Planta Sugadora de DNA

Pesquisadores descobrem que, além da troca de nutrientes entre uma determinada planta parasita e sua hospedeira, há também troca de material genético. Segundo eles, através dessa troca de informações, a parasita pode estar enviando mensagens para tornar a hospedeira mais suscetível ao seu ataque, funcionando como um cavalo de Tróia genético.

Há tempos que os pesquisadores não veem mais as plantas como seres inofensivos, pacíficos, ingênuos ou inertes. Tem muita espécie de planta que está tirando o sono dos botânicos com as suas peripécias. Uma delas é a Cuscuta pentagona, um já conhecido pesadelo de muitos agricultores. Popularmente conhecida como fio-de-ovos, é uma planta trepadeira em forma de fio, exclusivamente parasita. Quando nasce, é verdinha e consegue sobreviver até 10 dias sem uma hospedeira. Praticamente não possui clorofila e suas folhas são muito pequenas, em forma de escamas, por isso tem a aparência de um fio amarelo e precisa achar rápido uma planta hospedeira para continuar viva. Quando encontra, se enrosca em volta do caule e através de pequenas estruturas afiadas (os haustórios), penetra as células da vítima a fim de lhe sugar a seiva, como um vampiro, sufocando e enfraquecendo a planta hospedeira.
A Cuscuta pode parasitar diversos tipos de plantas e já era conhecida sua capacidade de transmitir doenças virais de uma planta a outra. Porém, pesquisadores descobriram algo ainda mais interessante: a parasita é capaz de trocar informações genéticas com a hospedeira.
A pesquisa mostrou que além da troca de nutrientes havia troca de RNA mensageiro entre parasita e hospedeira. O RNA mensageiro é quem traduz as informações contidas no DNA. Acreditava-se que fossem moléculas muito frágeis para serem transportadas de uma espécie a outra, mas foi observado que metade de todo RNA mensageiro da hospedeira estava na parasita e ¼ do RNA da parasita estava na hospedeira.
Segundo James Westwood, coautor do estudo, a Cuscuta é como um hacker, captando informações a respeito do crescimento e desenvolvimento da planta hospedeira. Ele acredita também que através dessa troca de informações, a parasita pode estar enviando mensagens para tornar a hospedeira mais suscetível ao seu ataque, funcionando como um cavalo de Tróia genético.
A comunicação por sinalização química entre as plantas é bem conhecida e esse primeiro estudo mostra um novo e emocionante meio de comunicação genético que “pode ser mais comum do que imaginamos”, disse Westwood.

Comentários

  1. Quem sabe, com tanta troca de material genético, estas plantas não estabeleçam num futuro distante um relação simbiótica

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