A Base Genética da Sociedade das Formigas

Pesquisador suíço, especialista em formigas, afirma em estudo que existe uma base genética por trás da organização social destes insetos. Segundo Laurent Keller, as formigas vivem muito porque são unidas e contribuem para o bem-estar da população dos formigueiros

O pesquisador suíço Laurent Keller, um dos maiores especialistas em formigas do mundo, foi o primeiro a identificar o caráter genético da sociedade das formigas. Keller descobriu que as formigas vivem muito porque são unidas, colaboram entre si, se protegem e se ajudam e podem até produzir medicamentos. Presidente da Sociedade Europeia de Biologia Evolutiva e autor do livro A Vida das Formigas (La Vie des Fourmis, em francês, ainda sem tradução para o português), Laurent explica que o elevado grau de sociabilidade das formigas é decorrente de uma base genética. Segundo o pesquisador, as formigas estão programadas para ser sociais, para colaborar e trabalhar para o grupo, para fazer as funções que cada uma delas fazem.
De acordo com o estudo do cientista suíço, o fato de estes insetos sociais viverem muitos anos pode ser explicado pela sua organização em sociedade. Keller menciona que o recorde de longevidade no mundo dos insetos pertence a uma formiga rainha de uma determinada espécie a qual viveu 28 anos, o que é considerado extraordinário para um inseto. Os insetos vivem em média dias ou semanas. Em outras espécies de formigas, as rainhas vivem no máximo entre 10 e 15 anos. Já as formigas operárias, são as que têm o menos tempo de vida, variando de 1 a 2 anos, o que também já é muito para um inseto.
Mas por que as formigas vivem tanto? Conforme os estudos de Keller, a organização da sociedade das formigas pode ser comparada com a estrutura da sociedade humana. O fato delas serem unidas, colaborarem entre si, se protegerem e se ajudarem, além de produzirem medicamentos para evitar que certas bactérias se propaguem no interior da colônia, garantem  a sua longevidade.
Num formigueiro podemos encontrar entre 2 e 20 milhões de formigas. O princípio da organização está na formiga-rainha. A rainha nasce por partenogênese. Há ainda outras três castas, sendo as mais comuns as dos soldados e as das operárias.Todas estas castas nascem da rainha, pois é a única que mantém relações sexuais com formigas-macho. Desta forma, tudo depende da rainha, embora ela não tenha nenhuma função no formigueiro. Ela está ali só para garantir a população e a  sobrevivência da colônia. A rainha nunca sai do formigueiro e está extraordinariamente bem protegida, por isso vive tantos anos.
Como em toda sociedade, existem rebeliões internas nas colônias e guerras entre formigas, quando competem pelo mesmo espaço. Isto está acontecendo, por exemplo, com as espécies invasoras que estão chegando à Europa, principalmente vindas da América Latina. Estas espécies são muito agressivas. Keller afirma que também existe uma base genética para o conflito.
Do ponto de vista evolutivo, as formigas mudaram pouco em cem milhões de anos. São muito bem adaptadas ao ambiente em que vivem e sobreviveram a todo tipo de cataclismas, glaciações e, provavelmente, vão sobreviver à espécie humana.
Fonte: El País

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