A Ciência Que a Ditadura Calou

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) lançou na semana passada o portal Ciência na Ditadura para resgatar a história das vítimas e mostrar os danos causados pela ditadura à vida acadêmica nacional. No portal são identificados cientistas que foram presos, torturados, assassinados, exilados, demitidos, aposentados, submetidos a inquéritos militares, cujos livros foram proibidos, tiveram que se demitir ou fugir do país em função do clima de perseguição política, ou sofreram boicote ao seu trabalho científico e intelectual. 

No final do março, quando foram lembrados os 51 anos do golpe de 64, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) lançou o portal Ciência na Ditadura para resgatar a história das vítimas e mostrar os danos causados pela ditadura à vida acadêmica nacional. No portal são identificados cientistas que foram presos, torturados, assassinados, exilados, demitidos, aposentados, submetidos a inquéritos militares, cujos livros foram proibidos, tiveram que se demitir ou fugir do país em função do clima de perseguição política, ou sofreram boicote ao seu trabalho científico e intelectual
O portal reúne lista de 471 pesquisadores, professores e alunos de pós-graduação que tiveram suas carreiras interrompidas ou prejudicadas por ações da ditadura militar que vigorou por 20 anos no Brasil. Todos ganharam verbetes, contando qual era sua área de pesquisa e que tipo de sanções receberam do regime.
Muitos pesquisadores foram presos por envolvimento com a Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de extrema esquerda que lutava contra a ditadura. O caso mais emblemático de perseguição a cientistas no país pelo regime militar foi o do casal Ana Rosa e Wilson Silva. Em 22 de abril de 1974, a professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Ana Rosa Kucinski Silva, de 32 anos, saiu para almoçar com o marido, o físico Wilson Silva, em um restaurante perto da Praça da República, em São Paulo. Nenhum dos dois voltaria a ser visto. Só em 1993 viria à luz que foram levados da capital paulista para a chamada “Casa da Morte”, um centro de tortura montado em Petrópolis (RJ), conforme informações do jornal O Globo.
O desaparecimento deles e de tantos outros pesquisadores causou um enorme prejuízo ao Brasil. Para o coordenador de História da Ciência do MAST, Alfredo Tolmasquim, responsável pelo portal, o regime promoveu uma fuga de cérebros do Brasil. "A repressão atingiu a todos. Não mirava só em quem tinha liderança política dentro das universidades, mas também quem tinha liderança acadêmica", conta Tolmasquim, que fez o trabalho ao longo de um ano, em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
De acordo com Tolmasquim. "tivemos todo tipo de repressão, desde aposentadoria compulsória até prisão ou assassinatos e tortura, como o caso da Ana Rosa. Havia ainda quem fosse barrado informalmente por institutos de pesquisa ou universidades. Por conta desta “cassação branca”, esses cientistas não conseguiam mais bolsas para pesquisas, ou passavam em concursos mas não eram contratados. Pelo fato de ser informal, este tipo de repressão é difícil de identificar ainda hoje." 
A lista de perseguidos tem muitos nomes ilustres da ciência brasileira como o do casal Victor e Ruth Nussenzweig, Isaias Raw e Otto Gottlieb, um dos maiores bioquímicos do pais, pioneiro no estudo de substâncias produzidas por plantas brasileiras. Pesquisador da Fiocruz, falecido em 2011, Gottlieb sofreu perseguição política, que paralisou sua carreira nos anos da ditadura. 
Fonte: O Globo

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