Tatus Atropelados Viram Notícia

Normalmente, os órgãos de imprensa costumam noticiar o atropelamento de animais de grande porte como onças, lobos-guarás, tamanduás, etc. Porém estes representam apenas 1% do total de animais que são atropelados anualmente nas estradas brasileiras. 90% dos vertebrados atropelados são animais de pequeno porte como sapos, cobras, pequenas aves e tatus.

É a primeira vez que vejo a imprensa noticiar o atropelamento de um vertebrado de pequeno porte. Raramente os fatos rotineiros viram notícia. Em geral, a imprensa tem preferência pelo inusitado, pelo diferente. No dia 10 de dezembro de 2014 o site do Jornal da Cidade (Bauru – SP) deu a notícia do atropelamento seguido de morte de dois tatus ( a mãe e seu filhote) na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), próximo ao final da avenida Nações Unidas, em Bauru.
O atropelamento dos tatus pode ser analisado por ser uma exceção, afinal, esse tipo de caso é normalmente noticiado quando envolve onças, lobos-guarás, tamanduás e outros animais de grande porte – que representam apenas 1% das mortes. Os pequenos animais silvestres, como sapos, cobras, pequenas aves e tatus como os de Bauru, são as principais vítimas, representando 90% do total.
Veja um trecho da matéria publicada no JC: "A mãe e filhote de tatu-galinha morreram após serem atropelados na alça de acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), próximo ao final da avenida Nações Unidas, nesta terça-feira (9), em Bauru. A mãe do filhote chegou a ser esmagada devido ao impacto da batida e os restos mortais ficaram pela pista."(matéria “Bauru-Marília: mãe e filhote de tatu-galinha são atropelados”)
Vale destacar que, de acordo com estudo do coordenador do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia em Estradas (CBEE), Alex Bager, 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados todos os anos nas estradas e rodovias brasileiras. Isso significa que 15 animais morrem vitimadas por colisões a cada segundo em uma estrada, rodovia ou auto-estrada do nosso país. Bager, professor de biologia da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, também é o principal responsável pela criação do aplicativo Urubu Mobile. Já usado por mais de 6.000 usuários, o aplicativo para smartphones  permite aos motoristas registrarem o acidente para ajudar a estruturar o Banco de Dados Brasileiro de Atropelamento de Fauna Selvagem (BAFS) e enviar para o CBEE a fim de identificar as onde ocorre mais atropelamentos de fauna em todo Brasil.
Para isso, basta tirar uma foto do animal atropelado por meio do aplicativo. A localização geográfica é obtida por GPS e data e hora são identificadas automaticamente pelo Urubu Mobile.Toda informação fornecida pelos usuários do aplicativo é repassada para o Sistema Urubu.
Após encontrar os tatus mortos, o diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, que trafegava pela rodovia lançou os dados no Sistema Urubu, que realiza monitoramento de mortes de animais por atropelamento através de rede social. “Esse sistema disponibiliza pela internet quais animais estão sendo atropelados e em quais estradas. Com isso, nós queremos que as autoridades possam ver os quilômetros que possuem bastante atropelamento e realizar mudanças. Assim, precisamos de pessoas que usem esse aplicativo, pois quem fotografa os animais atropelados e mandam informações, ajuda a termos um melhor monitoramento”, enfatizou.
O tatu-galinha é um mamífero típico da região de Bauru e pode ser encontrado em todos os biomas brasileiros. Ele vive em tocas de até seis metros de profundidade, que servem de proteção contra predadores, possui hábitos noturnos, mas também podem ser vistos durante o dia e podem atingir um comprimento de 39 a 57 centímetros sem a cauda.
Fonte: Fauna News

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