A Baixa Libido dos Japoneses

O crescente desinteresse pelo sexo no Japão, além de provocar impactos na taxa de natalidade, tem prejudicado as empresas que fabricam preservativos. A Sagami, segunda maior fabricante de preservativos do país, está sobrevivendo graças a demanda dos chineses pelo produto. A tendência é especialmente chamativa entre os homens jovens de 25 a 29 anos, dos quais 20% afirmaram que o sexo "não interessa".

Uma pesquisa feita em 2014 pela Associação de Planejamento Familiar do Japão descobriu que 47 por cento das mulheres de 16 a 24 anos de idade não estavam interessadas ou desprezavam o contato sexual - um sentimento compartilhado por 18 por cento dos homens. O levantamento também descobriu que os casais estavam fazendo menos sexo, com 45 por cento relatando nenhuma atividade sexual no mês anterior, contra 41 por cento em 2012 e 32 por cento em 2004.
Uma outra pesquisa realizada pela empresa fabricante de preservativos, Sagami Rubber Industries Co. em 2013 revelou que 41 por cento dos homens na faixa dos 20 anos foram identificados como virgens. No Japão, o desejo sexual caiu tanto que os homens jovens, de libido alterada, são muitas vezes chamados de “soushokukei-danshi” ou meninos herbívoros, um conceito popularizado no Japão nos últimos anos e que designa "jovens que não têm uma atitude positiva para o amor e o sexo", segundo o sociólogo Masahiro Morioka.
A Sagami luta contra uma clientela japonesa cada vez mais reduzida, envelhecida e, agora, também frígida. Não é de admirar o alívio que a empresa está recebendo com a popularidade que seus preservativos vêm desfrutando além-mar. A demanda por preservativos estrangeiros aumentou na China e como o número de turistas chineses em visita ao Japão não para de bater recordes, o produto de poliuretano mais fino da Sagami está esgotado.
Cerca de 5 milhões de chineses visitaram o Japão no ano passado, o dobro que em 2014, segundo a Organização Nacional de Turismo do Japão. Isso reforçou as vendas de bens de fabricação japonesa, desde fraldas e produtos de higiene feminina até panelas para fazer arroz e assentos sanitários. Os consumidores chineses são atraídos pela “alta qualidade” do produto japonês, especialmente após preocupações em relação à segurança de artigos chineses similares.
A Sagami, segundo maior fornecedor de preservativos do Japão, também se beneficiou. Suas ações subiram 137 por cento, para 1.071 ienes em Tóquio nos primeiros 10 meses do ano passado, enquanto sua maior rival, a Okamoto Industries Inc., subiu 156 por cento, para 1.099 ienes. Ambas as ações perderam lucros na sequência da turbulência dos mercados financeiros chineses e de um enfraquecimento do yuan.
Fonte: MSN via Bloomberg

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