O Sono e a Faxina Cerebral

Estudo revela que maus hábitos de sono "envenenam" o cérebro com neurotoxinas como a beta-amilóide. Esses resíduos nocivos podem corroborar com a origem de doenças, além de prejudicar a memória. O processo todo de filtragem leva de seis a oito horas e, quanto menos sono profundo você tiver, menos estará filtrando toxinas de forma eficaz (crédito da imagem)


Um estudo do Center for Translational Neuromedicin, da universidade de Rochester, descobriu que o espaço entre as células aumenta durante o sono, possibilitando que nosso cérebro se limpe de toxinas que se acumulam durante o tempo em que estamos acordados. Dr. Nedergaard, responsável pelo estudo, nomeou esse sistema como “glymphatic system”. Ele ajuda a controlar o fluxo do fluido cerebrospinal e assim leva neurotoxinas através da coluna vertebral em grandes quantidades. A origem do nome deriva do sistema linfático, que filtra os resíduos tóxicos para fora do corpo.
O sistema glymphatic filtra os produtos residuais prevenindo doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson. Este processo de limpeza permite que neurotoxinas sejam retiradas de nosso cérebro, como a chamada beta-amilóide, que foi encontrada em grande quantidade nos cérebros de pessoas com doença de Alzheimer. Quando não temos uma boa noite de sono, esse sistema não funciona de forma adequada e os resíduos nocivos são acumulados em nosso cérebro, podendo corroborar com a origem de doenças. Segundo um estudo publicado na revista Nature Neuroscience, quanto mais beta-amilóide que você tem em partes de seu cérebro, pior fica sua memória. Além disso, a toxina faz com que você tenha menos sono profundo, ou seja, seu cérebro fica cada vez menos eficaz em limpar essa toxina.
Segundo a especialista em sono e cérebro do Massachussets Institute of Technology(MIT), Tara Swart, o processo todo de filtragem leva de seis a oito horas e, quanto menos sono profundo você tiver, menos estará filtrando toxinas de forma eficaz. A especialista ressalta: mesmo se você não se sentir sonolento, seu cérebro precisa desse tempo para se purificar diariamente.
Se você não tiver a disponibilidade de usufruir desse tempo de sono, a especialista recomenda cochilos. Vinte minutos de cochilo já é tempo suficiente para funcionar como um verdadeiro power boost; com 30 minutos seu cérebro apresentará melhor aprendizagem e memória; em sonecas de 60 a 90 minutos, novas conexões podem se formar e libertar um potencial criativo no cérebro. Segundo Swart, é por isso que a empresa Google tem nap pods, que são locais direcionados para sonecas durante o expediente (foto)
Tara Swart ainda adverte que dormir ao lado de smartphones afeta seus padrões cerebrais devido aos sinais 3G e 4G que os aparelhos emitem a noite toda. Uma pesquisa publicada em 2007 já comprovou que a radiação elétrica emitida a partir dos dispositivos é captada por eletrodos dentro de nossos cérebros. Contudo, os cientistas ainda estão investigando os possíveis danos que os sinais eletromagnéticos emitidos a partir de equipamentos Wi-Fi causam no cérebro humano. Mas, o fato de atrapalhar potencialmente que seu cérebro limpe resíduos (como a beta-amilóide) adequadamente já demonstra o potencial de dano grave.

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