O Ebola e a Epidemia do Preconceito nas Redes Sociais

Em meio a dúvidas sobre sintomas, riscos de infecção e especulações sobre a confirmação ou não do caso de Ebola no Brasil, alguns internautas mais uma vez publicaram comentários racistas nas redes sociais. As ofensas associam o vírus ebola à população de origem africana. Na foto: homem deixado numa rua da Libéria suspeito de ter morrido pela infecção do vírus mortal.

A possibilidade ainda não confirmada de um caso de Ebola no Brasil tem causado uma epidemia de preconceito na Internet. Em meio a especulações sobre a confirmação ou não do caso em nosso país, alguns internautas publicaram comentários racistas, associando o vírus ebola à população de origem africana.O vírus ebola se espalhou pelas redes sociais desde a primeira suspeita de infecção no país, reportada em Cascavel, no interior do Paraná.
Da noite de quinta-feira até a manhã desta sexta (10/10), o termo "ebola" foi compartilhado 120 mil vezes pelo Twitter em português. A palavra Guiné, país de onde veio o paciente, foi a terceira mais citada na rede social por volta da meia-noite.
A Guiné é um dos três países que concentram a epidemia do vírus na África, juntamente com Serra Leoa e Libéria.
Pelo Facebook, segundo a ferramenta de análise Sysomos, mais de 400 postagens públicas em português sobre o Ebola surgiram nas últimas 24 horas.
Os termos "ebola", "Guiné" e "Fiocruz" seguem entre os dez tópicos mais comentados por brasileiros na rede.
"Ebola é coisa de preto", "Alguém me diz por que que esses pretos da África têm que vir para o Brasil com essa desgraça de bactéria (sic) de ebola" e "Graças ao ebola, agora eu taco fogo em qualquer preto que passa aqui na frente" foram algumas das frases postadas no Twitter na manhã desta sexta.
A situação não é diferente entre os usuários do Facebook. A nuvem de palavras que mostra os termos mais associados à doença na rede destaca a palavra "preto".
Ou seja, a maioria das pessoas que escreveu publicamente sobre o vírus associou "ebola" ao termo "preto". Como se não bastasse o avanço da doença, ainda temos que lidar com a disseminação do preconceito racial. E contra este último parece não haver vacina nem medicamento que dê jeito.
Saiba mais sobre o vírus ebola no Biorritmo.
Fonte: iG Saúde

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