Abelhas Com Sensores Nas Costas

Pesquisador brasileiro instala sensores nas costas das abelhas a fim de monitorá-las e entender as causas do misterioso desaparecimento das abelhas verificados nos últimos anos

Nascido no Espírito Santo e radicado na Austrália desde 2008, o pesquisador brasileiro Paulo de Souza aposta na tecnologia para solucionar o mistério da morte em massa das abelhas. Engenheiro do CSIRO (órgão de desenvolvimento científico da Austrália), Souza está à frente de uma pesquisa que tenta responder a uma pergunta que está tirando o sono de cientistas: por que as abelhas estão morrendo numa velocidade duas vezes mais rápida do que alguns anos atrás? “Precisamos saber por que as operárias abandonam suas colmeias”, disse Souza. “De forma direta e indireta, isso causa a falência de fazendas e prejudica a produção de alimentos ao redor do mundo.”
Para estudar o chamado Distúrbio de Colapso de Colônias ( CCD na sigla em inglês) - um problema descoberto em 1995 nos EUA, o qual faz com que as abelhas operárias de um ninho não encontrem mais o caminho de casa, abandonando a rainha e os ovos e causando a destruição de suas colmeias - Paulo resolveu instalar sensores nas costas das abelhas a fim de monitorá-las. Os efeitos devastadores do CCD são mais evidentes em países do hemisfério Norte, mas já há suspeitas de que a síndrome esteja se repetindo em outros lugares, inclusive no Brasil. 
A instalação dos chips nas costas das abelhas requer os seguintes procedimentos, descritos passo a passo na revista Galileu: Primeiro, as abelhas precisam ser capturadas e colocadas numa geladeira até que suas temperaturas corporais baixem para 5 °C, quando entram em hibernação. Com um bisturi e uma pinça, Souza raspa cuidadosamente os pelos dos insetos. As abelhas são depiladas para a instalação de sensores de 2,5 milímetros de largura e 5 miligramas de peso em suas costas. O procedimento dura menos de cinco minutos, quando os bichinhos acordam. Enviadas para uma área de readaptação, elas demoram para se acostumar com o peso extra do chip — e daí estão prontas para voltar às colmeias. 
Equipadas com chips de RFID (identificação de radiofrequência, na sigla em inglês), elas saem do laboratório para retomar a polinização, a produção de mel ou qualquer outra função na colmeia. A atividade das abelhas é monitorada por uma série de antenas que registram toda vez que uma delas passa por um determinado ponto. Ao todo, 5 mil insetos carregarão o chip nas costas até o final do experimento. Essa informação é retransmitida para um centro de controle, onde cientistas criam um modelo tridimensional da movimentação das abelhas. A ideia por trás do estudo é verificar o quanto a exposição aos pesticidas afeta o comportamento de colônias. Para isso, duas das colmeias do centro de pesquisa de Hobart (Tasmânia, Austrália) são expostas a pólen contaminado com agrotóxico. As outras duas não. Se Souza e sua equipe notarem uma alteração no comportamento das abelhas expostas ao pesticida, como a incapacidade de voltar para o ninho, atrasos e até a morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito de causar o CCD.

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