visão negativa das pessoas gordas tem se intensificado", diz a socióloga australiana Deborah Lupton, professora da Universidade de Sydney e autora de Fat ("Gordo", não lançado no Brasil). O livro, publicado em 2012, analisa como tem se espalhado um estigma sobre os cidadãos acima do peso, "vistos como pessoas gananciosas, sem autocontrole, desorganizadas, até grotescas".
Na TV, gordos são ridicularizados, sofrendo para fazer dieta e se exercitar em frente às câmeras. Fala-se de uma "epidemia de obesidade", e gordos recebem olhares de desaprovação, como se fossem emissários da peste negra. Companhias aéreas e marcas de roupas penalizam seus clientes mais pesados. No Brasil, o sobrepeso virou critério de seleção em concursos públicos e se transformou em nota de corte no mercado de trabalho - em uma entrevista, o publicitário e apresentador de TV Roberto Justus decretou que não se deve contratar quem está acima do peso, pois isso  seria um sinal inequívoco de desequilíbrio e falta de inteligência. "Muitas campanhas contra a obesidade acabam envergonhando a quem deveriam ajudar, além de incitarem o ódio à gordura", diz Deborah.
De acordo com a Super, "grandes companhias aéreas, como a americana United Airlines, já cobram dos gordinhos uma poltrona extra para deixá-los viajar. A Southwest, empresa de voos de baixo custo dos Estados Unidos, não só adota essa política como o diretor Kevin Smith, de O Balconista e Procura-se Amy, foi obrigado a descer de uma de suas aeronaves e seguir em outro avião por seu peso ter sido considerado uma ameaça ao voo. Já a oceânica Samoa Air passou a cobrar os passageiros por peso: cada quilo custa entre US$ 1 e US$ 4,16."
Em 2007, o executivo-chefe da empresa responsável pela marca Abercrombie & Fitch, Mike Jeffries, disse que garotos "não legais" e "mulheres gordas" não deviam usar a marca. No livro The New Rules of Retail ("As Novas Regras do Varejo", ainda não lançado no Brasil), os autores Robin Lewis e Michael Dart revelam que a A&F não fabrica roupas no tamanho G e GG. Só em maio de 2013, seis anos depois das declarações de Jeffries, uma onda de protestos na porta de suas lojas levou a empresa a pedir desculpas.
"Ser gordo também pode ser um problema para quem quer entrar no serviço público", relata a Superinteressante." Em 2011, cinco professoras aprovadas em concurso não puderam entrar para o funcionalismo paulista devido à obesidade. E há o caso de Ricardo Duailibe Leitão, aprovado para a vaga de fiscal de rendas do Estado de São Paulo em um dos mais difíceis concursos do País e reprovado no exame médico. O motivo: com 127 quilos, é considerado obeso." "Todos os meus exames estão dentro da normalidade, faço exercícios regularmente e meu físico não representa nenhum entrave no meu cotidiano", afirma Ricardo. Mesmo assim, não conseguiu convencer um perito de que seu IMC, de 44,4, não significa falta de saúde. Só após perder dez quilos e passar por uma junta de três profissionais é que foi aceito no emprego. Ele reclama: "Só quem é gordo sabe o que é isso. Em todo lugar tem alguém dizendo que você deveria fazer um regime". A Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo se defendeu: "não decorre de atitude excludente ou preconceituosa e sim pelo quadro de saúde ir de encontro ao Estatuto do Funcionalismo Público". Segundo o comunicado, as perícias levam em conta o período por que deve se estender a carreira do funcionário.
O autor de novelas Walcyr Carrasco também é citado na matéria da Super. "Acredito que atualmente gordos são mais discriminados que os negros", escreveu Walcyr em seu blog. "Já vivi isso na pele, porque já fui praticamente obeso."
Veja também aqui no Biorritmo: 

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