Salvem os Abutres!

O uso de diclofenaco veterinário nas pastagens indianas já reduziu em 99% a população de abutres. Com a liberação do medicamento pela União Européia, entidades ambientalistas temem que essa tragédia ambiental atinja os abutres europeus e africanos

O uso de diclofenaco ─ anti-inflamatório aplicado em gados nas pastagens indianas ─ é responsável por 99% das mortes de abutres-indianos-de-dorso-branco (Gyps bengalensis) nos últimos 20 anos. A morte ocorre por falência renal nos abutres que consomem a carcaça de animais tratados com a droga. O desaparecimento da espécie eleva a incidência de algumas doenças, de ratos e de cães selvagens, ameaçando a vida e a segurança humana, segundo informações da Scientific American Brasil.
Em 2006, o governo da Índia proibiu o uso de diclofenaco nos gados, mas infelizmente o medicamento ainda é usado pelos fazendeiros. Isso ocorre, pois não foi feito um trabalho de educação ambiental, mostrando aos fazendeiros o problema ambiental causado pelo uso da droga.
Na Índia, com intuito de alavancar as populações de abutres, biólogos criaram “restaurantes” para essas aves. Nesses curiosos locais, os animais podem encontrar alimento livre do medicamento. Por enquanto existem quatro “restaurantes”, um no estado de Maharashtra e três em Punjab.
“Compramos carcaças de búfalos, vacas, bois e de qualquer outro animal morto dos moradores das vilas e as colocamos em plataformas muradas”, explica o guarda florestal de Punjab Ramesh Chander. Isso garante às aves lugares seguros para alimentação e também para nidificação. Os três locais em Punjab ficam próximos a uma fonte de água fresca.
Os oficiais pagam 67 dólares por carcaça, valor quase três vezes maior do que pago pelos abatedouros locais pelos mesmos animais e todas as carcaças são testadas quanto à presença da droga antes de serem liberadas para as aves.
Na Índia, entre 1992 e 2007, as populações de três espécies asiáticas – abutre-de-dorso-branco (Gyps bengalensis), abutre-de-bico-longo (Gyps indicus) e abutre-de-bico-estreito (Gyps tenuirostris) – diminuíram entre 97,5% a 99,9%. O custo estimado deste quase extermínio para a sociedade indiana rondou os 24.500 milhões de euros. Quando se provou a relação entre a morte dos abutres e o fármaco, em 2006, este foi proibido e substituído por outro – o meloxicam – com efeitos semelhantes mas não tóxico para as aves. Desde então, apesar de se saber que o medicamento continua a ser usado ilegalmente em algumas explorações pecuárias, as populações começaram a recuperar, embora lentamente.
Recentemente, as autoridades responsáveis pelos medicamentos na Espanha e na Itália aprovaram o uso veterinário de diclofenaco. Sendo a Espanha o país que concentra a maioria dos abutres europeus – incluindo os que chegam a Portugal –, as associações de conservação da natureza desse país temem uma catástrofe semelhante à que ocorreu na Índia e apelam à União Europeia para banir o uso da droga.
Com uma parceria conjunta de 70 organizações de conservação em toda a Europa e África, a BirdLife lançou uma campanha para combater o o envenenamento dos abutres a partir de soluções simples e eficazes. Mas para colocar o projeto em ação, eles precisam urgentemente de £ 20.000 (20 mil euros) para identificar e combater as ameaças a essa bela e importante ave. As doações serão primeiramente usadas para combater a proibição do diclofenaco veterinário em toda a Europa e enfrentar outras ameaças na África. Somente esta ação já seria importante para salvar milhares de abutres. 

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