Uma Molécula Contra a Dor

Pesquisadores brasileiros e americanos anunciaram os resultados dos primeiros experimentos pré-clínicos com uma pequena molécula analgésica capaz de substituir os medicamentos convencionais 

Em um estudo publicado no dia 28 de agosto na revista Science Translational Medicine, pesquisadores brasileiros e americanos anunciam os resultados dos primeiros experimentos pré-clínicos com uma pequena molécula que, segundo eles, poderá ser a primeira de uma nova classe de analgésicos, potencialmente isentos das complicações que afligem os analgésicos atualmente disponíveis no mercado.
Conforme noticiou Herton Escobar em seu blog no Estadão, a molécula se chama Alda, e sua descoberta foi publicada em 2008 na revista Science, por Daria Mochly-Rosen e Che-Hong Chen, da Universidade Stanford. Nos anos que se seguiram, Daria e Chen uniram forças com pesquisadores brasileiros para testar a droga em modelos animais, e o resultados desse esforço é o que está publicado agora na Science Translational Medicine (com o prestígio adicional de ser o destaque de capa da revista).
Os experimentos relatados no trabalho demonstram que a Alda funciona como um analgésico eficiente em ratos e camundongos, ativando uma enzima chamada ALDH2, que é responsável por degradar aldeídos (compostos nocivos ao organismo que são formados em processos inflamatórios e são uma das causas da sensação de dor associada a essas inflamações). Quanto mais ativa for a ALDH2, menor é a quantidade de aldeídos, e consequentemente, menor é a dor. Aparentemente, sem efeitos colaterais.
“É um mecanismo de ação totalmente diferente dos analgésicos atuais”, destaca a pesquisadora Vanessa Zambelli, do Laboratório Especial de Dor e Sinalização do Instituto Butantan, que é a primeira autora do trabalho – realizado parte em Stanford, parte no Brasil. Também assinam o estudo, pelo Butantan, as brasileiras Yara Cury (sua orientadora) e Vanessa Gutierrez (hoje na iniciativa privada).
Os testes foram realizados com ratos, que tiveram uma inflamação induzida por uma toxina em suas patas, e em camundongos transgênicos, portadores de uma mutação que inibe geneticamente a atividade da ALDH2. Em ambos, a dor foi significativamente reduzida com a aplicação da Alda.

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