Ser Humano Não É Tudo

Novos estudos genéticos têm lançado luz sobre a evolução humana e destronado a espécie humana do seu posto de ápice da evolução. Segundo os geneticistas, a história evolutiva do homem não pode ser contada de maneira linear, uma vez que há evidências da convivência entre o Homo sapiens e as espécies ancestrais de hominídeos.

A matéria de abril de 2014 que saiu na revista Superinteressante com o título "O Que Significa Ser Humano?" é essencial para as nossas reflexões. Afinal de contas, sempre consideramos a espécie humana como sendo o ápice da evolução. Mas, a intervenção dos geneticistas no estudo da antropologia tem mostrado que este nosso posto elevado na biologia evolutiva se encontra ameaçado. 
Por muito tempo, a história do homem na Terra foi contada de maneira linear. Começou com um ancestral macaco, comum tanto do homem quanto do chimpanzé, que vivia nas árvores africanas 10 milhões de anos atrás e, após a descida da árvore e a aquisição da postura ereta, foi se desenvolvendo até chegar à espécie atual, o famoso Homo sapiens. Na última década, estudos conduzidos por geneticistas serviram para mostrar que essa linearidade precisa da árvore genealógica humana não mais se sustenta. 
O primeiro mito a cair foi o de que a espécie atual derrotou os neandertais numa disputa por recursos, levando-os à extinção. Isso era consenso entre os antropólogos até que geneticistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, liderados pelo sueco Svante Pääbo, começaram a sequenciar o genoma dos neandertais, em 2006. Em 2010 veio a bomba: uma comparação do genoma neandertal com o do sapiens mostra que todos os humanos vivendo hoje, salvo aqueles nascidos na África, têm ancestrais neandertais.
Dois estudos publicados recentemente sugerem que nosso percentual genético neandertal é de 1% a 3%. Parece pouco, mas se torna mais significativo quando você vai ver o quanto de todo o genoma neandertal sobrevive hoje na população humana: cerca de 20%. Ou seja, um quinto da receita para fabricar um neandertal está espalhada por aí, nas diversas populações humanas.
Estudos genéticos mostram também que há ancestrais dos misteriosos homens denisovianos ( uma espécie de humanos que habitava o leste asiático) entre as populações da Oceania. É bem possível que nenhum desses nossos primos não-sapiens tenha se extinguido de fato. Na verdade, o fenômeno que provavelmente aconteceu foi uma diluição de sua herança genética, diante de um número bem maior de sapiens.
Teorias mais avançadas sugerem que que outras espécies de hominídeos conviveram com os sapiens modernos. Os erectus sumiram mais ou menos na mesma época que eles surgiram. Teriam também se misturado? E o que dizer dos Homo floresiensis, apelidados de hobbits por seu tamanho diminuto? Fósseis encontrados na Indonésia sugerem que esses mini-humanos, com crânios bem menores que o nosso, mas ainda assim claramente inteligentes, pois usavam lanças de pedra lascada, estiveram por aí até meros 12 mil anos atrás. Haveria traços de seu DNA na composição genética dos sapiens da Oceania? 
Até o nosso posto de auge da vida inteligente no planeta terra está ameaçado. Ao que parece, o surgimento da inteligência humana não foi meramente um feliz acidente de percurso, mas representou uma vantagem evolutiva tão grande que aconteceu mais de uma vez, em diferentes pontos da Terra. Isso quer dizer que algo parecido pode perfeitamente acontecer em outros planetas, ou mesmo se repetir na história evolutiva da Terra em algum outro momento. (Há quem diga até que já se repetiu, e o resultado são os golfinhos, que, apesar de não terem a estrutura física adequada para o desenvolvimento de tecnologias, são extremamente inteligentes.), diz a Super.
A despeito das bobagens racistas que costumamos ouvir por aí, faz parte nossa natureza se espalhar por todos os locais habitáveis e se misturar às populações presentes nessas novas fronteiras. Somos todos, por definição, miscigenados. Em outras palavras: não existe raça pura. E nos tornamos mais fortes como espécie por causa disso.
Fonte: Revista Superinteresssante (com adaptações)

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