Um Outro Passo de Nicolelis

Após a polêmica causada na apresentação do exoesqueleto na abertura da Copa, o nome do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis ressurge em artigo publicado numa revista científica de prestígio internacional

Esqueça o exoesqueleto da Copa. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis está de volta ao cenário científico, dessa vez com a publicação de um artigo na revista Nature Methods de junho. Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), Nicolelis esteve recentemente no centro das polêmicas envolvendo os resultados de suas pesquisas com o desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina.
O artigo Chronic, wireless recordings of large-scale brain activity in freely moving rhesus monkeys , assinado por Nicolelis e colaboradores relata avanços nas técnicas de registro da atividade cerebral em grande escala, os quais podem contribuir tanto para a elucidação de princípios neurofisiológicos quanto para o desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina (ICMs ou BMIs, em inglês). No artigo, os pesquisadores descrevem um paradigma neurofisiológico para a realização de registros de grande escala com e sem fio a partir de implantes de multieletrodos móveis de volumetria tridimensional (3D) em macacos.

Essa abordagem permitiu a equipe de cientistas isolar até 1.800 unidades de neurônios por animal e, simultaneamente, registrar a atividade extracelular de cerca de 500 neurônios corticais, distribuídos em diversas áreas corticais do comportamento em macacos rhesus livres. O método é expansível, em princípio, a milhares de canais registrados simultaneamente. Ele também permite o aumento da longevidade de registro (5 anos consecutivos) e registro de uma ampla gama de comportamentos, tais como interações sociais e os paradigmas de ICM em primatas que se movem livremente. Os cientistas acreditam que os registros sem fio em grande escala podem ter um profundo impacto sobre a pesquisa básica de neurofisiologia dos primatas, proporcionando um enquadramento para o desenvolvimento e teste de neuropróteses clinicamente relevantes.

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